quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Má Educação

Há dias, não tendo sono, levantei-me da cama para ler, mas não estando muito focada na leitura, liguei a televisão e comecei a fazer zapping. Fui dar com um filme de Pedro Almodôvar, o "Má Educação" que eu já tinha visto há uns anos atrás e que tinha amado de coração. Foi pois, com prazer que andei com o filme para trás e comecei a vê-lo de inicio. Se alguma dúvida eu tinha que Almodôvar é um grande realizador e um ser capaz de 'vampirizar' por completo os seus actores, essas dúvidas ficam anuladas visionando este Má Educação. Para mim Joel Garcia Bernal (se exceptuarmos o excelente "E a Tua Mãe Também") nunca teve um papel tão arrebatador como este aqui. De facto, neste Má Educação temos tudo. Aborda-se a pedofilia, paixões intensas, toxicodependência, sexo, travestis, e amor. Para mim, a linha condutora é principalmente o amor de Ignacio por Enrique, um amor começado num colégio religioso cheio de padres pedófilos, ensandecidos por  paixões doentias por  crianças, seres indefesos, entregues a gente com alma de psicopatas e capazes dos mais vis crimes.
O cenário todo ele é amarelos vivos e vermelhos. Por onde vamos tudo é colorido em contraponto às almas negras e sofridas dos seres que por aqui vagueiam em perpétuo sofrimento, arrastando um passado cheio de dor e de mágoas. A cena mais incrível é precisamente quando Ignacio é pela primeira vez molestado e o realizador foca a câmara no seu olhar e divide o seu corpo em dois, pois é a partir desse momento que tal como nos diz o personagem ele se parte em dois, dividindo-se para nunca mais se unir. Fabuloso!
 O mais surpreendente neste filme é que vemos um filme dentro de outro e se isso é recorrente no cinema, o modo como Almodôvar o faz é que é inovador, posto que às páginas tantas não sabemos se o que estamos a ver é a realidade ou aquilo que queremos que um dos personagens quer que vejamos. A realidade é torpe e suja, é cheia de tristezas, corpos em transformações inacabadas, cartas que se escrevem e nunca chegam ao seu destino, morte e assassínios. Quedamo-nos pela fantasia, preferimo-la à realidade, preferimos ver Zahara/Juan/ Ignacio/Angel... cantando num cabaré nos longínquos anos 70 e 80 e ficamos s pensar que só Almodôvar é capaz de nos dar filmes que no meu entender nunca passam de moda, são sempre polémicos e atuais. Um grande filme que se revê sempre com agrado e muita tristeza. 

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Luca Signorelli-A Flagelação de Cristo


A Flagelação de Cristo
Termino esta trilogia de obras cuja temática é a violência na arte, com uma tela do pintor Luca Signorelli, intitulada de A Flagelação de Cristo. Luca Signorelli,nasceu em 1445 em Cartona na Itália e faleceu na mesma Cartona em 1553.Foi um pintor renascentista italiano, um dos grandes mestres da Escola da Úmbria, tendo muito provavelmente sido aluno do grande pintor  Piero della Francesca. Notabilizou-se pelo esmerado uso da perspe tiva e isso é bem patente na sua obra Crucificação de Cristo.
A obra aqui em apreço, mostra-nos Cristo amarrado a uma coluna no centro do quadro, estando   a ser flagelado por ordem de Pôncio Pilatos, que não acredita que ele seja filho de Deus. Os relevos escultóricos em segundo plano, o capitel coríntio da coluna onde está preso e o friso decorativo no primeiro plano do quadro refletem o interesse renascentista pelos motivos da Antiguidade Clássica. A luz forte e as sombras projetadas no chão ajudam a definir o espaço tridimensional da cena. As coxas muito musculadas das personagens que vão ser os flageladores de Cristo e a composição firmemente simétrica são marcas características do estilo deste pintor. Esta obra é um óleo sobre madeira e pode ser vista na Pinacoteca de Brera, em Milão.

Luca Signorelli-Auto Retrato

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

A Grande Beleza

Foi com muito agrado e alguma perplexidade que vi esta última obra do realizador italiano Paolo Sorrentino, intitulada de "A Grande Beleza", filme que para além de já ter ganho o Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, está também bem cotado na corrida aos Oscares na mesma categoria e penso que irá ganhar  esse prémio merecidamente.
O filme é um objecto estranho, daqueles que ou 'amámos' ou 'odiamos'. Não há meio termo, porque durante 3 horas o que ali vemos é em primeiro lugar uma belíssima cidade de Roma cuja panorâmica inicial da cidade vai ser vista pelos olhos de japoneses o que não deixa de ser paradigmático , posto que Roma é visitada todos os anos por milhões de asiáticos.
Depois é-nos dado a conhecer um dos seus cidadãos, o personagem principal, neste caso em apreço  um escritor, Jap Gambardella ( um extraordinário Toni Servilho) que num quente verão e sem qualquer ideia para um novo livro, posto que apenas escreveu um, e sendo jornalista free lancer, passa os dias entre o ócio, festas e raves loucas, e a procura de notícias estranhas para a sua crónica semanal, refletindo  sobre sua vida, vazia de qualquer sentido.
 De facto, este Jap, tem 65 anos de idade, e desde o grande sucesso do romance "O Aparelho Humano", escrito décadas atrás, ele não concluiu nenhum outro livro. Desde então, a sua vida é passada entre as festas da alta sociedade, os luxos e privilégios da  fama que lhe advém do livro. Quando se lembra de um amor inocente da sua juventude, Jap cria forças para mudar sua vida, e talvez voltar a escrever...talvez..... No fim do filme saímos do cinema convencidos( ou talvez não) que irá escrever um novo livro baseado nesses dias de reflexão deste quente Agosto, ou na pior da hipóteses limitar-se a mergulhar de novo nestas festas tão à italiana em que velhos se comportam como garotos de 16/18 anos e os ricos e poderosos, limitam a fazer uma pura ostentação da sua vida desafogada sem pensar no amanhã. Talvez essa segunda hipótese seja a mais viável, porque o que ali há é uma desesperança total, por parte não só de Jap, mas dos que com ele convivem. Quando todos se sentam naquela varanda com vistas para o monumental coliseu romano, o que ali vemos é um grupo de gente rica, que bebendo, comendo e fumando sem fim, nada  já têm a dizer, limitando-se a falar da vida alheia, rindo dos infortúnios dos outros,  e lamentando aquilo que não fizeram no passado. Roma ali está sempre como pano de fundo, os seus monumentos, as igrejas, conventos, fontes, pontes, padres, freiras, e toda uma fauna de gente que passa  os dias  procurando algum sentido para as suas vidas. Perpassa por todos os diálogos uma fina ironia do qual Jap é a figura maior.
 Umas vezes rimos, outras ficamos pesarosos. É um vazio sempre palpável e no fim quando a câmara de Paolo Sorrentino navega pelo rio nada mais há a dizer ou a fazer. Os dias continuarão sempre iguais e Jap e a sua trupe de gente rica e ociosa ali ficará até que a morte os reclame. Um filme belíssimo. 

