Penso que da maneira que isto está em termos de desemprego, já faltou mais para entrarmos na situação aqui retratada por este magnífico filme de Santiago Bou Grasso.
O meu Blogue é um pouco de mim.Procuro através dele transmitir os meus gostos e as minhas ideias.Escreverei sobre aquilo que me vai na alma tendo sempre presente a máxima de Aristóteles que num belo dia disse: "Somos aquilo que fazemos consistentemente.Assim, a excelência não é um acto mas sim um hábito". O nome do meu Blogue é uma homenagem que faço a essa grande pintora do século XVI que foi Artemisia Gentileschi. Que Vivas para sempre Minha Deusa da pintura!
terça-feira, novembro 26, 2013
sexta-feira, novembro 22, 2013
Henry Moore-Figura Reclinada
A excelente obra escultórica de Henry Moore encontra-se espalhada por quase todo o mundo.
Em Portugal podemos vê-la entre outros sítios,nos jardins da Gulbenkian e no Centro Cultural de Belém. São obras magníficas e todas com o traço inconfundível do artista, que é o de nunca se afastar da forma humana por mais abstrata que a obra fosse. Assim, na escultura de bronze que aqui aparece podemos ver zonas cheias e vazias dentro do corpo reclinado de uma esplendorosa mulher.
Henry Moore nunca pretendeu revolucionar o mundo escultórico, pois, de facto, nesta obra e noutras da sua autoria o mesmo mostra ser herdeiro dos grandes nus que foram realizados ao longo dos séculos e em que o mestre Rodin está sempre presente.
Uma obra grandiosa!
terça-feira, novembro 19, 2013
quarta-feira, outubro 30, 2013
Susana e os Velhos
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| A.Gentilechi-Susana e os Velhos |
Susana e os Velhos é um episódio bíblico que serviu ao longo dos tempo como tema de pintura para muitos artistas, como foi o caso de: Rubens,
Tintoretto,
Rembrandt,
Guercino,
Sisto Badalocchio,
Lorenzo Lotto,
Artemisia Gentilechi,
Guido Reni,
Gerrit-Van-Honthors, Aniballe Carracchi, entre tantos outros.
Tintoretto,
Rembrandt,
Guercino,
Sisto Badalocchio,
Lorenzo Lotto,
Artemisia Gentilechi,
Guido Reni,
Gerrit-Van-Honthors, Aniballe Carracchi, entre tantos outros.
É um episódio de cariz moral que nada mais é do que o triunfo da virtude sobre a cupidez e a calúnia. Este episódio bíblico reza assim: reza assim:
Susana disse às jovens: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho.»
Fizeram o que ela tinha mandado e, tendo fechado as portas do jardim, saíram pela porta traseira, para irem procurar o que lhes tinha sido pedido; não sabiam que os anciãos estavam lá escondidos. «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê. Nós ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós.
Se não quiseres, vamos denunciar-te. Diremos que um rapaz estava contigo e que foi por isso mesmo que tu mandaste embora as criadas.»
Susana bradou angustiada:
Fizeram o que ela tinha mandado e, tendo fechado as portas do jardim, saíram pela porta traseira, para irem procurar o que lhes tinha sido pedido; não sabiam que os anciãos estavam lá escondidos. «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê. Nós ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós.
Se não quiseres, vamos denunciar-te. Diremos que um rapaz estava contigo e que foi por isso mesmo que tu mandaste embora as criadas.»
Susana bradou angustiada:
«Estou sujeita a aflições de todos os lados! Se faço isso, é para mim a morte. Se não o faço, nem mesmo assim vos escaparei.
Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que pecar aos olhos do Senhor.»
Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que pecar aos olhos do Senhor.»
Susana vai a julgamento e é o surgimento de Daniel a mando de Deus que questionando os juízes sobre essa calúnia e acusação dão a possibilidade de todos conhecerem a falsidade da acusação e salvar Susana da morte.
É pois um episódio de cariz moralista que que mostra que mesmo os mais velhos religiosos podem sucumbir às tentações da carne e que Susana ao não se entregar a esse assédio, mesmo correndo risco de vida teve a merecida recompensa por parte de Deus: O salvamento da sua vida e da sua alma, casta e pura.
Ora, este tema vai fazer as delícias de muitos pintores e tanto Rubens como Tintoretto, criaram belíssimas obras que nos dão também uma visão das várias escolas de pintura existentes na Europa. É no Museu do Prado que podemos ver algumas das obras destes pintores e do tema aqui em causa.
No filme aqui exposto, poderão então ver algumas das muitas obras que se criaram em torno deste tema.
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Susana e os Velhos
segunda-feira, outubro 28, 2013
Capitão Philips
Ontem fui ver a última obra do realizador Paul Greengrass, este novíssimo "Capitão Philips" com um soberbo Tom Hanks no papel principal coadjuvado com uns brilhantes actores novatos somalis que recrutados nas ruas de Nova Iorque recriam de uma forma fantástica o que aconteceu em 2009, quando o navio cargueiro Maersk Alabama é tomado por 4 piratas oriundos da Somália obrigando à intervenção de meios navais e aéreos para resgatarem Eric Philips das mãos desses 4 homens.
Quem vai ver os filmes deste realizador, (Ultimato, Sopremacia Bourne, Voo 93, entre outros) já sabe que vai ter muita acção, mas uma acção com pés e cabeça que é o que acontece aqui.
De facto e independentemente das polémicas que têm girado em torno deste Capitão Philips,( rola em tribunais americanos uma queixa contra Eric Philips, pelo facto do mesmo se ter abeirado demais das costas da Somália pondo em perigo o navio e a respectiva tripulação), penso que o realizador não 'toma as dores' de nenhuma das partes.
Por todo o filme perpassa a ideia que todos têm as suas razões e se nos choca o modo como o navio é tomado e a postura desses piratas, tanto na perseguição tenaz que fazem ao navio, assim como na sua tomada, não deixa de ser verdade que as condições de vida na Somália entregue a senhores da guerra extremamente violentos e que não hesitam em atirar jovens rapazes para barcos potentes em busca de navios para assaltar e roubar, nos levam a reflectir e passar a ter uma visão bem mais ampla do que nos é dada quando no recesso do nosso lar vemos ou lemos com algum choque que hoje em dia a pirataria grassa em certos mares e os cuidados que agora é preciso ter para que em algumas rotas marítimas os navios chegam sãos e salvos ao seu destino.
Apercebemo-nos também que a predação que existe no que se refere às pescas, feita por grandes navios pesqueiros depaupera que tal modo certas águas do corno de África que em muitas dessas populações nada mais resta do que o saque. Esse saque é feito então a grandes navios que cheios de contentores que nos trazem tudo aquilo que necessitamos, nada mais são que uma grande possibilidade que poderá render a esses povos algum dinheiro, seja pelo roubo aos mesmos, seja pelo resgate dos seus tripulantes, como aqui acontece ao Capitão Eric Philips.
