Maléfica. Um filme lindo, com uma fotografia soberba, Angelina Jolie mais bonita do que nunca. Amei este filme não pela história em si ( que até está bem esgalhada), mas por aquelas imagens únicas!O meu Blogue é um pouco de mim.Procuro através dele transmitir os meus gostos e as minhas ideias.Escreverei sobre aquilo que me vai na alma tendo sempre presente a máxima de Aristóteles que num belo dia disse: "Somos aquilo que fazemos consistentemente.Assim, a excelência não é um acto mas sim um hábito". O nome do meu Blogue é uma homenagem que faço a essa grande pintora do século XVI que foi Artemisia Gentileschi. Que Vivas para sempre Minha Deusa da pintura!
sexta-feira, junho 27, 2014
Maléfica
Maléfica. Um filme lindo, com uma fotografia soberba, Angelina Jolie mais bonita do que nunca. Amei este filme não pela história em si ( que até está bem esgalhada), mas por aquelas imagens únicas!terça-feira, junho 24, 2014
O Homem Duplicado/Enemy
Em boa verdade, não sei como classificar este Homem Duplicado que fui ver no domingo passado. Não sei se o classifico como uma obra prima, uma obra excêntrica, uma obra incompreensível, única, estranha, bizarra, um objecto de arte dentro da mediocridade que grassa por aí em termos cinematográficos ou, uma deriva do realizador que tem como pano de fundo a obra do galardoado com o Prédio Nobel o escritor José Saramago.
Eu não li ainda a obra que dá nome ao filme, se bem que o título original é Enemy e julgo que com mais apropriação que o título em português. De facto o que aqui vemos são dois inimigos que o são a partir do momento que se vêm, partindo o realizador, da premissa que o homem é inimigo do seu semelhante, mesmo que esse semelhante seja uma cópia de si próprio.
Dos adjectivos que coloquei acima e que podem explicar o que é este filme o que para mim tem mais propriedade é o de incompreensível porque eu confesso que não entendi o filme em muitos dos seus aspectos e o final foi para mim totalmente hermético e inalcançável.
Este O Homem Duplicado não é um a obra linear e fácil de ser vista. É sim daqueles filmes que teremos que rever para o compreender, posto que há coisas que só a meio ou mesmo no fim fazem "algum" sentido.
Contudo, e isso é que é o mais estranho, é que o filme prende-nos do princípio ao fim. É como aqueles alimentos que sabemos que nos vão engordar o mesmo fazer mal, mas que insistimos em os comer. Aqui o nosso olhar prende-se ao êcran e por mais estranho que tudo aquilo seja, queremos ir até ao fim e ver como acaba aquela relação entre idênticos e o destino dos outros (poucos) participantes nesta história.
Este O Homem Duplicado não é um a obra linear e fácil de ser vista. É sim daqueles filmes que teremos que rever para o compreender, posto que há coisas que só a meio ou mesmo no fim fazem "algum" sentido.
Contudo, e isso é que é o mais estranho, é que o filme prende-nos do princípio ao fim. É como aqueles alimentos que sabemos que nos vão engordar o mesmo fazer mal, mas que insistimos em os comer. Aqui o nosso olhar prende-se ao êcran e por mais estranho que tudo aquilo seja, queremos ir até ao fim e ver como acaba aquela relação entre idênticos e o destino dos outros (poucos) participantes nesta história.
A música é como uma personagem integrante do enredo.
Ouvimo-la e ela agarra-se a nós. Ela grita bem alto, tão alto como aquela aranha monstruosa que vagueia pela cidade que é quase sempre filmada do alto, formando como uma teia gigante e em que o homem se vê como ser minúsculo perante a extensão em altura daqueles prédios e algo perdido perante quilómetros infindáveis de estradas em que pouca gente circula e os que o fazem se encontram submersos em si mesmo, fechados na sua própria solidão.
Não conhecia este realizador canadiano Denis Villeneuve, mas passarei a estar atenta a outras obras suas, visto que gostei do modo como ele usa a câmara, como filma os rostos dos personagens, as ruas, como escolhe muito bem os actores e sobretudo como soube integrar magistralmente Jake Gyllenhaal num papel duplo que não é nada fácil, pois ele é Antony Claire e Adam Belle, assim como, Mélanie Laurent, Sarah Gadon e Isabella Rossellini, esta última como mãe de um dos duplos. Um filme a ver e talvez a rever.
sábado, junho 21, 2014
Giuseppe Arrcimboldo-O Verão
Nascido em Milão em 1527 e falecido na mesma cidade em 1599,Giuseppe Arcimboldo, legou para a posterioridade obras que tornam único no panorama artístico. As suas criações feitas de toda a espécie de frutos, flores,legumes, potes, panelas e hastes dos mais variados cereais, e em que nelas podemos ver rostos de homens e mulheres, tornaram-no num artista ímpar e que faz com que o espectador se deleite a apreciar estas obras tentando descortinar nela a quantidade de elementos que a mesma emprega.
A obra aqui presente, denominada de O Verão, tornasse apropriada na medida em que hoje dá-se início a uma das estações mais alegres e desejáveis, após meses de frio, chuva humidade e demais destemperos.
Visto de perto este quadro parece a quem o aprecia, ser o sonho feliz de um vendedor de fruta ou mesmo de um vegan.
Contudo, ao afastar-nos dele vemos uma cabeça humana a tomar forma.
Esta foi feita na sua totalidade com base nos frutos e vegetais de verão. O casaco da figura todo ele é feito de cereais ainda em haste e mesmo o fundo do quadro é bordejado por flores.
Embora conhecido por usar frequentemente frutos e legumes para criar os seus retratos G.Arcimboldo costumava também , como já o referi mais acima, usar potes, panelas e até ferramentas na criação das suas muito estranhas imagens.
G.Arcimboldo esteve durante anos ao serviço da família dos Habsburgos e aqui esteve incumbido de outros trabalhos para a corte, como era o caso da realização e decorações para as mais diversas festividades adquirir peças de arte para a colecção do Imperador, desenhar e construir fontanários.
Contudo, as obras deste artista eram de alguma forma tidas como algo ridículas, embora não deixassem de ser imitadas por outros artistas, mais ou menos de uma forma descarada.
Foi apenas quando os Surrealistas tomaram de assalto a cena artística, que passaram a ver nele um amante dos jogos visuais e logo um dos seus , passando então G.Arcimboldo a tornar-se um dos mais famosos pintores.
Esta obra intitulada de O Verão é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no Museu do Louvre em Paris.
sexta-feira, junho 20, 2014
Les garçons et Guillaume a la table!
Com realização de Guillaume Gallienne, está na sala de cinemas portugueses o filme Les garçons et Guillaume, à table! A Mamã eu e Guillaume na tradução portuguesa.
Eu não conhecia este actor e o filme chamou-me a atenção quando fui ao cinema há tempos e vi a sua apresentação. Fui vê-lo e as expectativas que tinha do mesmo (uma comédia super engraçada) esfumaram-se. O filme é estranho. Não digo que é mau, porque não é, até porque G.Gallienne está soberbo nos papéis de mãe e dele próprio.
O que me aborreceu foi mesmo a história. Achei-a batida, algo chata, com a sensação que já tinha visto aquilo em outros filmes, acção muito parada, e sem grande conteúdo.
É evidente que o actor quis aqui exorcizar os seus fantasmas, sendo os mesmos acerca da sua sexualidade, mas penso que o faz de um modo inviezado e a meu ver algo repetitivo.
É um filme egocêntrico ( não podia ser de outro modo, pois o que aqui vemos é uma autobiografia do próprio actor), mas eu já vi filmes egocêntricos bons e este não é o caso. A única nota que retive de interesse é o modo como o actor está em palco contando a sua história e é aqui que o filme ganha alguma chama, porque quando passamos para a acção propriamente dita, algo se perde e o que vemos é a história de um miúdo traumatizado pelo modo como é tratado pela família, os irmãos, colegas, e demais pessoas que se vão cruzando no seu caminho e que ao primeiro olhar o rotulam de gay.
Se já viu isto em outros filmes? Já! Se G. Gallienne é um bom actor? Sim é!Se o filme é bom? Não, não é, é razoável! Se recomendo? Sim! Há bem piores em cartaz!
