terça-feira, novembro 14, 2017

A Festa

Amei do principio ao surpreendente fim, este filme A Festa, da realizadora (que eu amo de coração) Sally Potter, a mesma de um dos filmes da minha vida:Orlando com a diva (pelo menos para mim) Tilda Swinton.
Este A Festa tem apenas e só sete atores dentro de uma casa e durante uma tarde. O mote é o festejo por parte de uma das personagens femininas (a dona da casa) o facto de ter sido escolhida como ministra da saúde de um governo sombra que espera muito em breve a tomada do poder. 
No espaço de hora e meia verificamos que nada é o que parece, todos vão retirando as máscaras que usam no seu dia a dia e é aqui que Sally Potter vai escalpelizar de uma forma única, cada um destes seres, até não ficar pedra sobre pedra. Com um principio, meio e fim absolutamente surpreendente este A Festa é  para mim decididamente um dos melhores filmes em cartaz nos cinemas nacionais. 
Sally Potter vai escolher como atores para esta espécie de teatro cinematográfico, uma   Kristin Scott Thomas em estado de graça (esta actriz é de facto surpreendente em todos os aspectos) um Timoty Spall que se vem afirmando como um dos grandes atores britânicos da actualidade, apesar da avançada idade,  um Cilliam Murphy  a mostrar o bom ator que é,   Bruno Ganz que nunca faz feio, assim como Patricia Clarkson , Emily Morimer e Cherry Jones. 
É de facto um grupo de atores que dão tudo, e o resultado é sublime. Preferindo filmar a preto e branco, este filme é  a "cara" da realizadora, que escava fundo chegando ao âmago do que é o ser humano, as suas absolutas imperfeições, mostrando o que é a maldade, o egoísmo, o amor, a inveja e  também a compaixão.Um filme imperdível!

domingo, outubro 22, 2017

Amando Van Gogh

Ontem fui ver um filme que foi para mim uma experiência cinematográfica única: A Paixão de Van Gogh, (co-produção inglesa e polaca), ou no título original Loving Van Gogh
De facto, este filme realizado pelo animador britânico  Hugh Welchman (Pedro e o Lobo/2006) e pela sua esposa, a polaca Dorota Kobiela, dá-nos a conhecer os últimos dias de vida de Van Gogh, esse genial pintor holandês prematuramente falecido, durante a sua  estadia na vilazinha de Auvers-Sur-Oise, em França.
 Eu adoro este pintor e fiquei a gostar mais dele quando fui visitar em Amesterdão o museu com o seu nome e aí constatei como de facto as suas pinceladas são de uma beleza de nos tirar o fôlego. No caso em apreço, este  filme pretende ser uma possível  explicação para o mistério que rodeia a sua morte, semanas depois do mesmo se ter auto mutilado cortando uma orelha e oferecendo-a a uma prostituta de um dos bares que ele ia com alguma regularidade.
É também a primeira longa metragem completamente pintada feita até hoje no mundo, ou seja, para simplificar o que ali vemos são como quadros do artista  que ganham vida própria. 
O que mais me espantou foi que cada personagem é apresentada-nos na mesma posição em que o pintor as imortalizou para sempre e depois é que se movem.Para mim isso foi espantoso, porque para quem conhece as obras de V.Gogh ver de repente o Dr Gachet sentado a uma mesa de mão no queixo e de repente começar a falar é uma coisa sublime, assim como outros personagens que povoam o filme. Também o facto da história nos ir sendo contada por Armand Roulin filho de Joseph Roulin, o carteiro que V.Gogh imortalizou numa das suas telas, dá uma dinâmica muito grande à história, pontuada aqui e ali por alguns momentos de fino humor muito interessante.
Para que este filme de animação  pudesse ser feito foram pintados 853 quadros a óleo, feitos por mais de 100 artista, a partir das 1430 obras de Van Gogh algo que nos é dado a conhecer logo antes do filme começar. Ao todo foram usados 65 mil fotogramas, uma loucura mesmo. Os atores que aparecem estão caracterizados de uma forma sublime às personagens dos quadros e isso é de nos pasmar até ao fim. No genérico final ficamos a saber o que aconteceu aos personagens e mesmo isso é feito de uma forma super original, não esquecendo a música parte integrante do filme e que acaba por ser uma mais valia irrepreensível. Sem ser um filme recheado de nomes sonantes (coisa que achei fantástico, posto que assim fixamo-nos na história e nas imagens e não nos atores) no elenco podemos ver Douglas Booth, Jerome Flyn, Saoirse Ronan, Chris O'Dowd entre outros. Adorei o filme e achei o mesmo lindíssimo e de uma originalidade ímpar e penso que será nomeado para o Óscar de Melhor Filme de Animação com toda a justiça.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Uma Saga Intemporal

