quinta-feira, julho 18, 2013

Lore

Há uma semana atrás fui ver a uma das salas  de cinema do  Corte Inglês( parece-me que o filme só está aí, o que é uma pena) um filme absolutamente extraordinário da realizadora australiana Cate  Shortland. O filme chamasse  Lore.
 Já premiado em festivais de cinema,   traça a história de Lore filha de nazis, que  no fim da guerra e com uma Alemanha dividida entre  norte americanos, russos, franceses, ingleses e tutti quanti, com mais 4 irmãos entre os quais um bebé de colo atravessa a Alemanha em busca da casa dos avós, saudosos e fervorosos nazis, pois só ali poderão encontrar alguma segurança.
A travessia dessa Alemanha devastada pela guerra vai ser ajudada pela personagem mais improvável, um jovem judeu que atraído pela misteriosa e triste Lore tudo faz para que este estranho grupo de irmãos consiga levar o seu propósito a bom porto. Talvez que não o faça só por isso, mas também para salvaguardar a sua própria sobrevivência, mas isso é de somenos, pois o que interessa à realizadora é mostrar como o racismo, a xenofobia e as ideias enraizadas desde cedo, podem interiorizar-se num ser humano e decidir as suas acções e a sua vontade. 
Todo o filme é belíssimo, como belíssimas são as imagens, pois  Cate Shortland tem extrema preocupação com a fotografia e isso sobressai no rosto dos irmãos e nas árvores daquela floresta negra que tudo escurece, e onde os pés descalços se vão enterrando e é precisamente nesta floresta negra  que Lore enterra o seu passado, posto que abandonada pelos pais que são presos ( a cena de despedida da mãe é das melhores que já vi em cinema) procura mesmo assim e muito altivamente ainda guardar alguns resquícios da vida que levavam quando o nazismo estava no seu apogeu.
 O filme é duro, como duro são os olhares as palavras atiradas e os actos de sobrevivência. Não há espaço para o amor e tudo se resume a andar para a frente pois parar ou hesitar pode significar a morte. Para mim a sobrevivência dos membro mais novo é a prova de que as crianças são de uma resistência ímpar perante as adversidades e só no olhar desencantado de Lore percebemos a tremenda perda dessas crianças abandonadas à sua sorte independentemente de serem ou não filhas de nazis. Estão todos irmanados na desgraça é nesse grupo de irmãos que vemos que a sobrevivência faz-se através da mais pura resistência à adversidade e essa resistência está encarnada no membro mais novo, o bebé que chega ao fim da viagem dando os primeiros passos para a vida. Muito bonito!
Um filme imperdível.

1 comentário:

helena frontini disse...

Gostaria muito de o ver, promete bem.