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Rembrandt-Sansão Cegado pelos Filisteus

Na continuação da mostragem de obras artísticas cuja temática é a violência, abordo hoje aqui uma obra do grande pintor holandês, Rembrandt, (1606/1669).Aqui vemos um tema também bíblico, a cegagem de Sansão pelos filisteus.
Rembrandt-Auto Retrato
 A bíblica história de Sansão é contada no Livro dos Juízes do Antigo Testamento. Os inimigos de Sansão, os filisteus, que procuravam uma oportunidade para o matar, encarregaram a bela Dalila de o seduzir. Ela consegue saber que a sua força residia no seu cabelo e apanhando-o a dormir corta-lhe o cabelo. Em consequência disso, a força abandonou-o. Os filisteus que estavam escondidos, entram dentro da sua gruta, agarram-no e vazam-lhe os olhos.
 Como todos sabemos esta história acaba toda em tragédia, posto que o colosso consegue vingar-se, derrubando os pilares que sustentavam o telhado da casa em que estava preso, pois os filisteus tendo-o preso durante muito tempo, não se aperceberam que o cabelo de Sansão tinha crescido novamente. Ora, o que aqui vemos nesta obra é a cena em que uns quantos filisteus, agarram Sansão enquanto um deles se prepara para o cegar. Ao fundo da tela vemos a maliciosa Dalila com os longos cabelos de Sansão nas mãos. Este Sansão Cegado pelos Filisteus, assim é denominada esta obra ,é uma das muitas obras com motivos bíblicos que Rembrandt realizou. É uma tela magnificamente executada. Não podemos deter os nossos olhos na ameaçadora  espada que é dirigida aos olhos de Sansão assim como não podemos deixar de ter piedade deste último que faz esforços hercúleos para se libertar dos braços dos seus carrascos. O seu rosto é uma mistura de frustração  raiva, impotência e dor. Com uma perna erguida no ar ele tenta empurrar o seu corpo para trás para se libertar sem contudo o consegui. O seu braço direito está já preso por uma grossa corrente e um dos seus carrascos segura-a firmemente e ao vermos a sinistra espada prestes a espetar-se nos seus olhos indefesos, não deixamos de tremer face à violência tumultuosa que se instala no espaço escuro e claustrofóbico da gruta onde toda a cena se desenrola. Sabemos que por mais que Sansão se contorça angustiado o seu destino está traçado e também não podemos deixar de reparar numa Dalila que foge, um tanto ou quanto hesitante entre o regozijo e o terror pela traição  por si perpetrada. A luz que ilumina a tela centra-se nas cores claras das vestes de Sansão e no vermelho do personagem com a ameaçadora espada. Contudo é Dalila que é realçada pelas cores claras tanto da sua saia como da túnica que a cobre. Numa das suas mãos ela ainda tem a tesoura bem presa entre os seus dedos e na outra os longos cabelos de Sansão.Uma obra magnífica e terrível ao mesmo tempo.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Word Press Foto-2013

Foto Vencedora do Word Press Foto, 2013. 
Linda!

Dia de S. Valentim


Apesar do mercantilismo que se apoderou deste dia, não resisto aqui a desejar a todos os Apaixonados, um bom Dia de S. Valentim.


terça-feira, fevereiro 11, 2014

A.Gentileschi-Judite Assassinando Holofernes

Judite Assassinando Holofernes
No visionamento da segunda parte do soberbo filme Ninfomaníaca que já abordei aqui em post anterior, uma segunda parte mais negra, mais chocante, mais filosófica e onde vemos com grande tristeza que a personagem principal, uma fantástica  Charlotte Gainsbourg não encontrará jamais a redenção, há um excelente diálogo entre ela e o seu ouvinte um soberbo Stellan Skarsgård,em que o mesmo diz que o difícil não é matar, visto que o ser humano nasce com uma compulsão para  tal, mas sim termos a  força suficiente para nunca o fazermos durante a nossa vida.
Fiquei a matutar neste e noutros  diálogos muito bons entre ambas as personagens e à noite   fazendo zapping por vários canais de televisão fui dar com um que exibia uma das muitas séries policiais existentes. Nela um grupo de detectives tentava descobrir um psicopata que degolava homens num ritual muito seu, algo muito caraterísticos desses assassinos e numa cena em que aparecia uma das suas vitimas não pude deixar de fazer uma associação entre o que estava a ver e um quadro da grande pintora Artemisia Gentileschi, denominado de "Judite Assassinando Holofernes", uma tela que sempre me fascinou pela tenacidade do acto de Judite coadjuvado nele por uma criada sua, não menos capaz.
 Artemisia  Gentileschi (pintora que já abordei aqui em vários posts e que dá nome ao meu blog numa clara intenção da minha parte de a homenagear),teve sempre perante a arte uma abordagem despretensiosa, apesar de nos seus quadres colocar toda a paixão e intensidade de que era capaz.
Foi uma pintora quase única entre as artistas do sexo feminino anteriores ao século XX. Talvez por ter sido violada por um dos amigos de seu pai, isso conferiu-lhe uma percepção muito especial da violência e da traição.Tal como qualquer mulher artista do seu tempo ( e não só) esta mulher teve de lutar e muito, contra os absolutismos latentes na sua cultura e na sociedade, que incluíam a convicção da inferioridade natural das mulheres, confinadas a adornos, à casa, aos filhos, ao cuidado do marido, e caso se entregassem às artes, isso não era visto mais do que meros passatempos, nada a ser levado em grande conta. Ora, vai ser contra essas ideias que Artemísia vai ter de lutar toda a vida, numa clara necessidade de lhe ser reconhecido o seu lugar entre os seus pares, o que só vem a ser feito após a sua morte, como quase sempre acontece. Essa necessidade de reconhecimento, faz com que tenha criado obras cheias de cor e de vida e contribuiu para a exaltação com que a mesma represente  este conto bíblico do assassinato de Holofernes por Judite.
A.Gentileschi-Auto Retrato

Nesta obra vemos como a cabeça deste opressor é visivelmente decepada e o sangue muito palpável escorra repelentemente pelo chão do quarto onde Holofernes se tinha deitado claramente embriagado. Nesta obra algo macabra, Artemísia teve necessidade de nos envolver nos pormenores mais prosaicos de um assassínio. Aqui não há espaço para a imaginação pois está lá tudo. Ela consciencializa-nos do heroísmo corajoso de Judite, salvadora do seu povo, aurora e senhora da morte do tirano e do significado do que é matar outro ser humano, tendo em vista um bem maior.
 Tal como no diálogo entre Joe e Soleiman em Ninfoamíaca, de facto matar é fácil, basta estar embutido das ferramentas necessárias, o mais difícil é ter a coragem de não se sujar as mãos de não o fazer. Esta mulher, Judite quis e fê-lo e Artemísia Gentileschi, mostra-nos que uma mulher munida de uma faca e da sua mais fiel criada pôde fazê-lo entrando  sorrateiramente no quarto  do opressor. Tiveram a frieza e a determinação de decepar uma cabeça.
Um quadro soberbo.