Há muitos  anos atrás estando numa das livrarias da Europa-América, comecei a ler as primeiras páginas de um livro denominado O Clã do Urso das Cavernas, da escritora americana (de ascendência finlandesa) Jean M.Auel.
 Logo nas primeiras páginas fiquei cativada pelo livro e comprei-o. Sei que o li nessas férias em "três tempos" e depois apercebi-me que já tinham saído o livro seguinte denominado de O Vale dos Cavalos. Na altura como tinha outros livros para ler não comprei esse segundo volume. Anos mais tarde entrando numa outra livraria  que estava em liquidação vou dar com esse segundo volume e mais os seguintes todos arrumadinhos numa prateleira. 
O terceiro volume dividido em dois era Os Caçadores de Mamutes I e II o quarto volume também dividido em dois era o Planícies de Passagem I e II.
Na edição portuguesa há essa divisão de livros em livro I e livro II coisa que verifiquei não existir em outras edições como por exemplo no Brasil. Eu acabo por ter sete livros da saga e não tenho oito porque não foi editado em Portugal o Abrigo de Pedra.
Como os livros até estavam a preços bem acessíveis comprei-os a todos sem saber na altura, que essa saga tinha seguidores por tudo o que é sitio, está traduzido em inúmeras línguas, é considerado um best seller pelo número de obras vendidas, enfim...é um sucesso de vendas por todo o lado. É até  muito difícil de encontrar hoje alguns desses livros estando o Planícies de Passagem I esgotado.
 Mas que  Saga dos Filhos da Terra é essa?
 É a história de Ayla uma criança pré-histórica que devido a um sismo se separa da sua família e é encontrada quase morta num leito de rio por uma tribo de Neanderthais que por ali passavam à procura de uma nova caverna precisamente devido a esse sismo havido na região. Sendo ela Cro-Magnon e por isso com uma aparência física já distinta da tribo que a acolhe e com outras capacidades mentais bem mais evoluídas  e inventivas, cedo se destaca nessa sua nova família. O processo do seu crescimento é feito de aprendizagens várias nessa novo clã, muito sofrimento, descoberta dessas  suas capacidades mentais superiores aos demais que a rodeiam  e no fim da obra (Spoiler!) ela é expulsa do clã e parte em busca do seu próprio destino. Abre-se assim uma porta para a continuação da história. 
O que é que nos cativa em Ayla e o que nos afasta dela?
Cativa-nos a sua ingenuidade e  vulnerabilidade por se encontrar rodeada de gente desconhecida. De um momento para o outro ela vê-se sozinha num outro clã que não o seu. O facto dela ser uma sobrevivente nata faz dela uma personagem quase mítica.
 Afasta-nos a sua perfeição. De facto Ayla é o ser perfeito por excelência a começar pelo seu aspecto visual, visto ela ser a típica nórdica, alta, loura e de olhos azuis, se bem que ela própria se vê a si própria como bastante feia, em comparação com as outras mulheres do clã.
 Outro aspecto é que a  escritora, (que vemos que tem um carinho enormíssimo pela sua personagem principal) tanto a quis endeusar que demos por ela ser curandeira, cozinheira, engenheira, exímia caçadora, domadora de animais, ....enfim...aquela que todas as outras invejam e causadora de rancor até por parte dos homens que por ela se sentem atraídos/ameaçados. 
 No segundo volume  vemos que Ayla consegue viver sozinha durante anos, no Vale dos Cavalos a que o título alude, tendo por companhia animais que ela vai adotando, nomeadamente um cavalo, um lobo e um leão, até encontrar o que será o seu eterno companheiro,  Jondalar. A partir daí achei que a saga vai perdendo vigor e mesmo terceiro livro os Caçadores de Mamutes I e II a salvam desse torpor. Mesmo o triângulo amoroso que se desenvolve neste volume o salva de ser demasiadamente e exaustivamente explicativo...parecendo por vezes leitura para totós!
 Para mim Planície de Passagem I e II  vai revitalizar  a saga posto que é aqui mostrado a viagem do casal com os  seus adorados animais empreendem até a terra de Jandolar onde pretendem fixar-se, atravessando para isso parte da Europa da altura.É uma viagem cheia de aventuras, perigos e por isso a sua leitura é bem mais fácil e empolgante de ser feita. Pegamos nos livros e não conseguimos largar a sua leitura a ver se eles conseguem mesmo alcançar as terras dos familiares de Jandolar.
 Pelo que li a autora destas obras a Jean Auel, para poder escrever todos estes seis livros, (saiu em 2010 Abrigo de Pedra, não editado em Portugal e em 2013, A Mãe Terra esse sim já cá editado e posto à venda por uma outra editora que não a Europa-América) percorreu vários países em busca de conhecimentos pré-históricos, passando até por Portugal.  
Repito:vê-se que a sua pesquisa é exaustiva e por vezes até repetitiva, tanto ela nos quer mostrar com eram os feitos os tratamentos, como era confeccionado os instrumentos sejam eles de culinária ou de defesa, o modo como a higiene era realizada, as plantas certas a serem utilizadas, o enamoramento, os ritos de acasalamento,a descoberta do modo de fazer fogo, a separação de tarefas entre homens e mulheres...enfim o possível modus vivendi desses povos antigos.
Como não está editado em Portugal o Abrigo de Pedra eu não o pude ler, mas li os A Mãe Terra.
Verifico que é dos livros mais fracos da escritora. E de facto um romance histórico com perto de seiscentas páginas e a autora  continua dá a dar-nos conhecer muito da possível vida desses povos antigos .  Não deixei de o ler até ao fim, mas vê-se que a mesma quer esticar algo que já não tem por onde ser levado, há passagens muito repetitivas, até chatas se possível. Auel no afã de  colocar a par da história os que pela primeira vez lêem um dos seus livros sem o ter feito pela ordem cronológica,acaba por se estender imenso na explicação das histórias anteriores tornando a leitura por vezes algo maçadora. Isso acontece repetidamente  neste último livro,verificando-se isso no modo como ela elabora a explicação  do modo de vida e dos membros das várias famílias espalhadas pelas diversas cavernas existentes no vale. Contei várias páginas só disso o que é muito e torna tudo muito repetitivo e desgastante, posto que vendo o modo de viver de uma família vemos todas.  
Nesta obra, tal como nas anteriores, Ayla continua a ser a heroína incontestad, a que faz tudo bem, a que tem o poder de ir sempre mais longe. O amor que ela tem por Jondalar  continua intocável, mas mesmo aí poderia haver alguma atrito para apimentar a história, mas nem isso se dá.Mesmo  o pequeno atrito existente nas páginas finais entre os dois, não chega para dar alma ao livro que se perde em coisas que a meu ver são inúteis e pouco acrescentam à história. Tanta perfeição de Ayla é demais, pelo menos que a mulher tivesse algum defeito! Mesmo a sua santa ingenuidade e crendice no que os outros lhe dizem acaba por não ser um defeito mas uma virtude, posto que ela não vê maldade nos que a rodeiam. 
Contudo... eu adoro os livros desta saga...adoro de verdade!Mesmo com esses defeitos todos, acho que esta Saga dos Filhos da Terra, são livros muito bem escritos, a pesquisa da autora é de se louvar, ela escreve de uma forma muito honesta e quer sobretudo dar-nos a ver o que poderia ser o modo de vida dos nossos antepassados. Daí ela ser tão exaustiva, por vezes dá-me ideia que ela esquece que está a escrever um romance e não um livro de historia.
Os personagens apesar de algo estereotipados/maniqueístas quando há os maus são mesmo maus (verificou-se isso no primeiro livro mais do que nos outros) e quando há os bons esses são mesmo bonzinhos, acabam por nos cativar, assim como nos cativa ler o modo como esses povos viviam sempre em constante sobressalto e o que faziam para poder sobreviver nas suas cavernas. Esta é uma leitura que recomendo se conseguirem encontrar os livros desta saga de Jean M.Auel. Penso que a Ayla ficará sempre como a minha  heroína do tempo da pré história.
Ah...há um filme bastante datado, baseado na primeira obra. Nunca o vi, não sei se é bom ou não. Vi o trailer e é com a Daryl Hannah.

sábado, outubro 14, 2017

Nunca Me Deixes


Eu já tinha ouvido falar neste filme  Never let Me Go-Nunca me Deixes, mas como ele muito estranhamente  não foi para o circuito comercial e saiu directamente para Dvd não o pude ver no cinema. Assim que soube que o mesmo ia ser exibido num dos canais de televisão não o quis perder e de facto o filme é altamente perturbador, assombroso e ao mesmo tempo de uma beleza rara em termos de sensibilidade cinematográfica.

Realizado por Mark Romaneck   o filme parte da obra do laureado Kazuo Ishiguro o grande vencedor do  Nobel da Literatura deste ano. Tem como protagonistas Carey Mulligan, Andrew Garfield, Keira Knightley e Charlot Rampling. 
Um filme que nos assombra, perturba profundamente, e nos faz pensar sobre os meandros da infância, amizade, traição e sobretudo sobre a inevitabilidade da morte.

sexta-feira, outubro 13, 2017

Sir Edward Coley Burne-Jones-A Escadaria Dourada

Adoro esta tela do pintor Edward Coley Bourne-Jones, denominada de A Escadaria Dourada, porque há nela um não-sei-quê-de-misterioso que nos deixa a pensar para onde vão estas dezoito mulheres que transportam consigo instrumentos musicais. Irão elas ao fim da escadaria realizar um concerto?

terça-feira, outubro 10, 2017

Jean-François Millet-As Respigadoras

Jean François Millet o autor desta lindíssima obra aqui apresentada, da-nos a conhecer nesta sua tela, mais um dos seus temas favoritos, ou seja, o mundo  campestre. Tal como em O Angelus, Pastora a Tecer,e Pastora com o seu Rebanho o que aqui vemos é uma composição cuja temática é a dos trabalhos no campo. No caso em apreço trata-se trata-se de um trabalho realizado por três mulheres de aspecto muito pobre. Têm em mãos uma tarefa árdua, pois o que elas fazem é respigar o campo após a colheita, de modo a respigarem os grãos que ficaram no terreno.Muitas vezes esse trabalho era feito por mendigos que depois dos campos ceifados invadiam os mesmos, tentavam apanhar os grãos que tinham ficado caídos no solo.A paisagem é totalmente horizontal num dia de céu claro. Ao longe vemos ceifeiros carregando  carroças de bois e um homem a cavalo, provavelmente o fazendeiro dono das terra, que vigia o trabalho. Duas das mulheres estão de costas curvadas para o solo, tendo ima das mãos  na terra e segurando ramos secos na outra.
A terceira mulher está num plano mais horizontal mas tal como as outras não lhe vemos o rosto.Nas cores predomina o bege apenas quebrado pelas cores das vestimenta das mulher em primeiro plano onde predomina o azul da sua saia. Todas elas cobrem os cabelos com lenços simples mas coloridos. . É uma tela ao mesmo tempo triste mas muito realista, pois o que Millet pretendeu com ela foi retratar de uma modo muito cru a vida dura dos campos e as personagens que nela ganham a sua vida.
 Esta bonita composição é um óleo sobre tela denominado de As Respigadoras e pode ser apreciada no Museu D'Orsay em Paris.