Ora, o que Paul Greengrass faz é precisamente mostrar ambos os pontos de vista em não é sem razão que logo no início do filme é-nos mostrado em paralelo a partida do Maersk Alabama para fora do porto de Abu Dabhi com a partida dos piratas para o mar.
São duas visões diferentes de uma realidade que se vão chocar em pleno mar. Quando ambos os homens se vêm através dos binóculos um tentando salvar o seu navio e fazendo tudo para se pôr em fuga e o outro arriscando a vida para saltar para dentro desse mesmo navio, o que ali está é um choque civilizacional em que a sensibilidade do realizador vai ao ponto de nesse momento não sentirmos qualquer aversão a esses piratas, mas somente pena por seres humanos tão jovens ( a média de idades desses piratas rondava os 18 anos!!!) arriscarem a sua vida por algo tão pouco, visto que o navio levava muito pouco dinheiro.
São os efeitos de uma globalização, posto que esses povos com grandes carências a todos os níveis vêm passar continuamente nos seus mares grandes navios, carregados com tudo aquilo que eles nunca poderão ter e onde a cobiça se mistura com a extrema necessidade, criando o inevitável caos.
É pois nesse complexo xadrez, que vemos um magnífico Tom Hanks, em confronto com o excelente Barkhad Abdi no papel de Muse o chefe dos piratas, que às páginas tantas se vêm atirados para algo que os ultrapassa num turbilhão de ideias e culturas diferentes que só poderia acabar em tragédia. Não deixo de notar aqui que para mim os melhores diálogos são entre Eric Philips e Muse, principalmente dentro do pequeno navio salva vidas em que os piratas fogem com aquele último e que às tantas e em resposta ao desafio que Eric Philips faz a Muse para se render, deixar a pirataria e procurar uma vida melhor este responde de uma forma fatalista: Maybe America, Maybe America...
Os 15 minutos do filme são soberbos e penso que garantirão a Tom Hanks o Óscar de Melhor Actor.
Estão de parabéns o realizador, e todos os actores envolvidos nesta história verídica que deveria ser vista por muitos dos nossos jovens que agarrados a bens de consumo adquiridos por meia dúzia de euros, nem se dão conta de como outros jovens do outro lado do mundo vivem sonhando com uma Europa e uma América que tal como Muse apenas a verão por 33 anos dentro dos pátio de uma prisão. Um filme para ver e reflectir.
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Captião Philips
George Grosz- Cena numa Rua de Berlim
Se estivermos bem atentos a esta obra do artista alemão George Grosz, nascido na em Berlim, a 26 de Julho de 1893 e falecido em Berlim Leste, 6 de Julho de 1959, vemos uma cena muito pitoresca apesar do seu traço algo caricatural. Assim, temos uma muito elegante e bem vestida senhora que de saltos altos e grande estola de pele sobre um bonito e bem traçado casaco claro, empina o seu nariz arrogantemente a um senhor de também boa aparência que retribui ao seu olhar piscando-lhe um olho. A cena passa-se numa rua de Berlim, que vai dar título ao quadro. Estes elegantes personagens estão tão interessados nessa troca de olhares e de piscadelas de olhos que não dão conta de um velho cabeçudo, de dentes amarelecidos, nariz vermelhusco e algo esquelético que lhes estende a mão pedindo uma moedinha.
Ora essa cena mordaz e caricata nada mais é do que uma crítica de George Grosz às terríveis condições de vida a nível social e económico que se vivia na sua Alemanha natal após a I Guerra Mundial.
Nesse sentido esta estranha e perturbante obra acaba por ser uma sátira à depravação do período em causa e à miséria que grassava neste seu país.
É também uma das muitas obras que este artista/caricaturista criou, mostrando dessa forma uma sociedade decadente, com uma moral que deixava muito a desejar.
De crítica em critica de caricatura em caricatura George Grosz acabou por emigrar para os E.U.A, onde prosseguiu o seu trabalho artístico, extravassando os seus ódios de estimação e combinando a sátira com o romantismo.Realço que este artista alemão tendo começado a sua carreira como caricaturista, acabou por se tornar membro do grupo Dada de Berlim, após o ano de 1918.
Esta aguarela, tinta e óleo sobre papel denominada de Cena numa Rua de Berlim faz parte de uma Colecção Particular.
É também uma das muitas obras que este artista/caricaturista criou, mostrando dessa forma uma sociedade decadente, com uma moral que deixava muito a desejar.
De crítica em critica de caricatura em caricatura George Grosz acabou por emigrar para os E.U.A, onde prosseguiu o seu trabalho artístico, extravassando os seus ódios de estimação e combinando a sátira com o romantismo.Realço que este artista alemão tendo começado a sua carreira como caricaturista, acabou por se tornar membro do grupo Dada de Berlim, após o ano de 1918.
terça-feira, outubro 22, 2013
Jean-Baptiste S.Chardin-A Jovem Mestra
J.Baptiste Chardin, nasceu em Paris em 1699 e morreu na mesma cidade em 1779.
Chardin, tornou-se conhecido pelas suas naturezas-mortas, mais concretamente pelas suas representações de frutos e animais. Com as cenas de cozinha ou cenas domésticas, Jean-Baptiste Chardin deu continuidade à tradição vida da pintura holandesa do século XVI, nomeadamente do grande pintor Jan Vermeer. A sua obra teve um impacto tal, que muitas das suas telas foram mais tarde levadas para o Museu do Louvre, emparelhando assim com os mais ilustres pintores de renome mundial.
Chardin, tinha um grande apreço pela representação de cenas domésticas francesas e a obra que aqui surge é espelho disso mesmo. Nela o artista pretendeu representar algo simples, e fê-lo mostrando-nos uma jovem mulher que ensina uma criança a ler.
Está dado o mote para um quadro em que o pintor não dá grande importância ao fundo. Este está pintado num tom esverdeado e nesse ambiente onde surge estas duas figuras nada havendo de mais importante que elas mesmas.
É uma obra silenciosa, é quase uma natureza morta. O que vemos é uma mulher que está de tal modo representada que apreciamos de imediato o seu bonito perfil. Segura algo na mão que a criança segue, introduzindo-se assim no mundo da leitura. Impera também a concentração tanto da figura mais velha como na da criança. A cor mais viva que aqui nos é mostrado é o verde das mangas do vestido da mulher e do chapéu que enfeita a cabeça da criança. Apesar de não ser uma obra muito viva e não muito rica de sentimentalismos, não deixa de nos tocar e ser eivada de alguma sensibilidade. Não admira que ela nos toque ao de leve, pois Jean Baptiste Chardin, é para muitos o maior pintor de naturezas mortas do seu tempo.
