sábado, agosto 30, 2014

Destruição de Mitos

Criou-se há muito, mas muito tempo atrás este bizantino mito de que são sempre os homens a esperar pelas mulheres quando vão ambos sair. Vemos isso em filmes, em que invariavelmente o homem está na sala fumando cigarros atrás de cigarros em furiosa impaciência enquanto a sua senhora está sentada em frente a um espelho  arranjando-se calmamente como se nada fosse,vemos isso em cartoons
banda desenhada, anedotas, etc, etc. Até no momento do parto vemos os pobres coitados roendo as unhas até ao cotovelo ou fumando o sempre eterno cigarro, enquanto a mulher (quase fazendo-o propositadamente!!!) pare calmamente um filho!
 Sempre vi essa imagem e durante muito tempo enraizou-se em mim que tal coisa acontecia mesmo.... até ter um homem que vai ao arrepio de tudo o que até aí tinha visto e ouvido.
Pela primeira vez vi uma mulher  (moi) esperando sempre pelo seu homem. Sou eu que quando vamos sair para fim de semana ou até para um simples passeio  me levanto mais cedo, sou eu que tomo banho primeiro, sou eu que me arranjo num ápice e sou eu que sempre mas sempre espera por ele. Quando digo espera é mesmo espera! Do género estar a escrever este post enquanto o homem se arranja. Não é que ele seja um metrossexual, um David Beckham que pelo que me consta está tempo infinitos a colocar cremes anti tudo e até vai ao pormenor de escolher  a dedo e com as cores certas a roupa interior (dixit Victoria Beckham),...não, não é nada disso!
O meu  homem é simplesmente lento no acordar, lento no arranjar o saco, ou a  mala, lento em tomar o pequeno almoço, lento em arranjar o necessaire, lento em sair de casa. Eu, mais expedita, já nada digo. Arranjo-me e fico a ler uma revista, um livro, a ver televisão ou a ir tomar o pequeno almoço quando estamos num hotel e quando volto ver ainda  o homem feito uma barata atarantada a rolar pelo quarto sem saber bem o que fazer, de tão estremunhado de sono.
O mito da sempre eterna espera das mulheres pelos homens foi deste modo estilhaçado na minha cabeça, nada restou e  pior, passei a generalizar a coisa.
 Para mim, são sempre as mulheres as que esperam pelos homens e não o contrário. Qual Penélope que passou anos esperando pelo seu Ulisses, eu não me ponho a tecer uma manta, fico é a pensar quantos mitos acerca de ambos os sexos ainda persistem, mitos completamente estapafúrdios e que nada têm a a ver  com a realidade, como por exemplo o mito de serem sempre os homens a comporem, a arranjarem tudo em casa, enquanto as mulheres ficam sentada a dizer: mais para a direita, mais para a esquerda...bolas este quadro não está nada centrado...e outros disparates do género!
A destruição deste embuste ficará para um outro post, em qua aí também irei dizer o que realmente acontece!

segunda-feira, agosto 25, 2014

Ideias Desperdiçadas

O que mais me irrita em Luc Bresson é ver o mesmo ter boas ideias como  roteirista e depois quando passa as mesma à realização o resultado ser  uma boa  m.......!
Aqui enquadra-se este seu novo filme o Lucy com a  Scarlett Johansson, que descobri ser muito  multifacetada  pois tão depressa está a fazer obras incríveis como o seu último filme denominado de  "Debaixo da Pele", como rapidamente passa a estar em estado catatónico como mulher que atinge os limites das suas capacidades mentais atingindo os 100% e passando a ser qualquer coisa que nem ela e muito menos nós como espectadores sabemos bem o que é isso.
Este Lucy é um flop na minha modesta opinião. Tal como outros filmes do realizador, a coisa até começa bem, as ideias são boas, a fotografia é do melhor que há, mas depois Luc Bresson achando que tem que vender o filme e até a ideia aos americanos (a série  'Nilkita' rendeu-lhe bom dinheiro, pois a ideia original é dele, assim como outros filmes) e sabendo como esses são chegados em tiros, correrias  de automóveis, muita ficção científica de pacotilha, embrulhada com algumas ideias intelectuais, e onde aparece sempre um professor universitário para dar substância a coisa, vai daí e toca a pôr a nossa heroína a  ser uma super mulher, a guiar feita uma maluca destruindo Paris inteira,(ah...já tínhamos visto isso nem Táxi, também do mesmo realizador!) a lançar bandidos ao ar, a transfigurar-se de loira a morena, misturando tudo isso com muitos tiros , mafias chinesas com gente  má como cascáveis, muito sangue e morte.
Saí do cinema  híper desiludida, pois para além de gostar deste realizador apesar dessas maluqueiras e vaipes que lhe dão constantemente, esperava muito mais da história  até porque lá estava o grande Morgan Freeman e a belíssima Scarlett Johansson.
 Contudo, reconheço que a culpa é minha por reincidir nos filmes de Bresson. Já devia estar precavida devido ao "5ª Elemento", outro filme de ficção científica que até tinha uma ideia boa, mas completamente estraçalhado pelas correrias e tiros a despropósito e pela "Joana D'Arc", outra desgraça, mas mesmo assim minimizada pela prestação dos actores Milla Jovovich e John Malkovich.
Sem me armar a intelectual, (que não sou nada dada a isso) aconselho a quem  quiser estar duas horas a apreciar o corpão da S. Johansson e ver  de passagem o  talentoso  Morgan Freeman  completamente perdido no meio desta desgraça a dirigir-se ao cinema mais próximo e pedir um bilhete para este Lucy pois não é por aí que vai o "gato às filhoses" e até acabará por ver fotos  lindíssimas do nosso planeta, mas quem quiser ver um bom filme...olhe vá ver o "Belém", "O Homem mais Procurado" ou o "Ilo Ilo".

