segunda-feira, agosto 22, 2016

Demónios em Néon

Realizado por Nicolas Winding Refn que já nos tinha dado os muito por mim amados "Drive" e "Só Deus Perdoa", esta sua última obra a Neon Demon  agora em cartaz em Portugal (esteve em competição pela Palma de Ouro no último festival de Cannes e deu muito brado e apupos) é uma experiência cinematográfica um tanto ou quanto assustadora nas premissas, que são 'só' uma visão absolutamente alucinante dos bastidores do mundo da moda, onde vale tudo e quando digo   vale tudo é no sentido literal da palavra.
Com a muito segura Elle Fanning no papel principal, uma lolita de olhar cândido que Rafn põe em cena, o que aqui vemos são várias 'demónias' de salto muito alto e ar falsamente angelical que tudo fazem para singrar neste mundo tão apetecível que é o da moda, mais propriamente ser-se a melhor modelo  e onde jovens mulheres  degladiam-se numa arena muito sua, para alcançarem a visibilidade e por arrasto fama e muito  sucesso.
Nicolas Rafn não vacila e dá-nos a observar um mundo de grande perversidade, maldade, narcisismo, cupidez, e sobretudo a mais pura inveja que já me foi dado a a assistir em termos cinematográficos. 
Apesar do filme a espaços pecar por excesso de imagens com carga simbólica, a fotografia é fabulosa de bela e a musica um autêntico portento.Penso, aliás, que a mais valia do filme é a banda sonora que o pontua, completamente integrada nas imagens. Nesse aspecto o filme é soberbo!
Claro que não posso deixar de referir a prestação magnífica da Elle Fanning e do seu rosto perfeitíssimo para este papel, assim como o de Jena Malone ( um portento de actriz) a lindíssima Abbey Lee que já tínhamos visto em Mad Max e que aqui mostra estar no bom caminho, Keeanu Reeves, Christina Hendricks,Karl Clusman, Desmond Harrigton, Bella Heathcote entre outros.

Um filme Imperdível!

sexta-feira, agosto 05, 2016

Experimenter

Estreado esta semana em Portugal este Experimenter do realizador Michel Almereyda é seguramente a meu ver o acontecimento cinematográfico dos últimos meses, um dos Melhores filmes em cartaz neste momento.
 Fui vê-lo e adorei o filme do principio ao fim.
Com um elenco onde pontua o sempre excelente Peter Sarsgaard como Milgram e uma Winona Ryder em estado de graça, não esquecendo as presenças de John Leguizamo, o malogrado Anton Yelchin, Kellan Lutz, Dennis Haysbert, Antony Edwards,Taryn Manning, entre tantos outros, pena é que o filme esteja em cartaz nesta época de veraneio em que tão pouca gente vai ao cinema. Uma pena, mesmo, pois o filme é excelente.
Experimenter nada mais é do que uma amostragem fantasticamente realizada e com cenários soberbos (em estilo assumidamente  teatral) das experiências do psicólogo Stanley Milgran (e eu que já leccionei tanto Milgran aos meus alunos sem conhecer bem a fundo o  seu rico e fantástico percurso no campo da psicologia experimental).
 Esta amostragem começa em 1961 quando o mesmo leva a cabo uma série de experiências muito controversas para a época (e essa controvérsia estende-se até aos dias de hoje) onde o mesmo recorria a choques eléctricos tentando mostrar o modo como o ser humano é capaz de obedecer a ordens absurdas capazes de levar outro ser humano à morte.
Essas experiências foram inspiradas no julgamento de Adolf Eichmann, nazi capturado pela Mossad e julgado e condenado à morte por crimes de guerra. 
Assim, partindo desse julgamento o que Milgram pretendia era testar a obediência dos seres humanos a ordens em que o expoente máximo foram  homens como Eichamann, meros funcionários burocráticos ( como bem os deferiu  de Hanna Arend't) que cumprindo ordens cegas dos seus superiores hierárquicos, nunca   questionaram moral e eticamente  essas mesmas ordens, cumprindo-as sem uma consciência efectiva do que o que faziam era profundamente errado, pois o que ali estava à sua frente eram seres humanos tais como eles próprios.
 Essas experiências de Milgram depois transpostas em livro  geraram bastante controvérsia nos meios académicos e não só, levando o mesmo a penar bastante até os seus méritos serem efectivamente reconhecidos. Para além do visionamento das experiências que aqui estão soberbamente realizadas outro aspecto interessante é ficarmos a conhecer  outras experiências que o mesmo foi criando ao longo da sua curta vida, dado que o mesmo malogradamente morreu bem novo aos 51 anos de idade.
O momento da sua entrada no hospital e o a sequência burocrática do seu internamento acaba por ser caricato pois até ali Milgram percebe o quanto a obediência a regras absurdas pode levar a morte como foi o seu caso. 
Um filme imperdível a todos os títulos! 