Nota para o papel do actor como amante de Ives Saint Laurence no filme que estreia esta semana com o mesmo nome.
quinta-feira, junho 05, 2014
Lucien Freud-Encostada aos Panos
Lucien Freud, nascido em Berlim a 8 de Dezembro de 1922 e falecido em Londres a 20 de Julho de 2011, neto de S.Freud, há muito tem o seu nome inscrito na história da pintura.
Começou por pintar paisagens e naturezas-mortas, assim como retratos dos seus amigos e familiares, tendo posteriormente evoluído para a nudez do corpo humano. E que nudez!
A meu ver, talvez nenhum outro artista conseguiu igualar este pintor na arte de expor o ser humano em toda a sua nudez, despojada de qualquer artificialismo e mostrada tal como ele é.
Lucien Freud sempre conseguiu ver e mostrar o corpo humano em todos os seus prodígios cromáticos e espantosa vulnerabilidade. Consegue quase que pintar o que está por debaixo da pele, expondo a verdade secreta dos seus modelos e que foram da modelo Kate Moss à própria rainha de Inglaterra, passando pela mãe e amigos e diversos cães de estimação.
Parece-me que o desejo deste excepcional pintor nunca foi criar quadros que fossem idênticos aos temas, mas sim os próprios temas, para que houvesse duas realidades, uma na tela e outra em liberdade.
Na obra que aqui aparece intitulada de "Encostada aos Panos", uma tela de dimensões consideráveis,vemos uma mulher que de pé e rudemente nua está totalmente exposta à claridade do sol. O espantoso é que vemos todas as variações cromáticas da sua pele. A perspectiva é assombrosa, pois estando ela de pé parece que a todo o momento ela escorregará na nossa direcção, saltando para fora da tela.
Os panos brancos (lencóis?) atrás dela estão matizados pela claridade e como que amparam o braço direito.São panos incrivelmente bem pintados e ao olharmos para eles, quase que conseguimos sentir a sua textura. Estão amarfanhados e estão tão bem executados que penso que nunca me foi dado a ver uma série de panos tão bem representados numa tela. Brilham com uma luminosidade suave e a sua brancura vai desde os tons profundos de cinzento ( a parte inferior) passando por tons intermédios, até atingir uma brancura aguda na parte superior da tela..A firmeza da carne desta mulher destaca-se da compreensão solta deste monte de panos. Ela inclina a sua cabeça sobre o braço direito e como que adormecida expõe despudoradamente toda a sua nudez.
Começou por pintar paisagens e naturezas-mortas, assim como retratos dos seus amigos e familiares, tendo posteriormente evoluído para a nudez do corpo humano. E que nudez!
A meu ver, talvez nenhum outro artista conseguiu igualar este pintor na arte de expor o ser humano em toda a sua nudez, despojada de qualquer artificialismo e mostrada tal como ele é.
Lucien Freud sempre conseguiu ver e mostrar o corpo humano em todos os seus prodígios cromáticos e espantosa vulnerabilidade. Consegue quase que pintar o que está por debaixo da pele, expondo a verdade secreta dos seus modelos e que foram da modelo Kate Moss à própria rainha de Inglaterra, passando pela mãe e amigos e diversos cães de estimação.
Parece-me que o desejo deste excepcional pintor nunca foi criar quadros que fossem idênticos aos temas, mas sim os próprios temas, para que houvesse duas realidades, uma na tela e outra em liberdade.
Na obra que aqui aparece intitulada de "Encostada aos Panos", uma tela de dimensões consideráveis,vemos uma mulher que de pé e rudemente nua está totalmente exposta à claridade do sol. O espantoso é que vemos todas as variações cromáticas da sua pele. A perspectiva é assombrosa, pois estando ela de pé parece que a todo o momento ela escorregará na nossa direcção, saltando para fora da tela.
Os panos brancos (lencóis?) atrás dela estão matizados pela claridade e como que amparam o braço direito.São panos incrivelmente bem pintados e ao olharmos para eles, quase que conseguimos sentir a sua textura. Estão amarfanhados e estão tão bem executados que penso que nunca me foi dado a ver uma série de panos tão bem representados numa tela. Brilham com uma luminosidade suave e a sua brancura vai desde os tons profundos de cinzento ( a parte inferior) passando por tons intermédios, até atingir uma brancura aguda na parte superior da tela..A firmeza da carne desta mulher destaca-se da compreensão solta deste monte de panos. Ela inclina a sua cabeça sobre o braço direito e como que adormecida expõe despudoradamente toda a sua nudez.
Um quadro incrível, magnificamente executado por um Lucien Freud em estado de graça.
quarta-feira, junho 04, 2014
A Guerra dos Tronos
Não sei se aconteceu com o resto dos apaixonados pela série A Guerra dos Tronos, mas eu ontem, no 6º episódio, ia tendo um catiripapo quando vejo o belo e misterioso príncipe Oberyn Martell, a 'Víbora Vermelha' (o charmoso Pedro Pascal) a ser morto e com a cabeça esmagada por aquela bizarma da 'Montanha',(Gregor Clegane). Fiquei incrédula. Quando o episódio terminou fiquei sentada no sofá em estado de choque!
De facto, já por várias vezes que estou quase a ter uma coisinha mal à pala desta série.
Uma foi aquando do 'casamento vermelho' (Terceira Temporada) em que toda a linhagem dos Stark, mãe,(o pai Stark já tinha sido decapitado na 1ºTemporada), o filho mais velho, a mulher deste e restantes companheiros e amigos dos Stark são brutalmente chacinados. Até chorei! Juro. Enquanto o genérico final passava (sem música) não resisti a deitar algumas lágrimas de tão chocada que fiquei!
Depois quando aquele fedelho malcriado, sádico, mimado, destrambelhado.... que estava sentado no Trono de Ferro (Joffrey Lannister) é horrivelmente envenenado no dia do seu casamento sem que nada fizesse prever isso. E ainda não sabemos muito bem quem matou esse jovem tarado!
Finalmente o horror aconteceu ontem quando há o duelo entre o príncipe e a 'Montanha' e para espanto de toda a gente ambos morrem de uma forma pavorosa. Eu não estava a espera que matassem o príncipe Oberyn, não estava mesmo nada à espera, mas tenho que me ir habituando a estes sustos! Talvez o modo como ele morre é que foi chocante e totalmente inesperada.
Quando o episódio terminou fiquei a pensar que são estas surpresas e imprevisibilidades que fazem a grandeza desta série única e que tem seguidores por todo o mundo.
Como opto por não ler os livros de George R.R.Martin, estou sempre a ser apanhada pelos acontecimentos mais inesperados.
Depois quando aquele fedelho malcriado, sádico, mimado, destrambelhado.... que estava sentado no Trono de Ferro (Joffrey Lannister) é horrivelmente envenenado no dia do seu casamento sem que nada fizesse prever isso. E ainda não sabemos muito bem quem matou esse jovem tarado!
Finalmente o horror aconteceu ontem quando há o duelo entre o príncipe e a 'Montanha' e para espanto de toda a gente ambos morrem de uma forma pavorosa. Eu não estava a espera que matassem o príncipe Oberyn, não estava mesmo nada à espera, mas tenho que me ir habituando a estes sustos! Talvez o modo como ele morre é que foi chocante e totalmente inesperada.
Quando o episódio terminou fiquei a pensar que são estas surpresas e imprevisibilidades que fazem a grandeza desta série única e que tem seguidores por todo o mundo.
Como opto por não ler os livros de George R.R.Martin, estou sempre a ser apanhada pelos acontecimentos mais inesperados.
De facto, estes criadores da série David Benioff e D.B. Weiss, com a supervisão de George R.R. Martin estão aos poucos a criar a melhor série de televisão de todos os tempos!
Esta 4ªa temporada começou morninha e pouco apelativa, mas estes dois últimos episódios estão a pôr toda a gente a tomar calmantes antes do visionamento da série.
Eu no próximo vou já munidinha de um victan, não vá ser morto o Lannister pai (era cá uma surpresa!), ou aquela víbora da Lannister filha, ou então deceparem a cabeça do meu anão favorito, o grande Tyrion Lannister.
Isto promete!
Coisas Incompreensíveis
Há coisas que para mim são totalmente incompreensíveis nos negócios que se vão abrindo pela cidade de Lisboa e arredores. Não falo das outras cidades e recantos deste pequeno Portugal, porque obviamente não os conheço dado que não viajo assim tanto, mas parece-me que acontece o mesmo que em Lisboa e seus arredores.