sábado, agosto 16, 2014

O Homem Mais Procurado

Com realização do cineasta holandês Anton Corbijn conhecido pelos filmes 'O Americano' e 'Control '(sobre a vida do vocalista dos Joy Division,Ian Curtis) está desde a semana passada em cartaz o filme O Homem Mais Procurado.
Fui vê-lo ontem e gostei muito. Não é um filme para quem gosta de correrias, tiros, sangue, mulheres fatais,homens bonitos ...e tutti quanti. Tirado de uma das obras de John lé Carré que aparece também nos créditos se não me engano como um dos argumentistas, o filme é lento,t riste, pesado, doloroso, passado numa Hamburgo portuária, muito propícia a esse tipo de ação, Hamburgo essa que não é a dos cartazes turísticos, e com esse 'monstro sagrado (pelo menos para mim) que é  o já infelizmente  desaparecido Philip Seymour Hoffman , num dos seus últimos ou mesmo o último papel, onde já o vemos, muito pesado, muito triste, fumando e bebendo compulsivamente e com grande prazer, parecendo e talvez mesmo carregando o peso do mundo, e que leva magistralmente o filme às costas, coadjuvado por uma radiosa e sempre fantástica Nina Hoss ( adorei-a vê-la no filme Bárbara), William Dafoe (sempre muito seguro de si) Daniel Brühl  (adoro este actor desde que o vi em Adeus Lenine), Raquel Adams (linda e soberba actriz) e the last but no the least a grande Robin Wright, que aparece pouca vezes, mas quando o faz tem a segurança permanente de uma grande senhora do cinema, muito pouco aproveitada no meu ver.
O filme tem a precisão de um relógio suíço. Tudo se encaixa no seu devido lugar. É um puzzle intrincado, mas perfeitamente compreensível, e o  que ali vemos é um jogo de espiões que espiam outros espiões, onde nada é o  que aparenta ser, toda a gente mente a toda a gente, há enganos e traições, há gente graúda ( os barracudas, como alguém a páginas tantas diz) tentando lixar os mais pequenos tudo em  proveito próprio, e onde nesse jogo de enganos o personagem principal, um desgraçado  imigrante, meio-checheno, meio russo que aparece em Hamburgo reclamando uma herança do pai,  e sendo o tal homem muito procurado, acaba por ser o verdadeiro personagem digno da nossa compaixão.
De referir que o filme implicitamente ou não tão implicitamente assim abre as feridas deixadas pelo 11 de Setembro, acontecimento dramático este que veio abrir as portas ao total desrespeito pela liberdade dos cidadãos, tudo em nome da segurança e da luta antiterrorista, luta essa que muitas vezes nada mais é do que o espiar indiscriminadamente a vida alheia.
Está de parabéns o realizador, porque o  filme é mesmo muito bom, está de parabéns todos os actores  e durante o visionamento do filme não me cansava de pensar como de facto há actores que passam por este mundo como cometas fulgurantes e quando nos deixam prematuramente legam obras de grandeza   incomensurável, e neste caso enquadra-se  perfeitamente o malogrado ator  Philip Seymour Hoffman. Que actor fantástico que ele era!
Um filme a ver com atenção.

segunda-feira, agosto 11, 2014

Belém


Está em exibição um filme muito bom e tal como já o tinha dito em anterior post cinematográfico, muitos bons filmes estreados nesta silly season correm o risco de passar despercebidos não só pelo mês que é  mas também por ficarem submersos por estreias  de blockbusters, o que é pena, pois este Belém do realizador israelita Yuval Adler  é Magnífico, magnífico e terrível, pois o que ali vemos não só ajuda a compreender e muito o conflito israelo/palestiniano que dura há décadas, como nos dá  uma perspetiva de ambos os lados da barricada sem que o realizador penda para qualquer dos lados, o que é algo de muito difícil de ser feito dado o mesmo ser judeu e ter podido cair na tentação de ser faccioso. Refiro que esta é a primeira longa metragem de Yuval Adler que partindo da sua própria experiência pessoal como alguém que sempre viveu este conflito, fez uma pesquisa vastíssima, assim como ouviu vários testemunhos antes de realizar o filme. 
 Tal não acontece aqui, e o que vemos (já o mesmo se passava no também magnífico Omar do realizador árabe  Hany Abu-Assad  (candidato ao Oscar de melhor Filme estrangeiro) que já nos tinha dado o soberbo Paradise Now, é a duplicidade, o engano, a mentira, as lealdades algo trocadas, o patriotismo exacerbado , num conflito quase que incompreensível para nós, visto que aquelas pessoas que  vivem paredes meias umas com as outras mas, possuem contudo pontos de vista diametralmente opostos e  muito dificilmente algum dia viverão em paz e harmonia!
Este Belém mostra-nos a relação e amizade entre um judeu de seu nome Razi (Tsahi Halevi um operacional das secretas israelitas e Sanfur (Shadi Mar'i), cada um deles travando conflitos vários, que vão da descoberta de actividades terroristas por parte de Razi, e a denuncia dos seus, por parte de Sanfur, ambos procurando ser mais do que informador e informante, vivendo ambos no fio da navalha e em que as mortes, as traições, os conflitos de consciência e as lealdades várias pastam em terrenos totalmente minados pela desconfiança, a violência, o ódio quase irracional, e por fim a morte.
Um filme fantástico, muito duro, triste, pesado, muito bem realizado e com atores em completo estado de graça. Adorei a prestação de Shadi Mar'i, um soberbo jovem ator, uma presença marcante no êcran, com uns fantásticos olhos  tristes onde nele vemos todo o horror da guerra e por onde perpassa a desesperança total no ser humano.
O filme ganhou seis prémios da Academia do Cinema Israelita, incluindo os de melhor filme, realização e argumento (co-escrito por Adler e Ali Wakad). Foi ainda apresentado na selecção oficial do Festival Internacional de Cinema de Toronto e nos Dias de Veneza
 Uma obra Magnífica!