domingo, julho 24, 2016

O Segredo dos Seus Olhos

Realizado por Juan José Campanella e baseado no livro La Pregunta de sus Ojos, de Eduardo Sacheri, este O Segredo dos Seus Olhos, filme argentino de  2009 é seguramente um dos filmes da minha vida. 
Com ele a  Argentina ganhou o seu segundo Oscar depois deste país já ter um com a película  A História Oficial (retrato muito negro  da ditadura).
Com Ricardo Dárin (actor que eu amo de corazon), a bonita e sempre segura Soledad Vilamil e o não menos estupendo Guillermo Francella, ver este filme é mergulhar no que de melhor o cinema tem. Um bom argumento adaptado de uma obra, uma soberba realização, um naipe de actores em estado de graça, diálogos inesquecíveis, encadeamento muito bem feito do passado no presente, um final assombroso e sobretudo a famosa cena de perseguição ao suspeito principal de um violento crime de violação seguido de assassinato de uma jovem mulher (locomotiv do filme)  feita de um só take e toda ela passada num estádio de futebol repleto de gente e com o jogo a decorrer. No mínimo, uma cena de antologia assim como aquele final que nunca irei esquecer.
Penso que não conheço ninguém que não ame este filme digno de todos os prémios que lhe possam ter sido atribuídos, pois o mesmo é uma autêntica obra de arte cinematográfica. 
Ontem sábado revi-o na RTP1 e foi como se nunca o tivesse visto, pois prendeu-me outra vez do princípio ao fim apesar de já saber o que ali se passava.
Refiro que Hollywood sempre atenta a esses fenómenos  vindo de fora e de considerável êxito, fez no ano passado um remake, ou antes, uma adaptação livre do mesmo filme. Resisti a ver essa incursão americana do filme de Juan Campanella feita pelo realizador Billy Ray.
Contudo, quando a vi não desgostei. Apesar de estar nos antípodas da obra original, as prestações seguras de Julia Roberts (quase irreconhecível de tão pouco maquilhada e arranjada que está) e de  Chiwetel Ejiofor conseguem segurar muito bem todo  o filme.
Esqueçanos Nicole Kidman que nada tem de parecido com o papel de Soledad Vilamil no filme original e foquemo-nos apenas e só nos dois primeiros. 
Se assim o fizermos acabamos por gostar dessa adaptação e apesar do mesmo se mover nas sequelas do  11 de Setembro, acaba por não desmerecer o tempo despendido a vê-lo. 
Apesar de tudo isso nada melhor que ver o fantástico filme argentino, posto que de  facto este é uma obra prima. 

De Cabeça Perdida

Com realização de Emmanuelle Bercot e com as magníficas prestações de Catherine Deneuve e um fantástico Rod Paradot ( seu primeiro filme), Benoit Magimel, Sara Forestier,Diane Rouxel, está em exibição em Portugal desde há uns tempos o imperdível filme francês,  "De Cabeça Erguida".
Filme de Abertura do Festival de Cannes em 2015 e vencedor de alguns prémios  como é o caso do César (2015) traça o retrato de Mallony Ferrando um adolescente que desde os seis anos é institucionalizado, ficando a cargo do Estado mais concretamente de uma juíza, papel desempenhado magistralmente por Catherine Deneuve. 
Durante duas horas o que ali vemos é a lento e desesperante trabalho de um conjunto de pessoas para trazer este jovem para o seio da sociedade.
 Não há facilitismo, pois o  que aqui se procurar mostrar é que este percurso é extremamente duro, penoso, violento, doloroso ,muito desesperante e com constantes recaídas por parte de quem vive mergulhado numa raiva quase surda em relação a uma sociedade que os não aceita e isso perpassa por todos os jovens que vemos  naquele centro de detenção juvenil onde a violência irrompe constantemente por "dá cá aquela palha".
 Ali há negros, árabes, asiáticos, europeus, jovens rapazes que  vivem constantemente no fio da navalha e a um passo da prisão e quando esta se dá muitos deles acabam por mergulhar num poço sem fundo  terminando nesse sítio a sua aprendizagem marginal. Quando finalmente saem, passam infelizmente a engrossar as estatísticas de  delinquentes que pululam as sociedades dos nossos dias. 
Em De Cabeça Erguida assistimos ao drama bastante penoso de Mallory que está em conflito com toda a gente e principiante com ele próprio. 
Vive permanentemente  em fúria.
 Parece que odeia tudo e todos e odeia-se principiante a sim próprio.
Perdeu-se o número de tutores que já teve. Vemos no início que os agride e só ganha amizade e respeito por um ( o magnifico Benoit Magimel)  que o irá enfrentar pois também ele já foi um "Mallony " e conseguiu sair de cabeça erguida. 
A própria relação que mantém, com a mãe (uma mulher totalmente desestruturada) é conflituosa, uma mistura de amor/ódio. 
Ama o irmão mais novo e parece-nos que a única pessoa que respeita no mundo é a juíza que o institucionalizou quando foi abandonado pela mãe. 
Respeita-a porque sabe ela é a única que sempre se interessou por ele. Manda-lhe postais ilustrados  do centro de detenções e alegra-se quando vê na sua secretária a pedra que ele lhe ofereceu.
 É semi analfabeto, pois abandonou sempre a escola. Ensiná-lo a ler e escrever é um trabalho hercúleo, só digno de ser feito por quem tem uma paciência de santo.
A sua raiva não o deixa atinar. Não relaxa, as mãos estão sempre fechadas.Os actos  sexuais  que tem com a namorada são sempre violentos e tumultuosas por mais carinhosa que ela tente ser. 
 Parece que de um momento para o outro vai sair da tela e esmurrar-nos. 
O pontapé que dá na mesa e atinge a educadora grávida atinge-nos também como espectadores.
 Incrível tudo o que faz e o pouco que diz.
Pouco fala porque traduz o que sente em actos. Rouba carros, guia como um louco e espatifa-os. 
Quer ser tatuador mas não sabe desenhar. Há a anotar que ali naquele centro de detenção juvenil ninguém quer trabalhos humildes. Todos querem ser grandiosos mas quase todos não sabem ler e escrever. Mallory também quer ser grandioso mas nada faz para isso.
Quase no fim do filme quando está a ser massajado pela terapeuta é aí que pela primeira vez o vemos baixar a guarda, abrir as mão e relaxar quase totalmente.
Contudo, os actos de violência não o largam e a juíza manda-o para a  prisão. Aí acalma  e começa a criar objectivos de vida.
Ao contrario da maioria dos filmes americanos que abordam o problema da delinquência, aqui não há happy end. Mesmo quando o vemos percorrer o Palácio da Justiça  finalmente livre e com o filho ao colo, interrogamo-nos se de facto ele está apto a viver em sociedade ou se aquele ciclo de violência não se perpetuará sempre...
A cena de despedida entre ele e a juíza onde esta diz  que se vai reformar é sintomática do desgaste de todo um sistema pedagógico e judicial que trabalha dia após dia e sem grandes meios para trazer centenas de jovens marginais a uma sociedade que  pouco ou nada  lhes diz.
Um filme soberbo, que nos faz pensar nesta sociedade em que vivemos e que no fim nos deixa com um sabor amargo na boca.

