quinta-feira, julho 24, 2014

Snowpiercer- O Expresso do Amanhã

Estreou hoje este Snowpiercer- O Expresso do Amanhã, um filme do realizador coreano  Bong Joon-ho ( realizador dos filmes("The Host - A Criatura", (gostei muito deste filme quando passou por cá há 8 anos) "Memories of Murder", "Mother - Uma Força Única") e com os actores, Chris Evans, Tilda Swinton, irreconhecível e cada vez mais camaliónica (adoro esta actriz!), Jamie Bell, John Hurt(sempre muito bem), Octavis Spencer (uma surpresa para mim, vê-la nessas andanças)Alison Pitt, Ewen Bremner, Song Kangho, Ko Asung e o grande Ed Harris, que faz sempre bem o papel de criatura maléfica.
O filme vem com boas referências, tem sido muito bem recebido nos circuitos cinematográficos e é uma distopia apocalíptica muito bem realizada.
Eu gosto deste tipo de filmes, gosto destes actores, e por isso foi com agrado que vi o filme.
É um filme violento, tem cenas arrepiantes, não é nada previsível, muito pelo contrário, há cenas absolutamente surpreendentes, o negro dos que vivem na cauda da locomotiva, contrasta em absoluto com as cores garridas e extremamente alegres dos afortunados  que vivem na frente da locomotiva, há planos de filmagem incrivelmente ousados, a história está muito bem urdida, tendo sido adaptada  da novela gráfica francesa "Le Transperceneige", criada no início dos anos 1980 por Jacques Lob e Jean-Marc Rochette.
No fundo este comboio de seu nome Snowpiecer  e que dá título ao filme, comboio esse  que gira à volta da terra sem nunca parar, levando nele o que resta da humanidade após alguns seres humanos se terem armado em deuses e com isso terem dado cabo do planeta terra, fazendo-a mergulhar  numa nova era glaciar e comandada pelo grande e 'divino' Wilford,  nada mais é do que um microcosmos representando tudo o que há de bom e sobretudo o que há de mau na espécie humana: a ganância, a maldade pura, a inveja, o ódio,  a miséria, a mais abjecta e pura tirania e o  supremo desprezo pelos mais básico princípios que fazem do ser humano um  ser racional. E como sempre acontece nestes casos em que o ser humano se vê confinado durante anos num espaço reduzido, quando explode a violência ela leva tudo à frente e aqui....literalmente....
 O filme inclusivé já foi premiado em vários festivais internacionais e penso que muito bem premiado, pois é um objecto cinematográfico muito inovador.
Pena que talvez seja passado quase incógnito, nesta época balnear em que as pessoas passam mais tempo na praia e em esplanadas do que no escurinho de uma sala de cinema. É mesmo pena, porque o filme é muito bom!

terça-feira, julho 22, 2014

P.Gouguin-Cavaleiros na Praia

Cavaleiros na Praia
Já escrevi aqui  algumas vezes sobre Paul Gauguin um pintor que  aprecio bastante.
Gauguin ganhou fama mundial com as suas telas de mulheres da polinésia francesa, mas a par disse pintou por esta altura,outras obras muito interessantes e que eu amo de coração, como é o caso da tela que aqui aparece, denominada de Cavaleiros na Praia.
A minha apreciação desta tela vai para a paleta de cores usadas pelo este pintor e aquela areia cor de rosa faz as delícias de qualquer amante da arte deste pintor.
Auto Retrato com Cristo Amarelo
Paul Gauguin fugiu para os mares do Sul à procura de um estilo de vida primitivo em que a sua arte pudesse florescer. Apesar de lhe desagradar a sociedade colonial fechada que lá encontrou, não deixou de pintar os polinésios como se fossem seres sobrenaturais que gozassem de uma liberdade total. 
O que mais aprecio neste  pintor é que ele vai então imprimir em nós a sua versão da natureza, criando formas estilizadas e bidimensionais, usando para isso cores intensas e exóticas com aquilo que poderia parecer um abandono despreocupado, mas que são cuidadosamente calculadas para produzirem o maior efeito para quem olha para a tela.
Na obra aqui presente isso acontece, pois Gauguin pinta a areia cor de rosa, não porque, sentimo-lo ele tenha "visto" nela qualquer tom rosado, mas porque só a areia rosada podia exprimir os seus sentimentos.
O amarelo que é quase sempre ou mesmo sempre usado, teria para este pintor sido demasiando intruso e real. De facto o que aqui se passa é que não se trata de  uma cena lógica mas sim mágica, e a paz e a alegria são meramente simbólicas, não literais.
É uma tela de uma fase idílica da vida, com gente delicada com cavalos de finas patas, de gente que os domina sem esforço, onde tudo é pura liberdade, onde existe uma paisagem marítima intoxicante, de céu amplo e maravilhosamente enevoado, em que homens e mulheres convivem na mais perfeita harmonia..
Uma tela magnifica, pintada por um grande pintor em estado de graça.



domingo, julho 20, 2014

Estranhos Prazeres

MAS QUE PANCA É ESTA DAS CRIANÇAS COM AS POÇAS DE ÁGUA?
É QUE NÃO HÁ UMA QUE NÃO ADORE COLOCAR LÁ OS PÉS TODA SATISFEITA!
ACHO MESMO QUE ESSE É UM DOS MAIORES PRAZERES DOS PEQUENITOS, SENÃO VEJAMOS....