domingo, fevereiro 09, 2014

Nymph()maniac

Na semana passada fui ver a primeira parte da magistral obra do grande realizador Las von Trier, e que tem como actriz principal  Charlotte Gainsbourg e andando por lá também ( e andam muito bem), Christian Slater, Shia LaBeouf Stacy Martin Stellan Skarsgård, Jamie Bell, Uma Thurman,  (nuns vinte minutos de actuação memoráveis) e Willem Dafoe.
O filme é a meu ver uma obra ímpar, e até hoje não entendo o porquê da polémica com oeste filme posto que o mesmo teve a sua exibição muito restringida nos E.U.A e se formos ao youtube dificilmente vemos o seu trailer e mesmo cá este filme  ficou acantonado apenas a um cinema. Prefiro mil vezes ver um Ninfomaníaca a muitos filmes de terror gore que por aí estão em cartaz,sem que haja qualquer restrição à sua exibição o mesmo se passando a filmes cheios de violência gratuita que enxameiam os cinemas portugueses e de todo o mundo. Posto isso, só me resta dizer que gostei muito dessa primeira parte, vou ver com curiosidade a segunda, a actriz principal (Charlotte Gainsbourg), tanto na actualidade como a que a representa quando nova estão fantásticas, há actores a fazerem papeis nos antípodas daquilo que estamos habituados a ver como é o caso de Shia Labeouf, e de Jamie Bell,a história prende-nos do princípio ao fim, a fotografia é muito boa e está de parabéns Lars von Trier por mais uma vez sair dos cânones habituais e do mainstream do cinema norte americano. Este  Ninfomaníaca I e II é  uma obra a ver com atenção.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Jan Vermeer-A Pesagem das Pérolas


A Pesagem das Pérolas




































Jan Vermeer, (1632/1675) legou à humanidade uma obra tão recatada, tão sóbria, tão silenciosa que dificilmente encontro noutro pintor do seu tempo e não só. Estranhamente, este homem que teve 11 filhos não era um solitário no sentido literal do termo, até porque para além dessa filharada toda possuía muitos parentes pelo lado da sua mulher e vivia num bairro bem popular.
 Contudo, esse borburinho todo à sua volta nunca o deve ter incomodado pois criou obras muito quietas no tempo e nunca nelas fez qualquer alusão à sua família. Os seus quadros cheios de sombras, eram contudo iluminados pelas personagens neles presentes e relembro que a sua grande obra "Vista de Delft" é vista ao longe banhada por uma claridade e silenciosa na sua pacatez.
A obra que aqui aparece denominada de "A Pesagem das Pérolas" retrata mais uma vez uma cena quotidiana e nela Vermeer não necessitou de claridade para nos legar uma das obras mais "iluminadas" que me foi dado a ver a par da sua magistral obra "Rapariga com Brinco de Pérola", hoje um ícone de arte na Holanda. Aqui nesta linda obra, vemos que as persianas do quarto estão fechadas e a luz penetra na oblíqua através das frestas. Essa luz vai atingir a pele felpuda do casaco da senhora, o pano que lhe envolve graciosamente a cabeça inclinada e as pérolas que brilham na obscuridade da mesa. Realça pois um dedo aqui e um colar de renda acolá, mas impera o silêncio. É esse silêncio que exprime a pureza daquilo que existe. Penso que este quadro encerra um certo simbolismo, na medida em que esta mulher experimenta a balança vazia e o quadro que aparece na parede atrás dela mostra o "Juízo Final", onde deus também como que pesa as almas que ascendem e as que ficam para trás. Mas, o significado reside igualmente no balanço que sentimos ao olharmos par ao quadro: luz e sombra atingem um dramatismo dinâmico e, de facto, a pintura no seu conjunto revela diversos equilíbrios, a mão da senhora, o seu bonito vestido de seda bordejado a pele, a instabilidade da mão humana e a certeza gelada do metal da balança. É também um quadro que nos mostra uma mulher perante os símbolos da riqueza material, pesando-a para saber o seu valor, enquanto atrás dela se pode ver a figura de Cristo a "pesar" as almas. É óbvio também que esta jovem senhora está grávida e é significativo que os dois tons mais fortes e laranja e ouro não provenham das suas jóias ou do seu ouro, mas sim da pequena  janela no alto da parede através do qual a luz entra e se lhe projeta diretamente no ventre.
Não podemos também deixar de reparar que uma  bela toalha de mesa azul foi afastada para trás e, vê-se uma coleção de pérolas e de objetos de ouro espalhados pela mesa e a sair de guarda-jóias. Cada uma das pequenas esferas é uma gotícula de luz, feita com os toques individuais de tinta que se assemelham a jóias. As moedas achatadas ou pesos de ouro, parecem ter uma forma arredondada graças ao pequeno realce que lhe é dado. Ela prepara-se  para pesar o ouro e as pérolas numa frágil balança de latão, com um gesto extremamente gracioso. A balança é tão frágil que certas partes mal se vêem, e toques de luz brilham nos pratos vazios. A sua expressão concentrada e serena, com a cabeça ligeiramente inclinada e pensativa e os olhos quase fechado, revela que ela está a fazer algo mais do que gozar os seus tesouros.Está satisfeita com aquilo que está a fazer. Está ricamente vestida mas com simplicidade, com a cabeça coberta por um capuz branco, liso salpicado de gotas de luz que lembram contas de colar.
Uma cena soberba!
Esta magnífica obra pode ser vista no Casa  Museu Vermeer em Haia/Holanda.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Philip Seymour Hoffman

Morreu Philip Seymour Hoffman, ( 23 de julho de 1967 /  2 de fevereiro de 2014), um dos melhores actores que me foi dado a ver. Tinha por ele uma admiração incondicional. O último filme que vi dele foi "O Mentor".
Que papelão. Também adorei vê-lo em "A Dúvida", sem dúvida um dos melhores filmes deste actor a par de "Capote".
Paz à sua alma.
Que pena!
 
