domingo, janeiro 19, 2014

12 Anos escravo e O Lobo de Wall Street

Grande candidato a vários Oscares fui ver este 12 Anos de Escravo, o último filme do grande realizador Steve Mac Queen, conhecido pelos imperdíveis filmes Fome e Vergonha este último com uma candidatura há um anos ao Oscar de Melhor (Actor (M.Fassebender), actor fetiche do realizador que volta à carga neste imperdível 12 anos de Escravo, num papel absolutamente demencial, na figura de um dono de plantação de algodão absolutamente louco e com a agravante de ter existido, uma vez que esta história triste e que envergonha toda a humanidade (como infelizmente muitas outras), é baseada em factos verídicos, pois o argumento é baseado no livro deixado por Solomon Northup, um homem livre que em 1841,vivendo na cidade de Saratoga com a mulher e os dois (e um exímio violinista) caí na armadilha de dois homens e se vê de um momento para o outro transacionado num negócio de escravatura, caindo num vórtice  infernal de violência e humilhações sucessivas do qual só se vê livre passados 12 anos.
Nesta vida de horrores, do qual me faltam palavras para a descrever e que este Solomon se vê imerso juntamente com outros escravos na mesma situação e onde a traição, o ódio,  a imoralidade a demência passam a fazer parte do seu quotidiano, há ainda lugar para a esperança, uma vez que o mesmo nunca desistiu de retomar a sua liberdade, conseguindo- ao fim de muitos e penosos anos.
Chiwetel Ejiofor, candidato a melhor actor tem um papel magistral em confronto com um magnífico  Miguel Fassebender (candidato a actor secundário).Este último tem-se vindo a especializar em determinados papéis de louco e neste está soberbo, pois consegue apenas com a sua presença e através do olhar gelar-nos as veias. É um homem perigoso,  é um homem de convicções bíblicas, pois o que ele diz é a Palavra do Senhor e o que ele faz está na Bíblia e esta não pode nunca ser contestada!
O que mais me impressionou neste filme foi o desespero e principalmente o olhar de medo que emana do personagem principal, confrontado com situações fora do seu alcance e com figuras absolutamente sinistras e imprevisíveis. É um mundo onde a banalização do mal faz parte do dia a dia e o tratamento de seres humanos apenas e só diferentes na cor da pele é feita a nível da pura animalidade!
Outra actriz que está soberba é a estreante Lupita Nyong'o, também candidata ao papel de actriz secundária, no papel de uma escrava, objecto sexual do seu patrão, numa relação de ódio/ amor demencial que não conhecendo nós o desfecho só podemos prever que o mesmo acabará na mais triste tragédia. Um filme com uma fotografia lindíssima, com paisagens típicas do sul dos Estados Unidos, uma música adequadíssima ao filme, actores em estado de graça e com diálogos de antologia. Retenho o papel de Paul Giamatti, um traficante e vendedor de escravos que não hesitando em separar dois filhos de uma mãe, fá-lo não por desumanidade (nas suas palavras) mas porque o que ali está é uma mercadoria transacionável, um mero negócio feito para e com pessoas, e que não pode nem deve ter em atenção qualquer laço filial.
Também por lá anda o sempre seguro Benedict Cumberbatch, um dos patrões mais sofríveis que Solomon tem, e que possuidor de alguma sensibilidade e humanidade, oferece-lhe um violino, esperando que Solomon lhes proporcione com a sua musica... muitos anos de prazer. Terrível!São algumas das muitas cenas do filme, que nos mostram o lado mais negro e mais baixo a que a humanidade pode chegar!
Espero que a Academia reconheça o mérito deste filme e o premeie com vários prémios pois o mesmo merece-o. Mas se assim não for fica a satisfação de ver o mesmo esgotar salas de cinema. Afinal os filmes são para o público e não para os prémios da Academia. Um filme imperdível.
 


Outro filme que gostei muito  foi  O Lobo de Wall Street, filme também com várias candidaturas ao Óscar e que inclusive já deu a ao soberbo Leonarde DiCaprio o Globo de Ouro de Melhor actor precisamente por este papel baseado na  história verídica do corretor da bolsa nova-iorquino Jordan Belfort. É um caminho absolutamente tresloucado recheado de sexo, dinheiro, drogas loucura  e a mais pura e louca ganância empresarial.
Jordan Belfort passa de acções de pouco valor e dos ideais de justiça para as OPV e uma vida de corrupção, no final dos anos 80. O sucesso excessivo e a sua gigantesca fortuna aos vinte e poucos anos, enquanto fundador da corretora Stratton Oakmont, deram a Belfort o título "O Lobo de Wall Street", um filme do grande Martin Scorcese, candidato ao Oscar de Melhor Realizador, num filme imperdível, quanto mais não seja por durante 3 horas e meia, ficarmos submergidos num mundo que nunca pensarmos ter existido e que nos faz pensar que quando julgamos que o capitalismo selvagem já nos tinha mostrado tudo, há sempre mais uma pontinha do véu que pode ser levantada pela qual podemos espreitar e ver como meia dúzia de rapazolas inconsequentes que quem parece nem saberem onde têm o nariz a menos que seja só para snifar quilos de coca, conseguem em poucos anos alcançar fortunas incríveis e esbanja-las em sessões de sexo desenfreado, espectáculos com anões, prostitutas, bandas de música com os seus elementos todos nus, compra de megas iates, de mansões gigantescas de carros  de luxo, enfim de orgias absolutamente inimagináveis. Um filme que me surpreendeu desde o primeiro momento em que o magnifico Matthew McConaughey entra em cena (está apenas 15 minutos) e dá o mote a todo o filme. Como disse mais acima Leonardo DiCaprio está muito bem pois carrega todo o filme às costas conseguindo com grande credibilidade dar a vida a um homem que vivendo uma vida de absoluto e demencial excesso e desregramento punível com vários anos de prisão conseguiu mesmos assim com o seu livro inspirar uma série de jovens que não hesitam em seguir os seus métodos absolutamente condenáveis almejando riqueza instantânea numa procura do América dream. Um filme a ver com atenção.
 

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