Entrou na ordem do dia a palavra empreendedor e vai daí muitas pessoas, começaram a investir as suas economias em negócios cujo conceito passa por alguma originalidade, pois só assim conseguem vencer neste mundo plenamente globalizado em que meio mundo copia o outro meio.
Há dias o R.Araújo Pereira teve uma rábula em que "gozava" com a abertura exagerada de "Hamburguerias Gourmet". Não tinha visto essa rábula, mas como posso andar para trás alguns dias nos programas que dão na televisão e alertada por uma amiga que ele tinha tido imensa graça fui ver e de facto é do melhorzinho que este humorista tem vindo a fazer no seu quotidiano programa "Melhor que Falecer".
Evidentemente que tal como expus mais acima, toda a gente tenta inovar nos seus grandes, médios e pequenos negócios e quando alguém faz isso e ganha alguma projecção, há uma tendência para o copianço e quem tem algumas massas investe rapidamente no mesmo conceito e o resultado é a proliferação até à náusea de restaurantes todos iguais e é isso mesmo que vem acontecendo com as ditas hamburguerias guormet.
Contudo, há outros negócios também no campo da restauração que ainda tentam ( e por vezes conseguem-no bem, sem que saibamos bem como) não seguir a via do copianço mas a via da renovação de um conceito já existente.
Então fazem assim. Abrem um restaurante em que o que é servido é do mais banalíssimo que se pode comer, conseguem por via de conhecimentos vários que o mesmo seja bem conhecido na praça e como a nossa "praça" é bem pequenina rapidamente a coisa torna-se conhecida, chamam uns jornalistas para publicitar a chafarica, aparecem tias e tios de tudo o que é canto para a inauguração e a dita "boca livre", e passar a palavra aos restantes indígenas, para compor o ramalhete e correr com gente indesejável os preços são exageradamente altos, mandam vir do estrangeiro os matérias essenciais para o funcionamento do negócio, plantam-no num sitio onde ainda há alguns resquícios de gente com algum dinheiro na carteira, contratam umas pobres coitadas de um modo geral gente de leste que é do melhor para trabalhar e estar calado, metem num espaço mínimo o máximo de mesas, decoram a coisa de uma forma minimalista, (no mínimo está o máximo) colocam a lista toda em bilingue, dão um nome que fica no ouvido e...voilá, temos restaurante sempre a bombar.
Num belo dia, cheia de curiosidade, resolvo lá ir. Mesa? Espera por uma e não bufes!
Há livro de marcações como aqueles que se vê nas séries americanas e depois do adequadíssimo tempo de espera, aparece então alguém que nos acompanha à nossa mesa.
Vem a lista, com a particularidade acima descrita e passando os olhos por toda ela vemos que os preços não são para o Portugal de hoje, mas como ninguém me obrigou a lá ir...alma até almeida, já dizia a minha avô.
Bem, depois de fazer os pedidos, e tendo sempre o cuidadinho de não pedir nada que me faça ficar depenada para o resto do mês, espero uns tempos vendo o panorama geral e quando vem a comida...bem aí a desilusão começa a assentar os seus arrais, pois se o que vemos é pouco o que comemos é do mais banal e pobrezinho que se pode imaginar.
Nada na comida é inovador, nada faz com que a experiência seja repetível, não há uma centelha de vida e ânimo nos alimentos, tudo é vazio e desinteressante. No fim...bem no fim...é pedir a contona e zarpar dali para fora o mais rapidamente possível.
Que haja gente empreendedora bato palminhas, mas na restauração a inovação do espaço deve (na minha modesta opinião) vir sempre acompanhada da inovação gastronómica e quando esta não existe, então que se faça boa comida e que a mesma venha em consonância com aquilo que se vai pagar no fim. Em muitos desses novos negócios de restauração isso não acontece e é uma pena. Pagamos muito comemos mal e em muitos sítios é-se mal servido.
Muitos deles ficam imediatamente condenados a ver os seus dias contados, outros vão sobrevivendo a custa de conhecimentos vários, típicos de um país muito pequeno e onde quase toda a gente se conhece e os favores são pagos com outros favores.
No fim e a caminho de casa só pensava que o lema de muitos desses negócios é:
"Cria fama e deita-te na cama a dormir", o que não deixa de ser um desconsolo.
domingo, maio 25, 2014
Edvard Hopper-Fim da Tarde em Cape Cod
![]() |
| Fim da Tarde em Cape Cod |
Gosto muito das obras pictóricas do pintor norte americano Edvard Hopper, e por isso já o abordei aqui num anterior post, voltando hoje a fazê-lo a propósito da sua obra Fim da Tarde em Cape Cod.
A obra de E.Hopper sempre foi extremamente realista, e as suas imagens imóveis e muito precisas onde a desolação, solidão e tristeza do indivíduo está expressa como nenhum outro artista norte americano, sempre me atraíram imenso. Esses indivíduos, fossem eles homens ou mulheres, acabam por reflectir um certo espírito de época americano que Hopper tentou captar sempre de uma forma ímpar.
E.Hopper, nascido em 1881 e falecido em 1967, procurou sempre imprimir uma certa austeridade solitária e muito peculiar em toda a sua obra. Ele procurava mostrar o mundo moderno, mas sempre impregnado de uma certa tristeza e quando as suas obras são alegres, a tristeza está lá escondida sob a capa de uma desoladora paisagem ou de indivíduos que estando acompanhados estão isolados uns dos outros emersos no seu próprio mundinho.
Essa tristeza, solidão e até miséria física e moral, fazia eco da desilusão que varreu os Estados Unidos após o começo da Grande Depressão de 1929 e que trouxe, fome, suicídios, emigração e desconsolo geral a toda uma sociedade.
A obra que aqui surge denominada de Fim da Tarde em Cape Cod, poderia até ser uma obra idílica, mas as pinceladas de Hopper tornam-na triste e desconsolada.
Nela vemos um casal à soleira da sua bela casa e onde surge em pleno primeiro plano uma cão/cadela que de tão realista que é pensamos que em alguma altura ele/ela saltará da tela e aterrará perto de nós pedindo algumas festas na cabeça.
O casal parece gozar o sol da tarde fora de casa, contudo, trata-se de um casal apenas em termos técnicos. Se repararmos bem, essa fruição é totalmente passiva, visto que ambos estão isolados e envolvidos nos seus próprios devaneios.
Nela vemos um casal à soleira da sua bela casa e onde surge em pleno primeiro plano uma cão/cadela que de tão realista que é pensamos que em alguma altura ele/ela saltará da tela e aterrará perto de nós pedindo algumas festas na cabeça.
O casal parece gozar o sol da tarde fora de casa, contudo, trata-se de um casal apenas em termos técnicos. Se repararmos bem, essa fruição é totalmente passiva, visto que ambos estão isolados e envolvidos nos seus próprios devaneios.
Por sua vez, a sua bela casa está fechada ao nosso olhar e à nossa intimidade, posto que a porta está bem fechada e as janelas estão cobertas com cortinas claras mas impossíveis ao olhar humano.
O cão acaba por ser o único ser atento e 'vivo', mas até ele volta as costas à casa e olha o horizonte parecendo ver algo que nos é impossível de visualizar.
O cão acaba por ser o único ser atento e 'vivo', mas até ele volta as costas à casa e olha o horizonte parecendo ver algo que nos é impossível de visualizar.
As árvores, densas, escuras e sinistras batem em algumas vidraças mas nem isso desperta o olhar do casal isolado em si mesmo. A erva clara que domina todo o plano a nível do chão quase que submergem o cão e os pés dos dois personagens.
É uma obra estranha, triste, em que o casal ensimesmado e fechado em si mesmo, tornam-se figuras rapidamente identificadoras de uma obra típica de Edvard Hopper.
Contudo, e apesar dessa tristeza não deixa de ser uma uma tela muito bonita, que atrai o nosso olhar e nos faz contemplá-la com bastante agrado.
Esta obra foi realizada em 1939 e pode ser vistas no National Gallery of Art, em Washington, D.C.
segunda-feira, maio 19, 2014
A Lancheira
Eu já gosto muito dos filmes de Ritesh Batra, foi ele que nos deu obras muito inteligentes como é o caso A Vida de Pi e Quem quer ser Milionário. Foi por isso com grandes expectativas que fui ver este seu ultimo filme A Lancheira. Não sai desiludida, porque este filme é muito bom. Partindo de um engano na entrega de lancheiras (os indianos dizem que tal nunca é possível, tal é a eficiência da entrega de lancheiras em Bombaim) Ritesh Batra dá-nos um filme em que dois personagens conseguem a partir desse engano, estabelecer contacto através de cartas enviadas dentro da lancheira e com isso modificar para sempre o rumo das suas vidas! Adorei a premissa, achei-a muito credível, cheia de romantismo, os actores,fantásticos como sempre nos filmes deste realizador e no fim...bem no fim ficamos com a certeza que o amor sempre é possível, não importa a idade, credos, distâncias, basta o ser humano querer.