"A Dúvida" e "Capote"-Que Grandes Filmes!!!

domingo, janeiro 19, 2014

12 Anos escravo e O Lobo de Wall Street

Grande candidato a vários Oscares fui ver este 12 Anos de Escravo, o último filme do grande realizador Steve Mac Queen, conhecido pelos imperdíveis filmes Fome e Vergonha este último com uma candidatura há um anos ao Oscar de Melhor (Actor (M.Fassebender), actor fetiche do realizador que volta à carga neste imperdível 12 anos de Escravo, num papel absolutamente demencial, na figura de um dono de plantação de algodão absolutamente louco e com a agravante de ter existido, uma vez que esta história triste e que envergonha toda a humanidade (como infelizmente muitas outras), é baseada em factos verídicos, pois o argumento é baseado no livro deixado por Solomon Northup, um homem livre que em 1841,vivendo na cidade de Saratoga com a mulher e os dois (e um exímio violinista) caí na armadilha de dois homens e se vê de um momento para o outro transacionado num negócio de escravatura, caindo num vórtice  infernal de violência e humilhações sucessivas do qual só se vê livre passados 12 anos.
Nesta vida de horrores, do qual me faltam palavras para a descrever e que este Solomon se vê imerso juntamente com outros escravos na mesma situação e onde a traição, o ódio,  a imoralidade a demência passam a fazer parte do seu quotidiano, há ainda lugar para a esperança, uma vez que o mesmo nunca desistiu de retomar a sua liberdade, conseguindo- ao fim de muitos e penosos anos.
Chiwetel Ejiofor, candidato a melhor actor tem um papel magistral em confronto com um magnífico  Miguel Fassebender (candidato a actor secundário).Este último tem-se vindo a especializar em determinados papéis de louco e neste está soberbo, pois consegue apenas com a sua presença e através do olhar gelar-nos as veias. É um homem perigoso,  é um homem de convicções bíblicas, pois o que ele diz é a Palavra do Senhor e o que ele faz está na Bíblia e esta não pode nunca ser contestada!
O que mais me impressionou neste filme foi o desespero e principalmente o olhar de medo que emana do personagem principal, confrontado com situações fora do seu alcance e com figuras absolutamente sinistras e imprevisíveis. É um mundo onde a banalização do mal faz parte do dia a dia e o tratamento de seres humanos apenas e só diferentes na cor da pele é feita a nível da pura animalidade!
Outra actriz que está soberba é a estreante Lupita Nyong'o, também candidata ao papel de actriz secundária, no papel de uma escrava, objecto sexual do seu patrão, numa relação de ódio/ amor demencial que não conhecendo nós o desfecho só podemos prever que o mesmo acabará na mais triste tragédia. Um filme com uma fotografia lindíssima, com paisagens típicas do sul dos Estados Unidos, uma música adequadíssima ao filme, actores em estado de graça e com diálogos de antologia. Retenho o papel de Paul Giamatti, um traficante e vendedor de escravos que não hesitando em separar dois filhos de uma mãe, fá-lo não por desumanidade (nas suas palavras) mas porque o que ali está é uma mercadoria transacionável, um mero negócio feito para e com pessoas, e que não pode nem deve ter em atenção qualquer laço filial.
Também por lá anda o sempre seguro Benedict Cumberbatch, um dos patrões mais sofríveis que Solomon tem, e que possuidor de alguma sensibilidade e humanidade, oferece-lhe um violino, esperando que Solomon lhes proporcione com a sua musica... muitos anos de prazer. Terrível!São algumas das muitas cenas do filme, que nos mostram o lado mais negro e mais baixo a que a humanidade pode chegar!
Espero que a Academia reconheça o mérito deste filme e o premeie com vários prémios pois o mesmo merece-o. Mas se assim não for fica a satisfação de ver o mesmo esgotar salas de cinema. Afinal os filmes são para o público e não para os prémios da Academia. Um filme imperdível.
 


Outro filme que gostei muito  foi  O Lobo de Wall Street, filme também com várias candidaturas ao Óscar e que inclusive já deu a ao soberbo Leonarde DiCaprio o Globo de Ouro de Melhor actor precisamente por este papel baseado na  história verídica do corretor da bolsa nova-iorquino Jordan Belfort. É um caminho absolutamente tresloucado recheado de sexo, dinheiro, drogas loucura  e a mais pura e louca ganância empresarial.
Jordan Belfort passa de acções de pouco valor e dos ideais de justiça para as OPV e uma vida de corrupção, no final dos anos 80. O sucesso excessivo e a sua gigantesca fortuna aos vinte e poucos anos, enquanto fundador da corretora Stratton Oakmont, deram a Belfort o título "O Lobo de Wall Street", um filme do grande Martin Scorcese, candidato ao Oscar de Melhor Realizador, num filme imperdível, quanto mais não seja por durante 3 horas e meia, ficarmos submergidos num mundo que nunca pensarmos ter existido e que nos faz pensar que quando julgamos que o capitalismo selvagem já nos tinha mostrado tudo, há sempre mais uma pontinha do véu que pode ser levantada pela qual podemos espreitar e ver como meia dúzia de rapazolas inconsequentes que quem parece nem saberem onde têm o nariz a menos que seja só para snifar quilos de coca, conseguem em poucos anos alcançar fortunas incríveis e esbanja-las em sessões de sexo desenfreado, espectáculos com anões, prostitutas, bandas de música com os seus elementos todos nus, compra de megas iates, de mansões gigantescas de carros  de luxo, enfim de orgias absolutamente inimagináveis. Um filme que me surpreendeu desde o primeiro momento em que o magnifico Matthew McConaughey entra em cena (está apenas 15 minutos) e dá o mote a todo o filme. Como disse mais acima Leonardo DiCaprio está muito bem pois carrega todo o filme às costas conseguindo com grande credibilidade dar a vida a um homem que vivendo uma vida de absoluto e demencial excesso e desregramento punível com vários anos de prisão conseguiu mesmos assim com o seu livro inspirar uma série de jovens que não hesitam em seguir os seus métodos absolutamente condenáveis almejando riqueza instantânea numa procura do América dream. Um filme a ver com atenção.
 