domingo, julho 17, 2016

A Banalidade do Mal

Sempre fui confessa admiradora da filósofa Hanna Arendt  (por causa dela e de Kant tirei este curso) e quanto mais leio sobre esta extraordinária pensadora mais admiro o quanto ela estava avançada em relação ao seu tempo.
Ao ver e ouvir jornalistas,comentadores, políticos/comentadores... sobre o tenebroso atentado em Nice e ver a  fraca e superficial reacção da pessoas ao mesmo, talvez exaustas de tanto sangue e de tanta maldade  e mais preocupadas em caçar pokémons, por jardins, casas, igrejas, museus, e outros sítios improváveis, lembrei-me das palavras de H.Arendt quando esta escreveu acerca da Banalidade do Mal e as Possibilidade da Educação Moral:

"Há alguns anos, em relato sobre o julgamento de *Eichmann em Jerusalém, mencionei a “banalidade do mal”. Não quis, com a expressão, referir-me a teoria ou doutrina de qualquer espécie, mas antes a algo bastante factual, o fenómeno dos atos maus, cometidos em proporções gigantescas – atos cuja raiz não iremos encontrar uma especial maldade, patologia ou convicção ideológica do agente. A sua personalidade destaca-se unicamente por uma extraordinária superficialidade."(Arendt, 1993, p. 145).

É precisamente esta superficialidade, desprendimento, e indiferença que é assustadora e quando mais atos bárbaros forem cometidos, mais essa banalidade do mal se introduzirá dentro das pessoas, passando os mesmos a fazer parte do seu quotidiano. 
Esta banalidade dos atos maus é a meu ver,  uma defesa humana
 para a supressão do medo e desta forma  conseguir ela mesma viver num planeta quase moribundo para os valores da paz, amizade, bondade e solidariedade para com as dores do próximo.



*Eichmann foi um nazi capturado pela Mossad, levado para Isrrael sendo depois julgado e condenado por crimes de guerra. H.Arendt a viver e a dar aulas  nos E.U.A. arte para Jerusalém onde decorre o julgamento, tendo posteriormente escrito a sua famosa obra obra "A Banalidade do Mal e as Possibilidades da Educação Moral", obra que lhe valeu fortes criticas da comunidade Judaica, mas que contudo é até hoje um marco da literatura filosófica.
O filme da realizadora Margarethe von Trotta  denominado precisamente de Hanna Arendt  com a actriz Barbara Sokowa retrata este julgamento e a postura desta filósofa perante o que ali se estava a passar. 

quarta-feira, julho 13, 2016

René Magritte- O Assassino Ameaçado

Ontem estava a ver num dos canais da cabo  um dos episódios (bastante bons) da série Poirot e dei por mim a pensar no pintor belga René Magritte( 1898/1967) 'compatriota' do famoso detective criado pela escritora Agatha  Christie.
 Ao pensar em Magritte e na associação com Poirot lembrei-me de abordar aqui uma das suas obras um tanto ou quanto misteriosa denominada de "O Assassino Ameaçado", um óleo sobre tela que se encontra no MoMa em Nova Iorque.  
Surrealista como era, Magritte criou obras ímpares dentro desse campo, obras essas que quase todas elas tinham uma componente muito misteriosa, talvez por o pintor ter um genuíno interesse por romances policiais e tentar transportar isso para as suas telas. 
Assim, o que aqui vemos é um quadro onde uns poucos de personagens masculinos e uma feminina encarnam papeis muito estranhos e ao mesmo tempo fascinantes. 
René Magritte
O corpo de uma jovem mulher assassinada jaz em cima de uma cama. Esta nua e sangue jorra-lhe pela boca, mostrando que foi brutalmente assassinada. Está deitada sobre uma colcha vermelho vivo a cor que dá vida à tela. Dois homens armados um com uma moca e outro com uma rede e aparentando ser policias esperam aquele que nos dá ideia de ser o assassino que alheado do corpo ouve atentamente música vindo de um grande gramofone.  Sobre uma cadeira repousa um sobretudo, um chapéu e no chão uma maleta. Completando esse estranho quadro existe uma janela aberta para uma paisagem de montanha onde  três personagens espreitam toda a cena, assemelhando-se a nós que como espectadores apreciamos esta obra. 