quinta-feira, julho 17, 2014

Uma ida ao Porto




Eu já conhecia  a cidade do Porto uma vez que  lá vivi 2 anos quando era uma 'teenager inconsciente' como dizia o Herman José.
Penso que  é  uma cidade que  temos de aprender a amar/gostar/ apreciar...
Na altura era muito nova e apesar de apreciar lá viver, não gostava dos  invernos que são muito rigorosos. Sofria muito com o frio e isso deitava-me muito abaixo. Estava sempre com frieiras, tinha as mãos e os pés constantemente gelados, não havia casaco que me aquecesse, e pela primeira vez na minha vida tive um  'kispo'  branco tão grosso, mas tão grosso que se eu não fosse uma magrizela, passava perfeitamente por um urso polar. Só ele me aquecia o corpo e penso que também a alma. Quando chovia ficava sempre tudo tão húmido, que não apetecia sair da cama e a minha vontade era hibernar até o despontar a primavera. Fiz lá o nono ano e lembro das minhas coleguinhas rirem-se muito com as minhas expressões lisboetas e o modo como eu colocava as palavras. Eu muitas vezes não as entendia, mas entre falas mais ou menos serradas acabávamos sempre  por nos ri de nós próprias.
 Adorava era ir ao mercado do Bulhão, isso é que era uma festa, aquelas senhoras sempre a incentivarem-nos às compras, os gritos, o barulho e sobretudo aquele espaço tão colorido e cheio de vida. Gostava muito da comida, das broas, dos múltiplos pratos de bacalhau, dos famosos  'bolinhos de bacalhau' entre coisas mil .
Havia um restaurante que eu amava ir que era e é o Abadia. Meu Deus, como se como lá bem! Aquilo não é um restaurante, é um templo de boa gastronomia. Pena desta vez não ter tido tempo de lá ir.
Andar  pela Foz era maravilhoso e passear pelos arredores do Porto uma maravilha. Depois vim para Lisboa e por cá quedei-me. De vez em quando retorno a  esta cidade, e procuro ir sempre, mas sempre de comboio, porque adoro. Chegar à estação de Campanhã dá-me cá uma nostalgia dos tempos idos.
No domingo passado voltei a esta linda cidade. Fui com uma amiga que ia com a filha, visto esta querer ir ao concerto dos One Direction. A cidade fervilhava de vida tanto de gente vinda de todos os cantos do país como também do estrangeiro. Estava um tempo esplendoroso, e só atravessar a ponte que liga Vila Nova de Gaia ao Porto é toda uma  experiência única. Adoramos logo o Porto. Uma vista espectacular.
Chegadas à cidade, nada melhor que andar a pé ou visitar a cidade naqueles autocarros de dois andares. Comparamos o bilhete que faz a linha vermelha e a linha azul em dois dias  visitamos a cidade e ficamos a conhecer alguns dos belos cantos e recantos desta cidade única..
 Não há melhor. Tudo correu bem. Comemos coisas boas, visitamos coisas lindas, vimos gente bonita, o rio Douro da cor da prata, lindo de morrer... aquela Ribeira sempre a 'bombar' de gente de todos os cantos do mundo, as pastelarias cheias, o  café Magestic um polo de atracção turística, sempre com gente a fotografá-lo, a Rua de Santa Catarina um must e no fim quando nos apanhamos outra vez dentro do comboio de regresso à capital era toda uma saudade da minha parte. No bilhete de autocarro estava incluído umas degustações de vinho do Porto nas caves do dito que há em Gaia, mas já não tivemos tempo, porque querendo ver tudo alguma coisa fica para trás com grande pena minha...fica para a próxima!
Adoro o Porto e não me cansarei de lá voltar. É uma cidade linda a ver e a descobrir todos os encantos que ela tem.
Que cidade tão acolhedora!






sábado, julho 12, 2014

Uma Odisseia sem Gás

Estando agora refeita do que me aconteceu aquando de uma pequena fuga de gás que tive na minha casa, mais  concretamente na cozinha, não resisto a colocar aqui as agruras pelo que passei não para me virem cortar o gás, isso o piquete da Lisboa gás fez num instante, mas sim para me religarem
 o dito cujo.Isso sim, foi uma odisseia qua me leva a dizer que caso vos aconteça algo de semelhante, o melhor é mesmo mandarem arranjar a uma empresa particular e nunca meterem a Lisboa Gás ou outro fornecedor vosso ao barulho, porque senão têm a semana estragada e quando digo a semana é mesmo a semana, porque foi isso que me acontece.
 Estive 8 dias sem gás porque não havia quem se entendesse sobre qual das entidades deveria fazer a religação! Sim, é isso mesmo fui passada de "pôncios para pilatos" sem que alguém assumisse as suas responsabilidades sobre a dita religação.
 
Mas comecemos pelo princípio.
No princípio e ao contrário do que diz a Bíblia, não era o verbo, mas sim um cheiro a gás que se espalhava de cada vez que eu abria um armário que se situa por debaixo do meu fogão. Isso aconteceu no dia 25 de Junho da graça do Senhor.
Algo assustada fiz uma coisa que nunca mais farei, devido ao que aconteceu posteriormente. Chamei o piquete do gás da Lisboa Gás minha fornecedora. Telefonei para o número 800201722 e depois de uma longa espera, lá veio uma operadora que me passou para um outro número que não me recordo agora, pois inúmeros foram os números de telefone que liguei depois disso.
 
Certo é que depois de dizer ao que vinha a operadora disse que dentro de uma hora o piquete cá estaria na minha casa para desligar o gás. Deu-me os conselhos básicos que era de abrir janelas, etc e esperei uma hora e qualquer coisa até que o piquete viesse.O piquete, limitou-se a constatar a fuga, a desligar o gás no contador e na escada (aqui colocou um selo onde dizia que só a Lisboa Gás poderia fazer a religação), deixou-me um documento com o relatório do que aqui fez, disse-me para mandar arranjar a avaria e que depois ligasse para a Lisboa gás para a mesma tornar-me a ligar o gás.
Telefonei logo para uma empresa certificada que não podendo vir nessa 4ªa feira, agendou a intervenção para o dia 26 uma quinta feira. De facto na 5ª feira logo de manhã o técnico reparou-me a fuga de gás, colocando nova canalização e às 11.30 tinha tudo pronto.
 
A partir desse momento começou a minha odisseia de religação do gás.
 
Comecei por telefonar para o mesmo número da lisboa Gás 800201722 para me virem ligar gás e qual não foi o meu espanto quando me dizem que aquele número não era para isso e para eu ligar para outro número. No espaço de 3 horas liguei para o variadíssimos números e sempre com a mesma resposta. Não era de sua competência ligarem-me o gás e que ligasse para outro numero que me iam dando sucessivamente.
Quando não me davam número, era porque passavam para outro departamento ficando eu à espera tempo infinitos. O que sei dizer é que eram 15 horas da tarde e não tinha ainda nada de concreto pois todos os operadores me encaminhavam para outro departamento.
Acrescento que muitos operadores estão muito mal informados e dentro do mesmo serviço somos capazes de receber três ou mais respostas completamente diferentes umas das outras!
Só por volta das 15 horas é que uma operadora da Lisboa Gás (talvez a mais informadita) me disse que eu deveria telefonar para a EDP, para o número 808535353, reportar o que me tinha acontecido, dizer para a EDP realizar um pedido para a Lisboa Gás vir-me fazer a religação, ou seja era a EDP que tinha que entrar em contacto com a Lisboa gás e só assim a Lisboa gás tinha poder para vir à minha casa fazer-me a religação.
 