domingo, janeiro 12, 2014

Apatia

S.Dali-Mulher à Janela
Desde o principio do ano da graça de 2014 que ando numa preguiça sem tamanho para escrever aqui neste cantinho. Dá dó tanta preguiça agarrada ao corpo e principalmente aos dedos. Olho para o teclado, surgem-me as ideias, mas não consigo escrever. Fico bloqueada, apática,olho em redor do meu escritório, todo desarrumado, porque as malditas obras ainda não terminaram, tudo está aqui encafuado e fico toda desencorajada. Para esta semana que entra parece que vou ter de novo a minha casinha. Só falta mesmo o chão e....finito.
Adeus sacos de entulho, adeus homens de piada pronta na língua, adeus afagadores, adeus tintas e pincéis.... Depois é limpar e arrumar tudinho. Vou aproveitar para modificar a decoração toda, colocar uns quadros, tirar outros, baralhar tudo, tirar tudo dos sítios e colocar coisas diferentes. Não vou comprar nada, porque por estas bandas está tudo falido, vou sim tirar coisas do armário, limpá-las e pô-las à vista. Vai ser uma festa! Depois vou-me sentar e apreciar, aproveitando para pensar como é que umas obras em casa transtornam tanto a nossa vida e põem a nossa psique em pantanas, pelo menos pôs a minha! Já tenho uma amiga que se prontificou a vir-me ajudar. Ela é toda de mudanças, e vai-me dar ideias. Eu sou daquelas que se habituam a ter as mesmas coisas nos mesmos sítios anos e anos sem as modificar. Tenho pena de as tirar dali. Talvez devido a ver muitos filmes, penso sempre que elas têm vida própria e ao tirá-las do sítio vou modificar toda a sua "vida". Manias! Desta vez vai mesmo ter de ser! Tenho ido ao cinema, mas nem me tem apetecido escrever sobre o que tenho visto. Fica só comigo. Penso que estou apática. Já me disseram para tomar complexo vitamínico, mas isso não vai lá com vitaminas, A,B,C, vai lá é com força de vontade, coisa que não abunda no meu corpo. Ontem fui jantar com uma amiga. Ela andava  toda entusiasmada a ver saldos. Eu acompanhava-a, mas não tinha entusiasmo nenhum. Uma mulher sem entusiasmo a ver roupa e sapatos  é sinal preocupante. Via e largava, via e largava. Até eu me assustei comigo própria! Que moleza é essa? Toca a arribar. Cruz credo!
Bem, já exercitei as falanges, já obriguei o cérebro a trabalhar, o melhor é não forçar muito. Para a semana há mais. Adeus e fiquem bem. 

segunda-feira, dezembro 30, 2013

Bom Ano de 2014

A UM dia de 2014, venho desejar a todos os meus leitores que este ano que se segue seja bem melhor do que foi o anterior...é sempre assim desejamos que o que entra seja melhor do que o que passou. Como não quero fugir aos clichés da época cá vai:
 
FELIZ ANO DE 2014
TUDO DE BOM!

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Algumas Fotos de 2013

Com o ano de 2013 a acabar, aqui vai algumas fotos da Reuters, que marcam em instantes o nosso mundo.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

BOAS FESTAS


Para todos os meus leitores venho desejar um FELIZ NATAL cheio de saúde, paz e muita alegria.

sábado, dezembro 21, 2013

Giorgione-A Adoração dos Pastores

Continuando a abordar aqui obras de cariz religioso e que têm a ver com a quadra que atravessamos, hoje trago-vos uma obra atribuída a Giorgione, denominada de A Adoração dos Pastores.
A autoria desta obra foi e tem sido muito discutida.
Há quem a considere uma obra de Giorgione, mas também há quem ache que a mesma  é de Bellini ou de Ticiano e que os mesmos a teriam realizado na sua juventude. No entanto as investigações mais recentes identificam a obra  como sendo de facto de Giorgione, pintor italiano nascido em  Castelfranco em  1477 , tendo falecido em  Veneza em  1510.
Conhecido como  Giorgione o seu nome era Giorgio Barbarelli da Castelfranco.
Giorgione  foi um pintor do Renascimentoo tendo  morrido com apenas 33 anos.
Apesar de ter falecido muito novo deixou uma obra  de alta qualidade e grande influência no seu tempo.
Nesta sua bonita e singela obra, vemos uma gruta escura que serve de moldura para albergar a Virgem, o Menino e São José, realçando-se as personagens pelo colorido do seu vestuário e pela luz que recebem. O mesmo não acontece com os animais do fundo da gruta que entrevemos com dificuldade na escuridão.
Giorgione representa o momento em que alguns pastores com roupas muito pobres param para adorar o Menino. Todas as personagens rodeiam o recém nascido, envolvendo-O no centro de um círculo que O agasalha. Uma atmosfera espiritual é transmitida através da prece dos presentes, bem como pelos pequenos querubins que se vêem sobre a rocha abrupta.À esquerda, uma deliciosa paisagem cheia de luz e frescura poderia identificar-se com a zona de Veneto terra natal do pintor.
Pequenos edifícios e personagens humanizam-no, embora mais não sejam do que pormenores que servem de apoio à cena principal que se desenrola em primeiro plano na imagem.
Um horizonte cheio de luz esbate em tons azulados e cinzentos as colinas do fundo da paisagem, imprimindo maior profundidade à cena. O tratamento naturalista da planície, com os seus contrastes luminosos, anima a composição e confere-lhe uma ampla perspetiva. Por sua vez os rostos, de perfil, e o olhar baixo de São José e da Virgem revelam a meditação em silêncio perante o milagre do acontecimento. Nas suas feições e vestes, aprecia-se a importância linear do traço aprendido com o mestre Bellini , no que respeita à cor e ao traçado.
Esta singela ,despojada, mas contudo muito  interessante obra denominada de "A Adoração dos Pastores" (1505/1510) é um óleo sobre Madeira e pode ser vista no National Gallery of Art em Washington.

A Propósito de Llewyn Davis


Ainda não o vi, mas estreou esta semana o novo filme dos irmãos Coen. Como esta dupla é uma das minhas preferidas a par dos manos Andy Wachowski, Lana Wachowski, e como quem já viu o filme fala muito bem dele e como o mesmo está bem lançado na corrida aos Óscares, deixo aqui o trailer deste A Propósito de Llewyn Davis, como sugestão de cinema para este fim de semana.
 

terça-feira, dezembro 17, 2013

Jean Bautista Maino-Adoração dos Pastores

Chegados agora quase ao Natal, irei colocar aqui alguns posts referentes a obras de pintores que consagraram muita da sua energia na criação de obras de cariz religioso. Grande apreciadora desse tipo de obra não pelo conteúdo em si, mas sim pela mestria, cor, pormenor e carinho colocado em muitas dessas pequenas obras primas, irei começar por esta obra de Jean Bautista Maino intitulada de "A Adoração dos Pastores".
A obra que aqui aparece é uma das obras principais deste pintor que se incluía no retábulo maior do Convento Dominicano de São Pedro, Mártir de Toledo, onde o autor viveu como monge. A composição está baseada numa sobreposição escalonada de planos, onde são apresentados os diferentes personagens. Deste modo, no plano central encontra-se a Virgem com o Menino, acompanhados por São José, que beija com ternura a mão do Menino, e para o qual um pastor se dirige respeitosamente com oferendas. Atrás de um muro baixo, uma vaca e um burro contemplam a cena. A nova mentalidade da contra reforma ignorada por El Greco, cuja arte era mais inteletual, reflete-se nesta obra, através de personagens com os quais o povo se poderia identificar. São José parece um camponês, os pastores parecem humildes trabalhadores arrancados à realidade, e os anjos situados em planos superiores, poderiam ser crianças comuns que  habitualmente, corriam pelas ruas das povoações. Trata-se de uma obra repleta de personagens e impregnada de um grande realismo. Os contrates luminosos criam grandes zonas de sombra, que se alternam com zonas de luz dourada que ilumina a cena.Essa iluminação é bem visível nos principais protagonistas. A Virgem, o Menino e São José, estão muito iluminados e encontram-se vestidos com roupas de tons coloridos, que relembram obras de artistas italianos com Artemísia Gentileschi.
O pastor do primeiro plano, algo cansado de uma longa viagem, descansa exausto junto à cena principal, com as oferendas que irá dar ao menino representadas através de uma pequena natureza morta.Podemos ainda apreciar aqui nesta tela o excelente trabalho de anatomia, revelando grande influência italiana na obra deste artista espanhol.
Esta tela "A Adoração dos Pastores", que é um óleo sobre tela tem as dimensões de 3.15x1.74cm e foi realizada por volta de 1611/1613.