Um filme lindíssimo, com actores em estado de graça, como é o caso de Irrfan Khan, Lillete Dubey, Nawazuddin Siddiqui, Nimrat Kaur.
Gravidez de ...Alto Risco
Com realização e argumento de Albert Dupontel estreou na semana passada este Gravidez de...Alto Risco uma comédia muito engraçada em que o próprio realizador pontua como um dos actores principais.
A meu ver está de parabéns a comedie française, por mais uma vez nos dar um belo filme em que brilha a actriz Sandrine Kiberlain, numa prestação muito contida, mas muito cómica, e onde a mesma e Albert Dupontel encaixam muito bem, sem que em nenhum momento tenhamos sentido que um estava a sobrepor-se ao outro.
Levam ambos o filme às costas, predomina um humor muito sadio e nada estriónico, há actores secundários muito bons, as situações hilariantes não são forçadas e no fim saímos do cinema com a certeza que o cinema francês está de boa saúde e a comédia está a ser feita por gente inteligente.
Este Gravidez de ...Alto Risco está uns bons furos acima de muita comédia americana que grassa pelos nossos cinemas, sem que muitas vezes saibamos bem quem os realiza e/ou para quem estes filmes são realizados.
Um filme para ver com um sorriso nos lábios e umas sonoras gargalhadas.
Um filme para ver com um sorriso nos lábios e umas sonoras gargalhadas.
domingo, maio 11, 2014
Henri Matisse-A Conversa
A carreira artística do pintor Henri Matisse (1869/1954) foi longa e variada, abrangendo muitos estilos pictóricos diferentes, desde o Impressionismo até quase à Abstração. Na primeira fase da sua carreira Matisse era considerado um Fauvista e as suas celebrações das cores vivas atingiram o auge em 1917 quando se mudou para a Riviera francesa, mais concretamente em Nice e Vence.
Aqui foi com grande empenho que começou a reproduzir as cores da natureza e acabou por criar os seus quadros mais empolgantes. Acabou por lhe ser diagnosticado um cancro no duodeno que o confinou a uma cadeira de rodas e foi nestas precárias condições que o pintor concluiu a Capela do Rosário, em Vence.
Na obra que aqui aparece denominado de A Conversa, um marido e mulher conversam. Estão implacavelmente opostos. O homem de pé domina a cena e domina-a a ela. Inclina-se de mau humor sobre a mulher que por sua vez está como que aprisiona na cadeira onde está sentada/enterrada.Os braços dessa cadeira como que a envolvem e no entanto essa mesma cadeira mal se distingue do fundo azul que domina o quadro. A mulher está numa prisão no seu próprio ambiente.
A janela aberta sugere a fuga, mas a mulher é retida por um parapeito de ferro. Ele eleva-se sobre ela, tão dinâmico como ela é passiva e todas as riscas do seu pijama estão impecavelmente direitas. É um homem totalmente decidido, aquele que aqui temos. O seu pescoço engrossa para lhe manter a silhueta direita hirta e firme, uma autêntica seta de energia concentrada. A barba está impecavelmente aparada e a mão direita firmemente enterrada no bolso do pijama.
O quadro não pode abarcá-lo todo e por isso a sua cabeça continua para além dele, na direcção do mundo exterior. Ele é maior que o mundo inteiro, e a única "palavra" desta conversa hostil está escrita nas volutas do corrimão: Non! Dirá ele não à passividade egoísta da mulher? Dirá ela não à intensidade da vida dele? Ambos se recusam um ao outro para sempre!
Uma obra magnífica.
Esta tela de Henri Matisse denominada de A Conversa foi realizada em 1909.
Estava na Colecção Schukin em Moscovo, sendo posteriormente levada para o Museu Estatal de Arte Moderna Ocidental de Moscovo por volta de1948. Aliás, é nesta cidade que se encontra grande parte das obras de Henri Matisse um pintor muito amado pelo povo russo.
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Henri Matisse-A Conversa
sexta-feira, maio 09, 2014
Com Pétalas de Flores
Esta estilista de seu nome Grace Ciao, cria os seus modelos de vestido a partir de pétalas de flores. Cria modelos super elegantes, etéreos e muitooooo bonitos.
É ver para acreditar.Lindoooossss!
quinta-feira, maio 08, 2014
As Palavras e o Silêncio
Há dias estava a ler uma crónica de João Miguel Tavares no seu blog Pais de Quatro e na introdução ao seu texto este referia uma reflexão do prémio Nobel da Literatura recentemente falecido Gabriel García Marquez a propósito das discussões entre os casais:
"Quando nos casais as pessoas se zangam, há quem diga que devem falar um com o outro, esclarecer tudo exaustivamente, até ao fim; pois eu dou o conselho oposto: quando há um problema no casal, um mal-entendido, uma zanga, o melhor é não falar e deixar passar um tempo. A conversa só vai agravar a situação."
Fiquei a matutar neste texto, pois a meu ver o mesmo ia ao arrepio de tudo o que eu poderia pensar do autor, pois sendo um belíssimo escritor era suposto pensar que gostaria de ter sempre as coisas esclarecidas e bem argumentadas até ao mais infímo pormenor, e mandando o texto para um amigo meu ele opinou , escrevendo-me o seguinte:
"Quanto a ser o silêncio mais benéfico que a conversa, são
opiniões. Acho que depende das resistências, das imunidades.A conversa pode provocar episódios agudos, o silêncio causa
doenças degenerativas. Cada um escolhe consoante o seu feitio. Porém, ambas as
hipóteses são potencialmente letais. A vantagem do silêncio é que mata mais
lentamente e com menos alarido. A desvantagem é que, enquanto a conversa
oferece um interlocutor, mesmo que aguerrido, o silêncio acaba por nos fazer
compreender que estamos irremediavelmente sós. Há uns que se resignam, outros
não. Mas quando se chega a um certo ponto crítico, onde a vida se bifurca,
para os conversadores ainda existe uma réstia de esperança, enquanto para os
silenciosos nada haverá a dizer.Ou visto por outro ângulo: quando se briga, ainda importa o
que se diz; quando se prefere o silêncio, virá o dia em que já nem isso
importa.É uma chatice, não é? A vida é tudo menos linear. Cada
escolha tem os seus riscos. E não há nada que sirva par toda a gente".
Fiquei ainda mais confusa do que aquilo que já estava, visto que esse meu amigo também é escritor e como tal possuía outra opinião diametralmente oposta a de García Marquez. Para este último, o silêncio era a melhor forma de superar divergências, para o meu amigo o silencio era como água à solta nas paredes de um edifício. Aos poucos, vai minando os alicerces do mesmo e quando damos por nós está tudo a apodrecer lentamente e só resta das duas uma, ou deixar andar até tudo cair ou então tentar deitar tudo a baixo e reconstruir de novo, mas aquilo que se reconstrói já não é idêntico ao edifício anterior, porque nada depois de reconstruído fica igual, disse-me ele depois em palavras e já não em email, quando lhe pedi que me esclarecesse mais sobre o silêncio e as palavras.
Sendo por norma uma pessoa que fala relativamente pouco, o silêncio sempre me foi muito caro e se a tese de García Marquez é-me muito querida, reconheço que nas relações entre os casais ela talvez não seja a mais adequada porque pode acabar num...deixa andar.
Parece-me que não foi isso que acontecia com os escritor e a sua mulher, a sua única mulher em muitos anos de casamento. Cada caso é um caso, temos de o reconhecer e aqui estamos no domínio dos afectos e como cada ser humano pode e deve lidar da melhor forma possível com os seu companheiro/a.
Quando as pessoas optam por viverem juntas, devem fazer cedências de parte a parte e parece-me que este é o segredo de uma boa relação. Sem cedências nada feito com silêncio ou discussões.
Saber viver em conjunto é uma arte e viver quotidianamente esta arte requer esforços supremos e por isso não deixo de ficar agradavelmente surpreendida por saber que há quem consiga viver meio século com outra pessoa sempre amando-a como foi o caso do casal Gabriel Garcia Marquez e Mercedes Barcha.