sábado, outubro 07, 2017

Mais uma Sequela para Esquecer


Uma das coisas que sempre me fez e continuará a fazer confusão em termos cinematográficos é o porque de se mexer em clássicos de cinema pegando neles e fazendo uma continuação. Que haja franchises muito bem sucedidos a nível mundial, como é o caso de Fast and Furious (Velocidade Furiosa) onde o que ali vemos é apenas e só um produto para ver e esquecer no momento seguinte, por mim tudo bem, mas pegar em clássicos do cinema e fazer deles uma continuação que neste caso em apreço é sem pés nem cabeça, para mim é coisa de partir o coração para quem gosta de cinema como é o meu caso. Estou a falar-vos de Blade Runner-2049 o filme que estreou agora em Portugal e que é uma continuação do belíssimo Blade Runner de R.Scott, estreado nos longínquos anos oitenta, mais concretamente em 1983. 
Eu sempre fui fã incondicional das obras de Philip K.Dick o magnífico escritor de obras de ficção científica, de onde o filme se baseia e por isso quando o filme estreou nesse ano eu coloquei-me no cinema em menos de nada. Lembro-me que no dia que estreou este Blade Runner estreou também o ET e era ver qual deles causava mais estranheza e é óbvio que na altura o ET deu 10 a 0 a este Blade Runner porque a maior parte das pessoas achou este BR um objecto cinematográfico, exótico, violento, e muito para a frente. De facto, ver aquele mundo futurista onde tudo era tão sombrio, sempre a chover, as ruas apinhadas de gente tão estranha e onde tudo era tão caótico (parecia-se  com as ruas de cidades da china ou da Tailândia) deprimiu muita gente só de pensar que em 2019 o mundo pudesse ser assim. Aqueles neons gigantesco onde a cada segundo se fazia a apologia da necessidade de se tomar a pílula, a contínua e descarada publicidade à Coca-Cola,aqueles prédios absurdamente gigantescos, os carros a circularem pelos ares, o facto de nunca se ver a luz do dia devido à poluição da atmosfera,os bares  e restaurantes  apinhados das pessoas mais exóticas que nos era dado a ver, afastou as pessoas do filme, preferindo recolherem-se na história do ET esse bem mais familiar e ternurento.
 Eu como nunca fui dada a ET e como já lia as obras do Philip K Dick, adorei este Blade Runner, passei a ser fã incondicional do R.Scott, fui logo comprar o disco dos Vangelis quando o mesmo saiu quase a par do filme, ouvia-o de manhã à noite, tinha um walkman e adormecia com ele nos ouvidos a ouvir essa banda sonora absolutamente divinal e  que encaixava no filme como uma autêntica luva. A partir desse filme passei a amar o actor  Harrison Ford, a Sean Yong, o Rutcher Hauer, a Daryl Hannah o Eduardo James Olmos e quando estreava um filme em que eles entrassem eu ia logo a correr ver. Lembro-me de ter ido ver o filme duas vezes completamente fascinada por tudo aquilo. Mais tarde, mais muito mais tarde, quando saiu o dvd adquiriu-o logo e de quando em vez vou vê-lo. Esta semana, talvez devido ao facto de ter estrado a sequela o canal Hollywood passou a exibi-lo e eu lá estava pregada ao filme. Penso que este filme mitificou para sempre os personagens e até os actores que nele entraram. Eram de facto magníficos e a fotografia ajudava imenso a isso. A entrada da atriz  Sean Yong no filme é das coisas mais lindas em termos fotográficos que me foi dado a ver a par da de D.Hannah  caminhando por aquela rua deserta tendo por pano de fundo a musica dos Vangelis. Rutger Hauer tem aqui o papel de uma vida quanto mais não seja pela sua fala final (hoje considerada uma das grandes cenas em termos cinematográficos) com aquela fotografia de nos pregar à cadeira.
No dia anterior as ir ver essa sequela que agora estreou estive a rever o filme para o ter na retina quando fosse ver este Blade Runner-2049. 
Fui vê-lo ontem e não sai ao meio do filme por respeito ao R.Scott que agora aqui entra na qualidade de produtor, tendo a realização ficado a cargo de um realizador que eu gosto muito (aí porque me traíram ambos assim..) o Denis Villeneuve, o mesmo do magnífico Arrival que vos falei aqui aquando da sua estreia.
Bem, o filme pretendendo ser uma sequela do original é para mim uma bela bosta. Desculpem ser assim seca...mas é o sentimento que passei a nutrir pelo filme.A começar pela personagem principal o actor Ryan Gosling que para mim só deveria ter feito dois  filmes: Drive e Só Deus Perdoa. Depois disso deveria ter-se retirado, com a sua bela mulher para uma quinta na Califórnia e por lá com aquele ar de canastrão, criar cavalos e plantar árvores. Ver este actor ajudar a estraçalhar um filme que é uma sequela de um clássico é da pessoa rasgar as vestes. Este rapaz passa o filme com um ar tão inexpressivo e ensimesmado, que um leão marinho perto dele é um ser do mais alegre e expressivo que possamos imaginar. Se aquele ar era supostamente de um andróide sem emoções, vamos ali e já vimos. Conselho: Antes de teres posto esse ar deverias ver e rever  o Rutger Hauer durante horas e aí verias o que era ser um andróide.Mesmo as cenas em que lhe é pedido um pouco mais de emoção, a coisa é tão forçada, mas tão forçada que ou eu me engano ou o rapaz estava para lá de contrariado apor se ter metido neste projecto...só pode! Deste canastrão estamos entendidos, pois nem vale a pena gastar as minhas meninges neste personagem.
 Agora vamos ao Jared Leto. Eu adoro o Jared Leto, o vocalista desta (para mim) mítica banda que é o 10 Seconds to Mars. O rapaz está a abandonar paulatinamente a música e a entrar no cinema. Via-se que ele gostava deste mundo devido aos seus video clips autênticos pequenos filmes, verdadeiras pérolas de criação artística muito bem realizados. Ele é  um bom actor e isso viu-se quando o mesmo fez aquele papel de destrambelhado no filme Sala de Pânico. Depois entrou no Clube de Dallas onde ganhou o Óscar de actor secundário, fez outros filmes não tão visíveis até ter chegado ao papel que é amado/odiado por muitos que é  de Jocker em Esquadrão Suicida. Parece que o J.Leto se especializou em papéis de composição e aqui foram-no buscar por essa sua versatilidade. Bem, ele não entra no filme muitas vezes, mas quando entra para além de grandes tiradas e uma performance algo sinistra, nada dali sai de memorável. Vazio, oco e a esquecer no fim do filme. Eu quando vi o trailer ainda julguei que ele iria ser o cerne do filme como "herdeiro"do império Tyrell Corporation, e rivalizar com o magnifico papel feito pelo actor Joe Turkel como o dono dessa corporação a grande fabricante de replicants humanóides no primeiro BR. Puro engano, posto que  a participação de Leto aqui é para esquecer pois nada fica retido em nós, a não ser o magnífico  edifico onde agora alberga a Wallace Corporation...o que é dizer   muito pouco sobre ele!
Harrison Ford para mim foi a grande, mas mesmo a grande desilusão do filme. Resolveram irem buscá-lo para mostrar-nos um Rick Deckard, totalmente envelhecido, sem chama, frio, distante, pateticamente só, com umas falas super banais e que logo que entra desata aos murros e aos tiros sem qualquer sentido ou propósito. Aliás é a partir do momento em que ele entra no filme, que este que já era mau descarrila de vez. Começa a violência, os tiros, os murros, os assassinatos, muito show off...
 O seu papel é  tão mau, mas tão mau que é risível, e quando digo risível é mesmo risível! Deveria ter ficado quieto no seu canto, para que nos recordássemos sempre dele como o magnífico policia calçador de replicants como ele era no outro filme. P.S. Ou é engano meu, ou o Harrison Ford em vez de melhorar como actor está cada vez mais canastrão com a idade? Cada vez que assisto um filme em que ele entre a coisa vai piorando! Outro que deveria ter ficado pela série Indiana Jones e por este Blade Runner.
 Robin Wright uma actriz que eu amo de coração é para mim a personagem mais digna que aparece no filme.Apesar de aparecer poucas vezes, de cada vez que surge é aquela que se aguenta firme e hirta neste navio a entrar água por todos os lados. De facto esta mulher salva qualquer porcaria e mais uma vez aqui não foi excepção. Pena desaparecer do filme de uma forma tão sem glória pois ela merecia  bem mais consideração.
Não posso esquecer Dave Bautista um actor que estamos habituados a ver em filmes de ação e que aqui tem um papel muito contido e muito bom. Vê-lo atuar perto do oscarizado R.Gosling é ver quem é bom quando resolve ser bom e quem é péssimo quando acha que é magnifico. 10 para D.Bautista e 0 para R.Gosling .
Por último Ana de Armas. Esta atriz cubana tem-se vindo a afirmar paulatinamente no mundo cinematográfico. Já a tinha visto em Disclosed com o K.Reeves e já ali vi o vislumbre de uma boa atriz. Aqui tem um papel muito bom, pois está  contida  e sem mácula no seu registo como mulher virtual. Grande Ana de Armas...outra que perto de R.Gosling lhe rouba as cenas todas sem muito fazer por isso, o que diz tudo sobre aquele.
 Eduardo J.Olmos aparece num pequeno papel e sem fazer má figura.
Quando à história desta sequela, G.Villeneuve e os seus guionistas, assassinando totalmente a obra do escritor que deu origem ao primeiro filme, vendo  que não tinham muito por onde espremerem vão de inventar  uma filha de um humano com uma replicant que é desesperadamente procurada por toda a gente. Para o politicamente correcto ser muito politicamente correto e não se dizer que o filme é totalmente entregue a homens toca de colocar em campo uma perseguidora diabolicamente pérfida papel desempenhado  Sylvia Hoeks atriz que ficou conhecida pelo seu papel de falsa ingénua no magnifico filme de Giuseppe Tornatore A Melhor Oferta.Ela está ali  apenas e só para matar sem dó nem piedade, arrear pancada como uma doida nunca questionando nada, num papel sem qualquer sentido,sem alma e para mim perfeitamente descartável.  
Como há muita gente que não viu o primeiro BR e para que este fizesse algum sentido para esses espectadores, meteram falas e  cenas do primeiro filme, fazendo até  "aparecer" a atriz Sean Yong a andróide  Rachael.
Contudo, esta cena que poderia ser o momento fulcral e até emocional de todo o filme, foi totalmente desperdiçado sem apelo nem agravo por um Harrison Ford fora de tom, um J.Leto apático e uma S.Hoeks feita anjo exterminador. Se o filme para mim já era mau essa cena deitou por terra qualquer consideração e algum  beneficio de dúvida que tinha até ai  dado ao mesmo. 
No compito geral, repito, detestei este Blade Runner-2049, vi-o com grande sacrifício, a banda sonora é assustadoramente péssima e tonitruante a despropósito, e para a coisa ainda ser mais horrível foram na cena final buscar a música dos Vangelis, tentando mimetizar a última cena do primeiro filme. Claro que não resultou, porque de uma coisa tão má não vai sair um fim gloriosamente bom a ponto de nos esquecermos do belíssimo fim do primeiro filme... e com R.Gosling ainda pior.
 Não está de parabéns nem Gilles Villeneuve o realizador, nem R.Scott o produtor. Todo este filme  é péssimo e descartável, nunca conseguirá que esqueçamos o primeiro Blade Runner, muito pelo contrário, só servirá para o glorificarmos ainda mais como obra prima única e irrepetível!
 Tu G.Villeneuve que nos deste um tão bons filmes como é o caso de Arrival, Sicário, entre outros , deverias fazer uma pausa na tua carreira e refletir sobre o tu próximo projecto que deve ser algo de novo e parar de escarafunchar em coisas com os quais não devemos mexer como é o caso de filmes que nunca, mas nunca, deveriam ter sequelas e muito menos sequelas como está.