Essa informação deixou-me absolutamente atónita, pois nunca pensaria que a EDP pudesse ter alguma coisa a ver com a religação do gás da minha casa, posto que quem tinha desligado o mesmo era a Lisboa gás e deveria ser ela a tornar-me a ligar o respetivo gás.
Contudo, assim fiz, apesar de não ter sido fácil, pois também aqui andei de número para número sempre a dizerem-me que a  EDP não tinha nada a ver com a religação do gás da minha casa, pois isso era competência da Lisboa gás.
Após muita insistência da minha parte lá consegui uma operadora que disse-me que de facto era a EDP que tinha que pedir a religação e fez esse pedido à Lisboa gás, dizendo-me que aguardasse ao telefone enquanto ela fazia o pedido.
Aproveitei no fim, para pedir à operadora para realizar uma queixa da minha parte a todo esse disparate pelo qual eu estava a passar o que ela fez. Passados uns minutos recebi no meu telemóvel, uma msg a dizer que a minha queixa tinha sido registada, ou seja a queixa andou para a frente, a religação do meu gás não atava nem desatava!
Na passada 6 feira, dia 27, fiquei toda a manhã a aguardar que alguém aparecesse e como continuava sem gás na minha casa e sem que me tivessem dito nada, tornei a pegar no telefone e ligar a saber se a Lisboa Gás já tinha recebido por parte da EDP o pedido de religação do gás. Recebi como resposta que a Lisboa gás ainda não tinha recebido nada da EDP. Telefonei para esta e disseram-me que já tinham encaminhado o pedido para a Lisboa gás e estranhavam que a Lisboa gás ainda não tivesse recebido nada!
 
Como entrou o fim de semana, lá fiquei sem gás e como não trabalhavam nesses dias tive que me aguentar sem ter o serviço, pelo qual nunca estive em dívida!
No dia 30 segunda feira tornei a fazer diligências entre as duas empresas  e fui sempre recebendo como resposta que aguardasse. A Lisboa Gás ás ia dizendo que nada tinha recebido da EDP e a EDP dizendo que já tinha enviado o pedido.
Pelo meio fui encontrando operadores que iam dizendo as maiores incongruências, pois ora um dizia uma coisa, ora outro dizia outra, sem que houvesse qualquer coordenação entre os mesmos, coisa que me faz pensar que existe dentro dessas empresas operadores sem a mínima preparação para lidar com o público em geral.
No dia  1 de Julho, desesperada e depois de telefonar para ambas as empresas em vão, pois as resposta variam entre “nós já mandamos o pedido de religação e não podemos fazer mais nada…” e “ainda não recebemos qualquer pedido e por isso não podemos fazer a religação do gás…” resolvi ir à sede da EDP na no Marquês de Pombal e resolver ali a questão de uma vez por todas, pois no meu ver  alguém das chefias deveria tomar conta desta ocorrência  que já raiava à insanidade!
Quando chegou a minha vez de ser atendida e expondo toda a questão a primeira coisa que a funcionária disse foi que era com a Lisboa gás e não com a EDP!
Fartíssima  de respostas dessas, eu resolvi ligar para a Lisboa gás mesmo ali (por telemóvel) e passar a chamada à funcionária para ela ouvir de viva voz a resposta da sua colega da lisboa gás.
Assim fiz, e vi a surpresa da funcionária  da EDP quando ouviu a reposta da sua colega da Lisboa gás e mais surpresa ficou quando após várias chamadas para a Lisboa gás e para os seus próprios colegas da EDP, foi paulatinamente entrando no mundo kafkiano em que eu tenho vivido nesses últimos dias!
O que é certo é que entrei ali às 11 horas e já era uma hora da tarde e a mesma ainda não tinha conseguido nada, sendo então obrigada a passar o caso para a chefia que resolveu tomar o caso nas suas mãos, pedindo para eu aguardar, o que fiz durante larguíssimos minutos.
No fim, já perto das 14.30, a funcionária superior apareceu para me dizer que (depois de muito pedir!!!!) finalmente tinha conseguido que a Lisboa gás me fosse ligar o gás, mas que aguardava confirmação dos mesmos.
Mandou-me regressar a casa, ficando com o meu telemóvel, para me ligar dando-me depois as horas em que me fossem ainda hoje  ligar o gás.
Sai da EDP por volta das 14.40, e eram 15.20 a mesma funcionária superior, telefonou-me a dizer que entre as 16.00 e as 18.00 horas um técnico da EDP ia fazer a inspeção pelo qual eu tinha de pagar 60.00 euros (já tinha pago 133.00 pelo arranjo da fuga de gas!!!) e nesse  mesmo dia de hoje um técnico da Lisboa gás vinha então à minha casa  fazer a religação, pois era isso que tinha ficado combinado na troca de emails entre a EDP e a Lisboa gás.
 
Por volta das 16 horas lá apareceu um inspector  (mandado pela EDP) para fazer a inspeção, técnico esse que depois de fazer a dita inspecção quedou-se três quartos de hora!!! sem nada fazer pois  pois não podia concluir a inspecção sem que o técnico da Lisboa gás aparecesse para se fazer   a religação.
Para grande espanto meu o técnico da Lisboa Gáz não apareceu quando tudo tinha ficado combinado entre a EDP e a Lisboa Gás.
O inspector foi-se embora, eu telefonei para a EDP dizendo que continuava sem gás porque aprsar da inspecção estar feita, quem me deveria ligar o gás não apareceu, da EDP ficaram muito surpresas, depois telefonei para a Lisboa Gás e para grande espanto meu fui informada que não tinha entrado nos serviços qualquer indicação por parte da EDP para religação do gás!
 
Como podem ver, eu estava imersa no maravilhoso mundo de gente completamente doida!
 
Bom, no dia 2 de Julho sigo outra vez para a EDP, há uma repetição do dia anterior, mais emails trocados entre as chefias e a Lisboa Gás, a promessa que me iam ligar nesse dia o gás, coisa que não veio a acontecer, mais telefonemas meus para ambas as entidades e ao fim do dia tenho a promessa que no dia  a 3 de Julho entre as 9 e as 10h, ia ser feita a religação do gás uma vez que tinha já chegado à  Lisboa Gás o pedido de religação.

No dia 3 de Julho, logo de manhã aparece novamente um inspector da EDP, e só mais tarde o técnico da Lisboa Gás para fazer a religação, coisa que foi feita em escassos minutos!!!
Após tudo isso não pude deixar de me interrogar completamente estupefacta como pode existir no nosso mercado  empresas tão irresponsáveis.São empresas que prestando um serviço público e que são pagas a peso de ouro pelos seus clientes!
 