domingo, agosto 10, 2014

Cenas da Silly Season

Um casal amigo que tinha estado em Cabo Verde já me tinha falado nessa nova "moda", mas uma coisa é a pessoa ouvir falar nela e outra é depois senti-la e vê-la em ação. De quê que vos falo? Perguntam vocês já todos curiosos? Pois, meus amiguinhos/as falo-vos desta mania terrível que parece que pegou de estaca e se está a espalhar por todo o lado que é a da marcação de lugares em piscinas de hóteis e afins! O que é ainda pior é que a mesma não é  perpetrada por portugueses( pelo menos no aparthotel onde eu estive em Albufeira nem se viam portugueses) mas sim por: ingleses, alemães, polacos, holandeses, russos e demais estrangeiros que enxameiam as terras algarvias por esta altura, em busca de sol e que pelo que me foi dado a ver algo estupefacta em busca de um belo cancro de pele, tal era a quantidade de horas de exposição ao rei sol que essas pessoas de pele tão clara se sujeitavam durante horas infinitas!
Contudo, o que aqui vos quero falar não é de cancro de pele mas é do seguinte. Criou-se agora um hábito que é de pessoas (reitero na sua maioria estrangeiros), se levantarem muito cedo, não para tomarem o breakfast, e gozarem o nascer do sol que é sempre tão bonito e faz tão bem à alma, mas sim para irem diretos à piscina e arrastando um grande saco cheio de toalhas, marcarem lugar nas cadeiras que bordejam a dita cuja, chegando ao cúmulo (eu vi isso com os meus olhos castanhos) de marcarem 7/8 cadeiras de enfiada, não deixando algum lugar para as almas (eu incluída) que estão refasteladas na cama, se levantam calmamente e após a sua higiene degustam um bom pequeno almoço e só após isso se dirigem  calmamente para o merecido repouso numa cadeira de piscina.
Pois é! Querem estar deitados à beira da piscina? Pois tivessem feito como nós, que tiramos o nosso alvo rabo inglês/escandinavo/holandês/ russo etc, da cama e viemos aqui meio a dormir e meio acordados marcar as nossas cadeirinhas!
E o que resta ao indígena português e a alguns estrangeiros que se portam bem e que por acaso leram o cartaz enormíssimo que se encontra à entrada da dita piscina (em 3 línguas!!!!) proibindo tal prática? Ir para a praia mais próxima, porque esses que marcaram de madrugada o seu lugarinho à beira da água têm o desplante de nela permanecer durante todo o dia!!!indo almoçar e ficando lá as ditas toalhas a marcar o lugar e se for preciso, irem dormir a sesta para o quarto, ficando lá as toalhinhas a marcar o lugar, e se for preciso irem lanchar, ficando lá as toalhas a marcar o lugar, e só as mesmas não ficam de um dia para o outro, porque...o zelador do espaço as retira das cadeiras porque as mesmas têm de ser lavadas!
É só por isso, porque se não fosse por esse pequeníssimo pormenor os lugares eram marcados durante toda a estadia dessas pessoas que não têm a mínima decência, educação e procedem como se tudo aquilo fosse deles, não se dão ao trabalho de ler os avisos em várias línguas  proibido essas práticas monopolistas, e se houver alguém que farto disto tudo  retirar as ditas toalhas marcadas fica sujeito a levar na cara um belo de um murraço como já me foi contado por uma amiga minha que presenciou uma cena de pugilato entre um cidadão da rússia e um português que retirando a toalha para se deitar, foi sujeito a dois belos murros e um pontapé que o lançou para a piscina, tudo dado pelo cidadão russo que não se coibiu ainda de cuspir para dentro de água com o português assustando  tentando de lá sair.
Pois meus bons amigos, eu não vi cenas de pugilato, vi foi gente marcar lugares na piscina do aparthotel onde eu estive às 8.30 da manhã e só as retirar quando o espaço fechava, e teve um dia que eu, o  meu companheiro e demais amigos tivemos que rumar a outras paragens porque ali não havia lugar para nós às 10 horas da manhã!
Como podem ver tudo cenas muito edificantes neste lugar à beira mar plantado e num aparthotel de 4 estrelas onde eram suposto haver gente com alguma educação, mas pelos visto eu é que sou muito naif e ainda confundo dinheiro com alguma educação e decência que como é óbvio nada têm a ver umas coisas com as outras!
 O pior é que a epidemia já se espalhou e qualquer dia para se conseguir arranjar um lugarinho numa espreguiçadeira à beira de uma piscina o melhor  é mesmo começarmos a dormir à porta da dita cuja, pois assim temos a certeza que apanharemos lugar! Enfim....cenas da silly season!

quinta-feira, agosto 07, 2014

Aí ....Dona Inercia

Pelos vistos a Dona Inercia...perdeu tudo!
Só Rir!

domingo, julho 27, 2014

Na Praia

Antes de ir a banhos não resisto a colocar aqui duas telas  realizadas por   dois pintores que gosto muito. Um já abordei aqui em post anterior, falo-vos do pintor francês  Gustave Courbet e a  outra é do pintor americano, William Merrit Chase, que ganhou merecida  fama pelas belíssimas telas de mulheres, trajando quase sempre  garridos vestidos e cuja paleta cromática é qualquer coisa de outro mundo. Também as suas maravilhosas telas retratando cenas de interior são de uma beleza ímpar.
Na tela que aqui aparece,denominada de 'Na Praia', William Chase  pinta mais uma vez uma cena passada numa praia de Long Island, praia essa muito usada por si para realizar obras absolutamente fantásticas. Este pintor usava muitas vezes esta praia como cenário das suas cenas familiares, uma vez que deu aulas num centro aqui existente durante vários anos, sendo que muitas das aulas eram dadas ao ar livre.
A obra que aqui aparece, mostra uma típica praia em época da Primavera, quando ainda não está muito calor para se tomar banho, mas já suficientemente agradável para se estar sobre a areia a apreciar o mar. Assim o que aqui vemos são mulheres e crianças vestidas e com grandes e garridos chapéus a protege-las do sol forte. Sopra um ventinho forte que vai fazer com que as sombrinhas decoradas com motivos orientais e bastante garridos estejam completamente tombadas. As crianças divertem-se com a areia, enquanto as progenitoras de costas para nós vigiam-nas. O céu azul coberto parcialmente por nuvens brancas, não é impeditivo que o sol brilhe com toda a intensidade. O mais incrível nesta tela é a sensação de movimento que o artista dá às suas personagens e às sombrinhas que parecem voar com a força do vento. Por sua vez  à esquerda da tela vemos uma mulher vestida de branco que devido ao vento parece estar prestes a cair sobre a areia!
Uma tela linda que só um grande pintor consegue criar e dar-nos a sensação que de um momento para o outro aquelas mulheres recolherão os seus pertences e se encaminharão na nossa direcção!