Esta lindíssima obra intitulada de A Jovem Mestra é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no National Gallery de Londres.
No filme abaixo indicado poderão ver algumas das telas deste pintor, nomeadamente algumas das suas Naturezas Mortas.
terça-feira, outubro 15, 2013
Jean Boulogne-O Rapto das Sabinas
Há muitos anos atrás tive uma bonita estatueta que representava a obra de Giambologna, (batizado como Jean Boulogne), O Rapto das Sabinas. Eu adorava essa bela estatueta, em gesso branco oco, pelo estilismo da figura, suavidade e polimento do material. Um malfadado dia e em brincadeiras com a minha cadelinha, ela dá um salto e sem querer bate com a pata no braço da sabina, desequilibra a estatueta e esta caindo no chão parte-se em dois.Fiquei destroçada porque eu gostava muito dela e por vezes dava por mim a contemplá-la e a apreciar a harmonia que o artista tinha colocada nesta cópia da obra de Giambologna.
Nem tentei colar as peças porque não gosto de o fazer e pegando nos cacos embrulhei-os em jornal e pesarosamente pu-los no lixo. Há pouco tempo, estando a ver um filme dei com uma cena em que sobre uma mesa estava uma estatueta idêntica à minha e o mais engraçado é que a personagem também apreciava ficar sentada contemplado essa obra. Resolvi então escrever um pouco sobre este Rapto das Sabinas. Comecemos pelo autor.
Jean de Boulogne mais conhecido por Giambologna, nasceu em Douai na Flandres em 1529 e faleceu em Florença em 1608.Ficou conhecido por ter sido um dos mais perfeitos representantes da corrente Maneirista, assim como pelo facto de todas as suas obras terem muito movimento e muito bem polidas à superfície. A estátua O Rapto das Sabinas, assim como a de São Lucas, Mercúrio, Hércules e Vénus entre outras muitas peças maravilhosas de estatuária que podemos encontrar em muitas fontes e jardins por esta Europa fora, criaram-lhe grande prestígio entre os seus pares e não só. Ficou também sobejamente conhecia a energia que o este artista imprimia às suas obras, e de facto como podemos ver nesta obra aqui presente, o movimento impetuoso da mulher, tornada compacta pelo forte abraço que a mesma sofre do romano que a segura e do musculado personagem que se agacha aos seus pés, criam em que vê a ilusão de alguém que se debate para fugir a este forte amplexo.
Contudo e o mais estranho nesta obra é que há em toda a estátua uma suavidade de polimento que nos convida a observá-la de vários ângulos. A gesticulação muito viva da mulher, as mãos abertas e a expressão dos seu rosto, levam-nos a sentir que a mesma tenta a viva força escapar de quem a prende. Toda a triangularidade da obra como se foca nesse movimento feminino e essa intensa energia que vão caracterizar toda a obra deste artista vão ser muito do estilo Maneirista. Gean Boulogne foi também muito influenciado por Miguel Ângelo adaptando as formas escultorais e muito vigorosas deste último, criando assim e a seu modo uma nova espécie de fluidez e elegância na sua escultura.
Uma obra esplendorosa!
sábado, outubro 12, 2013
Hanna Arendt
Com realização de Margarethe von Trotta, realizadora alemã e conhecida pelos papéis que desempenhou em alguns filmes de Rainer Werner Fassbinder e também pelo magnifico "A Honra Perdida de Katharina Blum" aqui já na qualidade de realizadora, estreou em Portugal desde a semana passada, o seu último filme denominado de Hanna Arendt.
Fui vê-lo e adorei o filme. Como atriz principal temos uma irreconhecível Barbara Sukowa, actriz fetiche da realizadora e que consegue criar uma magnifica Hanna Arendt, não só na postura corporal, como na intensidade do olhar nos tiques e até no modo como esta segurava os inúmeros cigarros que fumava ao longo do dia. A actriz que faz de Hanna quando nova está muito bem caracterizada e todo o filme consegue prender-nos do princípio ao fim. Partindo do obra que esta filósofa/política escreve após ter assistido ao julgamento do nazi Adolf Eichmann, vemos a batalha que a mesma travou com todos aqueles que se escandizaram com o que ela escreveu a propósito da 'banalidade do mal'. Para quem ama a filosofia como eu ver este filme é uma aula de anfiteatro. Estupendo! A cena final é de antologia, posto que o que ali assistimos é a prova do porquê de Hanna Arendt ser ainda hoje tida como uma das grandes filósofas/pensadoras do nosso século.
Um filme estupendo. Recomendo vivamente. Um magnífico hino ao livre pensamento humano.
quarta-feira, outubro 09, 2013
A Beira de um Ataque de Nervos-II
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| E.Munch-Ashes |
Começou então o inferno do arranjo e às páginas comecei a pensar que era melhor era estar mesmo com a água a correr das paredes. Isso porquê? Porque se a minha casa chorava agora grita.
O barulho do martelo nas paredes, o esventrar das ditas cujas para pôr à mostra a maldita ruptura é de dar com qualquer um em doido, neste caso em doida! Acresço a isso, o facto de ver o meu hall de entrada transformado num estaleiro de obras em que o entulho se mistura com fios portas tiradas, paredes esburacadas e onde se vê canos enferrujados, homens de assobio fácil, fumo de cigarros fumados à escondida de mim, pó por todo o lado, o chão numa lástima, etc, etc.
Resolvi ficar Zen e não me ralar com nada disso. Respirei fundo e meti-me no meu escritório. Fechei a porta da cozinha onde nada faço porque está tudo cheio de pó, fechei o meu quarto e não uso a casa de banho porque não tenho água. Quando quero algo vou à casada minha simpática vizinha.
Há pouco fui lá para poder servir-me da sanita e aproveitei para dar dois dedos de conversa com ela. Ofereceu-me a casa para se eu precisar dormir lá e comer. Ainda há gente boa. Declinei o convívio e voltei ao 'estaleiro'. Quero estar aqui para os rapazes não 'dormirem na fila'. Dizem-me que hoje a canalização fica pronta. Como o chão está uma lástima, depois virá cá uma outra equipa dar conta desse assunto. Vai ser outro horror. Afagamentos e envernizamentos!
Antes terão que rebocar as paredes e pintar. Só depois disse se seguirá o chão. Tenho obras até ao fim de Outubro. Espero que continue o bom tempo, ele dá-me ânimo e força anímica para aguentar isto. Poderia ser pior. Uma doença é bem pior, dizem-me os amigos. Mas eu este ano também já tive problemas de saúde e por isso dispensava bem que a minha casa resolve-se imitar-me. Gostaria era que ela estivesse como estava, mas infelizmente não está, e por isso tenho que aguentar firme e hirta.