terça-feira, outubro 03, 2017

George Romney-Mrs Johnstone e a sua Filha

A tela que aqui vemos retrata uma cena familiar muito ternurenta e muito realista entre mãe e filha ao colo. A mãe tem uma atitude muito intima e carinhosa para com a sua filha, acabando assim por encarnar os ideais de sensibilidade que à época eram dominantes na mentalidade inglesa, sendo uma antecipação do movimento Romântico que podemos ver descritos nas obras da grande escritora Jane Austen, nomeadamente em Sensibilidade e Bom Senso livro  que eu adoro de coração. Assim, esses ideais defendiam o  regresso à autenticidade e espontaneidade humanas. Dentro dessa ideologia inseria-se pois a educação infantil, passando a a dar-se bem mais importância ao papel da mãe na educação e crescimento dos seus filhos, evitando-se o mais possível as tão em moda "amas de leite", passando as próprias mães a amamentar os seus bebés, incentivando-se também à estimulação das crianças levando-as a expressarem-se livremente. Retirava-se assim o "espartilho" da distância entre progenitora e os seus filhos, algo que vigorou tristemente durante décadas.
 Pintores como George Romney o autor da tela aqui expressa, contribuíram através da arte para criar uma visão idealizada e doce dessa nova  maternidade. Todo a tela está feita de uma forma muito harmoniosa e isso é visível no gesto de protecção da mãe que segura a criança nos braços até ao próprio rosto de ambas. A menina, está vestida de uma forma elegante, optando o pintor por a vestir com algo de completamente branco.Por sua vez a mãe mostra pertencer a uma classe alta devido ao traje sóbrio mas de aspecto rico.  Contudo, e apesar desses trajes algo luxuosos, destaca-se um certo despojamento visual visto a mãe apenas ter como adorno o fio que lhe pende do peito e que termina numa medalhão em forma de coração. Adoro esta tela denominada de Mrs Johnstone e sua Filha e que pode ser apreciada no Tate Galleries em Londres.

segunda-feira, setembro 25, 2017

As provações de uma Mãe

O filme vem procedido de grande bruá quanto mais não seja pelo secretismo em torno da história e pela estranheza das imagens do primeiro cartaz que o enunciava. Quando foi estreado criou também muita polémica visto ser daqueles objectos cinematográficos que após ser visto é do  tipo...ama-me ou odeia-me...mas não me deixes indiferente. Eu não fiquei indiferente ao mesmo, fui vê-lo e pasmei-me com tudo o que  ali vi e senti.
Falo-vos do Mãe, "Mother" no seu título original, com J.Lawrence (uma das grandes atrizes da atualidade) e J.Barden que nunca faz feio e que aqui tem um papelão quanto mais não seja, porque acho que nenhum outro ator poderia fazer  daquele marido absolutamente sinistro. Darren Aronofsky, (Cisne Negro) consegue neste seu filme que cada um de nós espectadores façamos a interpretação livre do que ali se passa naquela casa, entre aquele casal e aquelas pessoas absolutamente estranhas que os visitam, interpretação essa que passa por acharmos que o que ali vemos é apenas e só uma alegoria aos tempos que vivemos e onde a violência mais irracional pode irromper onde menos se espera, até fazermos uma ligação ao filme de R.Polansky, o Rosemary Baby. Eu saí do filme bastante incomodada, com a história, com as cenas de violência visceral que ali vemos e totalmente tomada de dó por aquela esposa, mãe, que às páginas tantas dá por si mergulhada num apocalipse never end e quando digo never end é mesmo no sentido literal do termo. Pelo que ouvia e lia das criticas ia com a ideia de ver um remake do Rosemary Baby mas dei por mim num outro objecto cinematográfico não menos terrível que este último e a meu ver muito bem escrito e realizado.
M.Pleiffer nas cenas que aparece absolutamente divinal, assim como Ed Harris e tantos outros que por ali surgem, assustando-nos de morte.Se o filme é do tipo satânico? Eu fiquei com a ideia que sim, pelo final, mas podemos ser levados pelo realizador a reflectir sobre os caminhos da idolatria, das dores da criação escrita ou seja ela qual for, do amor incondicional de uma mulher para com um homem e da absoluta violência intrínseca a cada um de nós seres humanos.

terça-feira, setembro 05, 2017

Obras ad infinitum

Andei um pouco arredada daqui devido ao facto de ter tido obras na minha casa. Quem já teve obras desse tipo sabe bem o calvário que é viver numa casa e vê-la dia após dia a ser partida, sujada, esventrada, "vandalizada" por homens de obras. A minha casa às páginas tantas parecia um albergue espanhol...cabia sempre cá mais um...homem de obras que vinha fazer mais alguma coisa. A experiência foi (e ainda não terminou...porque falta alguns detalhes e sabemos que o diabo está nos detalhes) traumatizante e penso que dificilmente tornarei a repetir a experiência. Aconselho desde já a quem pense fazer obras em casa que não fique na mesma,...que se mude...que vá para qualquer sitio mas que não fique a viver num estaleiro que foi o que aconteceu comigo. O pó, a sujeira, o barulho, e tudo o resto é o suficiente para tirar alguns anos de vida a uma pessoa, passe o exagero.Nada fica como dantes e quando pensamos que o pior já passou o outro dia é um pesadelo bem pior. Claro que toda gente me dizia: Depois vai ficar tudo bonitinho... mas quem está metido nas obras não perspectiva o futuro, não vê as coisas bonitas...pois o que vê é apenas lixo e pó. O pó era tanto mas tanto (lixar paredes e tectos dá nisso) que eu via o mesmo a pairar no ar e a não assentar. Um terror! Também disseram-me que durante um ano!!!iria sentir o pó a pairar pela casa e quem tem muitos livros como é o meu caso a coisa ainda se torna bem mais bicuda. Claro que não conseguindo dar conta da limpeza chamei quem fizesse a mesma, e de facto é o melhor que a pessoa tem a fazer porque se assim não for não consegue dar conta da empreitada. Agora que as coisas já assaram e "está tudo bonitinho" como me diziam, a pessoa não consegue ter o prazer de apreciar, porque nós os seres humanos temos tendência para ficar com as coisas negativas e relegar para segundo plano o positivo. É neste momento o meu caso...não consigo ainda apreciar o belo porque ainda continuo mergulhada no pesadelo...é como se não conseguisse sair dele. 
Uma amiga disse-me que há tempos estava a ouvir um programa de rádio e uma figura conhecida contava que tinha obras em casa e teve de se mudar para uma outra casa que tinha, porque as mesmas arrastavam-se há meses e ela com marido e filhos não conseguia lá viver. Eu não tenho filhos e penso que se os tivesse também teria que me mudar, visto que com crianças é impossível viver numa casa em obras e sem cozinha como foi o meu caso. O que as obras têm em Portugal (penso que noutros países as coisas não são assim) é que se arrastam ad infinito. Ninguém cumpre os prazos, tudo é feito com uma lentidão assustadora. O que podia ser feito em 15 dias dura meses, porque hoje falta o senhor que ia rebocar as paredes, amanhã falta o canalizador, o pintor só pode vir à tarde, o electricista não vem de todo, os materiais não aparecem porque a fabrica fechou para férias (agosto nesse aspecto é para esquecer porque o país fecha para férias) e assim por diante. Se os meses de verão são bons para obras no sentido em que as massas das paredes secam mais rapidamente, é contudo um terror no que respeita à compra dos materiais, visto que como já o disse, tudo fecha para férias. 
Então qual a melhor altura para obras? Não sei! Se é na Páscoa é a mesma coisa, pois toda a gente zarpa para a santa terrinha para degustar o cabrito e se o tempo estiver bom até para praia se vai!
 Se é no Natal a mesma coisa, se é nos inicio do ano e se este for chuvoso, não dá porque nada seca, há demasiada humidade no ar e a pessoa fica com a casa num estaleiro esperando infinitamente que as coisas se façam... e se for no verão é o que descrevi. 
Cheguei então à conclusão que se a pessoa tiver que fazer obras de grande vulto, o melhor mesmo é mudar de casa. Eu se soubesse que ia passar o que passei tinha feito isso. A insanidade de obras de vulto é tão grande que justifica a pessoa ir para outro lugar e não passar por um terror deste género. Obras em minha casa? Acho que nunca mais.