A outra tela que aqui surge, de Gustave Courbet, intitulada de 'Praia da Normandia', foi realizada no seu atelier e nela o artista faz uma evocação do tempo em que esteve a viver por essas bandas, após ter fugido devido aos acontecimentos  da Comuna de Paris em que esteve envolvido.
Courbet, vai aliás transpor para a telas várias  da praias da  Normandia sendo esta uma de muitas. Representada com grande realismo vemos que alguns barcos dos pescadores se encontram parados sobre uma grande extensão de areia. O que domina a tela vai ser um grande penhasco escarpado, de tremenda força compositiva. O volume desse penhasco como que domina toda a tela e nele vemos aplicadas várias tonalidades de cores que vão do vermelho ao verde. É como um colosso plantado na praia, e a sua força é-nos dada como indestrutível. Perto dele os barcos são quase de uma fragilidade trágica e as figuras dos marisqueiros que aproveitam a maré baixa para pescar na zona de areia húmida são como que meros pontos na paisagem. A língua de água que vemos é de um azul lindo e toda a restante tela é dominada pela tonalidade azul acinzentada do céu, entrecortado por nuvens maravilhosamente pintadas. A bandeira francesa esvoaça num dos mastros da embarcação que se encontra atracada na areia e não podemos deixar de pensar que o realismo com o qual está representada é maravilhoso. Uma tela soberba realizada por um pintor único.

quinta-feira, julho 24, 2014

Snowpiercer- O Expresso do Amanhã

Estreou hoje este Snowpiercer- O Expresso do Amanhã, um filme do realizador coreano  Bong Joon-ho ( realizador dos filmes("The Host - A Criatura", (gostei muito deste filme quando passou por cá há 8 anos) "Memories of Murder", "Mother - Uma Força Única") e com os actores, Chris Evans, Tilda Swinton, irreconhecível e cada vez mais camaliónica (adoro esta actriz!), Jamie Bell, John Hurt(sempre muito bem), Octavis Spencer (uma surpresa para mim, vê-la nessas andanças)Alison Pitt, Ewen Bremner, Song Kangho, Ko Asung e o grande Ed Harris, que faz sempre bem o papel de criatura maléfica.
O filme vem com boas referências, tem sido muito bem recebido nos circuitos cinematográficos e é uma distopia apocalíptica muito bem realizada.
Eu gosto deste tipo de filmes, gosto destes actores, e por isso foi com agrado que vi o filme.
É um filme violento, tem cenas arrepiantes, não é nada previsível, muito pelo contrário, há cenas absolutamente surpreendentes, o negro dos que vivem na cauda da locomotiva, contrasta em absoluto com as cores garridas e extremamente alegres dos afortunados  que vivem na frente da locomotiva, há planos de filmagem incrivelmente ousados, a história está muito bem urdida, tendo sido adaptada  da novela gráfica francesa "Le Transperceneige", criada no início dos anos 1980 por Jacques Lob e Jean-Marc Rochette.
No fundo este comboio de seu nome Snowpiecer  e que dá título ao filme, comboio esse  que gira à volta da terra sem nunca parar, levando nele o que resta da humanidade após alguns seres humanos se terem armado em deuses e com isso terem dado cabo do planeta terra, fazendo-a mergulhar  numa nova era glaciar e comandada pelo grande e 'divino' Wilford,  nada mais é do que um microcosmos representando tudo o que há de bom e sobretudo o que há de mau na espécie humana: a ganância, a maldade pura, a inveja, o ódio,  a miséria, a mais abjecta e pura tirania e o  supremo desprezo pelos mais básico princípios que fazem do ser humano um  ser racional. E como sempre acontece nestes casos em que o ser humano se vê confinado durante anos num espaço reduzido, quando explode a violência ela leva tudo à frente e aqui....literalmente....
 O filme inclusivé já foi premiado em vários festivais internacionais e penso que muito bem premiado, pois é um objecto cinematográfico muito inovador.
Pena que talvez seja passado quase incógnito, nesta época balnear em que as pessoas passam mais tempo na praia e em esplanadas do que no escurinho de uma sala de cinema. É mesmo pena, porque o filme é muito bom!

terça-feira, julho 22, 2014

P.Gouguin-Cavaleiros na Praia

Cavaleiros na Praia
Já escrevi aqui  algumas vezes sobre Paul Gauguin um pintor que  aprecio bastante.
Gauguin ganhou fama mundial com as suas telas de mulheres da polinésia francesa, mas a par disse pintou por esta altura,outras obras muito interessantes e que eu amo de coração, como é o caso da tela que aqui aparece, denominada de Cavaleiros na Praia.
A minha apreciação desta tela vai para a paleta de cores usadas pelo este pintor e aquela areia cor de rosa faz as delícias de qualquer amante da arte deste pintor.
Auto Retrato com Cristo Amarelo
Paul Gauguin fugiu para os mares do Sul à procura de um estilo de vida primitivo em que a sua arte pudesse florescer. Apesar de lhe desagradar a sociedade colonial fechada que lá encontrou, não deixou de pintar os polinésios como se fossem seres sobrenaturais que gozassem de uma liberdade total. 
O que mais aprecio neste  pintor é que ele vai então imprimir em nós a sua versão da natureza, criando formas estilizadas e bidimensionais, usando para isso cores intensas e exóticas com aquilo que poderia parecer um abandono despreocupado, mas que são cuidadosamente calculadas para produzirem o maior efeito para quem olha para a tela.
Na obra aqui presente isso acontece, pois Gauguin pinta a areia cor de rosa, não porque, sentimo-lo ele tenha "visto" nela qualquer tom rosado, mas porque só a areia rosada podia exprimir os seus sentimentos.
O amarelo que é quase sempre ou mesmo sempre usado, teria para este pintor sido demasiando intruso e real. De facto o que aqui se passa é que não se trata de  uma cena lógica mas sim mágica, e a paz e a alegria são meramente simbólicas, não literais.
É uma tela de uma fase idílica da vida, com gente delicada com cavalos de finas patas, de gente que os domina sem esforço, onde tudo é pura liberdade, onde existe uma paisagem marítima intoxicante, de céu amplo e maravilhosamente enevoado, em que homens e mulheres convivem na mais perfeita harmonia..
Uma tela magnifica, pintada por um grande pintor em estado de graça.



domingo, julho 20, 2014

Estranhos Prazeres

MAS QUE PANCA É ESTA DAS CRIANÇAS COM AS POÇAS DE ÁGUA?
É QUE NÃO HÁ UMA QUE NÃO ADORE COLOCAR LÁ OS PÉS TODA SATISFEITA!
ACHO MESMO QUE ESSE É UM DOS MAIORES PRAZERES DOS PEQUENITOS, SENÃO VEJAMOS....