Como disse no post anterior em que comecei a relatar este pesadelo...dias melhores virão!
Haja paciência!
Há pouco fui lá para poder servir-me da sanita e aproveitei para dar dois dedos de conversa com ela. Ofereceu-me a casa para se eu precisar dormir lá e comer. Ainda há gente boa. Declinei o convívio e voltei ao 'estaleiro'. Quero estar aqui para os rapazes não 'dormirem na fila'. Dizem-me que hoje a canalização fica pronta. Como o chão está uma lástima, depois virá cá uma outra equipa dar conta desse assunto. Vai ser outro horror. Afagamentos e envernizamentos!
Antes terão que rebocar as paredes e pintar. Só depois disse se seguirá o chão. Tenho obras até ao fim de Outubro. Espero que continue o bom tempo, ele dá-me ânimo e força anímica para aguentar isto. Poderia ser pior. Uma doença é bem pior, dizem-me os amigos. Mas eu este ano também já tive problemas de saúde e por isso dispensava bem que a minha casa resolve-se imitar-me. Gostaria era que ela estivesse como estava, mas infelizmente não está, e por isso tenho que aguentar firme e hirta.
Como disse no post anterior em que comecei a relatar este pesadelo...dias melhores virão!
Haja paciência!
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A Beira de um Ataque de Nervos-II
terça-feira, outubro 08, 2013
T. Chassériau-Um Banho no Serralho
Théodore Chassériau (1819-1856) é a meu ver um pintor excepcional. Tendo morrido muito novo aos 37 anos de idade, este artista francês nascido em Samaná na República Dominicana, legou à posterioridade obras lindíssimas, abrangendo vários temas e detendo-se com grande cuidado no nu feminino que executou primoriosamente, com grandes detalhes, e belíssimos tons cromáticos. Partindo de temas e influências orientalistas legadas pelos pintores românticos T.Chasseriau em muitas das suas telas fez uma reflexão sobre os costumes abrangendo variantes: banhos, odaliscas, escravas, mercadores, etc. Pegando na temática muito cara a outros pintores nomeadamente Ingres, Chasseriau vai integrá
-la dentro de um ambiente árabe, criando telas de extraordinária riqueza de cores e luminosidade, que fazem com que quase nos sintamos dentro das mesmas, como atesta a obra aqui presente. Simplesmente magnífico.
terça-feira, outubro 01, 2013
Por Detrás do Candelabro
Há dias fui ver o o filme Por Detrás do Candelabro, a nova obra do realizador Steven Soderbergh e gostei muito. O filme tem uma história curiosa. Foi produzido pela cadeia de televisão HBO e era para passar na televisão num telefilme. Mas a páginas tantas a coisa começou a ter um êxito tal, que passou para o grande écran. Soderbergh a meu ver tem vindo a afirmar-se como um dos grandes realizadores da actualidade. Há dias vi na televisão uma obra sua feita há um ano, Contágio e adorei o filme. Se eu tinha algumas dúvidas que ele era um bom realizador essas dúvidas esfumaram-se a ver este filme. Na altura e apesar de já gostar desse realizador achei que o filme seria mais um sobre vírus altamente contagiosos, mas não é assim. O filme foge a esse padrão tão habitual em outros filmes e paulatinamente vamos vendo que estamos perante um bom filme, muito reflexivo,muito seguro e bem realizado.
Foi então com redobrada curiosidade que fui ver esse esse biopic denominado de Por Detrás do Candelabro que retrata alguns anos da vida deste fenomenal entretainer e pianista que foi Liberace. Com Michael Douglas no papel de Liberace, um papelão digo -vos já, visto que este último se transfigura por completo seja a nível da voz (já ganhou com esse papel um prémio de televisão, juntamente com o realizador) seja pelos maneirismos do corpo, e com Matt Damon, num personagem muito longe daquilo que estamos habituados a ver, este filme é mesmo bom.
Eu já conhecia alguns dos aspectos da vida de Liberace, nomeadamente a sua homossexualidade e o quanto ele era bom à frente de um piano,visto ter há muitos anos assistido pela televisão um dos seus espectáculos, mas o filme mostra-nos uma faceta tão negra e tão estapafúrdia da vida deste homem que saí do cinema impressionada com estas vidas tão cheias de poder, dinheiro, alegria, mas ao mesmo tempo impregnadas de tragédia e que no fim é sempre o corpo a pagar por todos esses múltiplos excessos.
Eu já conhecia alguns dos aspectos da vida de Liberace, nomeadamente a sua homossexualidade e o quanto ele era bom à frente de um piano,visto ter há muitos anos assistido pela televisão um dos seus espectáculos, mas o filme mostra-nos uma faceta tão negra e tão estapafúrdia da vida deste homem que saí do cinema impressionada com estas vidas tão cheias de poder, dinheiro, alegria, mas ao mesmo tempo impregnadas de tragédia e que no fim é sempre o corpo a pagar por todos esses múltiplos excessos.
S. Soderbergh não está com meias medidas, e com paninhos quentes. Mostra o que tem a ser mostrado e vemos que os candelabros que enfeitavam os salas de espectáculos por onde Liberace actuava e que estavam até por cima dos seus inúmeros pianos , escondiam uma vida que por vezes roçava o patético e onde a extravagância era levada ao cúmulo do mesmo Liberace exigir que o seu parceiro sexual, tivesse que mudar de rosto para se assemelhar ao seu! Incrível!
Recomendo vivamente.
segunda-feira, setembro 30, 2013
Lady Gaga-Applause
O meu aplauso para um dos melhores vídeo clips que me foram dados a ver. Grande Lady Gaga!
sexta-feira, setembro 27, 2013
À Beira de Um Ataque de Nervos-I
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| E.Munch-O Grito |
Chora porque sai água das paredes, sai água do chão, cai água na vizinha de baixo e ninguém consegue parar esse choro. Eu choro por ela, em solidariedade com ela. Estou assim há oito dias, desde a semana passada, quando a minha vizinha veio tocar à minha porta queixosa do que lhe estava a acontecer e pedindo para eu ir lá abaixo ver o 'bonito serviço' que a minha casinha estava a fazer à dela. Eu lá fui e não gostei nada do que vi. A pobre senhora estava constantemente a apanhar água que escorria da parede, e ela própria também já chorava. Veio a administração com o canalizador. Este último, que parecia perceber e muito da coisa em causa...começou logo a falar de partir paredes, e eu que na minha ingenuidade pensava que esse partir paredes seria na escada fiquei logo desenganada, pois o mesmo tratou logo de dizer que a partir coisas era mesmo dentro da minha rica casinha!