E que vivas para sempre Gabriel García Marquez na memória colectiva do teu povo e de todos os povos deste mundo.
E que vivas para sempre Gabriel García Marquez na memória colectiva do teu povo e de todos os povos deste mundo.
quinta-feira, maio 01, 2014
L.S.Lowry-Regressando da Fábrica
L.S.Lowry especializou-se num tipo de pintura que me encanta. Os seus quadros enchem-nos o olhar de pequenas figurinhas em que mal distinguimos os seus rostos e apenas conseguimos destacar o sexo pela vestimenta. O grande destaque vai para os grandes edifícios, de uma maneira geral, edifícios fabris e prédios de grandes dimensões que submergem quase por completo o ser humano, frágil perante a dimensão e a massa dessas construções.
Hoje, dia 1 de Maio, dia Mundial do Trabalhador trago aqui algumas telas deste pintor de entre as quais quero destacar o quadro "Regressando da Fábrica". Nele trabalhadores fabris saem em magote de uma fábrica, em Salford, cidade que o artista conhecia bem. Observada com grande sentimento e captada em cores suaves, esta cena foi pintada na tela sem que o artista tenha feito um esboço preliminar.
Lowry procura aqui nesta e noutras telas destacar o inferno que era trabalhar nessas fábricas escuras e mal arejadas, com grande empática e muito encanto.
Embora muitas vezes designadas por "paus de fósforos" as suas figuras não deixam de ser cheias de movimento e vitalidade, posto que ao olharmos para elas não deixarmos de ver gente que se movimenta submersas nos seus pensamentos e talvez desertas de chegar a casa.
Esta e outras obras deste pintor proporcionam para quem olha para elas um fascinante registo pictórico do norte industrial de Inglaterra, com as suas fábricas de algodão e filas de casas geminadas, cenas que actualmente existem apenas na memória, em quadros ou em fotografias de época.
O estilo algo rude da pintura de Lowry é absolutamente individual, não sendo influenciado por qualquer movimento pós impressionista.
Sendo um empregado de escritório toda a sua vida, muito resguardado do olhar do público, Lowry estudou arte nas suas horas livres, e só foi descoberto como artista em 1939, quase acidentalmente.
Estas e outras obras de Lawrence Stephen Lowry que nasceu em Manchester em 1887 e morreu em Glossop em 1973, denominada de Regressando da Fábrica é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no Salford Museum and Art Gallery.
sábado, abril 26, 2014
H.Toulouse-Lautrec- Rue des Moulins
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| H.Toulouse-Lautrec- Rue des Moulins |
Descendente de uma família abastada e com nome, Toulouse-Lautrec, distanciasse da mesma, e integrando-se na vida boémia de Paris, lega para a posterioridade telas e cartazes publicitários ímpares na história da arte.
Portador de uma deficiência física que o faz ter o tronco de um homem adulto e pernas de menino de tão definhadas que as mesmas eram, este pintor escapa a esta desgraça refugiando-se na sórdida vida nocturna parisiense. Só aí, submerso por uma multidão roufenha e ordinária é que ele consegue esquecer de quem era descendente e a sua deficiência física.
Contudo, essa deficiência libertava-o paradoxalmente, da necessidade de aceitar qualquer responsabilidade normal e apesar de ter morrido devido aos excessos por si cometidos, não deixa de ser verdade que criou uma arte bem-humorada e tão resistente à passagem do tempo que ainda hoje não nos deixa de surpreender e atrair.
Na obra aqui presente, o quadro geral é assustador de tão realista que é. De facto, as duas prostitutas da Rua des Moulins, rua famosa pelos prostíbulos ali existentes e que ficou para sempre imortalizada quanto mais não seja por esta tela, não estão à procura de clientes. Estão sim, em fila para se submeterem ao exame médico obrigatório destinado a prostitutas legalizadas, como ser ao caso em apreço, e os seus rostos avermelhados são dolorosamente patéticos.
A primeira é velha de corpo, com as ancas flácidas e engelhadas e seios já meio descaídos. A outra parece ser ligeiramente mais nova, embora os eu corpo esteja menos estragado, a sua face está cruelmente gasta. O próprio fundo do quadro é de um tom vermelho vivo, vendo-se ainda a sombra de costas, quase em esboço, de outra mulher. Elas levam já os vestidos arregaçados mostrando as partes baixas do seu corpo, pronto a ser examinado. Têm vestidas as meias pretas, peça de vestuário que as mesmas usam como meio de atracção ao sexo masculino.
A primeira é velha de corpo, com as ancas flácidas e engelhadas e seios já meio descaídos. A outra parece ser ligeiramente mais nova, embora os eu corpo esteja menos estragado, a sua face está cruelmente gasta. O próprio fundo do quadro é de um tom vermelho vivo, vendo-se ainda a sombra de costas, quase em esboço, de outra mulher. Elas levam já os vestidos arregaçados mostrando as partes baixas do seu corpo, pronto a ser examinado. Têm vestidas as meias pretas, peça de vestuário que as mesmas usam como meio de atracção ao sexo masculino.
O vício está a matá-las, apesar dos regulares exames médicos estatais. Muitas destas mulheres morriam muito jovens atacadas por doenças venéreas que também era profusamente difundidas pelas mesmas.
H.Toulouse-Lautrec, não glorifica estas prostitutas, antes pelo contrário, pois também no mundo dele a realidade é bem dura, posto que durante toda a vida sofreu imensas dores devido à sua deficiência física, sendo que para o fim da vida foi várias vezes internado devido a variados ataques e delírios mentais.
Como tudo o que saia das mãos deste pintor esta é uma tela extremamente realista e muito bem executada. Um quadro magnífico!
H.Toulouse-Lautrec, não glorifica estas prostitutas, antes pelo contrário, pois também no mundo dele a realidade é bem dura, posto que durante toda a vida sofreu imensas dores devido à sua deficiência física, sendo que para o fim da vida foi várias vezes internado devido a variados ataques e delírios mentais.
Como tudo o que saia das mãos deste pintor esta é uma tela extremamente realista e muito bem executada. Um quadro magnífico!
Esta obra realizada em 1894, pode ser vista no National Gallery of Art em Washington DC.
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H.Toulouse-Lautrec- Rue des Moulins
quinta-feira, abril 24, 2014
A Dois Passos do Estrelato
Raras são as vezes que esteja em cartaz dois documentários do calibre de "O Acto de Matar" que já abordei aqui em post anterior e A Dois Passos do Estrelato.
Este último foi o vencedor do Óscar deste ano na categoria de Documentário e numa luta com "O Acto de Matar" considero que este deveria ter saído vencedor sem que contudo eu esteja a desmerecer o documentário de Morgan Neville que considero muitíssimo muito bem realizado e a espaços há cenas em que o poderio daquelas vozes é tal que é impossível ao espectador não ficar com os pelos da nuca arrepiados.
A meu ver este A Dois Passos do Estrelato saiu vencedor nos Óscares, porque o que aqui estava em causa era dar alguns bons minutos de fama a quem esteve sempre arredado dela e se há alguém que o mereça são este conjunto de mulheres cujas vozes vêm directamente do céu para a terra e aqui se quedam, suportando como vozes de coro, a fama e o estrelato de muita gente famosa e que por vezes dei por mim a pensar durante o documentário que quem deveria estar ali a frente do palco eram elas e não aqueles que elas ajudam a alcançar fama eterna.
A meu ver este A Dois Passos do Estrelato saiu vencedor nos Óscares, porque o que aqui estava em causa era dar alguns bons minutos de fama a quem esteve sempre arredado dela e se há alguém que o mereça são este conjunto de mulheres cujas vozes vêm directamente do céu para a terra e aqui se quedam, suportando como vozes de coro, a fama e o estrelato de muita gente famosa e que por vezes dei por mim a pensar durante o documentário que quem deveria estar ali a frente do palco eram elas e não aqueles que elas ajudam a alcançar fama eterna.
O documentário é muito bom, muito bom mesmo e o que ali vemos são as chamadas vozes de suporte, um grupo de mulheres únicas no campo do poderio vocal e que contudo, muito pouca gente conhece e se falo em pouca gente estou-me a referir aos próprios norte americanos que ouvindo as suas bandas preferidas durante anos, nem desconfiam de quem são as vozes de coros únicos que suportam as vozes de vocalistas que vão de Mick Jagger, Steve Wonder, Sting, Aretha Franklin, Joe Cocker, Michael Jackson entre tantos outros.