quinta-feira, julho 17, 2014

Uma ida ao Porto




Eu já conhecia  a cidade do Porto uma vez que  lá vivi 2 anos quando era uma 'teenager inconsciente' como dizia o Herman José.
Penso que  é  uma cidade que  temos de aprender a amar/gostar/ apreciar...
Na altura era muito nova e apesar de apreciar lá viver, não gostava dos  invernos que são muito rigorosos. Sofria muito com o frio e isso deitava-me muito abaixo. Estava sempre com frieiras, tinha as mãos e os pés constantemente gelados, não havia casaco que me aquecesse, e pela primeira vez na minha vida tive um  'kispo'  branco tão grosso, mas tão grosso que se eu não fosse uma magrizela, passava perfeitamente por um urso polar. Só ele me aquecia o corpo e penso que também a alma. Quando chovia ficava sempre tudo tão húmido, que não apetecia sair da cama e a minha vontade era hibernar até o despontar a primavera. Fiz lá o nono ano e lembro das minhas coleguinhas rirem-se muito com as minhas expressões lisboetas e o modo como eu colocava as palavras. Eu muitas vezes não as entendia, mas entre falas mais ou menos serradas acabávamos sempre  por nos ri de nós próprias.
 Adorava era ir ao mercado do Bulhão, isso é que era uma festa, aquelas senhoras sempre a incentivarem-nos às compras, os gritos, o barulho e sobretudo aquele espaço tão colorido e cheio de vida. Gostava muito da comida, das broas, dos múltiplos pratos de bacalhau, dos famosos  'bolinhos de bacalhau' entre coisas mil .
Havia um restaurante que eu amava ir que era e é o Abadia. Meu Deus, como se como lá bem! Aquilo não é um restaurante, é um templo de boa gastronomia. Pena desta vez não ter tido tempo de lá ir.
Andar  pela Foz era maravilhoso e passear pelos arredores do Porto uma maravilha. Depois vim para Lisboa e por cá quedei-me. De vez em quando retorno a  esta cidade, e procuro ir sempre, mas sempre de comboio, porque adoro. Chegar à estação de Campanhã dá-me cá uma nostalgia dos tempos idos.
No domingo passado voltei a esta linda cidade. Fui com uma amiga que ia com a filha, visto esta querer ir ao concerto dos One Direction. A cidade fervilhava de vida tanto de gente vinda de todos os cantos do país como também do estrangeiro. Estava um tempo esplendoroso, e só atravessar a ponte que liga Vila Nova de Gaia ao Porto é toda uma  experiência única. Adoramos logo o Porto. Uma vista espectacular.
Chegadas à cidade, nada melhor que andar a pé ou visitar a cidade naqueles autocarros de dois andares. Comparamos o bilhete que faz a linha vermelha e a linha azul em dois dias  visitamos a cidade e ficamos a conhecer alguns dos belos cantos e recantos desta cidade única..
 Não há melhor. Tudo correu bem. Comemos coisas boas, visitamos coisas lindas, vimos gente bonita, o rio Douro da cor da prata, lindo de morrer... aquela Ribeira sempre a 'bombar' de gente de todos os cantos do mundo, as pastelarias cheias, o  café Magestic um polo de atracção turística, sempre com gente a fotografá-lo, a Rua de Santa Catarina um must e no fim quando nos apanhamos outra vez dentro do comboio de regresso à capital era toda uma saudade da minha parte. No bilhete de autocarro estava incluído umas degustações de vinho do Porto nas caves do dito que há em Gaia, mas já não tivemos tempo, porque querendo ver tudo alguma coisa fica para trás com grande pena minha...fica para a próxima!
Adoro o Porto e não me cansarei de lá voltar. É uma cidade linda a ver e a descobrir todos os encantos que ela tem.
Que cidade tão acolhedora!






sábado, julho 12, 2014

Uma Odisseia sem Gás

Estando agora refeita do que me aconteceu aquando de uma pequena fuga de gás que tive na minha casa, mais  concretamente na cozinha, não resisto a colocar aqui as agruras pelo que passei não para me virem cortar o gás, isso o piquete da Lisboa gás fez num instante, mas sim para me religarem
 o dito cujo.Isso sim, foi uma odisseia qua me leva a dizer que caso vos aconteça algo de semelhante, o melhor é mesmo mandarem arranjar a uma empresa particular e nunca meterem a Lisboa Gás ou outro fornecedor vosso ao barulho, porque senão têm a semana estragada e quando digo a semana é mesmo a semana, porque foi isso que me acontece.
 Estive 8 dias sem gás porque não havia quem se entendesse sobre qual das entidades deveria fazer a religação! Sim, é isso mesmo fui passada de "pôncios para pilatos" sem que alguém assumisse as suas responsabilidades sobre a dita religação.
 
Mas comecemos pelo princípio.
No princípio e ao contrário do que diz a Bíblia, não era o verbo, mas sim um cheiro a gás que se espalhava de cada vez que eu abria um armário que se situa por debaixo do meu fogão. Isso aconteceu no dia 25 de Junho da graça do Senhor.
Algo assustada fiz uma coisa que nunca mais farei, devido ao que aconteceu posteriormente. Chamei o piquete do gás da Lisboa Gás minha fornecedora. Telefonei para o número 800201722 e depois de uma longa espera, lá veio uma operadora que me passou para um outro número que não me recordo agora, pois inúmeros foram os números de telefone que liguei depois disso.
 
Certo é que depois de dizer ao que vinha a operadora disse que dentro de uma hora o piquete cá estaria na minha casa para desligar o gás. Deu-me os conselhos básicos que era de abrir janelas, etc e esperei uma hora e qualquer coisa até que o piquete viesse.O piquete, limitou-se a constatar a fuga, a desligar o gás no contador e na escada (aqui colocou um selo onde dizia que só a Lisboa Gás poderia fazer a religação), deixou-me um documento com o relatório do que aqui fez, disse-me para mandar arranjar a avaria e que depois ligasse para a Lisboa gás para a mesma tornar-me a ligar o gás.
Telefonei logo para uma empresa certificada que não podendo vir nessa 4ªa feira, agendou a intervenção para o dia 26 uma quinta feira. De facto na 5ª feira logo de manhã o técnico reparou-me a fuga de gás, colocando nova canalização e às 11.30 tinha tudo pronto.
 
A partir desse momento começou a minha odisseia de religação do gás.
 