Magnificamente executada  esta tela assemelha-se a uma pequena peça de teatro pelo decór criado por Magritte, todo ele em tons cinza e negro e onde a cor mais viva vai ser precisamente a colcha onde se deita a vitima. A pouca expressividade dos personagens masculinos tornam tudo muito obscuro e misterioso, tornando fascinante toda a cena.
Uma obra soberba deste pintor que eu amo de coração.

terça-feira, julho 12, 2016

A Vida é Injusta

Para os miúdos que agora se encontram de férias e que julgam que têm uma mãe autoritária, mandona e que tudo o que diz parece ser a mais pura das injustiças, nada melhor que assistir uma série que eu adoro de coração e que voltou à Fox Comedy chamada de "Malcon the Middle" no original," A Vida é Injusta" em português e verem que a que têm em casa em comparação com esta, (magnífica actriz Jane Frances Kaczmarek), é uma  autêntica santa Teresa.
Rir até cair pró chão, assistir às loucuras desta
família absolutamente disfuncional!

segunda-feira, julho 11, 2016

Simplesmente...Campeões da Europa 2016

E QUE VIVA A NOSSA FANTÁSTICA SELECÇÃO, MAIS O ENGENHEIRO DA VITÓRIA, O GRANDE E CONFIANTE FERNANDO SANTOS.
AO ÉDER SÓ NOS RESTA AGRADECER O SEU FANTÁSTICO GOLAÇO!





domingo, julho 03, 2016

Revisitação de um Mito

Foi com agrado que vi chegar ao Meo, este fabuloso filme de Christopher Smith (2009) intitulado de Triangel ( Triângulo do Medo) com uma fabulosa e talentosa Melissa Jorge. Já o tinha visto há uns anos atrás e adorei o filme do princípio ao fim. Ontem fazendo zapping pelo video clube da Meo (passo a publicidade) fui dar com o filme e fiquei genuinamente feliz em poder revê-lo.
O filme é imperdível a todos os títulos quanto mais não seja porque eu gosto imenso da mitologia grega e ai o que vemos é nada mais do que a revisitação do Mito de Sísifico um dos personagens mais trágicos da mitologia, pois foi para sempre condenado a rolar uma pedra de mármore montanha acima, pedra essa que por força da sua  maldição rolava ladeira abaixo tendo que  Sísifico tornar a rolá-la montanha acima num movimento para toda a eternidade, sendo incapaz de mudar o seu fatal e amaldiçoado destino.  
Assim, o que aqui vemos neste soberbo filme nada mais é do que o castigo de alguém que faltando às suas obrigações de mãe de um filho deficiente, terá que eternamente repetir os mesmos actos para toda a eternidade, sempre metida dentro de um tenebroso barco de seu nome...Aeolus o nome do pai de Sísifico e Senhor os Ventos segundo a Mitologia grega. 
O filme a espaços é tão espantosamente agonizante e sufocante  que o espectador é genuinamente contagiado pela infelicidade da personagem principal, e esse mérito só um bom realizador e uma actriz talentosa conseguem produzir. 
Carregando o filme às costas pesar de o mesmo ter actores muito bons e alguns em inicio de carreira como é o caso de Liam Hemsworth, recomendo a todos este incrível e inteligente filme que tenho a certeza que muita gente fará aquilo que eu fiz, que foi de tornar a ver o filme outra vez para que algumas cenas pudessem então  ser entendidas, pois o modo que as mesmas foram colocadas são tão subtis que algumas só no fim fazem sentido.
Este Triange é algo a não se perder.

segunda-feira, junho 27, 2016

Adeus Meu Trono

Depois deste último episódio da sexta temporada da mítica série A Guerra dos Tronos, como é que o povo vai viver até chegara próxima?
Não tem condição mesmo!






Tal como nesta temporada...que venham as mulheres na próxima!
Até para o ano.

quarta-feira, junho 22, 2016

Puvis de Chavannes- Raparigas à Beira-Mar

Com o inicio oficial do verão, nada como aqui abordar uma das obras de um dos pintores ifranceses que mais gosto, Puvis de Chavannes
Ligado à corrente impressionista Chavannes nasceu em Lyon, França,  a 14 de Dezembro de 1824 e veio a falecer em 1898 em Paris. De forte carácter, este pintor foi ao longo da sua vida criando obras muito características deste movimento e em que a ligação homem/natureza estão sempre presentes. As suas personagens são  muito bem construídas anatomicamente e na obra aqui presente podemos constatar  isso mesmo. 
De facto, três raparigas estão presentes frente a uma praia de ondas calmas. A que se encontra em pé tem um corpo avantajado mas bem constituído. Parece ter estado no mar e agora virado para ele está concentrada em pentear os seus longos cabelos. Tem em redor da cintura uma toalha e o resto do corpo está  lhe desnudado permitindo-nos observam as costas bem torneadas.
A que se encontra sentada de frente para nós,  reclinada nas dunas,  tem um ar ausente e o rosto revela alguma emotividade soturna. Tal como a que está em pé também esta tem o dorso desnudo e uma toalha branca tapa-lhe as pernas . Com o braço direito segura os seus longos cabelos e o esquerdo repousa entre as pernas. 
A terceira rapariga, está sentada em segundo plano, de costas para o espectador, parecendo observar o mar. Todas elas apesar de estarem num cenário de praia têm os corpos excessivamente branco, quase leitoso. Não existe nesta composição uma cor quente, pois Chavannes apenas se vai concentrar no branco e num azul esbatido.
 Esta obra acaba por ser um tanto ou quanto estranha, pois se repararmos bem nenhuma delas estabelece contacto entre si, parecendo cada uma delas emersa no seu mundo rico e misterioso.