terça-feira, julho 18, 2017

O Paterson que vive em Paterson

Eu confesso que sou grande admiradora do realizador canadiano há muitos anos a viver nos E.U.A, Jim Jarmusch. Um  último filme que vi dele e que guardo num cantinho do meu coração foi o Só os Amantes Sobrevivem, com uma incrível  Tilda Swinton, filme esse ambientando na sombria e deserta  Detroit, o sítio ideal para esses amantes vampiros tão estranhos e tão fascinantes ao mesmo tempo. Não  consegui ainda ver todos os filmes deste realizador que tanto amo, mas paulatinamente chegarei lá.
Neste fim de semana, fui ver a sua última obra Paterson, com um Adam Drive que eu amo desde que o vi no soturno Midnight Special e em Silêncio, onde tinha um papel incrível e que tão pouco elogiado foi, focando-se toda a gente no ator principal, Andrew Garfield.
Este Paterson é ambientado na cidade de Paterson, Nova Jérsia, e foca-se no dia a dia deste homem, motorista de autocarro na cidade homónima e  casado com uma pseudo artista punk (Golshifteh Farahani/O Corpo da Mentira). Ele por consentimento ou preguiça mental deixa-se dominar por ela e esta, apanhando esse seu ponto fraco, consegue sempre levar a "água ao seu moinho". Paterson, possui um escape que é escrever poesia nas horas mortas enquanto o autocarro não parte, ou nos intervalos para o almoço. Escreve num caderninho de capa vermelha, mas nunca fotocopia os ditos poemas (súplica da mulher que o faça para posteriormente os publicar), porque simplesmente esse homem tem horror a  lidar com tudo o que seja tecnologia. Não possui um telemóvel, um computador, não sabe usar um tablet e tirando o autocarro mais nenhuma máquina passa pelas suas mãos ao contrário da mulher que adora tudo o que seja gadchets.
Os poemas de tipologia quotidiana que este personagem escreve, nada têm de especial. Já outros o escreveram de forma brilhante, nomeadamente o poeta que tanto Paterson admira que é William Carlos Williams. Neles não sentimos (eu não senti) qualquer emoção, qualquer coisa que mexesse comigo. Fiquei com a ideia que o próprio sabe que aquilo nada tem de original e por isso limita-se a escrevê-los sem qualquer ideia da sua publicação. Isso é verificável quando a miúda que ele encontra na rua e que lhe lê um dos seus poemas. Ali sim, há potencialidade, na medida que o deixa sem palavras.A única que acredita que ali está um grande poeta é a esposa, se bem que nem ela bem sabe o que o marido escreve. Tem é fé nele e como sonhadora algo irrealista que é, acredita que ele marcará dentro em breve a diferença no mundo da poesia.
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Para além do casal, existe um feio cão que também o domina, um bar onde o mesmo frequenta todos as noites quando vai passear esse  seu feio bull dog e um restrito grupo de amigos que se cingem a essas pessoas do bar, o respectivo dono do mesmo e um colega de trabalho que todos os dias carpe a Paterson a sua trágica vida. Tirando isso, há a cidade, os passageiros do autocarro, que conversam entre si e que Paterson ouve enquanto guia o mesmo, uma inesperada garota escritora  de poesia, a dita esposa que passa os dias a pintar a casa, os cortinados, as roupas de cama, a sua própria roupa, a fazer cup cakes, usando apenas e só o preto e branco. Às páginas tantas, lá para o meio do filme apercebemo-nos que paulatinamente a casa está a transforma-se numa caverna a preto e branco onde predomina quadros do cão, riscas, bolas e pouco mais. Até os cozinhados desta esposa tão excêntrica são intragáveis, mas ele come tudo sem nunca criticar essa comida pavorosa.
 Tudo aquilo é estranho não só para nós mas também para o próprio Paterson que contudo, nada diz, nada faz, não se rebela contra aquele modo de vida deixando-se ser dominado pela esposa e pelo cão. A cena em que o cão escolhe para onde quer ir passear e ele vai, é sintomática desse deixar andar, assim como a compra da guitarra por parte da mulher que tem a distinta lata de argumentar que a mesma é um presente de Paterson, quando o mesmo nem é tido ou achado sobre essa compra. Se o filme nos mostra o percurso deste casal de segunda a segunda feira, vai ser no fim de semana que se dá a tensão quando o cão resolve fazer das suas. Mas, nem aí este homem grita, argumenta, dá azo a uma fúria mais que justa. Se gostei deste último filme de Jim Jarmuch?
Sim e não. Gostei pela interpretação dos atores que fazem um casal algo suis generis, pela diferença de modos de vida de ambos, mas que contudo se encaixam um no outro perfeitamente. 
Não, porque a espaços dá-me ideia que o realizador anda ali sem saber como navegar por aquelas águas tão paradas e melancólicas. De facto, todo o filme é de uma grande melancolia, alguma tristeza, algo soturno e se o espectador está a espera de um "golpe de asa" bem pode esperar sentado (literalmente) pois esse nunca se dá nem lá para o fim quando se dá a pequena tragédia literária  envolvendo o raio do cão feio. Nem a conversa final com o turista japonês nos convence muito e penso que aquilo foi ali metido algo à força.
Não deixa de ser um filme interessante quanto mais não seja pela reflexão que faz à rotina  de um casa de classe média tão diferentes entre si, e que vivem de um modo tão à parte do resto da cidade. Tirando isso só fica mesmo a melancolia e a tristeza quase colada à pele, deste Paterson que vive na cidade de Paterson.

quarta-feira, junho 14, 2017

Obediência

Há pouco tempo resolvi rever o filme Experimenter do realizador Michael Almereyda  e com um par de fantásticos atores como é o caso de Winona Ryder e de Peter Sarsgaard.  É um dos  meus filmes preferidos a par de Gátaca, este último do realizador  Andrew Niccol. Enquanto o revia   dei por mim a pensar o quanto os experimentos do psicólogo experimental  Stanley Milgram continuam tremendamente  atuais. De facto, Experimenter traz-nos um fiel retrato da natureza humana, demarcando de um modo fantástico a sua fragilidade, sublinhando a sua inconsciência e expondo as propensões comportamentais em situações que  nos são familiares. As demonstradas experiências de Milgran, evidenciam as tendências humanas para comportamentos de obediência cega que nos levam a questionar ou a perceber o porquê do holocausto nazi e das"aceitação" de muitas  ditaduras sangrentas que proliferam infelizmente neste nosso planeta. O estudo realizado por Milgram acerca das reações individuais face a indicações concretas de outros, utilizando a simulação de eletrochoques, revelaram até à saciedade o cumprimento do Homem face à execução de ordens dadas, mesmo que isso envolvesse o sofrimento e a própria vida de outro ser humano. Secenta e cinco por cento dos sujeitos em estudo obedeceram até ao fim da experiência, administrando choques que, hipoteticamente, levariam à morte do indivíduo que os recebera. É muito interessante observar a reacção de todos aqueles que realizaram o procedimento experimental. De facto, quase todos eles afirmaram posteriormente, que se julgavam incapazes de efectuar tal crueldade para com outrem, mas que ali em face a alguém de "bata branca" que os mandava prosseguir com os choques, sentiram-se compelidos a obedecer sem questionar essa ordem tão cruel. Poucos foram os que se rebelaram, e os que o fizeram saíram do experimento zangados consigo próprios e com quem os obrigava a prosseguir com aquele horror. Os que ficavam até ao fim ficavam  tão desanimados e tão afetados que praticamente não conseguiam posteriormente olhar olhos nos olhos com a "vitima" dos electrochoques.
Este magnífico e bem realizado filme (que passou  bem despercebido aquando da sua exibição no cinema em Portugal) é bastante elucidativo da  condição humana e de todos os fenómenos do universo da obediência cega, que se repetem, contínua e sistematicamente  ao longo da História da Humanidade. É também a a meu ver um filme excepcional baseado na história de um grande e esquecido estudioso do comportamento humano.    