Comecei por telefonar para o mesmo número da lisboa Gás 800201722 para me virem ligar gás e qual não foi o meu espanto quando me dizem que aquele número não era para isso e para eu ligar para outro número. No espaço de 3 horas liguei para o variadíssimos números e sempre com a mesma resposta. Não era de sua competência ligarem-me o gás e que ligasse para outro numero que me iam dando sucessivamente.
Quando não me davam número, era porque passavam para outro departamento ficando eu à espera tempo infinitos. O que sei dizer é que eram 15 horas da tarde e não tinha ainda nada de concreto pois todos os operadores me encaminhavam para outro departamento.
Acrescento que muitos operadores estão muito mal informados e dentro do mesmo serviço somos capazes de receber três ou mais respostas completamente diferentes umas das outras!
Só por volta das 15 horas é que uma operadora da Lisboa Gás (talvez a mais informadita) me disse que eu deveria telefonar para a EDP, para o número 808535353, reportar o que me tinha acontecido, dizer para a EDP realizar um pedido para a Lisboa Gás vir-me fazer a religação, ou seja era a EDP que tinha que entrar em contacto com a Lisboa gás e só assim a Lisboa gás tinha poder para vir à minha casa fazer-me a religação.
 
Essa informação deixou-me absolutamente atónita, pois nunca pensaria que a EDP pudesse ter alguma coisa a ver com a religação do gás da minha casa, posto que quem tinha desligado o mesmo era a Lisboa gás e deveria ser ela a tornar-me a ligar o respetivo gás.
Contudo, assim fiz, apesar de não ter sido fácil, pois também aqui andei de número para número sempre a dizerem-me que a  EDP não tinha nada a ver com a religação do gás da minha casa, pois isso era competência da Lisboa gás.
Após muita insistência da minha parte lá consegui uma operadora que disse-me que de facto era a EDP que tinha que pedir a religação e fez esse pedido à Lisboa gás, dizendo-me que aguardasse ao telefone enquanto ela fazia o pedido.
Aproveitei no fim, para pedir à operadora para realizar uma queixa da minha parte a todo esse disparate pelo qual eu estava a passar o que ela fez. Passados uns minutos recebi no meu telemóvel, uma msg a dizer que a minha queixa tinha sido registada, ou seja a queixa andou para a frente, a religação do meu gás não atava nem desatava!
Na passada 6 feira, dia 27, fiquei toda a manhã a aguardar que alguém aparecesse e como continuava sem gás na minha casa e sem que me tivessem dito nada, tornei a pegar no telefone e ligar a saber se a Lisboa Gás já tinha recebido por parte da EDP o pedido de religação do gás. Recebi como resposta que a Lisboa gás ainda não tinha recebido nada da EDP. Telefonei para esta e disseram-me que já tinham encaminhado o pedido para a Lisboa gás e estranhavam que a Lisboa gás ainda não tivesse recebido nada!
 
Como entrou o fim de semana, lá fiquei sem gás e como não trabalhavam nesses dias tive que me aguentar sem ter o serviço, pelo qual nunca estive em dívida!
No dia 30 segunda feira tornei a fazer diligências entre as duas empresas  e fui sempre recebendo como resposta que aguardasse. A Lisboa Gás ás ia dizendo que nada tinha recebido da EDP e a EDP dizendo que já tinha enviado o pedido.
Pelo meio fui encontrando operadores que iam dizendo as maiores incongruências, pois ora um dizia uma coisa, ora outro dizia outra, sem que houvesse qualquer coordenação entre os mesmos, coisa que me faz pensar que existe dentro dessas empresas operadores sem a mínima preparação para lidar com o público em geral.
No dia  1 de Julho, desesperada e depois de telefonar para ambas as empresas em vão, pois as resposta variam entre “nós já mandamos o pedido de religação e não podemos fazer mais nada…” e “ainda não recebemos qualquer pedido e por isso não podemos fazer a religação do gás…” resolvi ir à sede da EDP na no Marquês de Pombal e resolver ali a questão de uma vez por todas, pois no meu ver  alguém das chefias deveria tomar conta desta ocorrência  que já raiava à insanidade!
Quando chegou a minha vez de ser atendida e expondo toda a questão a primeira coisa que a funcionária disse foi que era com a Lisboa gás e não com a EDP!
Fartíssima  de respostas dessas, eu resolvi ligar para a Lisboa gás mesmo ali (por telemóvel) e passar a chamada à funcionária para ela ouvir de viva voz a resposta da sua colega da lisboa gás.
Assim fiz, e vi a surpresa da funcionária  da EDP quando ouviu a reposta da sua colega da Lisboa gás e mais surpresa ficou quando após várias chamadas para a Lisboa gás e para os seus próprios colegas da EDP, foi paulatinamente entrando no mundo kafkiano em que eu tenho vivido nesses últimos dias!
O que é certo é que entrei ali às 11 horas e já era uma hora da tarde e a mesma ainda não tinha conseguido nada, sendo então obrigada a passar o caso para a chefia que resolveu tomar o caso nas suas mãos, pedindo para eu aguardar, o que fiz durante larguíssimos minutos.
No fim, já perto das 14.30, a funcionária superior apareceu para me dizer que (depois de muito pedir!!!!) finalmente tinha conseguido que a Lisboa gás me fosse ligar o gás, mas que aguardava confirmação dos mesmos.
Mandou-me regressar a casa, ficando com o meu telemóvel, para me ligar dando-me depois as horas em que me fossem ainda hoje  ligar o gás.
Sai da EDP por volta das 14.40, e eram 15.20 a mesma funcionária superior, telefonou-me a dizer que entre as 16.00 e as 18.00 horas um técnico da EDP ia fazer a inspeção pelo qual eu tinha de pagar 60.00 euros (já tinha pago 133.00 pelo arranjo da fuga de gas!!!) e nesse  mesmo dia de hoje um técnico da Lisboa gás vinha então à minha casa  fazer a religação, pois era isso que tinha ficado combinado na troca de emails entre a EDP e a Lisboa gás.
 
Por volta das 16 horas lá apareceu um inspector  (mandado pela EDP) para fazer a inspeção, técnico esse que depois de fazer a dita inspecção quedou-se três quartos de hora!!! sem nada fazer pois  pois não podia concluir a inspecção sem que o técnico da Lisboa gás aparecesse para se fazer   a religação.
Para grande espanto meu o técnico da Lisboa Gáz não apareceu quando tudo tinha ficado combinado entre a EDP e a Lisboa Gás.
O inspector foi-se embora, eu telefonei para a EDP dizendo que continuava sem gás porque aprsar da inspecção estar feita, quem me deveria ligar o gás não apareceu, da EDP ficaram muito surpresas, depois telefonei para a Lisboa Gás e para grande espanto meu fui informada que não tinha entrado nos serviços qualquer indicação por parte da EDP para religação do gás!
 