Puvis de Chavannes
 O céu com algumas nuvens muito bem feitas contrasta com o azul do mar. As raparigas estão rodeadas de  plantas  secas e murchas que pululam pelas dunas aí existentes e tal como elas próprias, parecem não interessar a quem quer que seja, apesar de darem algum colorido à composição. 

Sendo uma obra a meu ver bastante fria e  triste em contraste com o verão sempre alegre e carregado de cores, não deixa de ser fascinante olhar para esta tela quanto mais não seja por nela estarem três figuras bem interessantes emersas em sua tristeza e mistério. 
Esta obra intitulada Raparigas à Beira-Mar é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no Museu D'Orsay em Paris.

domingo, junho 19, 2016

Anton Yelchin -1989-2016

Neste filme Anton Yelchin, e é deste lindo e fantástico actor que vos estou aqui a escrever, fazia um papel sublime e  demonstrava um talento tão grande, mas tão grande que roubava as cenas a toda a gente.

Mais tarde vi-o já bem crescido num filme sem grande interesse mas com a sempre segura Toni Colete e Colin Farrell denominado de Fright Night/Noite de Espanto.
 Claro que como talentoso que era nunca fazia feio tal como não o fez em Alpha Dog outro seu  grande papel juntamente com Juntin Timberlake  e outro grande talento que é o Emile Hirsch. 
Andou também pelas saga  Star Trek e Exterminador Implacável.

A  última vez que o vi actuar foi no fabuloso, belíssimo e  incrível filme de Jim Jarmusch "Só os Amantes Sobrevivem" com a polivalente e multifacetada Tilda Swinson e Mia Wasikowska.

Soube hoje com grande tristeza que este lindo rapaz e grande actor apesar dos seus 27 anos, filho  de ginastas de patinagem artística russos que emigraram para os E.U.A. era ainda Anton Yelchin muito jovem, morreu num estúpido  e bizarro acidente de carro. 

Foi um choque para mim porque eu gostava mesmo deste jovem e penso que se perdeu um imenso actor que ainda legaria ao mundo,muitos e bons papéis. 
Que a sua alma descanse em paz.

terça-feira, junho 14, 2016

Sempre Divas...

Esta senhora a 'mãe de dragões' é só dar uma saltada fora da pirâmide e logo lhe atacam a cidade. Contudo, quando ela volta tudo se normaliza. Como Diva que é, gosta de dar show e exemplo disso são as suas  entradas  e  saídas nos episódios que são  sempre triunfantes e no de ontem não foi excepção. Grande dama esta Daenerys Targaryen!


Esta  jovenzita mostrou no episódio de ontem, o oitavo da 6ª temporada da Guerra dos Tronos, que tem nome! Fartou-se de ser 'no one'  e resolveu se assumir-se plenamente como Arya Stark de Winterfield e marchar  para Westeros. Força pequena Diva, vai buscar o que é teu por direito!



Por fim, esta Diva aqui presente,  a vibóra Cercei Lennister  perdeu um pouco da sua apatia e escolheu a violência. E quem tem aquela bizarma tipo zombie atrás, está sempre safo. O seu a seu dono!


sexta-feira, junho 03, 2016

Ain't Your Mama

Está a rolar por aí nas rádios e nos canais de música um video clip da Jennifer Lopez onde ela canta uma canção que diz que Ain't Your Mama, canção essa que faz com que muitas mulheres no dito video clip se levantem dancem e  contem em coro, que de facto são mulheres e não mães dos maridos que têm em casa e que pelo que vemos as apreciam muito pouco, sejam elas mães ou esposas.
Entretanto neste cantinho a beira mar plantado há uma taróloga que numa estação de televisão privada aconselha a uma desgraçada que para ela telefona a contar as suas desditas  com o energúmeno que tem em casa e que a violenta constantemente,  a ter muita paciência com esse homem, dar-lhe amor, carinho, manter-se ao seu lado e sobretudo não ser mulher/esposa, mas sim...Mãe do brutamontes, visto as cartas não anteverem uma separação no curto e médio prazo.
Perante esta tamanha barbaridade desfilada por alguém que tinha por obrigação saber que violência doméstica é crime e que deve ser denunciada e condenada,só nos resta aconselhar a esta  tárologa a arrumar as suas cartas de Tarot e desaparecer do espaço televisivo para nunca mais voltar!
 Para limpar as nossas meninges,vamos então ouvir com atenção a canção da grande JL.