O Grande Mestre

Assim que eu soube que um filme de um dos meus realizadores favoritos estava em cartaz pus-me no cinema em meia hora. O filme é "O Grande Mestre" do realizador chinês Kar Wai Wong. 
Sendo 'Disponível para Amar' um dos meus filmes favoritos e realizado pelo mesmo e tendo seguido atentamente a sua restante filmografia foi assim com prazer que fui ver esta sua última obra.Para mim, este O grande Mestre não é um filme de artes marciais no sentido a que nós damos a esse tipo de filmes. As fabulosas e ímpares cenas de combate à chuva, à neve ou dentro de um bordel, estão lá mas o que por detrás delas é uma coreografia única aliada a diálogos muito curtos mas muito bons, a actores em estado de graça e por onde perpassa a melancolia a guerra, a miséria, o orgulho e o amor nunca consumado já visível no Disponível para Amar, e que só este realizador consegue dar aquele toque especial, irrepetível , tornando-se quase a sua marca registada. A personagem feminina  Ziyi Zhang, fabulosa como sempre, transportado sempre com ela uma áurea de tragédia consumada no provérbio,'quando vais a procura de vingança cava sempre duas sepulturas'.
Traçando a história da China durante os anos da ocupação chinesa, vamos conhecendo a ascensão deste Ip Man,Tony Leung grande mestre,  conhecido por ter sido professor de artes marciais de Bruce Lee, um homem que pautava a sua vida pela entrega total a códigos de honra e de conduta únicos. Um filme  lindo, com imagens únicas onde os pequenos pés daquelas mulheres e os olhares daqueles homens, nos fazem sentir esta arte única que é o cinema e onde Kar Wai Wong, tem já colocada a sua marca.Fabuloso!

quarta-feira, dezembro 11, 2013

Nadir Afonso

Nadir Afonso nasceu a 4 de Dezembro de 1920 e morreu hoje com 93 anos de idade. Tendo passado a sua  infância na cidade de Chaves, sua cidade natal, Nadir Afonso foi viver mais tarde para o Porto onde estudou arquitectura na Escola de Belas-Artes. Estudou também em França na escola de Beaux Arts, travando neste país conhecimento com alguns dos artistas da vanguarda internacional. Trabalhou também no brasil,com o grande arquitecto Niemeyer mais concretamente em São Paulo.  Entre 1952/54 Nadir Afonso decide abandonar definitivamente a arquitectura para se dedicar apenas e só à pintura, conseguido que as suas obras fossem expostas nas mais conceituadas galerias, nomeadamente em França.
Talvez devido à sua formação na arquitectura Nadir Afonso sempre criou obras muito lineares, sobressaindo  sempre rectas de linhas extremamente geométricas  de uma perfeição  ímpar.








São linhas  muito sóbrias, e onde a tonalidade do azul,  do vermelho e do amarelo  realçam-se sobre um fundo claro. São telas cuja luminosidade atraem o nosso olhar e dá vontade de nos quedarmos perante elas num silêncio reverencial.
Sendo uma obra muito cosmopolita, ela estende-se por várias cidades do mundo, existindo em Portugal telas de Nadir Afonso espalhadas um pouco por toda a parte. É um artista do mundo aquele que faleceu hoje, cuja obra  é única na sua candura, perfeição e harmonia.

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Um Homem Bom

Nelson Rolihlahla Mandela
1918-2013
Excepcionalmente um Homem Bom.
Um belo exemplo para o Continente Africano que infelizmente não fez, não faz e penso que não fará escola.
 Uma pena!
Paz à sua Alma

Uma Bela Constipação

A constipação e é das coisas mais incómodas que um ser humano pode sentir, exceptuando os dias em que as mulheres estão com o período menstrual. Ela pega-se através de outras pessoas, ou por resfriados, ou por estarmos sujeitos a correntes da ar, sítios húmidos, passarmos de ambientes frios para quentes e vice-versa, estarmos fragilizados, mal agasalhados, enfim...não faltam motivos e justificações. O mais engraçado é que quando a temos surge a pergunta inevitável: onde apanhaste isso? A vontade e dizer é:Não a  apanhei ela é que me apanhou, pois ninguém quer apanhar essa coisa e muito menos eu que a tenho há 3 dias e ando doidona com ela.
 Pinga o nariz, sentimos todas/os entupidas/os, não há lenço de papel que chegue, bebemos litradas de chá, ingerimos colheradas e colheradas de mel, bebemos leite com mel, até à náusea, tomamos comprimidos, agasalhamo-nos imenso, queremos é estar na caminha todo o dia, estamos irritadiços e quando já julgamos que atingimos o nosso ponto, acordamos com febre e vimos que a coisa não melhorou, mas descambou isso sim para uma bela gripe!
 Eu estou nesse ponto, no ponto do descarrilanço para a gripe. Ontem tinha uma consulta que não tinha a ver com a maldita constipação/gripe , mas aproveitei para pedir ao médico tudo e mais alguma coisa para o raio da gripe , mas que não incluísse os incontornáveis antibióticos.
Ele muito amoroso, lá me deu um anti-estamínico e umas gotas  para o nariz que está todo entupido. Dormi melhor, mas ainda estou muito entupida e sem cheiro algum. Eu quando estou assim com constipação/gripe/horror, fico sem cheiro logo, loguinho. Bem pode a casa pegar fogo que a menos que eu veja o fumo, não o sinto. Passo a viver num mundo sem cheiros e a sensação é horrível de facto só damos conta da importância de pequenos nadas que nos rodeiam, quando os deixamos de ter. A comida é ingerida sem sentir qualquer saber, vou à rua e tudo passa por mim roçando à indiferença, porque não estou em mim, falta algo de mim e dou conta que tenho apenas 4 sentidos que sem o outro, como que também entram em falência. O que vejo não me impressiona, o  que oiço não me agita o que como não me satisfaz. Anseio para que me cure rapidinho, porque quero voltar a mim mesma. O apetite vai-se, passamos pelas comidas sem vontade de as consumir e  pelas pessoas sem vontade de com elas socializarmos. Estou no pico da minha gripe e se não fosse por ter as malditas e infindáveis obras em casa estaria na cama, tapada até às orelhas hibernando como um urso. Mas, não posso fazê-lo, posto que agora estou na fase da colocação de cimento nas paredes, para tapar os canos novos que foram colocados. Depois vem a vez do 'reboco' (parece que é assim que se diz), depois a fase do 'lixar' as paredes e lixar-me a vida, depois a fase das pinturas, depois vem o chão e se Deus quiser lá para Janeiro terei a de novo a minha rica casinha tal como a conheço, pois apesar de ter pedido ao Pai Natal que como prenda me desse a casa arranjadinha no dia de Natal, ele escreveu-me a dizer que o que eu pedia era típico do delírio febril das que como eu estão imersas numa tremenda gripe. E com isso arrumou-me a um canto!    