São mulheres que raramente conheceram o estrelato para além dos 10 passos que ficam do vocalista de muitas bandas e que ao tentarem dar o salto quase sempre ou mesmo sempre acabaram por fracassar sem que para isso haja uma explicação cabal para tal acontecimento.
O que Morgan Neville vai então fazer é dar o estrelato a essas poderosas mulheres como são os casos de Darlene Love (um autêntico furacão e por isso tem a sua marca no Passeio da Fama), Judith Hill, (uma promessa a concretizar) Merry Clayton,(é hoje professora de língua espanhola...uma pena!) Tata Veja, Lisa Fischer (simplesmente extraordinária...para mim a melhor de todas elas), e os irmãos The Waters (Luther, Maxine, Julia e Oren Waters).
É um belíssimo documentário, que nos demonstra os caminhos tortuosos da fama, e como ela pode ser uma bem oleada máquina para o sucesso ou para o mais desolador fracasso.
Para quem gosta de música como é o meu caso, este documentário é ouro sobre azul.Lindo!
segunda-feira, abril 21, 2014
The Act of Killing
Gosto muito de ver documentários e por isso fui ver este The Act of Killing. Confesso que não estava preparada para tal documentário/filme. Eu já tinha lido muito acerca do mesmo e até sabia que o mesmo se tinha batido taco a taco com o documentário "A Dois Passos do Estrelato", que também está em cartaz e tinha saído perdedor. É pena, porque sem ainda ter visto este último, asseguro-vos que este O Acto de Matar é para mim e para muitos um dos melhores documentários/filme que se fez até hoje.
É um murro no estômago e talvez por isso na bilheteira o funcionário optou por me alertar sobre a natureza violenta do mesmo e digo-vos já aqui que a violência não passa pelos actos (também os há mas em encenação) mas mais pelas palavras que ali são proferidas, visto que o que aqui se trata é a condição humana e como seres que se dizem humanos podem perpetrar actos da mais completa barbárie em defesa de um país e contra gente que "supostamente" era comunista, chinesa ou que simplesmente estava a viver no país errado.
De facto, neste documentário que vemos são senhores da guerra (se é que à essas pessoas se pode colar tal designação) que imbuídos de uma pseudo verdade e em nome da defesa da sua pátria praticam durante anos as mais completas atrocidades, sem que o resto do mundo fizesse o que quer que fosse para pôr fim a tais actos.
Estamos em 1901 e Sukamo era um nacionalista empenhado na independência da Indonésia em relação à Holanda, algo que conseguiu em 1945, tornando-se o primeiro presidente do seu país. Com o passar dos anos, a sua administração foi forjando alianças com os comunistas.
Quando, em 1965, Suharto (1921-2008) liderou o golpe de Estado que conduziria à deposição de Sukarno, foi inaugurada uma era de repressão sem precedentes. Sob as novas ordens de Suharto, foram criados esquadrões da morte cujo objectivo era o total extermínio de comunistas, activistas de esquerda, chineses e todos aqueles que se opusessem ao regime. Os números apontam para cerca de um milhão e meio de mortos e desaparecidos durante esse período. Os autores de tal violência nunca foram responsabilizados e hoje são promovidos pelo Governo e vistos como uma espécie de heróis nacionais.
Décadas depois destes trágicos eventos, o documentarista norte-americano Joshua Oppenheimer chega à Indonésia determinado a fazer um filme sobre os sobreviventes e familiares das vítimas. Quando lhe é impossibilitado o livre contacto com essas pessoas, percebe que, por outro lado, tem acesso privilegiado a alguns membros dos esquadrões da morte. Para sua surpresa, estes homens, orgulhosos do seu papel na História do seu país, estão interessados em colaborar com as filmagens. Assim, Oppenheimer e os seus co-realizadores, a britânica Christine Cynn e um indonésio que quis manter o anonimato, filmam os protagonistas, que se assumem dando rosto e voz às suas histórias e encenando para as câmaras os terríveis eventos de que fizeram parte..
Quando o documentário acaba o genérico vai passando lentamente e sem música e o que ali vemos é o maior numero de anónimos que alguma vez uma ficha técnica teve, isto porque o terror infundido por esta gente é de tal ordem que ninguém que colaborou na realização do documentário quer-se expor, até porque essa famigerada juventude "Pancasilha" ainda hoje existe e está bem activa nos seus actos de extorsão, violações, corrupção, roubos generalizados, etc, etc.
São donos e senhores de uma Indonésia, muito longe de algum dia poder ser uma democracia.
Chega a ser demencial ver aqueles homens simularem para as câmaras de filmar actos ( que os mesmos perpetraram com grande regozijo, satisfação e ao som de trombetas) que nem nos nossos pesadelos mais terríveis podemos julgar existir.
Este documentário, que conta com Werner Herzog, Errol Morris, Joram ten Brink e Andre Singer na equipa de produção, tem feito carreira em vários festivais internacionais, tendo recebido o Bafta para Melhor Documentário e a tal nomeação para o Óscar na mesma categoria., que infelizmente perdeu, pois se o tivesse ganho tinha talvez
alertado mais as pessoas para o horror do que ali se passou e que de alguma forma ainda hoje continua a existir se bem que bem menos visível.Este documentário, que conta com Werner Herzog, Errol Morris, Joram ten Brink e Andre Singer na equipa de produção, tem feito carreira em vários festivais internacionais, tendo recebido o Bafta para Melhor Documentário e a tal nomeação para o Óscar na mesma categoria., que infelizmente perdeu, pois se o tivesse ganho tinha talvez
Um documentário imperdível.
domingo, abril 20, 2014
Parabéns Benfica
quarta-feira, abril 16, 2014
Budapest Hotel
Na semana passada fui ver o novíssimo filme de Wes Anderson, o Budapest Hotel, desta vez com um argumento baseado no romance do romancista vienense Stefan Zweig e do qual o realizador presta homenagem no princípio do filme.
Seguidora da obra deste realizador desde que vi "Os Tenenbaums" e pertencendo à categoria dos que amam os seus filmes, não estranhei o que ali se passa, assim como adorei o o seu muito suis generis posicionamento de câmara, os seus estranhíssimos personagens, aquelas paisagens, as caracterizações e sobretudo o enredo.
A trope está lá toda à excepção de Ralph Fiennes que se não me engano é a primeira vez que trabalha com este realizador (e logo ficando com o papel principal), F. Murray Abraham, Mathieu Amalric, Saoise Ronan e Adrien Brody, num papel muito engraçado pois concentra em si toda a ganancia do mundo, típica de herdeiros ociosos e maldosos que são capazes de matar para se apoderarem da fortuna de um membro da família mais idoso.
Gostei também de ver William Dafoe dar corpo a um psicopata servindo-se do seu rosto para uma caracterização impar, assim como amei ver Jude Law num papel que já nos habituou, o de narrador da história mas que é parte importante na mesma, assim como Saoirse Ronan que está maravilhosa com aquela tatuagem na cara com o desenho do México.
Só mesmo Wes Anderson para caracterizar deste modo os seus personagens!
Dessa sua trope podemos ver Harvey Keitel, Bill Murray, Edward Norton ,(um habitué dos filmes deste realizador) ,Jason Schwartzman, Jeff Goldblum, Léa Seydoux, Tilda Swinton, (irreconhecível sob camadas de maquilhagem e que a transfiguram por completo) Tom Wilkinson, Owen Wilson, entre outros.
Dessa sua trope podemos ver Harvey Keitel, Bill Murray, Edward Norton ,(um habitué dos filmes deste realizador) ,Jason Schwartzman, Jeff Goldblum, Léa Seydoux, Tilda Swinton, (irreconhecível sob camadas de maquilhagem e que a transfiguram por completo) Tom Wilkinson, Owen Wilson, entre outros.
Até os secundários são actores conhecidos. Penso que só amando muito os filmes deste realizador e a fama que advém dos seus filmes conseguem reunir um tão grande numero de gente conhecida. Todos estão bem, todos estão afinados como as cordas de um bom piano, a música acerta afinadamente com o desenrolar da acção.
A história, é muito engraçada pois decorre na fictícia República de Zubrowka onde um Ralfh Finnes com bigodinho e muito empertigado faz de Gustave H, "concierge" num luxuoso hotel, que dá nome ao filme e que ao longo dos anos se foi tornando famoso pela sua habilidade em satisfazer os hóspedes mais exigentes, incluindo nesses favores os de cariz sexual com as suas hospedes mais velhas, que o amam e esse amor é retribuído pelo mesmo.