terça-feira, junho 06, 2017

Unidas pelo Amor

Está aí em cartaz uma obra cinematográfica nuito boa do jovem realizador polaco Tomasz Wasilewski. 
O filme chama-se United States of Love ,Estados Unidos Pelo Amor,e é a meu ver um filme extraordinário, posto que  o que aí vemos é o amor que perpassa por quatro mulheres sem que alguma o alcance por mais esforços que façam nesse sentido. O filme está construído num mosaico bem interessante em que acabando a historia de uma faz-se a ligação à história da outras sem que as linhas condutoras da ação sejam cortadas entre elas. Todas se conhecem, e todas elas vivem as sua solidão da forma mais triste possível, carregando o fardo de um amor não correspondido numa sociedade que se abre ao Ocidente (anos oitenta muito bem caracterizados através das roupas, penteados e modus  vivendi das personagens), mas que continua profundamente machista. Assim temos, Ágata que despreza o marido porque desenvolveu uma obsessão amorosa quase destrutiva pelo pároco local. Vinga-se fazendo sexo com ele (que  se arrasta atrás dela como um cachorro), usando-o apenas e só como instrumento para a lembrança do homem que ama: o padre. Até a filha ela maltrata, posto que só tem olhos para um ser que ela sabe ser  inatingível.
 O próprio ato sexual feito por esta mulher o o marido é animalesco e assustador, pois nada ali é amoroso, nada ali é digno de ser visto, tudo é violento pois só assim ela consegue sublimar a sua obsessão por alguém que ela sabe à partida que nunca terá. 
Renata  professora de literatura é levada à reforma pela diretora da escola onde trabalha. Esse seu local de trabalho era a sua segunda casa. Desocupada e vivendo nos subúrbios, zonas essas que o realizador filma soberbamente de forma a mostrar-nos como é viver em ilhas de prédios sem cor e sem alma, acaba por ter tempo livre para poder espiar o objecto do seu amor: Marzena, a jovem professora de educação física do colégio onde outrora trabalhava. É também um amor obsessivo, idêntico ao amor que ela tem pelos seus lindos pássaros que voam livremente pela sua casa. Esta casa é o seu refugio, decorada de modo à mesma se evadir da solidão em que se encontra emersa e que a faz estar em constante alerta para as chegadas e saídas do objecto da sua paixão. 
Iza a diretora do colégio, é uma mulher poderosa. Arranja-se bem, veste-se em consonância com o cargo, mas esconde um segredo. É amante há vários anos de um homem casado. Ela pensa que este ao enviuvar, irá  abrir-lhe finalmente as portas da sua casa e assim darem azo ao seu amor. Vai enganar-se redondamente, pois este já não a ama nem a pode ver à frente. O machismo dos homens é aqui posto à prova e a  história de Iza é a  meu ver a que mais mexe com o espectador. Ela é obsessivamente perseguidora no seu amor, quase doentio, por um homem que não hesita em a violentar fisicamente batendo-lhe para se libertar dela. Ela não se quer libertar dele e luta até à crueldade final. Aterrador. 
Por último temos a jovem Marzena objeto de desejo e de amor de Renata. Uma ex miss  da cidadezinha onde vivem, que nunca singrou em nada que queria, ou seja, o mundo da moda e por arrasto o da fama. Boa profissional, jovem e bonita procura o amor da forma mais torpe. Envolve-se com homens que ela julga que a colocarão no mundo que ela ambiciona, mas é óbvio que nada conseguirá. O que querem é o seu corpo jovem e disponível. Apenas a irmã Isa e Renata gostam dela. Iza através do seu amor fraternal tenta cuidar dela e a cena da realização do bolo de anos é disso exemplo e Renata que faz tudo para chamar-lhe a atenção sem que contudo Marzena se aperceba disso. 
Estão todas unidas por amores impossíveis, unidas na sua solidão e profunda tristeza. O sexo é um refugio, mas até isso é feito de uma forma feia e grosseira. 
Wasilewski não hesita em filmar corpos tal como eles são, com todas as suas im-perfeições. Não há fotoshop, o que vemos ali são os corpos daquelas mulheres e daqueles homens. A cena da piscina remeteu-me para a cena de abertura do filme Animais Noturnos do realizador Tom Ford. Os corpos tal como eles são em toda a sua plenitude. Soberbo!
No fim, saímos do cinema, eu pelo menos sai, não com uma sensação amarga de boca, mas sim com a sensação de  como é difícil alcançar o amor e como é digno de admiração a luta desenvolvida pelo ser humano para que tal seja possível. O Amor aqui está apenas na literatura e na bíblia.
Na literatura  que Renata lê para os seus alunos e que o pároco profere nas sua homilias e nas aulas de catecismo. Não existe dentro das casas, não existe entre os casais.
 No fundo aquelas mulheres acabam por ser o espelho de uma sociedade polaca em transformação acelerada, onde a mais profunda solidão e tristeza se agarra à pele destas mulheres (e no fundo à pele dos homens que com elas se cruzam)  cobrindo-os a todos com o seu manto quase irrespirável. 
De facto, um filme muito bom!

sábado, junho 03, 2017

O In-Conformismo

Já Aristóteles afirmava “O Homem é por natureza um animal político”. Somos seres naturalmente sociáveis, tendendo para a constituição de comunidades, necessitando de interação humana, de uma vida inserida num círculo coletivo partilhado.
O Homem, nesta perspetiva, anseia a aprovação dos que o rodeiam, necessita de uma espécie de aceitação que passa pelo seu “eu” individual, como também pelo “eu” inserido na sociedade. Deparamo-nos muitas vezes com a dualidade da nossa identidade, assumindo uma dupla caracterização que difere consoante o olhar, ou seja, conforme a entidade que nos avalia: um olhar pessoal (interior) ou um olhar social (exterior). Acabamos por nos tornar seres fragmentados, indefinidos pela pressão exercida através da educação, da política, da cultura e dos  costumes. É inevitável a criação de um quadro mental que englobe as expectativas que julgamos ter de superar, implantadas por nós ou por outros. De forma a alcançarmos a adaptação social que instintivamente ambicionamos, acabamos por nos pintar à imagem do indivíduo comum, ou, como me atrevo a designar: o sujeito padrão – aquele que reúne as qualidades e os traços que lhe confere atratividade,  que proporciona uma boa incorporação no mapa social, que impede a distanciação e diferenciação do coletivo. Estas competências acabam por resultar numa dissolução na nossa individualidade em prol da conquista de um “eu” coletivo, inserido num corpo geral indiviso.Porque procuramos esta dissolução? Porque não buscamos alcançar a distinção, a criação de uma assinatura particular, o desenho de um traço próprio? A resposta encontra-se, precisamente, na avaliação externa que tememos. Como constatamos, a novidade raramente é aceite de braços abertos nas tradições.
Há pouco tempo estava a ver a série Genius  com um soberbo Geoffrey Rush, como Einstein  onde é-nos mostrado uma possível biografia deste ser tão inteligente e tão inovador.Aí podemos constatar o quanto este homem foi incompreendido e a sua genialidade alvo de chacota e de descrédito pelos avanços científicos então demonstrados por ele. O mesmo se passa quando vi o filme O Jovem Karl Marx do realizador Raoul Peck com August Diehl e Stefan Konarcke. Tanto um como o outro (só para citar dois exemplos, havendo muitos mais)   foram indivíduos ousados e modernos para a época, foram, quase sempre, encarados como loucos, as suas ideias, por contrastarem com o pensamento do cidadão comum (cidadão padrão mencionado anteriormente, cumpridor das normas e paradigmas vigentes), quase  perderam credibilidade e tal só não aconteceu porque estes génios se agarraram a elas com toda a força das suas convicções. As pessoas tendem a assustar-se com o espelho que as consciencializa da falta da sua marca individual, que os alerta para o próprio desaparecimento, que acorda o seu “eu” interior à muito adormecido.   Incidindo no percurso do humano como ser biológico, desde o nascimento que este se encontra, na sua fase mais frágil e precoce, dependente de uma entidade que se define como superior por se apresentar mais capaz (física e psicologicamente), constituindo-se como fonte da nossa sobrevivência. Ao longo do nosso crescimento e em todo o desenvolvimento educacional, é feita esta segregação, é instituída a nossa primeira relação interpessoal complementar, sabendo que será a primeira de muitas. É-nos transmitida a arte da obediência que nos é vendida como a única manifestação de respeito para com entidades superiores. O ato de obedecer constitui-se assim como o principal vínculo em relações não simétricas, quer sejam relações familiares, acadêmicas ou profissionais. É em locais de ensino, em ambientes profissionais ou em espaços constitucionais do mundo adulto que se instaura a ideia de autoridade: qualidade do que é inquestionável, inquebrável e incontestável aos nossos olhos, tornando-nos cegos obedientes, esquecendo ou ignorando os valores e crenças morais defendidas. Somos assim, influenciados a agir de determinado modo, a comportarmo-nos de forma a atingir o cumprimento de ordens que julgamos ter a obrigação e/ou o dever de as concretizar. Testemunhamos nesta sequência de desenvolvimento social o detrimento do pensamento crítico, a vulnerabilidade ética e moral do ser humano e a perigosidade das ações por ele realizadas em consequência de uma obediência total e imediata.  O desejo da integração na sociedade e na cultura, a valorização e o medo incidente na opinião de outrem e a hierarquia estabelecida nas relações interpessoais, representa uma trindade que dá lugar ao conformismo. Conformamo-nos perante a educação que recebemos sem a questionar, perante o retrato social que pintam para nós e por nós. Conformamo-nos assumindo esse retrato como nosso, conformamo-nos rejeitando a mudança, tornando-nos agentes passivos comandados pelo medo. Conformamo-nos alimentando-nos do conformismo dos cidadãos comuns. Conformamo-nos com a vida morta e pobre que levamos, com o largar do “ eu” e o abraçar do “eles”. 
Conformamo-nos fingindo não nos conformar. Conformamo-nos dissociando aquilo que podíamos ser, mergulhando naquilo que esperam que sejamos. Vivemos numa sociedade a preto e branco, monótona, à imagem de um código binário. Cabe-nos a nós: aos loucos, aos anormais e aos marginalizados, pintar um universo aos nossos olhos e viver traçando a nossa identidade e aceitando a de outros. É da nossa responsabilidade convidar a diferença, criá-la e reinventá-la, chamar por experiências particulares vividas por um “eu” sólido mas mutável que acompanha a novidade constante de um mundo múltiplo.