Como podem ver, eu estava imersa no maravilhoso mundo de gente completamente doida!
 
Bom, no dia 2 de Julho sigo outra vez para a EDP, há uma repetição do dia anterior, mais emails trocados entre as chefias e a Lisboa Gás, a promessa que me iam ligar nesse dia o gás, coisa que não veio a acontecer, mais telefonemas meus para ambas as entidades e ao fim do dia tenho a promessa que no dia  a 3 de Julho entre as 9 e as 10h, ia ser feita a religação do gás uma vez que tinha já chegado à  Lisboa Gás o pedido de religação.

No dia 3 de Julho, logo de manhã aparece novamente um inspector da EDP, e só mais tarde o técnico da Lisboa Gás para fazer a religação, coisa que foi feita em escassos minutos!!!
Após tudo isso não pude deixar de me interrogar completamente estupefacta como pode existir no nosso mercado  empresas tão irresponsáveis.São empresas que prestando um serviço público e que são pagas a peso de ouro pelos seus clientes!
 
As questões que aqui deixam são as seguintes:
Como é que cortam o gás a uma pessoa e depois levem uma semana par ao ligar, passando a responsabilidade de empresa para empresa?
Porquê a EDP ser tida e achada num processo que só deveria ser apenas e só da competência da Lisboa gás?
Afinal foi um piquete da Lisboa gás que me fechou o gás! Não deveria ser outro piquete a ligar esse mesmo gás?
Porquê tanta desumanidade para com os clientes que são o sustento dessas empresas?
 
Disseram-me, em telefonema que fiz logo na 5ªfeira para a Lisboa gás que tudo se ficava a dever ao facto da EDP ser minha comercializadora e por isso tudo passar pela EDP.
 
Mas isso não é ridículo?
 Como é que duas empresas podem lutar assim pela concorrência e deixar os clientes em “maus lençois”?
 
O que me leva a supor é que há algum litígio entre a EDP e a Lisboa gás devido ao facto de uma ser a fornecedora e outra a compradora. Uma compra o gás à outra e vende ao clientes a bons preços. A que vende sente-se prejudicada e quem paga são os consumidores que nada têm a ver com o "pato".
 
Devido a tudo isso caso num futuro muito longuínquo (espero eu) tiver algum problema em termos de fuga de gás, não chamarei nunca a Lisboa gás, mas chamarei, isso sim uma empresa que opere no mercado e que sei que chegada à minha casa tudo resolverá o problema sem que eu passe pelas agruras que passei devido à desumanidade de duas empresas em guerra aberta e que se estão puramente a marimbarem-se para os clientes que são seu sustento!
 

quinta-feira, julho 03, 2014

sexta-feira, junho 27, 2014

Maléfica

Maléfica. Um filme lindo, com uma fotografia soberba, Angelina Jolie mais bonita do que nunca. Amei este filme não pela história em si ( que até está bem esgalhada), mas por aquelas imagens únicas!

terça-feira, junho 24, 2014

O Homem Duplicado/Enemy

Em boa verdade, não sei como classificar este Homem Duplicado que fui ver no domingo passado. Não sei se o classifico como uma obra prima, uma obra excêntrica, uma obra incompreensível, única, estranha, bizarra, um objecto de arte dentro da mediocridade que grassa por aí em termos cinematográficos ou, uma deriva do realizador que tem como pano de fundo a obra do galardoado com o Prédio Nobel o escritor José Saramago.
Eu não li ainda a obra que dá nome  ao filme, se bem que o título original é Enemy e julgo que com mais apropriação que o título em português. De facto o que aqui vemos são dois inimigos que o são a partir do momento que se vêm, partindo o realizador, da premissa que o homem é inimigo do seu semelhante, mesmo que esse semelhante seja uma cópia de si próprio. 
Dos adjectivos que coloquei acima e que podem explicar o que é este filme o que para mim tem mais propriedade é o de incompreensível porque eu confesso que não entendi o filme em muitos dos seus aspectos e o final foi para mim totalmente hermético e inalcançável. 
Este O Homem Duplicado não é um a obra linear e fácil de ser vista. É sim  daqueles filmes que teremos que rever para o compreender, posto que há coisas que só a meio ou mesmo no fim fazem "algum" sentido.
 Contudo, e isso é que é o mais estranho,  é que o filme prende-nos do princípio ao fim. É como aqueles alimentos que sabemos que nos vão engordar o mesmo fazer mal, mas que insistimos em os comer. Aqui o nosso olhar prende-se ao êcran e por mais estranho que tudo aquilo seja, queremos ir até ao fim e ver como acaba aquela relação entre idênticos e o destino dos outros (poucos) participantes nesta história.
A música é como uma personagem integrante do enredo. 
Ouvimo-la e ela agarra-se a nós. Ela grita bem alto, tão alto como aquela aranha monstruosa que vagueia pela cidade que é  quase sempre filmada do alto, formando como uma teia gigante e em que o homem se vê como ser minúsculo perante a extensão em altura daqueles prédios e algo perdido perante quilómetros infindáveis de estradas em que pouca gente circula e os que o  fazem se encontram submersos  em si mesmo, fechados na sua própria solidão.
 Não conhecia este realizador  canadiano Denis Villeneuve, mas passarei a estar atenta a outras obras suas, visto que gostei do modo como ele usa a câmara, como filma os rostos dos personagens, as ruas, como escolhe muito bem os actores e sobretudo como soube integrar  magistralmente Jake Gyllenhaal num papel duplo que não é nada fácil, pois ele é  Antony Claire e Adam Belle, assim como, Mélanie Laurent, Sarah Gadon e Isabella Rossellini, esta última como mãe de um dos duplos. Um filme a ver e talvez a rever.