As questões que aqui deixam são as seguintes:
Como é que cortam o gás a uma pessoa e depois levem uma semana par ao ligar, passando a responsabilidade de empresa para empresa?
Porquê a EDP ser tida e achada num processo que só deveria ser apenas e só da competência da Lisboa gás?
Afinal foi um piquete da Lisboa gás que me fechou o gás! Não deveria ser outro piquete a ligar esse mesmo gás?
Porquê tanta desumanidade para com os clientes que são o sustento dessas empresas?
 
Disseram-me, em telefonema que fiz logo na 5ªfeira para a Lisboa gás que tudo se ficava a dever ao facto da EDP ser minha comercializadora e por isso tudo passar pela EDP.
 
Mas isso não é ridículo?
 Como é que duas empresas podem lutar assim pela concorrência e deixar os clientes em “maus lençois”?
 
O que me leva a supor é que há algum litígio entre a EDP e a Lisboa gás devido ao facto de uma ser a fornecedora e outra a compradora. Uma compra o gás à outra e vende ao clientes a bons preços. A que vende sente-se prejudicada e quem paga são os consumidores que nada têm a ver com o "pato".
 
Devido a tudo isso caso num futuro muito longuínquo (espero eu) tiver algum problema em termos de fuga de gás, não chamarei nunca a Lisboa gás, mas chamarei, isso sim uma empresa que opere no mercado e que sei que chegada à minha casa tudo resolverá o problema sem que eu passe pelas agruras que passei devido à desumanidade de duas empresas em guerra aberta e que se estão puramente a marimbarem-se para os clientes que são seu sustento!
 

quinta-feira, julho 03, 2014

sexta-feira, junho 27, 2014

Maléfica

Maléfica. Um filme lindo, com uma fotografia soberba, Angelina Jolie mais bonita do que nunca. Amei este filme não pela história em si ( que até está bem esgalhada), mas por aquelas imagens únicas!

terça-feira, junho 24, 2014

O Homem Duplicado/Enemy

Em boa verdade, não sei como classificar este Homem Duplicado que fui ver no domingo passado. Não sei se o classifico como uma obra prima, uma obra excêntrica, uma obra incompreensível, única, estranha, bizarra, um objecto de arte dentro da mediocridade que grassa por aí em termos cinematográficos ou, uma deriva do realizador que tem como pano de fundo a obra do galardoado com o Prédio Nobel o escritor José Saramago.
Eu não li ainda a obra que dá nome  ao filme, se bem que o título original é Enemy e julgo que com mais apropriação que o título em português. De facto o que aqui vemos são dois inimigos que o são a partir do momento que se vêm, partindo o realizador, da premissa que o homem é inimigo do seu semelhante, mesmo que esse semelhante seja uma cópia de si próprio. 
Dos adjectivos que coloquei acima e que podem explicar o que é este filme o que para mim tem mais propriedade é o de incompreensível porque eu confesso que não entendi o filme em muitos dos seus aspectos e o final foi para mim totalmente hermético e inalcançável. 
Este O Homem Duplicado não é um a obra linear e fácil de ser vista. É sim  daqueles filmes que teremos que rever para o compreender, posto que há coisas que só a meio ou mesmo no fim fazem "algum" sentido.
 Contudo, e isso é que é o mais estranho,  é que o filme prende-nos do princípio ao fim. É como aqueles alimentos que sabemos que nos vão engordar o mesmo fazer mal, mas que insistimos em os comer. Aqui o nosso olhar prende-se ao êcran e por mais estranho que tudo aquilo seja, queremos ir até ao fim e ver como acaba aquela relação entre idênticos e o destino dos outros (poucos) participantes nesta história.
A música é como uma personagem integrante do enredo. 
Ouvimo-la e ela agarra-se a nós. Ela grita bem alto, tão alto como aquela aranha monstruosa que vagueia pela cidade que é  quase sempre filmada do alto, formando como uma teia gigante e em que o homem se vê como ser minúsculo perante a extensão em altura daqueles prédios e algo perdido perante quilómetros infindáveis de estradas em que pouca gente circula e os que o  fazem se encontram submersos  em si mesmo, fechados na sua própria solidão.
 Não conhecia este realizador  canadiano Denis Villeneuve, mas passarei a estar atenta a outras obras suas, visto que gostei do modo como ele usa a câmara, como filma os rostos dos personagens, as ruas, como escolhe muito bem os actores e sobretudo como soube integrar  magistralmente Jake Gyllenhaal num papel duplo que não é nada fácil, pois ele é  Antony Claire e Adam Belle, assim como, Mélanie Laurent, Sarah Gadon e Isabella Rossellini, esta última como mãe de um dos duplos. Um filme a ver e talvez a rever.

sábado, junho 21, 2014

Giuseppe Arrcimboldo-O Verão

Nascido em Milão em 1527 e falecido na mesma cidade em 1599,Giuseppe Arcimboldo, legou para a posterioridade obras que tornam único no panorama artístico. As suas criações feitas de toda a espécie de frutos, flores,legumes, potes, panelas e hastes dos mais variados cereais, e em que nelas podemos ver rostos de homens e mulheres, tornaram-no num artista ímpar e que faz com que o espectador se deleite a apreciar estas obras tentando descortinar nela a quantidade de elementos que a mesma emprega.
A obra aqui presente, denominada de O Verão, tornasse apropriada na medida em que hoje dá-se início a uma das estações mais alegres e desejáveis, após meses de frio, chuva humidade e demais destemperos.
Visto de perto este quadro parece a quem o aprecia, ser o sonho feliz de um vendedor de fruta ou mesmo de um vegan.
Contudo, ao afastar-nos dele vemos uma cabeça humana a tomar forma.
Esta foi feita na sua totalidade com base nos frutos e vegetais de verão. O casaco da figura todo ele é feito de cereais ainda em haste e mesmo o fundo do quadro é bordejado por flores.
 Embora conhecido por usar frequentemente frutos e legumes para criar os seus retratos G.Arcimboldo costumava também , como já o referi mais acima, usar potes, panelas e até ferramentas na criação das suas muito estranhas imagens.
G.Arcimboldo esteve durante anos ao serviço  da família dos Habsburgos e aqui esteve incumbido de outros trabalhos para a corte, como era o caso da realização e decorações para as mais diversas  festividades  adquirir peças de arte para a colecção do Imperador, desenhar e construir fontanários.
Contudo, as obras deste artista eram de alguma forma tidas como algo ridículas, embora não deixassem de ser imitadas por outros artistas, mais ou menos de uma forma descarada.
Foi apenas quando os Surrealistas tomaram de assalto a cena artística, que passaram a ver nele um amante dos jogos visuais e logo um dos seus , passando então G.Arcimboldo a tornar-se um dos mais famosos pintores.
Esta obra intitulada de O Verão é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no Museu do Louvre em Paris.

sexta-feira, junho 20, 2014

Les garçons et Guillaume a la table!

