domingo, junho 14, 2009

A Virgem Abençoada Castigando o Menino Jesus Perante Três Testemunhas


Max Ernst, alemão nasceu a 2 de Abril de 1891 em Brühl, Alemanha e morreu a 1 de Abril de 1976 em Paris. Era filho de Philipp Ernst, professor de artes e de Luise Kopp. Ernst aprendeu a pintar sozinho enquanto estudava Filosofia e Psiquiatria na Universidade de Bonn´entre 1909 a 1914, chegando a exibir uma de suas pinturas em 1913. Em 1914 Ernst veio a conhecer o surrealismo através de um grande pintor surrealista, Jean Arp, pelo qual manteve a amizade pela vida inteira.
Em
1916 Ernst foi convocado pelo serviço militar alemão para lutar na Primeira Guerra Mundial. Após a guerra Ernst foi morar para Colônia com Jean Arp e Johannes Baargeld, vindo a fundar o Grupo Dada de Colônia.
Ernst Fez uma exibição em
1920 em Colonia, mas foi fechada pela polícia, alegando que a exposição era obscena demais. Ernst acabou se mudando para Paris em 1922, onde veio a se juntar com o grupo surrealista. Era amigo de Gala e Paul Éluard , André Breton e Tristan Tzara.
Ernst viveu em
Nova York entre 1941 a 1945, em 1942 conheceu a pintora surrealista Dorothea Tanning . Em 1946 se casou com ela no Arizona.
Em
19588 voltou a morar em França até sua morte.
Debruço-me sobre este pintor alemão para vos falar da sua obra intitulada A Virgem Abençoada Castigando o Menino Jesus Perante Três Testemunhas.
Esta obra de Max Ernst sempre me imprecionou desde que a vi pela primeira vez porque pela primeira vez eu via o Menino Jesus sendo violentamente castigado pela sua mãe coisa que até aí nunca suspeitei que fosse possível. A violência do castigo é tal que a aurea do menino caí por por terra e a da sua mãe mantêm-se em equilíbrio instável sobre a cabeça. As nâdegas da criança estão vermelhas das palmadas, ele esperneia, tentado safar-se daquele abraço castigador. M.Ernst retrata a virgem com uma tal determinação que chega a ser assustador. O facto desse castigo ser feito perante testemunhas torna o quadro ainda mais terrífico, uma vez que eles,qual voyarismo tão em voga nos nossos dias, limitam-se a assistir a esse castigo sem nada fazerem, sem a mínima intenção de intervirem, olham a cena pelo puro gosto da curiosidade de quem vê algo que o diverte, que lhe dá prazer, que os deixa indiferentes. Vivemos numa era em que os castigos corporais tendem a ser cada vez mais abolidos e essa condenação estende-se ao seio familiar, e é por isso que este quadro de Max Ernst na sua pureza, violência e determinação se torna assustador. Olhamos para ele e tendemos-nos a distanciar, a violência que aí está explicita deixa-nos incomodados e aquelas testemunhas são como que o "Olho de Deus" que tudo vê mas que pouco ou nada pode fazer pelo seu filho. Nem Ele próprio pode arrancá-lo aos braços furiosos daquela mãe castigadora.
Apesar destas imagens de violência, em que uma mãe castiga o seu filho, não posso deixar de me recordar das palavras da escritora Pear S. Buck quando escreveu que "Algumas mães são carinhosas e outras são repreensivas, mas isto é Amor do mesmo modo, e a maioria das mães beija e repreende ao mesmo tempo.”
Este quadro intitulado A Virgem Abençoada Castigando o Menino Jesus Perante Três Testemunhas encontra-se em exibição no The Metropolitan Museum of Art em Nova York.

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