quinta-feira, maio 26, 2016

Relatos Bastante Selvagens

Não tendo oportunidade de ver este filme quando o mesmo esteve em cartaz e com grande pena minha, foi com alguma ansiedade que esperei que o mesmo chegasse ao video clube para o poder ver. Falo-vos do genial Relatos Selvagens  filme do realizador argentino  Danián Szifrón e com as soberbas interpretações de Rita Cortese ,Ricardo Darín, Nancy Dupláa, Dario Grandinetti,Oscar Martinez,Osmar Nunez,Maria Onetto,Erica Rivas,entre outros bons actores.
O filme é baseado na saudosa serie Amazing Stories que passou há uns anos em Portugal e que eu era fã incondicional, tanto a  primitiva ainda a preto e branco  como a adaptação desta  que S.Spilberg fez anos mais tarde.
Assim, o que aqui vemos nestes relatos, nada mais é, que seis histórias não ligadas entre si, em que personagens aparentemente banais vão entrar num mundo assombroso, onde a violência e  total perda de controlo dos seus  actos leva-os à  insanidade mais pura, à tragédia que pode até ser bastante cómica, à estupidez dos actos mais absurdos e disparatados  e por fim  à morte em algumas das histórias. 
O que aqui vemos são situações absurdo/caricatas, que de um momento para o outro passam a fazer parte da sua vivência por algumas horas ou alguns dias e isso é feito de forma tão  magnifica, que cada vez que uma história termina a nossa mente quase que não se encontra preparada para a outra de tal forma ficamos pasmados como o que acabamos de ver anteriormente.
Escusado dizer que adorei todas as histórias, mas a minha preferida é a primeira intitulada de "Pasternak" . Passada dentro de um avião e com uns tantos personagens bastante bons, a mesma não tem mais de 10 minutos. Logo  aqui podemos ver toda  a originalidade deste realizador e dos seus guionistas que quando a escreveram e realizaram deveriam estar em estado de graça tal a  genialidade aqui mostrada.
Também adorei "El mais Fuerte" onde podemos ver ali o que é a fúria de um automobilista quando é ultrapassado numa autoestrada, assim como "Las Ratas", pequena pérola de pouco mais de 10 minutos, mas absolutamente assombrosa, toda ela passada dentro de um lúgubre restaurante de beira de estrada e com apenas quatro personagens.
"Bombita" remete-nos para o filme "Um Dia de Fúria" (filme que adoro) e o último filme "Hasta que la Muerte nos Separe", acaba por ser a história ideal para fechar este sexteto de loucura e insanidades várias perpetradas pelo cidadão comum que em situações limites é levado a fazer coisas absolutamente impensáveis. Ver aquela noiva em rédea solta, dá-nos vontade de pensar duas vezes antes de ir a um casamento. Genial!
Este magnifico filme  que não me posso esquecer de referir ser  uma parceria entre a Argentina e o Brasil, foi  seleccionado em 2015 para Melhor Filme Estrangeiro, tendo perdido para "Ida" e no Festival de  Cannes competiu  para o prémio máximo o Palma de Ouro, tendo perdido para Dheepan, de Jacques Audiard.  
Um filme imperdível!

terça-feira, maio 24, 2016

A Lagosta e outros seres mais...

Imaginemos um mundo onde nas cidades toda a gente tem que estar casada e de preferência com filhos...e se não os conseguirem ter, que os arranjem por adopções e outras coisas que tal. Nesses acasalamentos impostos pelas regras de tal sociedade o amor pode passar perfeitamente ao lado!
Imaginem as pessoas que não consigam esse acasalamento rigidamente imposto e que tem que ser concretizado ao fim de quarenta e tal dias,serem transformados num animal à sua escolha.
 Para apimentar ainda mais a coisa, imaginem uma floresta onde solteiros sempre vestido com bizarras capas plásticas contra a chuva, vivam em permanente fuga dos que os tentam caçar para o matrimónio, sendo que aqui e ao contrário das cidades, as leis proíbem qualquer relação afectiva/amorosa e onde um simples abraço, beijo ou outra qualquer manifestação de carinho é punido com penas de tal forma severas que nomeá-las é quase impossível. Por último imaginem dois seres apaixonarem-se e terem que fugir a tais tão duras penas.
É mais ou menos é esta a premissa (aqui bastante soft como é óbvio) do último filme do genial e muito jovem realizador grego Yorgos Lanthimos denominada de A Lagosta, que se encontra em cartaz em Portugal e que eu aconselho vivamente a todos os amantes de filmes a roçarem a genialidade mais kafkiana que a mente humana pode imaginar.
De facto,  Lanthimos,  partindo de situações banais na vida de um ser humano, o casamento ou  a opção de se ser solteiro,  transforma essas mesmas opções  quotidianas no mais puro horror, mesclado da mais  absurda insensibilidade e onde as regras mais bizarras que a mente humana pode criar imperam sem que alguém as questione e quando alguém o faz é obrigado a proceder às acções mais trágico/absurdas que me foi dado a ver há muitos anos a esta parte, para puder escapar à punição e viver livremente.
 Contudo, esse viver livremente acaba também por ter algo de assustador e é aqui que vemos que o realizador cria uma sociedade onde fugir a qualquer uma das regras é assustadoramente impossível. Genial nas suas premissas!
 Ver este The Lobster é entrar um pouco pelos livros de Kafka e como amante que sou deste escritor foi com genuína boa vontade que me predispus a ver esta obra de um realizador que já nos tinha dado em 2009 Canino e em 2011 Alpeis e que com esta sua última obra ganhou em 2015 o Prémio do Júri no Festival de Cannes.
No elenco temos um surpreendente Colin Farell quase irreconhecível de tão gordo que está e que mostra até que ponto este é um bom actor quando é bem dirigido, a sempre genial Raquel Weltzos seguros Ben Whishaw e John C.Reilly, e  a assustadora Léa Seydoux, porque sempre que a vejo em overating fico com um friozinho no estômago. 
Aconselho vivamente este A Lagosta quanto mais não seja para nos sentir-mos atirados para um mundo tão semelhante ao nosso e ao mesmo tempo tão diferente e tão assustadoramente absurdo. 

Que Choradeira....