Com realização de Guillaume Gallienne, está na sala de cinemas portugueses o filme Les garçons et Guillaume, à table! A Mamã eu e Guillaume na tradução portuguesa.
Eu não conhecia este actor e o filme chamou-me a atenção quando fui ao cinema há tempos e vi a sua apresentação. Fui vê-lo e as expectativas que tinha do mesmo (uma comédia super engraçada) esfumaram-se. O filme é estranho. Não digo que é mau, porque não é, até porque G.Gallienne está soberbo nos papéis de mãe e dele próprio.
O que me aborreceu foi mesmo a história. Achei-a batida, algo chata, com a sensação que já tinha visto aquilo em outros filmes, acção muito parada, e sem grande conteúdo.
É evidente que o actor quis aqui exorcizar os seus fantasmas, sendo os mesmos acerca da sua sexualidade, mas penso que o faz de um modo inviezado e  a meu ver algo repetitivo.
É um filme egocêntrico ( não podia ser de outro modo, pois o que aqui vemos é uma autobiografia do próprio actor), mas eu já vi filmes egocêntricos bons e este não é o caso. A única nota que retive de interesse é o modo como o actor está em palco contando a sua história e é aqui que o filme ganha alguma chama, porque quando passamos para a acção propriamente dita, algo se perde e o que vemos é a história de um miúdo traumatizado pelo modo como é tratado pela família, os irmãos, colegas, e demais pessoas que se vão cruzando no seu caminho e que ao primeiro olhar o rotulam de gay.
Se já viu isto em outros filmes? Já! Se G. Gallienne é um bom actor? Sim é!Se o filme é bom? Não, não é, é razoável! Se recomendo? Sim! Há bem piores em cartaz!
Nota para o papel do actor  como amante de Ives Saint Laurence no filme que estreia esta semana com o mesmo nome.

quinta-feira, junho 05, 2014

Lucien Freud-Encostada aos Panos

Lucien Freud, nascido em Berlim a 8 de Dezembro de 1922  e falecido em Londres a  20 de Julho de 2011,   neto de S.Freud, há muito tem o seu nome inscrito na história da pintura.
Começou por pintar paisagens e naturezas-mortas, assim como retratos dos seus amigos e familiares, tendo posteriormente evoluído para a nudez do corpo humano. E que nudez!
A meu ver,  talvez nenhum outro artista conseguiu igualar este pintor na arte de expor o ser humano em toda a sua nudez, despojada de qualquer artificialismo e mostrada tal como ele é.
Lucien Freud  sempre conseguiu ver e mostrar o corpo humano em todos os seus prodígios cromáticos e espantosa vulnerabilidade. Consegue quase que pintar o que está por debaixo da pele, expondo a verdade secreta dos seus modelos e que foram da modelo Kate Moss à própria rainha de Inglaterra, passando pela mãe e  amigos e diversos cães de estimação.
Parece-me que o desejo deste excepcional pintor nunca foi criar quadros que fossem idênticos aos temas, mas sim os próprios temas, para que houvesse duas realidades, uma na tela e outra em liberdade.
Na obra que aqui aparece intitulada de "Encostada aos Panos", uma tela de dimensões consideráveis,vemos uma mulher que de pé e rudemente nua está totalmente exposta à claridade do sol. O espantoso é que vemos todas as variações cromáticas da sua pele. A perspectiva é assombrosa, pois estando ela de pé parece que a todo o momento ela escorregará na nossa direcção, saltando para fora da tela.
Os panos brancos (lencóis?) atrás dela estão matizados pela claridade e como que amparam o braço direito.São panos incrivelmente bem pintados e ao olharmos para eles, quase que conseguimos sentir a sua textura. Estão amarfanhados e estão tão bem executados que penso que nunca me foi dado a ver uma série de panos tão bem representados numa tela. Brilham com uma luminosidade suave e a sua brancura vai desde os tons profundos de cinzento ( a parte inferior) passando por tons intermédios, até atingir uma brancura aguda na parte superior da tela..A firmeza da carne desta mulher destaca-se da compreensão solta deste monte de panos. Ela inclina a sua cabeça sobre o braço direito e como que adormecida expõe despudoradamente toda a sua nudez.
Um quadro incrível, magnificamente executado por um Lucien Freud em estado de graça.

quarta-feira, junho 04, 2014

A Guerra dos Tronos

Não sei se aconteceu com o resto dos apaixonados pela série A Guerra dos Tronos, mas eu ontem, no 6º episódio, ia tendo um catiripapo quando vejo o belo e misterioso  príncipe  Oberyn Martell, a  'Víbora Vermelha' (o charmoso Pedro Pascal) a ser morto e com a cabeça esmagada por aquela bizarma da 'Montanha',(Gregor Clegane). Fiquei incrédula. Quando o episódio terminou fiquei sentada no sofá em estado de choque!
De facto, já por várias vezes que estou quase  a ter  uma coisinha mal  à pala desta série.
Uma foi aquando do 'casamento vermelho' (Terceira Temporada) em que toda a linhagem dos Stark, mãe,(o pai Stark já tinha sido decapitado na 1ºTemporada), o filho mais velho, a mulher deste e restantes companheiros e amigos  dos Stark são brutalmente chacinados. Até chorei! Juro. Enquanto o genérico final passava  (sem música) não resisti a deitar algumas lágrimas de tão chocada que fiquei!
 Depois quando  aquele fedelho malcriado, sádico, mimado, destrambelhado.... que estava sentado no Trono de Ferro (Joffrey Lannister) é horrivelmente envenenado no dia do seu casamento sem que nada fizesse prever isso. E ainda não sabemos muito bem quem matou esse jovem tarado!
 Finalmente o  horror aconteceu ontem quando há o duelo entre o príncipe e a 'Montanha' e para espanto de toda a gente ambos morrem de uma forma pavorosa. Eu não estava a espera que matassem o príncipe Oberyn, não estava mesmo nada à espera, mas tenho que me ir habituando a estes sustos! Talvez o modo como ele morre é que foi chocante e totalmente inesperada.
Quando o episódio terminou fiquei a pensar que são estas surpresas e imprevisibilidades que fazem a grandeza desta série única e que tem seguidores por todo o mundo.
Como opto por não ler os livros de  George R.R.Martin, estou sempre a ser apanhada pelos acontecimentos mais  inesperados.
De facto, estes criadores da série David Benioff  e  D.B. Weiss, com a supervisão de George R.R. Martin estão aos poucos a criar a melhor série de televisão de todos os tempos!
Esta 4ªa temporada começou morninha e pouco apelativa, mas estes dois últimos episódios estão a pôr toda a gente a tomar calmantes antes do visionamento da série.
 Eu no próximo vou já munidinha de um victan, não vá ser morto o Lannister pai (era cá uma surpresa!), ou aquela víbora da Lannister filha, ou então deceparem a cabeça do meu anão favorito, o grande Tyrion Lannister.
Isto promete!