Ao seu cuidado está Zero Moustafa,(o imperdível Mathieu Amalric), um jovem e muito dedicado paquete que tem por ele uma admiração sem limites e que sonha seguir o seu exemplo. Apesar da crise económica e instabilidade política da época, tudo se passa com relativa tranquilidade até à morte de Madame D.,(a irreconhecível Thilda Swinton) amiga e amante de Gustave, e ao desaparecimento de um valioso quadro renascentista.
Acusado injustamente de homicídio e roubo, ele está decidido a provar a sua inocência, limpar o seu nome e salvar o hotel da ruína que se avizinha. A ajudá-lo, terá o jovem aprendiz que, depois de tudo, passou a ser o seu único amigo de confiança.
O mais engraçado e que eu adorei, foi ver aquelas paisagens tipo Alpes Suiços, os ascensores que parece que vão em direcção ao céu, aquele magnífico hotel com escadas que nunca mais acabam, os quartos muito estranhos e sobretudo os hóspedes que o habitam, para não mencionar o pessoal que os atende. Só a sala de jantar onde parte da acção decorre é de ficarmos boquiabertos, pelas suas cores vivas que vão fazer perfeito contraste com a neve que cai durante parte da acção, mas que nem por isso refreia aquela gente que parece electrica.
A acção é non stop, e o mais incrível é que apesar do espaço enorme do hotel e da imensidão de gente o realizador nunca perde o norte e consegue até ao fim contar uma história perfeitamente perceptível e onde no fim tudo se encaixa perfeitamente.
Adorei este Budapest Hotel e recomendo-o vivamente.
segunda-feira, abril 14, 2014
segunda-feira, abril 07, 2014
Uma Fatia de Bolo
Há tempos, fui num fim de semana a um centro comercial, nos arredores da cidade
de Lisboa almoçar com uma ex colega e amiga. Ela nunca tinha comido sushi, eu
gosto muito e fomos lá para ela se introduzir nesse mundo de comida saudável e
em que o peixe é rei e senhor. Ela como não sabia comer com pauzinhos, não teve
problemas nenhuns porque eu fui já munida de uma pecinha em plástico que se
coloca em cima dos ditos pauzinhos e voilá, parece uma pinça e para quem não
saiba manejar os pauzitos isso resolve
muito bem o problema. A questão mesmo é escolher , porque tudo é bom,
tudo é saudável e só pensamos mesmo é enfardar aquilo que está ali à nossa
disposição no menu. Pena é o preço, porque sushi e preços baixos não combinam.
Pode ser que se venham a acasalar num futuro próximo…mas duvido muito. Bem, ela
adorou tudo e depois de comermos como se não houvesse amanhã, tínhamos que
tomar um cafezinho para a coisa esmoer. Também havia a hipótese de andarmos pelas lojas do centro,
mas como a tentação e gastar dinheiro em algumas pecinhas de roupa ou em
algumas inutilidades para as dedos, o pescoço, pés e afins era muito grande e o
dinheiro tinha ficado todo no bendito do restaurante japonês optamos por ir mesmo é tomar café,
sentarmos o rabiosque numa cadeira e
ficarmos a trocar novidades, uma vez que já não nos víamos há algum tempo.
Percorrermos o centro a procura de um sitio confortável e eis que essa minha amiga diz que o que lhe
apetecia mesmo era ir ao Starbucks tomar um capuchino, coisa que ela nunca
tinha feito. Eu avisei-a que as coisas por lá eram para o carote, mas como dias não são
dias entramos. Eu conheço bem o espaço porque há uns anos foi o Starbucks que
me safou aquando de uma viagem a Hong Kong, visto que por essa altura fui tomada de uma vontade incontornável de tomar café e comer cup cakes e só mesmo nesse café pude
satisfazer os meus apetites. Lá como cá e desconfio que por todo os países onde
esta marca está implantada, os preços são muito elevados e só mesmo a vontade
descontrolada de tomar café e uns belos capuchinos é que me fazem entrar ali. Realizamos
o pedido à prestável funcionária que nos atendeu e olhando a montra dos bolos
dei com uma fatia de bolo com muito bem aspecto e que tinha o nome de bolo de
cenoura e especiarias Aquilo estava mesmo a chamar por mim, mas quando olhei o preço
ia tendo uma coisinha má, visto que com aquele dinheiro eu em qualquer outro
café comparava uma fatia de bolo e
tomava um galão e ainda sobrava troco. A custo desviei o olhar e fiquei-me pelo
descafeinado e a minha amiga pelo capuchino. Cada uma de nós deu o nome à
funcionária (uma bizarria do Sarbucks), dirigimo-nos à ponta do balcão para
levantar as bebidas e sentamo-nos mesmo junto ao dito cujo, posto que só ali
havia lugar uma vez que o espaço estava enxameado de nerds e não só... que vão para ali
mais os seus gadgets informáticos, teclarem furiosamente, presumindo eu que
conectados a paginas de facebook e afins. Se calhar eram todos desempregados, visto que a senhora Jounet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, saiu-se com uma há dias dizendo que os desempregados passam o dia nas redes sociais procurando amigos que nunca vão encontrar...acrescentando ainda outras alarvidades do género. No ver desta santa senhora, o desempregado tem de ser sempre um pobre coitado que nunca deve sair de casa a menos que seja para procurar o ganha pão, ter o cuidado contínuo de desligar o pc a menos que seja para procurar emprego, resistir à tentação de cair nas malhas das redes sociais ou então num caso mais extremo, deve é cair numa depressão profundíssima, posto que só assim estamos perante um genuíno desgraçado. social.Enfim.... Bem, o que é certo é que as pessoas que ali estavam, desempregados ou não, estava silenciosa à frente dos seus computadores e mesmo os que estavam acompanhados falavam muito baixinho imersos num mundo só deles, alheios a tudo o que se passava em redor. Ficamos ambas a falar sobre vários assuntos e eu de vez em quando ia mirando as fatias de bolo que olhavam para mim e sorriam descaradamente, principalmente a do bolo de cenoura. Não pude resistir, sou mais ou menos como o Oscar Wilde que dizia que “resistia a tudo menos à tentação” e levantando-me pedi à funcionária que me desse o raio de uma fatia de bolo. Vindo a mesma para a mesa dividia-a em dois e cada uma de nós comeu um pedaço. O bolo é muito bom, muito bom mesmo, mas penso que não justifica o preço, nem pouco mais ou menos. Comi a tentação devagar, saboreando todos os ingredientes e já com a ideia de chegada a casa fazer um bolo e degustá-lo no remanço do lar sem culpas de estar a dar uma fortuna por algo tão pequeno, visto que as fatias até são bem finas. Bem dito, bem feito. Depois de sairmos dali, (ah…pagamos um dinheirão por aquela loucura toda), vim para a net pesquisei páginas e páginas com receitas, vi mais ou menos o que a coisa levava, vi inclusive um post que falava sobre alguém que também tinha achado o dito bolo do Starbucks bom mas caro ,(amiga, estou contigo!) fui ao supermercado, comprei os ingredientes vim para casa e fiz o bolo.Saiu perfeito!Tal e qual o outro e com a benesse de o ter todo para mim. Saiu até melhor. Não é tão doce, sabe mais a especiarias e satisfaz-me plenamente. O meu homem achou o raio do bolo divinal, também quer que eu faça um só para ele, para ele comer tudo de uma assentada e gasganeiro como ele é eu sei que ele é bem capaz disso.Estou a escrever este post, com a barriguinha cheia de um doce pecado que acompanhado com um cházinho, transformou o meu dia numa bela experiência gastronómica. Tenho a casa toda a cheirar a especiarias, uma das coisas boas deste bolo. E pronto, e mais não digo.