Alentejo


No Alentejo há sempre Tempo para Tudo! Filme de promoção ao Alentejo, muito bem feito. Parabéns a quem o realizou.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Félix E.Vallotton-Banhista ou a Fonte

Félix Edouard Vallotton, pintor e gravurista  suíço (1865/1925), figura muito conhecida pelo incremento que deu à xilogravura moderna , criou ao longo da sua vida obras muito suis generis e disso é exemplo a imagem que aqui aparece numa tela sua, pintada a óleo, em que vemos uma mulher que deitada sobre uma praia de areias escuras recolhe os braços debaixo do peito e escondendo o rosto, mostra o seu corpo em plena nudez de costa, erguendo as pernas para o ar.
Apesar de a mesma se encontrar totalmente nua há um recato na sua imagem, talvez pela forma como a mesma esconde o rosto, os seios e a parte púbica, apenas mostrando as suas nádegas. Os pés juntos e erguidos fazem lembrar a posição de uma miúda que esconde a sua nudez por detrás de alguma timidez e pudor. Ao longe vemos um pequeno vislumbre de água.
Félix Vallotton ficou também conhecido pelos suas magníficas paisagens e  pôr do sol de uma luminosidade ímpar.
Esta bonita e misteriosa tela denominada de Banhista ou a Fonte é tal como  o tinha dito um óleo sobre tela e faz parte de uma Colecção Particular.
Seguem-se algumas das Paisagens deste pintor.





 
 

domingo, dezembro 01, 2013

Paul Walker

Paul Walker, morreu ontem com 40 anos. Eu gostava imenso dele não pelos filmes "Velocidade Furiosa"(saga que não aprecio) mas sim por um filme que quando o vi e mais tarde vi à venda adquiriu logo e que se chama "Antárctida- Da Sobrecivência ao Resgate"(2006).
 Adoro esse filme, não porque tenha algo de muito profundo , mas porque tem os cães mais fiéis e amorosos que me foram dados a ver em cinema, e porque o Paul Walker faz o papel de um homem que por causa de uma acidente no gelo é salvo pelos seus cães e tendo  que os deixar para trás não descansa enquanto não volta à Antárctida para os ir buscar. Lindo! Fiquei muito triste pela morte deste actor porque ele estava a dar mostra de crescimento cinematográfico começando a deixar para trás esses filme "a Vin Diesel" seguindo outros caminhos. O filme "Horas, um trilher, que irá estrear em Portugal em Janeiro do próximo ano dava provas disso mesmo. Que pena!
Outro James Dean a morrer dentro de um carro lançado a grande velocidade. E segundo consta nem era ele que ia a guiar. Enfim.... 
Vive depressa e morre ainda mais depressa... parece ser o lema desta nova geração!
Paz à sua alma.
Deixo aqui algumas imagens do seu último filme, "Horas".
 

terça-feira, novembro 26, 2013

O Emprego

Penso que da maneira que isto está em termos de desemprego, já faltou mais para entrarmos na situação aqui retratada por este magnífico filme de Santiago Bou Grasso.
 

sexta-feira, novembro 22, 2013

Henry Moore-Figura Reclinada

A excelente obra escultórica de Henry Moore encontra-se espalhada por quase todo o mundo.
Em Portugal podemos vê-la entre outros sítios,nos jardins da Gulbenkian e no Centro Cultural de Belém. São obras magníficas e todas com o traço inconfundível do artista, que é o de nunca se afastar da forma humana por  mais abstrata que a obra fosse. Assim, na escultura de bronze que aqui aparece podemos ver zonas cheias e vazias  dentro do corpo reclinado de uma esplendorosa mulher.
Henry Moore nunca pretendeu revolucionar  o mundo escultórico, pois, de facto, nesta obra e noutras da sua autoria o mesmo mostra ser herdeiro dos grandes nus que foram realizados ao longo dos  séculos e em que o mestre Rodin está sempre presente.
Uma obra grandiosa!

terça-feira, novembro 19, 2013

quarta-feira, outubro 30, 2013

Susana e os Velhos

A.Gentilechi-Susana e os Velhos
Susana e os Velhos é um episódio bíblico que serviu ao longo dos tempo como tema de pintura para muitos artistas, como foi o caso de: Rubens,
Tintoretto,
Rembrandt,
Guercino,
Sisto Badalocchio,
Lorenzo Lotto,
Artemisia Gentilechi,
Guido Reni,
Gerrit-Van-Honthors, Aniballe Carracchi, entre tantos outros.
É um episódio de cariz moral que nada mais é do que o triunfo da virtude sobre a cupidez e a calúnia. Este episódio bíblico reza assim: reza assim: 
Susana disse às jovens: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as por­tas do jardim, para eu tomar banho.» 
Fizeram o que ela tinha mandado e, tendo fechado as portas do jar­dim, saíram pela porta tra­seira, para irem procurar o que lhes tinha sido pedido; não sabiam que os anciãos estavam lá escondidos.
 «As por­tas do jardim estão fechadas, nin­guém nos vê. Nós ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós. 
Se não quiseres, vamos denunciar-te. Di­­re­­­mos que um rapaz estava con­tigo e que foi por isso mesmo que tu man­daste embora as criadas.» 
Su­sana bradou angustiada:
 «Estou su­jeita a aflições de todos os lados! Se faço isso, é para mim a morte. Se não o faço, nem mesmo assim vos escapa­rei. 
Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que pecar aos olhos do Se­nhor.»
Susana vai a julgamento e é  o surgimento de  Daniel a mando de Deus que questionando os juízes sobre essa calúnia e acusação dão a possibilidade de todos conhecerem a falsidade da acusação e salvar Susana da morte.
É pois um episódio de cariz moralista que  que mostra que mesmo os mais velhos religiosos podem sucumbir às tentações da carne e que Susana ao não se entregar a esse assédio, mesmo correndo risco de vida teve a merecida recompensa por parte de Deus: O salvamento da sua vida e da sua alma, casta e pura.
Ora, este tema vai fazer as delícias de muitos pintores e tanto Rubens como Tintoretto, criaram belíssimas obras que nos dão também uma visão das várias escolas de pintura existentes na Europa. É no Museu do Prado que podemos ver algumas das obras destes pintores e do tema aqui em causa.
No filme aqui exposto, poderão então ver algumas das muitas obras que se criaram em torno deste tema.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Capitão Philips