Este post contêm spoiler

Eu que achava que já tinha chorado tudo o que tinha a chorar numa série televisiva, e neste caso estou a falar no Guerra dos Tronos, aquando do episódio Red Wedding onde quase  toda a família Stark é assassinada, ontem no episódio 5 desta 6ª temporada,intitulado The Door chorei tanto no fim com o destino trágico do gigante Hodor que ali percebi pela enésima vez a razão desta série ser até hoje considerada a melhor série televisiva de todos os tempos e o porquê da loucura do seus seguidores em relação a ela. 
Se dúvidas havia em como esta obra baseada nos livros de Jorge R.R.Martin ultrapassava tudo o que era expectável em termos narrativos, efeitos visuais, intriga, encadeamento da história, narrativa, riqueza dos seus personagens, fotografia... etc, etc...essas dúvidas ficaram ultrapassadas ontem no episódio absolutamente dramático e onde um dos personagens muito querido dos fãs perde a sua vida em prol de outras duas.
Foi para mim o melhor episódio desta 6ª temporada, o mais surpreendente de todos, o mais triste, o que mais fez chorar os fãs, só mesmo comparável ao da  Boda Vermelha!
Retiro tudo o que disse num post anterior, em que achava que estava tudo muito morno, e a partir daqui tudo o que vier é ganho pois é difícil bater o episódio de ontem, em que  ficamos finalmente  a saber o porquê da personagem Hodor, o porquê dele apenas conhecer uma palavra,(Hodor) em que ele repetia sempre quando a ele se dirigiam, palavra essa  que todos julgávamos ser o nome dele.
No 3º episódio a cortina a começou a abrir-se ao descobrir-mos que ele se chamava Wylis e não Hodor, mas acho que  nunca, mas nunca pensaríamos que a palavra Hodor teria como único objectivo aquele em que vimos neste episódio. Foi super surpreendente e espectacular, mas ao mesmo tempo de uma tristeza tão grande, que todos iremos sempre sentir imensas saudades deste bom gigante protector de Bran Stark...assim como de Summer o lobo gigante branco. Foi de facto, um episódio revelador, triste e ao mesmo tempo absolutamente fantástico e onde até o genérico sem música (lembrando-nos o Red Wedding) nos mostrou o quanto a perda deste personagem ia tocar no coração dos fãs desta série.!
Valar Morghulis...aqui nesta série de facto Todos os Homens Morrem!

quinta-feira, maio 19, 2016

Ensurdecedor

Com realização do norueguês,  Joachim Trier,(Oslo, 31 de Agosto) e a sua primeira obra  em língua inglesa, está em cartaz o magnífico filme Ensurdecedor (Louder than Bombs), que fez a sua estreia no ano passado no festival de cannes.
Nela podemos ver um sempre seguro Gabriel Byrne (aí o que eu gosto deste actor) um surpreendente Jesse Eisemberg (como este actor cresceu em termos artísticos desde que o vimos em A Rede Social, a fantástica Isabelle Huppert, que dispensa apresentações e que numa, mas nunca faz feio, e a revelação em termos cinematográficos de um miúdo muito talentoso chamado David Druid que a meu ver é a força motora de todo o filme pela sua fechada postura em relação à morte dramática da mãe adorada e em permanente conflito com o pai.
Este Louder than Bombs é a meu ver um grande filme em cartaz, que está a passar muito despercebido o que é pena, pois ali abordam-se temas muito actuais  que vão da perda de um membro da família, neste caso a mãe, aos problemas inerentes à adolescência  e que nos leva também até aos campos de refugiados afegãos através do olhar das fotografias tiradas nesses mesmos campos e que mais uma vez faz valer a máxima que diz que uma foto vale por mil palavras. 
É também um filme muito sentido, pausado, com uma fotografia magnifica e  a roçar à perfeição, com os actores em estado de graça, a começar por G.Byrne acabando em  Amy Ryan que também por lá anda espalhando magia.
 Adorei o papel desempenhado por I.Huppert, uma mulher dividida entre a família que a adora e que dela precisa, sobretudo o introspectivo filho mais novo, e a sua profissão a de fotógrafa free lance que sente que também deve dar a conhecer a sua profissão, neste caso o de fotógrafa das misérias e desgraças que grassam pelo médio oriente. O filme oscila entre o passado e o presente e apesar da mesma já não existir no presente a sua imagem qual fantasma sobrepõem-se e ensombra todos, instalando-se nas suas vidas, não deixando que as feridas sarem e que pai e os dois filhos consigam seguir com a sua vida.O fim é magnifico, quanto mais não seja pela fotografia que não me canso de salientar, ser do melhor que já vi desde há muito.
De facto, este Ensurdecedor é um filme a não perder.

quarta-feira, maio 18, 2016

Short Film

Este incrível, cómico e muito em feito short filme é a minha homenagem a  todos os museus, esses lugares maravilhosos de cultura que adoro frequentar e que são homenageados durante toda esta semana, culminando no sábado, dia mundial dos museus.
 Aproveito aqui para convidar todos a irem ao Museu de Arte Antiga,  cuja programação
 no sábado é cheia de coisas fantásticas e com entrada e gratuita.
Um bem haja a tos os museus portugueses de norte a sul do país.

domingo, maio 15, 2016

Tri Campeões

IMAGINEM SE O HOMEM FOSSE TREINADOR DE FUTEBOL!!!LOL

Parabéns Rui Vitória e todos os jogadores do clube do meu coração: O Grande Benfica!