Coisas Incompreensíveis

Há coisas que para mim são totalmente incompreensíveis nos negócios que se vão abrindo pela cidade de Lisboa e arredores. Não falo das outras cidades e recantos deste pequeno Portugal, porque obviamente não os conheço dado que não viajo assim tanto, mas parece-me que acontece o mesmo que em Lisboa e seus arredores.
Entrou na ordem do dia a palavra empreendedor e vai daí muitas pessoas, começaram a investir as suas economias em negócios cujo conceito passa por alguma originalidade, pois só assim conseguem vencer neste mundo plenamente globalizado em que meio mundo copia o outro meio.
Há dias o R.Araújo Pereira teve uma rábula em que "gozava" com a abertura exagerada de "Hamburguerias Gourmet". Não tinha visto essa rábula, mas como posso andar para trás  alguns dias nos programas que dão na televisão e alertada por uma amiga que ele tinha tido imensa graça fui ver e de facto é do melhorzinho que este humorista tem vindo a fazer no seu quotidiano programa  "Melhor que Falecer".
Evidentemente que tal como expus mais acima, toda a gente tenta inovar nos seus grandes, médios e pequenos negócios e quando alguém faz isso e ganha alguma projecção, há uma tendência para o copianço e quem tem algumas massas investe rapidamente no mesmo conceito e o resultado é a proliferação até à náusea de restaurantes todos iguais e é isso mesmo  que vem acontecendo com as ditas  hamburguerias guormet.
Contudo, há outros negócios também no campo da restauração que ainda tentam ( e por vezes conseguem-no bem, sem que saibamos bem como) não seguir a via do copianço mas a via da renovação de um conceito já existente.
Então fazem assim. Abrem um restaurante em que o que é servido é do mais banalíssimo que se pode comer, conseguem por via de conhecimentos vários que o mesmo seja bem conhecido na praça e como a nossa "praça" é bem pequenina rapidamente a coisa torna-se conhecida, chamam uns jornalistas para publicitar a chafarica, aparecem tias e tios de tudo o que é canto para a inauguração e a dita "boca livre", e passar a palavra aos restantes indígenas, para compor o ramalhete e correr com gente indesejável os preços  são exageradamente altos, mandam vir do estrangeiro os matérias essenciais para o funcionamento do negócio, plantam-no num sitio onde ainda há alguns resquícios de gente com algum dinheiro na carteira, contratam umas pobres coitadas de  um modo geral gente de leste que é do melhor para trabalhar e estar calado, metem num espaço mínimo o máximo de mesas, decoram a coisa de uma forma minimalista, (no mínimo está o máximo) colocam a lista toda em bilingue,  dão um nome que fica no ouvido e...voilá, temos restaurante sempre a bombar.
Num belo dia, cheia de curiosidade, resolvo lá ir. Mesa? Espera por uma e não bufes!
Há livro de marcações como aqueles que se vê   nas séries americanas e depois do adequadíssimo tempo de espera, aparece então alguém que nos acompanha à nossa mesa. 
Vem a lista, com a particularidade acima descrita e passando os olhos por toda ela vemos que os preços não são para o Portugal de hoje, mas como ninguém me obrigou a lá ir...alma até almeida, já dizia a minha avô.
Bem, depois de fazer os pedidos, e tendo sempre o cuidadinho de não pedir nada que me faça ficar depenada para o resto do mês, espero uns tempos vendo o panorama geral e quando vem a comida...bem aí a desilusão começa a assentar os seus arrais, pois se o que vemos é pouco o que comemos é do mais banal e  pobrezinho que se pode imaginar.
Nada na comida é inovador, nada faz com que a experiência seja repetível, não há uma centelha de vida e ânimo nos alimentos, tudo é vazio e desinteressante. No fim...bem no fim...é pedir a contona e zarpar dali para fora o mais rapidamente possível.
Que haja gente empreendedora bato palminhas, mas na restauração a inovação do espaço deve (na minha modesta opinião) vir sempre acompanhada da inovação gastronómica e quando esta não existe, então que se faça boa comida e que a mesma venha em consonância com aquilo que se vai pagar no fim. Em muitos desses novos negócios de restauração isso não acontece e é uma pena. Pagamos muito  comemos mal e em muitos sítios é-se mal servido.
Muitos deles ficam imediatamente condenados a ver os seus dias contados, outros vão sobrevivendo a custa de conhecimentos vários, típicos de um país muito pequeno e onde quase toda a gente se conhece e os favores são pagos com outros favores.
No fim e a caminho de casa só  pensava que o lema de muitos desses negócios é:
"Cria fama e deita-te na cama a dormir", o que não deixa de ser um desconsolo.