Fiquei em estado de choque pois isso de partir coisas não é comigo. Sou de paz e ver a minha casa a levar com um escopo e um martelo, a ser quebrada até se ver os malditos canos que vertem desalmadamente e sem qualquer dó nem piedade por mim, põem-me simplesmente doente.
O pior ainda estava para vir. O meu chão que é em madeira envernizada, num ataque de solidariedade para com as paredes começou a inchar devido à água que se infiltra nele. O hall começou a estar em tal estado que eu mal conseguia andar. Há dois dias tropecei e estatelei-me no chão! A dita água, malandra e insidiosa começou a alastrar-se para uma das salas e também ali começou a aparecer 'barrigas de 3 meses'. Foi onde caí!
Ora toma lá e tem mais cuidado a andar na tua própria casa!
O estalar do chão começou a ser audível e em desespero comecei a deprimir-se seriamente. Ontem veio outra vez o canalizador. Também ficou em estado de choque ao olhar para a minha casa. Esqueci de vos dizer que tudo isso se deve porque simplesmente eu espero há dias pelo perito dos seguros que ainda não fez a sua aparição, que a meu ver deve ser em grande, pois a espera assim mo leva a crer! O canalizador para eu não cair outra vez e com muita pena de mim, fez o favor de me tirar alguns dos tacos do chão e aconselhou-me a pô-los a secar pois terei de os aproveitar, porque senão vou ter que colocar outro chão novo, coisa que nem me passa pela cabeça. Quando eu ia colocar o chão a secar no pátio que eu tenho, S.Pedro resolveu fazer a sua aparição e começou a chover de grande! Como vêm é tudo a ajudar-me!
Resolvi então colocar alguns tapetes que ajudam não só a ensopar a água do chão como também não me farão cair devido à irregularidade do chão. Também tenho alguidares a apanharem agua que cai do teto...enfim...estou bem sitiada!
Continuo à espera dos peritos, continuo a espera que se faça algo. Tenho a casa num belo estado.
Não convido ninguém para ela porque o cheiro a humidade e o estado em que ela está aconselham-me é a ir para um hotel Spa e ficar lá até que alguém me telefone e me diga que tudo está resolvido, que tudo já está arranjadinho, tapadinho, arrumadinho e pintadinho e que posso regressar feliz e contente à minha casinha. Num mundo perfeito era assim que devia acontecer. Neste mundo cão, e de peritos dos seguros que não aparecem, terei é de aguardar e desesperar-me sempre na esperança que dias melhores virão.
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À Beira de Um Ataque de Nervos
quarta-feira, setembro 25, 2013
Gravity
Com a realização de Alfonso Cuarón e guião de Jonas Cuarón,(filho) está para breve a estreia em Portugal o muito aguardado Gravity, um filme cujas estrelas maiores são George Clooney e Sandra Bullock, num papel não muito habitual na filmografia desta última, ou seja a ficção científica. Gravity teve a sua estreia no Festival de Cannes com boas criticas. Há quem já o compare ao mítico 2001: Uma Odisseia no Espaço, de S.Kubrick, devido à solidão e ao silêncio da fria escuridão espacial.
O enredo mostra-nos o que acontece quando dois astronautas se vêm confrontados com um acidente fora da nave espacial ( o problema dos detritos espaciais), e de repente são atirados para o espaço, tendo apenas como abrigo a vastidão desse mesmo espaço, a escassez de oxigénio e a certeza que dificilmente dali sairão com vida. Pelo trailer dá para ver que temos uma grande obra de ficção científica para quem tal como eu ama este género de filmografia. Que venha o filme!
sexta-feira, setembro 20, 2013
Ramon Casas-A Hora Do Banho
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| A Hora do Banho |
Foi um percursor do modernismo espanhol, além de um exímio desenhador gráfico. O que eu mais gosto neste pintor não são dos seus nus, mas sim das suas obras que retratam cenas intimistas da vida quotidiana. nisso ele foi um excelente artista e soube tirar bom partido dessa sua faceta, conseguindo comercializar as suas obras com relativa facilidade.
Na obra que aqui surge, vemos uma mulher que de despe, para o banho.
A cor predominante na tela é o branco do vestido que a mesma tira. Ela está de perfil, e com os cabelos apanhados ao alto. Do lado direito vemos um mecanismo que lhe permitirá ter água quente e a cor de bronze em contraste com o vestido branco, tornam a tela muito apetecível ao olhar do espectador. Este pintor teve a mestria de pintar telas muito bonitas e singelas em que de uma maneira geral retratava cenas familiares, do quotidiano, de festas com grande pormenor e carinho pelos seus modelos.
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| Ramon Casas |
quinta-feira, setembro 19, 2013
terça-feira, setembro 17, 2013
A Noiva Prometida
Vou ser parca em palavras.Este filme é imperdível.
Este filme é lindíssimooooo!
Este filme é uma obra de Arte em estado puro.
A actriz principal, de seu nome Chayim Sharir, ganhou o prémio de cinema da Bienal de Veneza na categoria de Melhor Actriz.
A realizadora, Rama Burshtein é alguém que conhece muito bem a realidade aqui retratada, o modo de vida de uma comunidade de judeus ultra ortodoxos.
E mais não digo.