Ontem fui ver a última obra do realizador Paul Greengrass, este novíssimo "Capitão Philips" com um soberbo Tom Hanks no papel  principal coadjuvado com uns brilhantes actores novatos somalis que recrutados nas ruas de Nova Iorque recriam de uma forma fantástica o que aconteceu em 2009, quando o navio cargueiro  Maersk Alabama é tomado por 4  piratas  oriundos da Somália obrigando à intervenção de meios navais e aéreos para resgatarem Eric Philips das mãos desses 4 homens.
Quem vai ver os filmes deste realizador, (Ultimato, Sopremacia Bourne, Voo 93, entre outros) já sabe que vai ter muita acção, mas uma acção com pés e cabeça que é o que acontece aqui.
De facto e independentemente das polémicas que têm girado em torno deste Capitão Philips,( rola em tribunais americanos uma queixa contra Eric Philips, pelo facto do mesmo se ter abeirado demais das costas da Somália pondo em perigo o navio e a respectiva tripulação), penso que o realizador não 'toma as dores' de nenhuma das partes.
 Por todo o filme perpassa a ideia que todos têm as suas razões e se nos choca o modo como o navio é tomado e a postura desses piratas, tanto na perseguição tenaz que fazem  ao navio, assim como na sua tomada, não deixa de ser verdade que as condições de vida na Somália entregue a senhores da guerra extremamente violentos e  que não hesitam em atirar jovens rapazes para barcos potentes em busca de navios para assaltar e roubar, nos levam a  reflectir  e passar a ter uma visão bem mais ampla do que nos é dada quando no recesso do nosso lar vemos ou lemos com algum choque  que hoje em dia a pirataria grassa em certos mares e os cuidados que agora é preciso ter para que em algumas rotas marítimas os navios chegam sãos e salvos ao seu destino.
Apercebemo-nos também que a predação que existe no que se refere às pescas, feita por grandes navios pesqueiros depaupera que tal modo certas águas do corno de África que em  muitas dessas populações nada mais resta do que o saque. Esse saque é feito então a grandes navios que cheios de contentores que nos trazem tudo aquilo que necessitamos, nada mais são que uma grande possibilidade que poderá render a esses povos algum dinheiro, seja pelo roubo aos mesmos, seja pelo resgate dos seus tripulantes, como aqui acontece ao Capitão Eric Philips. 
Ora, o que  Paul Greengrass faz é precisamente mostrar ambos os pontos de vista em não é sem razão que logo no início do filme é-nos mostrado em  paralelo a partida do Maersk Alabama para fora do porto de Abu Dabhi com a partida dos piratas para o mar.
 São duas visões diferentes de uma realidade que se vão chocar em pleno mar. Quando ambos os homens se vêm através dos binóculos um tentando salvar o seu navio e fazendo tudo para se pôr em fuga e o outro arriscando a vida para saltar para dentro desse mesmo navio, o que ali está é um choque civilizacional em que a sensibilidade do realizador vai ao ponto de nesse momento não sentirmos qualquer aversão a esses piratas, mas somente pena por seres humanos tão jovens ( a média de idades desses piratas rondava os 18 anos!!!) arriscarem a sua vida por algo tão pouco, visto que o navio levava muito pouco dinheiro.
 São os efeitos de uma globalização, posto que esses povos com grandes carências a todos os níveis vêm passar continuamente nos seus mares grandes navios, carregados com tudo aquilo que eles nunca poderão ter e onde a cobiça se mistura com a extrema necessidade, criando o inevitável caos.
É pois nesse complexo xadrez, que vemos um magnífico Tom Hanks,  em confronto com o excelente Barkhad Abdi no papel de Muse o chefe dos piratas, que às páginas tantas se vêm atirados para algo que os ultrapassa num turbilhão de ideias e culturas diferentes que só poderia acabar em tragédia.
Não deixo de notar aqui que para mim os melhores diálogos são entre Eric Philips e Muse, principalmente dentro do pequeno navio salva vidas em que os piratas fogem com aquele último e que às tantas e em resposta ao desafio que Eric Philips faz a Muse para se render, deixar a pirataria e procurar uma vida melhor este responde de uma forma fatalista: Maybe America, Maybe America...
 Os 15 minutos do filme são  soberbos e penso que garantirão a Tom Hanks o Óscar de Melhor Actor.
Estão de parabéns o realizador, e todos os actores envolvidos nesta história verídica que deveria ser vista por muitos dos nossos jovens que agarrados a bens de consumo adquiridos por meia dúzia de euros, nem se dão conta de como outros jovens do outro lado do mundo vivem sonhando com uma  Europa  e uma América que tal como Muse apenas a verão por 33 anos dentro dos pátio de uma prisão. Um filme para  ver e  reflectir.



George Grosz- Cena numa Rua de Berlim

Se estivermos bem atentos a esta obra do artista alemão George Grosz, nascido na  em Berlim, a 26 de Julho de 1893  e falecido em  Berlim Leste, 6 de Julho de 1959, vemos uma cena muito pitoresca apesar do seu traço algo caricatural. Assim, temos uma muito elegante e bem vestida senhora  que de saltos altos e grande estola de pele sobre um bonito e bem traçado casaco claro, empina o seu nariz arrogantemente a um senhor de também boa aparência que retribui ao seu olhar piscando-lhe um olho. A cena passa-se numa rua de Berlim, que vai dar título ao quadro. Estes elegantes personagens estão tão interessados nessa troca de olhares e de piscadelas de olhos que não dão conta de um velho cabeçudo, de dentes amarelecidos, nariz vermelhusco e algo esquelético que lhes estende a mão pedindo uma moedinha.
Ora essa cena mordaz e caricata nada mais é do que uma crítica de George Grosz às terríveis condições de vida a nível social e económico que se vivia na sua Alemanha natal após a I Guerra Mundial.
Nesse sentido esta estranha e perturbante obra acaba por ser uma sátira à depravação do  período em causa e à miséria que grassava  neste seu país.
É também uma das muitas obras que este artista/caricaturista criou, mostrando dessa forma  uma sociedade decadente, com uma moral que deixava muito a desejar.
 De crítica em critica de caricatura em caricatura George Grosz acabou por emigrar para os E.U.A, onde prosseguiu o seu trabalho artístico, extravassando os seus ódios de estimação e combinando a sátira com o romantismo.Realço que este artista alemão tendo começado a sua carreira como caricaturista, acabou por se tornar membro do grupo Dada de Berlim, após o ano de 1918.
 Esta aguarela, tinta e óleo sobre papel denominada de Cena numa Rua de Berlim faz parte de uma Colecção Particular.