E para o JJ  um recadinho: é favor falares menos...pois que calado ês um poeta!

quarta-feira, maio 11, 2016

Um Trono Muito Morno


(Este post contêm spoiler ou o que quer que isso seja, uma vez que toda a gente viu o que aqui vou escrever)

Já sabíamos que Ramsay Bolton (Iwan Rheon) era nesta incrível série que é a Guerra dos Tronos a encarnação da maldade humana, a figuração do demo, da psicopatia e da ausência total de qualquer valor ético moral, ou seja, o doido de serviço.
 Contudo, penso que as loucuras deste bizarro e destrambelhado personagem (será que um dia quanto menos o esperarmos o vão matar?) não bastam para fazer andar e empolgar os episódios desta 6ª temporada da série baseada nas obras de George R.R.Martin.
Só mesmo quem está muito desatento e é pouco conhecedor de Ramsay Bolton é que se surpreendeu quando o mesmo apunhala mortalmente o pai, e de seguida mata a madrasta e irmão acabado de nascer, atirado-os aos cães, tornando-se senhor e dono da casa Bolton. Só por isso,  já se adivinha muito sangue e lágrimas derramadas como é costume sempre que Ramsay entra em cena.
Ainda falavam do Rei Joffrey Baratheon!
 Eu  desde o assassinato da família Stark nas Bodas Vermelhas que deixei de me embasbacar com o que quer que seja que daí venha. Assim também não me surpreendi grandemente com o retorno à vida de John Snow (Kit Harington) e só achei que o alarido feito em torno disso nos 10 meses que antecederam esta temporada, pecaram por excesso e só tinham como fito aguçar o apetite dos fãs desta série entre os quais me incluo.
Cheguei uma vez a estar numa prova de roupa na cadeia de lojas Zara e ouvir dois funcionários da mesma a discutirem feio sobre se J.Snow voltava ou não à vida  e ver uma cliente a meter-se de permeio na discussão. Delicioso!
Claro que acostumados que estamos a quem escreve os episódios achei o máximo o próprio John dizer serenamente que depois da vida nada existe  quando lhe perguntam o que ele viu enquanto esteve na morto, abrindo assim as portas para uma outra dimensão na série e mostrando que nada a temer após a morte, pois a maldade, as insanidades, a cupidez, as alegrias, tristezas e tudo o que faz a grandeza e misérias do ser humano se dão aqui enquanto estamos vivos e nada há depois de mortos. Nota máxima!
No que respeita a Westeros, nada ali se  desenrola. Temos uma perversa  Cercei Lanister (Lena Headey) completamente apática depois da vergonha que foi a cena do último episódio e tirando os arreemedos de coragem do irmão e amante, (Nicolaj Coster-Waldau)  e daquela bizarma reconstruída (Gregor Clegane) que anda sempre atrás dela...uma pasmaceira.!
Achei foi muito  engraçado o imberbe e de coroa na cabeça rei Tommen, o jovem actor  Dean-Charles Chapman, estar a ter aquele diálogo religioso  com o sabido do Alto Pardal, o imperdível e ceráfico Jonathan Pryce, que em três tempos lhe comeu as papas na cabeça. Ainda temos um rei completamente convertido aos ideais fanáticos religiosos   desses loucos que agora dominam Westeros.
Quanto à jovem Arya (Maisie Williams) temo-la  a levar pancada  todos os dias e finalmente a recuperar a visão quando consegue fazer frente à sua mestre bebendo a água dada pelo mestre Jaqen H'ghar, o actor  Tom Wlaschiha.
No que concerne a  Bran Stark  seu irmão, este é a parte que mais me interessa pois o mesmo está a  viver num mundo de aprendizagens mágicas com o mágico Corvo de Três Olhos, o magnifico Max Von Sydow, que o faz retornar em sonhos, à vida passada dos seus pais e tendo nessas visões surpreendentes revelações, que penso que serão o cerne desta temporada.
No capitulo dos dragões (aí o que eu adoro aqueles dragões que parecem tão...dragões!) tivemos a meu ver a cena mais incrível quando o meu personagem preferido o pequeno/grande Tyrion Lanister (Peter Dinklager) liberta os dragões para que os mesmos se alimentem, enquanto a mãe dos mesmos, a rainha Daenerys  (Emilia Clarke) é atirada para a cidade das viúvas, esperando-lhe um futuro bem deprimente, a menos que apareça algum dragão e esturrique aquela gente toda.
Ah...quanto à sofrida Sansa (Sophie Turner) lá está em fuga das garras do tarado do Ramsay, a caminho do norte gelado à procura do seu meio irmão John Snow que neste último episódio parece  deixar de ser o Lord Comander depois de mandar enforcar os traidores da Patrulha da Noite.
Surpreendente...surpreendente foi ver a dimensão ganha por Melisandre, a actriz Carice van Houten, que passou a ter uma outra importância na série e a meu ver a preferida até agora do público que vê esta série. Grande Melisandre! 
Se houve grandes atractivos neste inicio de temporada? Nem pouco mais ou menos! 

Tudo muito morno, tudo muito sereno, e tirando as mortes acima referidas e do senhor do Trono de Ferro, Balon Greyjoy, morte esta completamente descabida a meu ver, nada há ali que nos surpreenda, que nos faça ficar a ansiar pelo episódio seguinte.
Como fã incondicional que sou desta série que continuo a dizer que é a melhor de todos os tempos, continuarei a ver os episódios (acho que são apenas 7) mas até agora nada do que me vi me empolgou, me seduziu, me fez ansiar pela segunda feira seguinte. Se calhar estou a ser muito exigente, mas a série é tão boa que os que a seguem querem sempre mais e mais... 
 A continuar assim, muita gente vai zarpar...ai vai vai...