segunda-feira, setembro 16, 2013
Blue Jasmine
Habituada há vários anos a ver as comédias europeias de Woody Allen, e detestando a última este objecto cinematográfico disparatado que dava pelo nome de Para Roma com Amor, foi com agrado que vi ontem este Blue Jasmine, a última obra deste realizador norte americano que resolveu voltar às suas origens e prendar-nos (a acção passa-se entre Nova Iorque e São Francisco) com uma filme em que a estrela maior é uma incrível Cate Blanchett. Esta última, num papel muito difícil, mas que a mesma desempenha de uma forma soberba, revisita um clássico do cinema, Um Eléctrico Chamado Desejo,(que a mesma já representou várias vezes em teatro) e entre lampejos de uma trágica Blanche Dubois, muito xanax, muita mentira, muito álcool, muita arrogância e soberba, muito ressabiamento, traça o destino de uma personagem tão trágica e tão patética que a páginas tantas nos faz desejar que alguém tenha caridade e a interne imediatamente num qualquer hospício mais à mão. Estamos perante um Woody Allen, mais sombrio, as suas personagens aqui já não gracejam, a vida está dura para todos, as riquezas aparecem e desaparecem num ápice, (o caso Bernie Madoff é aqui uma constante) especula-se com o dinheiro de terceiros com a mesma facilidade com que se compram aviões ou uma bonita pulseira de diamantes, o que hoje é verdade amanhã é a mais pura das mentiras, há enganos, traições, inverdades, e no fim só resta um banco de jardim e a mais completa solidão. Um filme que roça a genialidade e que concerteza dará a Cate Blanchett o merecido Óscar de Melhor Actriz.sexta-feira, setembro 13, 2013
Mariano Fortuny-A Odalisca
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| A Odalisca |
Mariano Fortuny e Madrazo é para mim uma figura ímpar no mundo da arte. Nascido em Granada em 1871 e falecido em Veneza em 1949, Fortuny é hoje reconhecido como uma das grandes figuras do mundo da pintura, da fotografia, do estilismo e da cenografia. É também hoje reconhecido como uma das pessoas mais criativas do século XX, posto que as suas criações de roupa, ainda hoje são fonte de inspiração para muitos estilistas. Tendo nascido no seio de uma família de artistas, cedo se destacou como exímio pintor. Muito viajado, procurou inspirações pelos vários países onde esteve e colaborou intensamente na criação de cenários para vários espectáculos, começando então a criar o guarda roupa para os mesmos. Foram criações suas que vestiram artistas de vários espectáculos do Scala de Milão, nomeadamente para as óperas Tristão e Isolda, A Valquíria entre tantos outros. Muito virado para a arte greco-romana, Fortuny foi paulatinamente definindo o seu estilo de alta costura, caracterizado pela criação de largas túnicas, escolhendo tecidos muito finos, quase transparentes. Muitos dos padrões desses tecidos eram também criações suas, realizando assim uma linha de criação que ia desde o tear até ao produto final. Foi também um inovador no que às cores e às texturas diz respeito, rompendo com muitos dos cânones em vigor. Foi ao fim e ao cabo um inovador a nível do estilismo, mudando as ideias em vigor no modo de vestir e de conceber a alta costura.
Essas criações vestiram muitas figuras da alta sociedade, muitas delas frequentando o palacete que a sua família possuía em Veneza e que hoje ostenta o seu nome. No Museu do Traje em Madrid podemos apreciar muito do que Fortuny nos legou em matéria de estilismo, assim como muitas das suas criações a nível pictórico.
Essas criações vestiram muitas figuras da alta sociedade, muitas delas frequentando o palacete que a sua família possuía em Veneza e que hoje ostenta o seu nome. No Museu do Traje em Madrid podemos apreciar muito do que Fortuny nos legou em matéria de estilismo, assim como muitas das suas criações a nível pictórico.
Contudo, e como referi mais acima Fortuny não foi só conhecido por ser um excelente estilista, ficou também para sempre ligado ao mundo da arte no qual a sua obra A Odalisca é um exemplo da mestria deste pintor.Cultivando muitas vezes a forma nua ao estilo greco-romano que tanto era apreciado pelo mesmo, rapidamente se deixou seduzir pelo ambiente oriental, concebendo um dos nus femininos mais esplendorosos que de todo o século XX.
Nesta obra que o pintor denominou de A Odalisca, uma criação sua de 1891 , vemos a representação do corpo de uma mulher totalmente nu enfeitado apenas com um bonito colar de pérolas, uns grandes brincos e com uma pulseira em cada braço. Os seus cabelos negros são realçados pela cor clara do seu corpo e pelos panos que cobrem o leito. O fundo é escuro e a um canto da tela vemos uma figura masculina que deleita a Odalisca tocando um instrumento musical. É uma figura apagada e escondida, que apenas serve um propósito, o de deleitar esta mulher que de olhos semi cerrados se refugia num mundo só seu, esquecida até do seu próprio corpo, deleitando-se nos sons retirados daquele instrumento musical.
Fortuny consegue com esta tela uma representação muito naturalista e muito ardente de um nu feminino, conseguindo-o através da postura despudorada do seu modelo e de si próprio. Nesta tela o pintor evidencia também ser alguém que domina de uma forma magnifica as cores criando um ambiente árabe de extraordinária riqueza cromática e luminosidade.
Uma obra magnífica!
No filme que aqui se encontra poderão ver algumas das criações de alta costura deste Mariano Fortuny.
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Mariano Fortuny-A Odalisca
terça-feira, setembro 10, 2013
Julio Romero Torres-O Pecado
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| J.R.Torres-O Pecado |
Julio Romero de Torres, pintor espanhol nascido em Córdoba em 1874 e falecido em 1930, criou obras muito interessantes, estando as mesmas espalhadas por vários museus, entre os quais o Museu Carmen Thyssen em Málaga. A sua obra é tão vasta e tão interessante que existe mesmo na sua terra natal um museu dedicado a ela, sendo que a sua esfinge esteve também representada em notas de 100 pesetas. É um pintor muito estimado não só na sua terra natal, como por toda a Espanha. Este pintor andaluz que começou a pintar muito cedo tendo também frequentado a escola de artes de Madrid. Romero de Torres viajou imenso, conheceu muitos pintores, bebeu de várias influências e ao longo da sua vida foi criando um estilo muito próprio. Os seus retratos de mulheres e as suas representações de mulheres nuas tiveram imenso êxito no seu tempo e permanecem até hoje como criações extremamente delicadas e cujo traço torna os seus modelos femininos seres misteriosos e muito irresistíveis ao olhar de quem os aprecia. É um pintor que no fundo caracteriza-se por misturar a sensualidade do corpo feminino com a típica imagem trágica e mística do sul de Espanha.
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| A.Miguel Nieto-J.R.Torres |
No filme que se segue poderão apreciar uma série de retratos de mulheres que o artista pintou de uma forma fabulosa.
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Julio Romero Torres-O Pecado
segunda-feira, setembro 09, 2013
Two Mothers
Este filme que vos vou falar hoje já está em exibição há algum tempo. Não me despertava muito interesse em o ir ver e mesmo dando uma espreitadela no youtube o trailer não me incendiava a alma cinematográfica. Estou a referir-me ao Two Mothers que em Portugal recebeu a denominação de Paixões Proibidas. Contudo, há pouco tempo fui jantar com duas amigas e as mesmas que já o tinham visto, puseram-se a dissertar sobre o mesmo com tanto entusiasmo e com tanta paixão, tirando cada uma delas ilações tão interessantes que o raio do filme começou a despertar o meu interesse. O guião deste filme é tirado de um livro de Doris Lessing, escritora laureada com o prémio Nobel de literatura, o filme é australiano, realizado por uma mulher, Anne Fontaine de seu nome, e que por mais estranho que pareça, ou talvez não, a mesma viveu durante muitos anos em Portugal, sabe falar português e é uma pessoa simpatiquíssima, para além de ter sido bailarina aqui e em França. Abandonou a dança para se dedicar ao cinema mais concretamente à realização.