terça-feira, abril 01, 2014
Edvard Munch-Raparigas sobre uma Ponte
Já aqui abordei em posts anteriores algumas das obras de Edvard Munch um pintor norueguês que eu amo de coração, posto que as suas obras para mim são quase indecifráveis, pois recriam os seus estados de alma que como todos sabemos eram muito instáveis. Talvez por isso para mim seja muito difícil categorizar este pintor cujas pinceladas são tão livres e ao esmo tempo tão suas que fazem dele um artista único no panorama da pintura mundial .Edvard Munch tinha também outra característica interessante que era o de recriar uma tela várias vezes e o exemplo disso este "Raparigas sobre uma Ponte". Pessimista por natureza os quadros de Munch são por vezes algo sinistros e carregados de simbolismo que o espectador nem sempre capta à primeira ou mesmo à segunda vista. Procurava através dessas telas exprimir e talvez exorcizar as suas preocupações e isso fez dele um precursor do expressionismo do norte da Europa, visto que foi um artista cuja principal intenção era afirmar-se em termos emocionais, submetendo todos os elementos de uma tela a esse objectivo. Assim, Munch conseguia a proeza de pintar algo que à primeira vista parece totalmente inócuo, mas que se repararmos com atenção há sempre um elemento algo assustador como é o exemplo máximo o seu quadro "O Grito". Há muitas versões de "Quatro Raparigas sobre uma Ponte".Mostro aqui algumas delas. Talvez por Munch mostrar alguma obsessão por este tema poderemos achar que algo se agitava dentro dele, pois cada uma das obras vai mostrando um elemento cada vez mais estranho. As raparigas todas elas magas e jovens, aproximam-se ou afastam-se da água. Em quase todas as telas, elas estão tão juntas que quase formam um corpo só. Estão imersas no seu mundo e desligadas de tudo. Conversam entre si o olham para a água.O elemento fundamental é o corpo e as cores garridas dos seus vestidos.Constrangidos, sentimos que a água deve representar alguma coisa. Elas estão em cima da ponte (outro elemento caro ao pintor) e as formas sombrias e pesadas do futuro assomam ao longe. Há uma frondosa árvore cuja sombra negra se projeta ameaçadoramente na água do rio. Contudo, não deixa de ser estranho que decifrar todo os eu significado equivaleria a reduzi-lo. Não podemos deixar de notar que Munch é um simbolista cujas ideias funcionam a nível subliminar. Quanto maior for a sua infelicidade, mais abertamente autobiográfica se tornou a sua arte.
Em 1908 começou a sofrer de uma grave doença mental e, embora nunca mais voltasse a sair da Noruega, onde viria a falecera sua indiscutível originalidade teve um grande impacto na geração seguinte de artistas. As obra aqui mostradas foram realizadas entre 1898 e 1900.
terça-feira, março 25, 2014
Um Enterro
Há 15 dias fui ao velório e posterior enterro do pai de uma grande amiga minha. O senhor tinha muita idade, começou a ter dificuldades em respirar, foi para o hospital, piorou muito e faleceu devido a insuficiência respiratória, pelo menos é isso que se julga uma vez que agora as certidões de óbito, feitas informaticamente são totalmente inócuas e despidas de informação para os familiares. Antigamente as mesmas eram escritas à mão por um médico e lá vinha expresso o modo como a pessoa faleceu, mas ao que parece resolveram que já basta o sofrimento da morte e por isso não é preciso ler mais nada e fica assim tudo entre o faleceu-porque-isso-é-a-ordem-natural-das-coisas-e-vocés-não-têm-nada-que-saber-pois-essa-informação-fica-para-quem-tenha-competências-e-isso-não-é-o-vosso-caso e o levam-esse-papelinho-e-têm-muita-sorte-em- ficarem-com-algum-documento-passado-pelo-médico-que-certificou-o-óbito! Enfim....
Bem, o que é certo é que como minha amiga que sou dela e do irmão, fui ao velório e a o enterro. Tudo se passou numa pequenina aldeia para as bandas das Caldas da Rainha, uma aldeiazinha das antigas em que o pouco número de pessoas permite que todos se conheçam e que apareçam na igrejinha (por sinal, lindíssima) a cumprimentar a viúva e restantes familiares, a assistir à missa fúnebre com atenção e deferência para quem está a sofrer e posteriormente a acompanhar o caixão até à sua última morada. É daquelas aldeias que quem não vai à igreja e ao cemitério porque ao quotidiano não lho permite, vai mais tarde à casa da viúva dar os pêsames e se encontrar algum parente do falecido na rua dá logo os seus sentimentos e mostra pesar. Foi aqui que pela primeira vez fui a um enterro a pé, atravessando a aldeia até ao pequenino cemitério. O carro funerário ia à frente com o caixão, atrás iam acólitos da igreja segurando estandartes vermelhos e as pessoas que quiseram ir até ao cemitério iam atrás caminhando lentamente. Estava um dia glorioso de sol e a minha amiga confessa-me que sendo o pai um homem ligado à terra, às flores e às plantas de certeza que estaria satisfeito por ser enterrado num dia daqueles.
Dei por mim enquanto caminhava a lembrar-me do enterro da minha saudosa avô que faleceu há alguns anos e pleno mês de dezembro. Foi enterrada num dia de chuva e de frio. O céu estava muito nublado e no fim do enterro eu e uma grande amiga minha demos por nós sozinhas perante a sua sepultura porque a inclemência do tempo afugentou toda a gente para os seus carros, seres desejosos de chegar a casa e aquecerem o corpo e a alma, pois de facto caía muita chuva e estava um frio miserável.
Assim, não pude deixar de lhe dar razão no que respeita ao bonito dia que estava. De facto, o tempo alegra as almas e apesar do momento triste as pessoas acompanhavam o caixão com passo leve, banhadas por aquele sol primaveril e tenho a certeza que o falecido descansando agora eternamente também estaria a regojizar-se por aquele dia tão claro e bonito. Chegados ao cemitério, o padre diligentemente faz uma última missa e o corpo desceu à terra. Ficou num espaço muito bonito, rodeado por campas bem tratadas e onde se vê que ali os mortos estão permanentemente acompanhados dos seus entes vivos que um dia lhes farão eterna companhia. Nesse momento dei por mim a segurar o braço da minha desconsolada amiga e a pensar o quanto somos precários. Não somos nada, somos seres frágeis, despidos de qualquer super poder. Nunca percebi ( e agora mais do que nunca) o porquê de tantas guerras e mal entendidos.
A nossa inteligência que nos fazem distinguir dos animais( cada vez duvido mais dessa teoria), não nos protege de absolutamente nada. Do pó viemos e em pó nos tornaremos. Somos folhas lançadas ao vento. Umas vezes esse vento é brando, na maior parte das vezes é bem inclemente. Os imponderáveis da vida, em que hoje estamos bem, e daqui a pouco podemos ser atropelados ou receber a notícias que estamos com uma doença ou perder o emprego e entrarmos numa espiral de desespero e carências várias, a morte estúpida num acidente de carro ou dentro de um avião (como é o caso mais recente do avião desaparecido) faz-nos refletir o quando não somos frágeis.
Não há nada melhor para nos darmos conta da nossa fragilidade do que irmos a um enterro ou visitarmos os nossos ente queridos falecidos. É ali em contacto com a morte que a reflexão surge assim como a verdade nos é atirada em cara. A morte espreita a cada esquina.
Contudo, não posso deixar de pensar que é bom não estarmos sempre a lembrar disso, porque é essa perspectiva de invencibilidade que permite e permitiu ao homem as suas mais incríveis criações.
Apesar disso, penso que não podemos pôr de parte em nenhum momento, que muito da nossa vida é feita sempre numa base muito precária, e talvez por isso inúmeros seres humanos são capazes de vender a alma ao diabo para nesta vida conseguirem tudo, passando por cima de todos.
Ali naquele pequenino cemitério, dei por mim a pensar que o que nos resta nesta vida é levá-la o mais cabalmente possível, como entidades imperfeitos que somos. Se todos os seres humanos pusessem de parte a maldade, a inveja, e tantos outros defeitos que enxameiam a nossa alma e que nos envenena o espírito de certeza que criaríamos um mundo bem melhor. Como isso não é possível, resta vivermos o melhor possível e acarinharmos quem nos é próximo, tendo sempre em mente a ideia que somos seres mortais e que não ficamos aqui para sempre e que o eterno repouso está ali a um passo de distância, num pequeno cemitério de aldeia ou num de uma grande cidade.
Como alguém um dia disse, para morrer nada mais é preciso do que respirarmos todos os dias.
(Este post é para ti minha boa amiga, que estás a sofrer imenso porque adoravas o teu pai que eu tenho a certeza que agora está a descansar e a velar por ti, teu irmão e tua mãe.Coragem!)
segunda-feira, março 24, 2014
A Sala de Aula
Belíssima entrevista de Maria Filomena Mónica à Sic Notícias acerca do seu livro "A Sala de Aula".
Desassombro total. Magnífico!
Desassombro total. Magnífico!
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