domingo, maio 25, 2014

Edvard Hopper-Fim da Tarde em Cape Cod

Fim da Tarde em Cape Cod
Gosto muito das obras pictóricas do pintor norte americano Edvard  Hopper, e por isso já o abordei aqui num anterior post, voltando hoje a fazê-lo a  propósito da sua obra Fim da Tarde em Cape Cod.
A obra de E.Hopper sempre foi extremamente realista, e as suas imagens imóveis e muito precisas onde a desolação, solidão e tristeza do indivíduo está expressa como nenhum outro artista norte americano, sempre me atraíram imenso. Esses indivíduos, fossem eles homens ou mulheres, acabam por reflectir um certo espírito de época americano que Hopper tentou captar sempre de uma forma  ímpar.
E.Hopper, nascido em 1881 e falecido em 1967, procurou sempre imprimir uma certa austeridade solitária e muito peculiar em toda a sua obra. Ele procurava mostrar o mundo moderno, mas sempre impregnado de uma certa tristeza e quando as suas obras são alegres,  a tristeza está lá escondida sob a capa de uma desoladora paisagem ou de indivíduos que estando acompanhados estão isolados uns dos outros emersos no seu próprio mundinho.
Essa tristeza, solidão e até  miséria física e moral, fazia eco da desilusão que varreu os Estados Unidos após o começo da Grande Depressão de 1929 e que trouxe, fome, suicídios, emigração e desconsolo geral a toda uma sociedade.
A obra que aqui surge denominada de Fim da Tarde em Cape Cod, poderia até ser uma obra idílica, mas as pinceladas de Hopper tornam-na triste e desconsolada.
Nela vemos  um casal à soleira da sua bela casa e onde surge em pleno primeiro plano uma cão/cadela que de tão realista que é pensamos que em alguma altura ele/ela saltará da tela e aterrará perto de nós  pedindo algumas festas na cabeça.
O casal parece gozar o sol da tarde fora de casa, contudo, trata-se de um casal apenas em termos técnicos. Se repararmos bem, essa fruição é  totalmente passiva, visto que ambos estão isolados e envolvidos nos seus próprios devaneios.
Por sua vez, a sua bela casa está fechada ao nosso olhar e à nossa intimidade, posto que a porta está bem fechada e as janelas estão cobertas com cortinas claras mas impossíveis ao olhar humano.
O cão acaba por ser o único ser atento e 'vivo', mas até ele volta as costas à casa e olha o horizonte parecendo ver algo que nos é impossível de visualizar.
As árvores, densas, escuras e sinistras batem em algumas vidraças mas nem isso desperta o olhar do casal isolado em si mesmo. A erva clara que domina todo o plano a nível do chão quase que submergem o cão e os pés dos dois personagens.
É uma obra estranha, triste, em que o casal ensimesmado e fechado em si mesmo, tornam-se figuras rapidamente identificadoras de uma obra típica de Edvard Hopper.
Contudo,  e apesar dessa tristeza não deixa de ser uma  uma tela muito bonita, que atrai o nosso olhar e nos faz contemplá-la com bastante agrado.
Esta obra foi realizada em 1939 e pode ser vistas no National Gallery of Art, em Washington, D.C.

segunda-feira, maio 19, 2014

A Lancheira

 Eu já gosto  muito dos filmes de Ritesh Batra,  foi ele que nos deu obras muito inteligentes como é o caso A Vida de Pi e Quem quer ser Milionário. Foi por isso com grandes expectativas que fui ver este seu ultimo filme A Lancheira. Não sai desiludida, porque este filme é muito bom. Partindo de um engano  na entrega de lancheiras (os indianos dizem que tal nunca é possível, tal é a eficiência da entrega de lancheiras em Bombaim) Ritesh Batra dá-nos um filme em que dois personagens conseguem a partir desse engano, estabelecer contacto através  de cartas enviadas dentro da lancheira e com isso modificar para sempre o rumo das suas vidas! Adorei a premissa, achei-a muito credível, cheia de romantismo, os actores,fantásticos como sempre nos filmes deste realizador e no fim...bem no fim ficamos com a certeza que o amor sempre é possível, não importa a idade, credos, distâncias, basta o ser humano querer.
Um filme lindíssimo, com  actores em estado de graça, como é o caso de Irrfan Khan, Lillete DubeyNawazuddin SiddiquiNimrat Kaur.

Gravidez de ...Alto Risco

Com realização e  argumento  de Albert Dupontel  estreou na semana passada este Gravidez de...Alto Risco uma comédia muito engraçada em que o próprio realizador pontua como um dos actores principais.
A meu ver está de parabéns a comedie française, por mais uma vez nos dar um belo filme em que  brilha a actriz  Sandrine Kiberlain, numa prestação muito contida, mas muito cómica, e onde a mesma e Albert Dupontel  encaixam muito bem, sem que em nenhum momento tenhamos sentido que um estava a sobrepor-se ao outro.
 Levam ambos o filme às costas, predomina um humor muito  sadio e nada estriónico, há actores secundários muito bons, as situações hilariantes não são forçadas e no fim saímos do cinema com a certeza que o cinema francês está de boa saúde e a comédia está a ser feita por gente inteligente.
Este Gravidez de ...Alto Risco está uns bons furos acima de muita comédia americana que grassa pelos nossos cinemas, sem que muitas vezes saibamos bem quem os realiza e/ou  para quem estes filmes são realizados.
 Um filme para ver com um sorriso nos lábios e umas sonoras gargalhadas.

domingo, maio 11, 2014

Henri Matisse-A Conversa

A carreira artística do pintor Henri Matisse (1869/1954) foi longa e variada, abrangendo muitos estilos pictóricos diferentes, desde o Impressionismo até quase à Abstração. Na primeira fase da sua carreira Matisse era considerado um Fauvista e as suas celebrações das cores vivas atingiram o auge em 1917 quando se mudou para  a Riviera francesa, mais concretamente em Nice e Vence.
Aqui foi com grande empenho que começou a reproduzir as cores da natureza e acabou por criar os seus quadros mais empolgantes. Acabou por lhe ser diagnosticado um cancro no duodeno que o confinou a uma cadeira de rodas e foi nestas precárias condições que o pintor concluiu a Capela do Rosário, em Vence.
Na obra que aqui aparece denominado de A Conversa, um marido e mulher conversam. Estão implacavelmente opostos. O homem de pé domina a cena e domina-a a ela. Inclina-se de mau humor sobre a mulher que por sua vez está como que aprisiona na cadeira onde está sentada/enterrada.Os braços dessa cadeira como que a envolvem e no entanto essa mesma cadeira mal se distingue do fundo azul que domina o quadro. A mulher está numa prisão no seu próprio ambiente.
A janela aberta sugere a fuga, mas a mulher é retida por um parapeito de ferro. Ele eleva-se sobre ela, tão dinâmico como ela é passiva e todas as riscas do seu pijama estão impecavelmente direitas. É um homem totalmente decidido, aquele que aqui temos. O seu pescoço engrossa para lhe manter a silhueta direita hirta e firme, uma autêntica seta de energia concentrada. A barba está impecavelmente aparada e a mão direita firmemente enterrada no bolso do pijama. 
O quadro não pode abarcá-lo todo e por isso a sua cabeça continua para além dele, na direcção do mundo exterior.  Ele é maior que o mundo inteiro, e a única "palavra" desta conversa hostil está escrita nas volutas do corrimão: Non! Dirá ele não à passividade egoísta da mulher? Dirá ela não à intensidade da vida dele? Ambos se recusam um ao outro para sempre!
 Uma obra magnífica.
Esta tela de Henri Matisse denominada de A Conversa foi realizada em 1909.
Estava  na Colecção Schukin em  Moscovo, sendo posteriormente levada para o Museu Estatal de Arte Moderna Ocidental de Moscovo por volta de1948. Aliás, é nesta cidade que se encontra grande parte das obras de Henri Matisse um pintor muito amado pelo povo russo.