O filme, parte de uma história verídica que a escritora Doris Lessing quis passar para o papel, situado num recanto quase isolado da vasta Austrália, um lugar quase intocado pela sociedade e por isso sem o julgamento dessa mesma sociedade. É aqui que essas duas mães do título do filme 'pecam' e fazem-no com o filho de cada uma delas, num quarteto muito fechado, de uma dimensão claustrofóbica e que no fim sabemos que nunca terá fim, será um eterno 'never end' que nos faz sair do cinema extremamente ,pois num só plano visto de cima e conforme a câmara de filmar se vai afastando vemos o que será o quotidiano daquelas pessoas e nada mais haverá a não ser o eterno retorno.No fim a mim só me apetecia apanhar ar fresco, sair desse mundo claustrofóbico e circular, e foi isso mesmo que fiz logo que saí da sala. Apesar de ser um filme muito tumultuoso a nível das emoções em jogo, quem for ver este Duas Paixões deparar-se-á com uma obra estranhamente serena e nessa serenidade está escondido algo que já não é amor, é talvez paixão no seu sentido mais puro, mas essa paixão não explica muito do que ali se passa, pois perpassa por ali uma grande complexidade de sentimentos.
Nos papéis dessas duas mães, temos uma Naomi Watts, uns pontos abaixo daquilo que a actriz é capaz, contracenando com uma fabulosa Robin Wright, esta sim, em perfeito estado de graça. Robin Wright está perfeita num papel, muito difícil tanto para uma como para a outra, posto que em grandes planos, frente ao espelho as rugas a pele flácida, é posta a cru, numa prova cabal que a idade não perdoa e se o corpo ainda clama por grandes paixões, há sempre duas ninfetas para dois deuses (assim elas denominam os seus filhos) e contudo...essas mulheres maduras e unidas numa amizade para o bem e para o mal possuem algo, que fazem com que nos sintamos unidas a elas, compreendemo-las e o pior é que aqueles filhos também as compreendem e as amam ao ponto de expulsar do seu lado as suas legitimas esposas, num desfecho final que só poderia ser aquele e mais nenhum. Para além dessas duas mulheres temos também aqueles dois filhos, irmanados numa amizade idêntica à das mães, surfando, brincando na praia, dois meninos que crescendo no corpo mas não na mente, vivem uma homossexualidade sempre latente e que num futuro acabará por ser assumida como destino final.
Naquelas casas, e naquela praia ficam encerrados segredos e sabemos que aquela plataforma colocada a uns duzentos metros da praia é o mais longe que algum dia eles poderão ir. Estão enraizados ali e ali ficarão para sempre, quais deuses satisfeitos com a sua promiscuidade, falta de juízo moral e isolamento. E nós saímos dali, não os condenando, apenas precisando de respirar algum ar puro.Um filme fantástico.sábado, setembro 07, 2013
Marie Laurencin
Gosto muito da obra da obra pictórica de Marie Laurencin e por isso não resisto aqui em abordar um pouco o percurso desta pintora nascida em no ano de 1883 em Paris tendo sido criada pela mãe.Não há grandes referências sobre o pai.
Marie Laurencin foi sempre uma vanguardista, uma mulher que teve sempre a mulher como seu modelo pintando-a nas mais diversas situações tendo contudo uma predi-
leção especial em retratar dançarinas e nesse aspecto ela foi uma exímia executante.
Durante ao primeira guerra mundial M.Laurencian deixa a França natal e parte para Espanha já casada com o alemão Otto von Waetjen.
Após um período nesse país e em Dusseldorf terra natal do marido,o casamento degradasse e Laurencin regressa sozinha a Paris.

Esta pintora vai ocupar um papel de relevo no mundo da arte, principalmente em França nos primórdios do século XX, posto que seguidora das novas tendências artísticas que se faziam sentir ela integra a escola cubista sendo isso visível em algumas das suas inúmeras obras.
Esta pintora teve sempre o condão de em sedutores tons pastel acentuar características quase etéreas das figuras e modelos por si criados.São obras que nos transmitem a sua curiosa visão de um mundo inteiramente povoado bonitas raparigas personificando a tendência artística da década de 1920, no seu tom muito decorativo e muito despreocupado.
São mulheres que dançam acompanhadas de outras, num mundo muito seu, envergando túnicas coloridas, com enfeites nas longas cabeleiras e ostentando sorrisos diáfonos. As que não dançam, possam para a artista muitas delas acompanhadas de pequenos cachorrinhos, sempre numa posse muito descontraída.
Até à sua morte em 1956 esta vanguardista vai criar obras ímpares, explorando sempre novos caminhos e quando se fez o acervo dessa imensa obra pictórica deu-se conta que a artista tinha deixado um espólio de mais de meio milhar de obras!
Marie Laurencin também criou trabalhos a aguarela para ilustração de livros.
Amiga de grandes pintores como era o caso de Pablo Picasso, Matisse, Delaunay entre outros, manteve durante anos um círculo de arte no seu apartamento de Paris.
Marie Laurencin também criou trabalhos a aguarela para ilustração de livros.
Amiga de grandes pintores como era o caso de Pablo Picasso, Matisse, Delaunay entre outros, manteve durante anos um círculo de arte no seu apartamento de Paris.
As suas obras estão espalhadas por vários museus do mundo e por colecções particulares.Existe um Museu Marie Laurencin na cidade de Nagano no Japão, onde o mesmo alberga inúmeras obras da artista. No vídeo abaixo indicado poderão apreciar algumas das obras desta pintora.
terça-feira, setembro 03, 2013
A Melhor Oferta
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| Cartaz do Filme |
Há alguns meses esteve em cartaz um filme absolutamennnteee fantástico, do realizador Giuseppe Tornatore, (Cinema Paraíso), denominado de "A Melhor Oferta". Não escrevi aqui sobre ele, porque na altura eu já não me sentia bem de saúde e por isso após tê-lo visto e deliciando-me com ele apenas fiquei com a recordação do mesmo não tendo grandes forças para transmitir por palavras escritas aquilo que eu achava sobre esta obra genial. Escrevo agora e aqui sobre ele porque o mesmo surgiu recentemente no (passo à publicidade) vídeo clube da Meo, e com grande pena minha sem grande publicidade ao contrário do que se passa com os mega blockbuster tais como O Homem de Ferro e tutti quanti....
A passagem para o vídeo Meo deveria ser bem mais publicitado, posto que para mim este "A Melhor Oferta" é um dos melhores ou senão mesmo o melhor filme que esteve em cartaz nos cinemas neste ano de 2013 e dizer isso não é pouco, visto que a oferta de filmes este ano tem sido muito boa.