domingo, maio 21, 2017

Prequelas...e mais Prequelas...

De facto eu devia ter emenda depois de ter visto Prometheus e aqui ter há um ano arrasado o filme. Contudo, quando vi  a sua sequência de seu nome Alien-Covenent, dei conta do quanto tinha sido injusta para com Prometheus. Este último filme de Ridley Scott é tão lixo, mas tão lixo (cósmico, espacial, alienígena...o que quisermos chamar...) que o anterior acaba quase por ser uma obra de arte.
Tirando os primeiros 10 minutos do filme, onde se dá um diálogo muito interessante entre o andróide David (M.Fassebender) e o seu criador  (Guy Pearce), tudo o resto é puro lixo do mais baixo que se pode imaginar, lixo esse muito bem embrulhado em tiradas grandiosas, com  um elenco de tripulantes com as ideias mais estúpidas que uma pessoa pode imaginar e no fim dei por mim a perguntar: então... e era essa gente tão desprovida de imaginação,inteligência, astúcia, bom senso... que se preparava para colonizar um planeta? Lol!
Pois...esse Alien-Covenant  é mais um prego no caixão desta sequela,(prequela neste caso) cujo filão/ideia máxima se esgotou  a meu ver precisamente no primeiro filme, Alien-O 8ºPassageiro. Todos os outros que se seguiram foram apenas filões para se ganhar dinheiro e mais nada. Porquê que insistem em fazer continuações de obras de arte? Why? why???? 
Quando Ridley Scott resolveu fazer esta prequela que mostra os eventos antes da chegada da nave ao planeta infernal, onde ovos gigantes com coisas nojentas dentro deles e que  aguardam para saltar para a cara dos infelizes que têm a ideia de olhar para dentro deles, meteu-se a meu ver por atalhos tão envios e tão desprovidos de inteligência que quase se torna risível,como é o caso em apreço.
Li que estão na calha mais dois filmes! Não imagino como se pode espremer mais esse filão, só se for para enriquecer Michael Fassebender, que se meteu aqui e e parece que veio para ficar a tal ponto que neste Alien-Covenant  já não apenas um Fassebender mais sim dois, o que torna tudo ainda mais desconsolador!O twist final é tão idiota, mas tão idiota que nem a grandiosa música de orquestra salva o filme da mais plena mediocridade.Enfim...quando Hollywood está falha de ideias e de bons argumentos cinematográficos, vomita sucessivas sequelas, prequelas e outras idiotices do género, ao qual até nem falta uma heroína a imitar Simone Weaver, mas bem menos inteligente que aquela, e um comandante de nave do mais idiota que me foi dado a ver em cinema.
 Uma desilusão completa!

domingo, maio 14, 2017

Mais UM!

E eis o meu BENFICA TETRA CAMPEÃO!
Que alegria!
Viva o GLORIOSO!


quarta-feira, abril 19, 2017

Negação

Apesar da critica ter malhado fort e e feio neste Negação, filme do inglês Mick Jackson, eu gostei muito do mesmo. Considerei-o muito bem feito, com interpretações muito bem conseguidas de Rachel Weisz, Tom Wilkinson (gosto imenso deste ator) e de Timothy Spall, que há uns tempos nos brindou com uma interpretação genial do pintor Turner. 
Passado em ambiente de um tribunal londrino onde historiadora norte americana Deborah E.Lipstadt, especialista no Holocausto vê-se compelida  a ter de enfrentar através de uma barreira de geniais advogados, David Irving, um negacionista do Holocausto, que afirma o mesmo ser uma farsa inventada pelos próprios para disso tirar dividendos e que acusa a historiadora de o ter difamado num livro publicado pela mesma.
O que acontece aqui, é que ao contrário do sistema norte americano, na Gra-Bretanha é o réu, neste caso  Deborah Lipstadt quem tem de provar a sua inocência e a falsidade das acusações de Irving e não o contrário. Assim esta historiadora vê-se envolvida no meio de uma disputa legal que se prolonga por meses, onde a tese dos seus advogados vai ser o de destruir as bases negacionistas de Irving, provando a veracidade de uma das manchas mais negras da história da humanidade.
Considero que o filme não tem pontos mortos, está muito bem construído, tem como disse acima boas interpretações dos actores em causa coadjuvados compor outros que dão o litro conseguindo assim um filme que se vê muito bem. O filme tem por base o próprio livro desta historiadora norte americana e judia  intitulado de History on Trial: My day in Court With Holocaust Denier.
Um bom filme que recomendo veementemente, quanto mais não seja para podermos ver o quão fina é a porta que separa aquilo que é verdade daquilo que a história pode apagar sem deixar qualquer testemunho às  gerações vindouras. Um filme que dá que pensar.

domingo, abril 02, 2017

A Vigilante do Amanhã

No que respeita a filme de ficção científica (que eu adoro como já o disse no post anterior) quando se mete japoneses, filmes baseados nos  mangás, imagens futuristas,bons actores como é o caso da Juliete Binoche, e já agora a Scarlett Johansson a dar forte e feio nos maus da fita, ponho-me no cinema em menos de nada. E foi o que fiz com este Ghost in The Shell: A Vigilante do Amanhã.
Adorei o filme, adorei a fotografia, a história, os actores, os efeitos especiais que nunca superam a narrativa (coisa rara hoje em dia), assim como aquela cidade do futuro do ano 2029 em que a publicidade das cidades  é feita em três dimensões(caminharemos para lá?), as ruas sempre apinhadas de gente (lembram-se do Blade Runner?) constante chuva a cair e onde já não distinguimos quem é gente e quem é robot, ou uma mistura de ambos.
Achei este Ghost in Shell um grande filme e que superou tudo o que eu estava a espera deste realizador,  Rupert Sanders, o mesmo de A Branca de Neve e o Caçador, mas que aqui no filme esta semana estrado sob bem alto a fasquia em termos cinematográficos. O filme começou por ser de S.Spilberg, mas que por motivos diversos, foi adiando o projecto ate o entregar a Sanders que o vai desenvolver com a ajuda de outros estúdios cinematográficos.
Para além da presença surpreendente nesta andanças de J.Binoche, que numa primeira instância começou por recusar por não se sentir confortável neste tipo de filmes,acabando por aceitar  papel (magnifico como sempre)  pela insistência do realizador, o mesmo vem também envolto em controvérsia devido à escolha da actriz principal, uma vez que na mangá original (banda desenhada japonesa) a mesma é interpretado por uma japonesa.
Eu acho que a mesma não tem razão de ser. Scarlett Johansson vai muito bem e penso que isso de ser uma japonesa ou uma americana não tira mérito ao filme. Vivemos num mundo globalizado em que essas coisas não podem ser consideradas desta forma, até porque se formos a ver poucos são os actores ocidentais que por lá andam, posto que a sua maioria são japoneses, pois o filme é uma parceria entre estúdios, americanos/japoneses e franceses.