sexta-feira, maio 09, 2014

Com Pétalas de Flores




Esta estilista de seu nome Grace Ciao, cria os seus modelos de vestido a partir de pétalas de flores. Cria modelos super elegantes, etéreos e muitooooo bonitos.
É ver para acreditar.Lindoooossss!





quinta-feira, maio 08, 2014

As Palavras e o Silêncio

Há dias estava a ler uma crónica de João Miguel Tavares no seu blog Pais de Quatro e na introdução ao seu texto este referia uma reflexão do prémio Nobel da Literatura recentemente falecido Gabriel García Marquez a propósito das discussões entre os casais:
 
 
"Quando nos casais as pessoas se zangam, há quem diga que devem falar um com o outro, esclarecer tudo exaustivamente, até ao fim; pois eu dou o conselho oposto: quando há um problema no casal, um mal-entendido, uma zanga, o melhor é não falar e deixar passar um tempo. A conversa só vai agravar a situação."
Fiquei a matutar neste texto, pois a meu ver o mesmo ia ao arrepio de tudo o que eu poderia pensar do autor, pois sendo um belíssimo escritor era suposto pensar que gostaria de ter sempre as coisas esclarecidas e bem argumentadas até ao mais infímo pormenor, e mandando o texto para um amigo meu ele opinou , escrevendo-me o seguinte:
 
"Quanto a ser o silêncio mais benéfico que a conversa, são opiniões. Acho que depende das resistências, das imunidades.A conversa pode provocar episódios agudos, o silêncio causa doenças degenerativas. Cada um escolhe consoante o seu feitio. Porém, ambas as hipóteses são potencialmente letais. A vantagem do silêncio é que mata mais lentamente e com menos alarido. A desvantagem é que, enquanto a conversa oferece um interlocutor, mesmo que aguerrido, o silêncio acaba por nos fazer compreender que estamos irremediavelmente sós. Há uns que se resignam, outros não. Mas quando se chega a um certo ponto crítico, onde a vida se bifurca, para os conversadores ainda existe uma réstia de esperança, enquanto para os silenciosos nada haverá a dizer.Ou visto por outro ângulo: quando se briga, ainda importa o que se diz; quando se prefere o silêncio, virá o dia em que já nem isso importa.É uma chatice, não é? A vida é tudo menos linear. Cada escolha tem os seus riscos. E não há nada que sirva par toda a gente".
Fiquei ainda mais confusa do que aquilo que já estava, visto que esse meu amigo também é escritor e como tal possuía outra opinião diametralmente oposta a de García Marquez. Para este  último, o silêncio era a melhor forma de superar divergências, para o meu amigo o silencio era como água à solta nas paredes de um edifício. Aos poucos, vai minando os alicerces do mesmo e quando damos por nós está tudo a apodrecer lentamente e só resta das duas uma, ou deixar andar até tudo cair  ou então tentar deitar tudo a baixo e reconstruir de novo, mas aquilo que se reconstrói já não é idêntico ao edifício anterior, porque nada depois de reconstruído fica igual, disse-me ele depois em palavras e já não em email, quando lhe pedi que me esclarecesse mais sobre o silêncio e as palavras.
Sendo por norma uma pessoa que fala relativamente pouco, o silêncio sempre me foi muito caro e se a tese de García Marquez é-me muito querida, reconheço que nas relações entre os casais ela talvez não seja a mais adequada porque pode acabar num...deixa andar.
Parece-me que não foi isso que acontecia com os escritor e a sua mulher, a sua única mulher em muitos anos de casamento. Cada caso é um caso, temos de o reconhecer e aqui estamos no domínio dos afectos e como cada ser humano pode e deve lidar da melhor forma possível com os seu companheiro/a.
Quando as pessoas optam por viverem juntas, devem fazer cedências de parte a parte e parece-me que este é o segredo de uma boa relação. Sem cedências nada feito  com silêncio ou discussões.
Saber viver em conjunto é uma arte e viver quotidianamente esta arte requer esforços supremos e por isso não deixo de ficar agradavelmente surpreendida por saber que há quem consiga viver meio século com outra pessoa sempre amando-a como foi o caso do casal Gabriel Garcia Marquez e Mercedes Barcha.
E que vivas para sempre Gabriel García Marquez na memória colectiva do teu povo e de todos os povos deste mundo.
 

quinta-feira, maio 01, 2014

L.S.Lowry-Regressando da Fábrica

L.S.Lowry especializou-se num tipo de pintura que me encanta. Os seus quadros enchem-nos o olhar de pequenas figurinhas em que mal distinguimos os seus rostos e apenas conseguimos destacar o sexo pela vestimenta. O grande destaque vai para os grandes edifícios, de uma maneira geral, edifícios fabris e prédios de grandes dimensões que submergem quase por completo o ser humano, frágil perante a dimensão e a massa dessas construções.
Hoje, dia 1 de Maio, dia Mundial do Trabalhador trago aqui algumas telas deste pintor de entre as quais quero destacar o quadro "Regressando da Fábrica". Nele trabalhadores fabris saem em magote de uma fábrica, em Salford, cidade que o artista conhecia bem. Observada com grande sentimento e captada em cores suaves, esta cena foi pintada na tela sem que o artista tenha feito um esboço preliminar.
Lowry procura aqui nesta e noutras telas destacar o inferno que era trabalhar nessas fábricas escuras e mal arejadas, com grande empática e muito encanto.
Embora muitas vezes designadas por "paus de fósforos" as suas figuras não deixam de ser cheias de movimento e vitalidade, posto que ao olharmos para elas não deixarmos de ver gente que se movimenta submersas nos seus pensamentos e talvez desertas de chegar a casa.
Esta e outras obras deste pintor proporcionam para quem olha para elas um fascinante registo pictórico do norte industrial de Inglaterra, com as suas fábricas de algodão e filas de casas geminadas, cenas que actualmente existem apenas na memória, em quadros  ou em fotografias de época.
O estilo algo rude da pintura de Lowry é absolutamente individual, não sendo influenciado por qualquer movimento pós impressionista.
Sendo um empregado de escritório toda a sua vida, muito resguardado do olhar do público, Lowry estudou arte nas suas horas livres, e só foi descoberto como artista em 1939, quase acidentalmente.
Estas e outras obras de Lawrence Stephen Lowry que nasceu em Manchester em 1887 e morreu em Glossop em 1973, denominada de Regressando da Fábrica é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no  Salford Museum and Art  Gallery.