O filme tem como actor principal o grande Geoffrey Rush, coadjuvado por Donald Sutherland, Jim Sturgess, Philip Jacksone a bonita actriz holandesa Sylvia Hoeks.
O filme tem uma história muito singular que não vou aqui contar e que aviso já que o mesmo nos faz ir de surpresa em surpresa, até ao final.
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| G.Tornatore |
Ambientando-se no mundo das leiloeiras e por conseguinte no mundo algo esquizofrénico que é o mundo da compra e venda de arte, temos um Geoffrey Rush, no papel singular de um comprador/ vendedor/ de arte, muito solitário, muito egoísta, muito pedante, extremamente misantropo, cruel, misógino e muito rico....que de um momento para o outro vê o seu mundo muito certinho ser posto do avesso, pelos telefonemas de uma misteriosa jovenzinha, Claire de seu nome, herdeira de uma misteriosa fortuna e que o passa a obcecar até à perdição final...e mais não digo.
O filme vale a pena não só pelas belíssimas representações, pois o leque de actores aqui exposto dá o melhor de si, como também pela visão daquela magnífica sala fechada a sete chaves, cheia dos melhores quadros de mulheres que até hoje foram pintados. A banda sonora...essa é perfeita!
Para quem ama a arte ver aquela sala é vislumbrar um pedaço do paraíso. Só por si vale a pena ver o filme. Eu vou revê-lo porque este " A Melhor Oferta" é daqueles filmes que uma visualização só não basta. Deixamos numa primeira visualização pontas soltas que temos necessidade de as unir ao filme após vê-lo pela segunda vez.
Não o percam. O filme é fabuloso. Estou juntando um mealheiro para o comprar, pois o mesmo já está em DVD. Um filme que recomendo vivamente.
Não o percam. O filme é fabuloso. Estou juntando um mealheiro para o comprar, pois o mesmo já está em DVD. Um filme que recomendo vivamente.
segunda-feira, setembro 02, 2013
Matar Saudades
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| Entrada do Museu |
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| Retrato da Rainha D.Leonor |
O jardim, dentro das restrições orçamentais com que todas as câmaras municipais se debatem, está bem cuidado pontuado por belas estátuas. Lá dentro vale a pena uma visita demorada à sala onde se encontra uma magnifica cena da Paixão de Cristo feita em estatuária! Esplendoroso!
Não fui à fabrica Bordalo Pinheiro porque estava fechada, mas recordo-me que sempre que ia às Caldas da Rainha, não resistia a lá dar um salto e ver aquelas belas loiças. Depois do almoço num Centro Comercial que por lá existe e que fica por detrás de um novo Hotel muito bem implementado no centro da cidade e que não causa qualquer impacto ambiental, pois o edifício foi o aproveitamento de um já ali existente, rumei à Foz do Arelho.
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| Foz do Arelho |
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| Lagoa de Óbidos |
A praia do Bom Sucesso, uns quilómetros acima estava cheia da famílias apanhando berbigão, ninguém tomava banho pois a água estava muito fria, e aquele nevoeiro e algum frio que se fazia sentir não convidavam a aventuras de banhos. No restou mais do que irmos para uma esplanada, comer gelados e ler.
Ao fim do dia visitamos aqueles bairros novos com casas muito bem arranjadinhas. Julgo que que as famílias que ali passam as suas férias e que ali vivam têm boa qualidade de vida, pois o sitio é sossegado, limpo e bonito. Quando rumava a Lisboa, fiquei com a com a certeza de que a Foz do Arelho continua um sitio muito agradável e bem preservado.
Se Deus quiser, para o ano que vem voltarei a este lugar de bons veraneios, mas para passar alguns dias de praia no extenso areal que lá existe e que me fazia sempre sorrir com a quantidade de distância que tínhamos que percorrer até conseguir molhar os pés. Que dias fantásticos aqueles!
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Matar Saudades
segunda-feira, agosto 26, 2013
Maja Desnuda
Há dias estava a fazer zapping e fui dar com um filme que eu não tinha visto e que há muito queria ver. O filme é o "Os Fantasmas de Goya", em que no papel de Goya temos o actor Stellan Skarsgard,(um actor muito seguro!) andando por lá também a actriz Natalie Portman, como musa inspiradora do pintor quase irreconhecível aquando da sua saída da prisão do Santo Ofício depois de meses de tortura, Xavier Barden como irmão Lorenzo e também retratado pelo pintor, Randy Quaid como rei Carlos IV, entre
tantos outros. O filme é muito bom. A acção desenrola-se nos primeiros anos do século XIX no meio do radicalismo da Inquisição, tendo também como pano de fundo a iminente invasão da Espanha pelas tropas de Napoleão Bonaparte, este representado pelo actor Craig Stevenson. O filme mostra o processo criativo deste grande pintor que foi Francisco Goya, as suas constantes "dores de cabeça", a sua surdez, ingenuidade/irritabilidade e a relação algo atribulada que o mesmo mantinha com o poder. No fundo o filme mostra-nos um Goya testemunha atormentada de uma época muito conturbada.
Nessa perspetiva não resisto aqui a colocar uma obra sua a famosa "Maja Desnuda" uma obra adiantada para a sua época e concebida para ambientes privados. Se deixarmos de lado algumas questões que possamos colocar ao estarmos perante esta obra e uma delas é para mim o porquê de tamanho despojamento de cenário, posto que apenas temos perante nós uma jovem mulher nua deitada em cima de almofadões e que olha para nós com um olhar bovino, o que é certo é que este nu aqui representado está muito afastado de um nu refinado brincalhão e rebuscado erotismo típico do erotismo francês. Estamos aqui perante uma "peça de carne"(desculpem-me a expressão), de alguém que levantando os braços e juntando-os ao cimo da cabeça se deita e se deixa retratar.
O que aqui vemos, não se trata de uma qualquer vénus, uma deusa ideal, mas sim de uma mulher(especulou-se que a mesma seria a Duquesa de Alba, mas não se tem certezas sobre isso).
Aquando da apresentação da obra a mesma também foi denominada de "A Cigana". Também há quem especule que a mesma faria parelha com a "Maja Vestida", mas não se tem certezas disso.
Aquando da apresentação da obra a mesma também foi denominada de "A Cigana". Também há quem especule que a mesma faria parelha com a "Maja Vestida", mas não se tem certezas disso.
Apesar disso não deixa de ser fascinante olhar para esta "Maja Desnuda", que reclinada nas suas almofadas olha para nós com atrevimento despudor.
Dentro da sua simplicidade é um bom Goya sem dúvida nenhuma.
A obra é um óleo sobre tela e pode ser vista no Museu do Prado em Madrid.
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