Vida Inteligente

Eu de facto não entendo o porquê de certos filmes começarem com premissas tão boas e que depois ao longo do filme vão sendo esbaratadas, chegando a um fim perfeitamente risível. 
Falo-vos deste Vida Inteligente, estreado em Portugal na semana passada, filme do realizador Daniel Espinosa o mesmo  do assustador A Criança 44, com Tom Hardy  e de Detenção de Risco, este com D.Washington e Ryan Reynolds, o mesmo actor que ele vai buscar para aqui se juntar à equipa de uma estação espacial, uma espécie de laboratório no espaço que recebe uma amostra vinda de Marte e que tem de a estudar, a ver se a mesma contêm  Vida/ Life do título original.
Sempre amei e continuarei a amar filmes de ficção científica e sempre que algum se estreia procuro ir vê-lo. Não sou fã das Guerra das Estrelas nem de Star Trek e afins.
 Esse tipo de ficção cientifica passa-me ao lado. Gosto de outro género de filmes de ficção científica (amei o Primeiro Encontro que abordei aqui em post passado) não sou grande apreciadora de sagas, à excepção da que se seguiu ao 8º Passageiro, se bem que alguns dos filmes após esse foram autênticos flops a meu ver. Esperemos o que se segue ao Prometheus, o muito aguardado Alien:Covenant que deve estrear em breve.  
Contudo, retomemos a este Vida Inteligente. Por lá andam o já citado R. Reynolds, Rebecca Ferguson, (a parceira de Tom Cruise e no último Missão Impossível), Jake Gyllenhaal,(que dispensa apresentações) Ariyon Bakare, Hiroyuki Sanada e Olga Dihovichnaya, esta última como a comandante da nave.
Se logo  nos primeiros momentos a tensão instala-se com a chegada da sonda vinda de Marte e  que trás aquilo que é o propósito daquelas pessoas na nave e a posterior descoberta de vida nas amostras trazidas, essa tensão aos poucos vai-se traduzindo no medo que a tripulação vai aos poucos sentindo ao deparar-se com algo que os ultrapassa e que quer viver a todo o custo, façam eles o que fizerem para a eliminar. Ela supera-os a todos e nada a detém.  Isso é percebido logo no início do seu estudo e até admira que gente tão inteligente que ali está naquela nave, não se tenha disso apercebido e tratassem a amostra como algo em que pudessem vir a interagir normalmente,enfim...
É aqui que entramos no campo da semelhança com outros filmes do género e que Alien é a comparação mais provável. A espaços dá-me ideia que estou perante o 8º Passageiro mas uns bons furos  muito abaixo e ao mesmo tempo que a comparação se vai instalando  o gosto em ver o filme vai-se diluindo e foi precisamente isso que aconteceu comigo.
 Dei por mim a fazer comparações e a pensar que de facto depois de o o 8ºª Passageiro, todos os filmes que querem mexer com formas de vida de índole agressiva e indestrutível esbarrarão sempre na comparação. É injusto dizer isso, mas a criatividade por Hollywood não é muita e penso que todos passaram a  mimetizar-se  uns aos outros. O que Ridley Scott fez foi criar um género que depois todos os outros ou copiam... ou nada criam. 
Os que tentam,  uns sabem fazê-lo, outros não,  e é aqui que reside o pecado deste Life. Copiaram  e deram-se mal. O elenco é bom, todos dão o litro, para conseguirem algo de credível, R. Ferguson e Jake Gyllenhaal estão uns furos acima dos outros, mas...e há sempre um mais.. o filme é a meu ver uma desilusão, sendo que este sentimento é exacerbado naquele fim absolutamente risível. Se o intento do realizador era mostra-nos que há coisas que o ser humano não deve mexer e essas coisas são formas de vida absolutamente desconhecidas então conseguiu os seus propósitos. Contudo, ouvi gente a dar umas belas gargalhadas no final e isso não é bom sinal para um filme com as pretensões deste Life.

A Bela e o Monstro

Adorei esta A Bela e o Monstro em versão "carne e osso" se bem que as personagens mais divertidas são precisamente o relógio, o candelabro,  o bule e o seu filhote a chávena, o roupeiro sempre  adormecido, o piano, enfim... todos aqueles seres maravilhosos que enchem o castelo assombrado.
Bill Condon o realizador já nos tinha dado o imperdível Chicago e o Dream Girl e por isso está muito à vontade nos musicais. Os atores como é o caso da Emma Watson e do Kevin Kline , como seu pai estão absolutamente divinais, passado pelo "monstro" que eu não sei como é que aquilo é feito, mas está de facto uma coisa do outro mundo. 
Ainda por cima o filme é divertidíssimo, tem piadas muito bem feitas, tem um ator fantástico e super cómico que é o Josh Gad como o Le Fou, tem o Luke Evans como Gaston, um narcisista do mais abjecto que possamos imaginar, tem o Ewan McGregor como "candelabro" que está maravilhoso, tem o ator Ian McKellen como um medroso relógio muito cómico, tem o Stanley Tucci como um piano sem muitas teclas, e tem a Emma Thompson que como bule é só a coisa mais amorosa que podemos ver. Fui ver a versão original e achei tudo bom, maravilhoso, uma versão inesquecível de um clássico intemporal. Ah... é verdade, tem o belo Dan Stevens como o príncipe. 
Se querem duas horas bem passadas é só ir ver este A Bela e o Monstro.

domingo, março 26, 2017

O Meu Eu

Há pouco tempo estava a ver noite adentro (insónias) um filme que já apanhei a meio e que não quis voltar para trás para ver desde o inicio porque estava  chateada por não conseguir dormir que quedei-me a vê-lo a partir do ponto em que o mesmo ia.
Lentamente fui-me deixando absorver pelo mesmo, porque o que ali estava era o tema das viagens no tempo e em que a páginas tantas o personagem principal , dava por si a retornar ao seu passado, para emendar o que tinha feito no futuro, num processo tão repetidamente esquizofrénico, que a sua identidade passado, presente e futuro, ia-se diluindo sem que o mesmo já soubesse identificar o seu Eu, procurando por isso encontrar através das suas  memórias algo a que se pudesse agarrar, mas duvidando continuamente das mesmas, num looping eternamente repetitivo. 
No dia seguinte enquanto ia para o trabalho comecei a pensar naquilo a que chamamos Eu e se o mesmo é apenas e só uma construção linguística ou vai mais além disso.
De facto, penso que este Eu consiste na opinião que formamos acerca de nós mesmos, que é, em grande medida, definida pela educação, e pela sociedade onde nos inserimos.
 Criamos, sobre o Eu natural e inconsciente, um Eu discursivo, que nasce da confrontação com o que conhecemos de nós próprios.
Conhecemo-nos através de memórias e de conceitos anteriormente imbuídos na nossa mente,e é através dela que  damos uma resposta, seja emocional, intelectual, etc., que contribuirá, postumamente, para outras análises. 
Construímos, pouco a pouco, uma individualidade linguística, e quanto maior for o grau de imparcialidade de que formos capazes, tanto mais independente se torna este novo Eu, a ponto de pormos em causa, eventualmente, a responsabilidade pelos nossos próprios actos, tal como acontecia no filme, visto esses atos poderem ser anulados numa viagem ao passado.
Com efeito, as experiências passam a valer pelo que revelam de nós mesmos, e, regressando a elas, podemos sentir a cisão entre aquele que olha, e aquele que é olhado. Podemos não nos reconhecer no que fazemos, em geral porque o que fazemos pode estar em desacordo com os ideais que se vão formando, em segredo (ou não), ao longo de toda a educação e interacção com o meio socio-cultural. 
Nasce, aqui, o esforço supremo do homem, definido por Nietzsche como a “vontade de vontade”.Assim o meu Eu, acaba por ser aquilo que eu penso que sou, mas formatada por aquilo que os outros querem que eu seja, num processo contínuo de vivência social.