sábado, junho 21, 2014

Giuseppe Arrcimboldo-O Verão

Nascido em Milão em 1527 e falecido na mesma cidade em 1599,Giuseppe Arcimboldo, legou para a posterioridade obras que tornam único no panorama artístico. As suas criações feitas de toda a espécie de frutos, flores,legumes, potes, panelas e hastes dos mais variados cereais, e em que nelas podemos ver rostos de homens e mulheres, tornaram-no num artista ímpar e que faz com que o espectador se deleite a apreciar estas obras tentando descortinar nela a quantidade de elementos que a mesma emprega.
A obra aqui presente, denominada de O Verão, tornasse apropriada na medida em que hoje dá-se início a uma das estações mais alegres e desejáveis, após meses de frio, chuva humidade e demais destemperos.
Visto de perto este quadro parece a quem o aprecia, ser o sonho feliz de um vendedor de fruta ou mesmo de um vegan.
Contudo, ao afastar-nos dele vemos uma cabeça humana a tomar forma.
Esta foi feita na sua totalidade com base nos frutos e vegetais de verão. O casaco da figura todo ele é feito de cereais ainda em haste e mesmo o fundo do quadro é bordejado por flores.
 Embora conhecido por usar frequentemente frutos e legumes para criar os seus retratos G.Arcimboldo costumava também , como já o referi mais acima, usar potes, panelas e até ferramentas na criação das suas muito estranhas imagens.
G.Arcimboldo esteve durante anos ao serviço  da família dos Habsburgos e aqui esteve incumbido de outros trabalhos para a corte, como era o caso da realização e decorações para as mais diversas  festividades  adquirir peças de arte para a colecção do Imperador, desenhar e construir fontanários.
Contudo, as obras deste artista eram de alguma forma tidas como algo ridículas, embora não deixassem de ser imitadas por outros artistas, mais ou menos de uma forma descarada.
Foi apenas quando os Surrealistas tomaram de assalto a cena artística, que passaram a ver nele um amante dos jogos visuais e logo um dos seus , passando então G.Arcimboldo a tornar-se um dos mais famosos pintores.
Esta obra intitulada de O Verão é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no Museu do Louvre em Paris.

sexta-feira, junho 20, 2014

Les garçons et Guillaume a la table!

Com realização de Guillaume Gallienne, está na sala de cinemas portugueses o filme Les garçons et Guillaume, à table! A Mamã eu e Guillaume na tradução portuguesa.
Eu não conhecia este actor e o filme chamou-me a atenção quando fui ao cinema há tempos e vi a sua apresentação. Fui vê-lo e as expectativas que tinha do mesmo (uma comédia super engraçada) esfumaram-se. O filme é estranho. Não digo que é mau, porque não é, até porque G.Gallienne está soberbo nos papéis de mãe e dele próprio.
O que me aborreceu foi mesmo a história. Achei-a batida, algo chata, com a sensação que já tinha visto aquilo em outros filmes, acção muito parada, e sem grande conteúdo.
É evidente que o actor quis aqui exorcizar os seus fantasmas, sendo os mesmos acerca da sua sexualidade, mas penso que o faz de um modo inviezado e  a meu ver algo repetitivo.
É um filme egocêntrico ( não podia ser de outro modo, pois o que aqui vemos é uma autobiografia do próprio actor), mas eu já vi filmes egocêntricos bons e este não é o caso. A única nota que retive de interesse é o modo como o actor está em palco contando a sua história e é aqui que o filme ganha alguma chama, porque quando passamos para a acção propriamente dita, algo se perde e o que vemos é a história de um miúdo traumatizado pelo modo como é tratado pela família, os irmãos, colegas, e demais pessoas que se vão cruzando no seu caminho e que ao primeiro olhar o rotulam de gay.
Se já viu isto em outros filmes? Já! Se G. Gallienne é um bom actor? Sim é!Se o filme é bom? Não, não é, é razoável! Se recomendo? Sim! Há bem piores em cartaz!
Nota para o papel do actor  como amante de Ives Saint Laurence no filme que estreia esta semana com o mesmo nome.

quinta-feira, junho 05, 2014

Lucien Freud-Encostada aos Panos

Lucien Freud, nascido em Berlim a 8 de Dezembro de 1922  e falecido em Londres a  20 de Julho de 2011,   neto de S.Freud, há muito tem o seu nome inscrito na história da pintura.
Começou por pintar paisagens e naturezas-mortas, assim como retratos dos seus amigos e familiares, tendo posteriormente evoluído para a nudez do corpo humano. E que nudez!
A meu ver,  talvez nenhum outro artista conseguiu igualar este pintor na arte de expor o ser humano em toda a sua nudez, despojada de qualquer artificialismo e mostrada tal como ele é.
Lucien Freud  sempre conseguiu ver e mostrar o corpo humano em todos os seus prodígios cromáticos e espantosa vulnerabilidade. Consegue quase que pintar o que está por debaixo da pele, expondo a verdade secreta dos seus modelos e que foram da modelo Kate Moss à própria rainha de Inglaterra, passando pela mãe e  amigos e diversos cães de estimação.
Parece-me que o desejo deste excepcional pintor nunca foi criar quadros que fossem idênticos aos temas, mas sim os próprios temas, para que houvesse duas realidades, uma na tela e outra em liberdade.
Na obra que aqui aparece intitulada de "Encostada aos Panos", uma tela de dimensões consideráveis,vemos uma mulher que de pé e rudemente nua está totalmente exposta à claridade do sol. O espantoso é que vemos todas as variações cromáticas da sua pele. A perspectiva é assombrosa, pois estando ela de pé parece que a todo o momento ela escorregará na nossa direcção, saltando para fora da tela.
Os panos brancos (lencóis?) atrás dela estão matizados pela claridade e como que amparam o braço direito.São panos incrivelmente bem pintados e ao olharmos para eles, quase que conseguimos sentir a sua textura. Estão amarfanhados e estão tão bem executados que penso que nunca me foi dado a ver uma série de panos tão bem representados numa tela. Brilham com uma luminosidade suave e a sua brancura vai desde os tons profundos de cinzento ( a parte inferior) passando por tons intermédios, até atingir uma brancura aguda na parte superior da tela..A firmeza da carne desta mulher destaca-se da compreensão solta deste monte de panos. Ela inclina a sua cabeça sobre o braço direito e como que adormecida expõe despudoradamente toda a sua nudez.
Um quadro incrível, magnificamente executado por um Lucien Freud em estado de graça.

quarta-feira, junho 04, 2014

A Guerra dos Tronos

Não sei se aconteceu com o resto dos apaixonados pela série A Guerra dos Tronos, mas eu ontem, no 6º episódio, ia tendo um catiripapo quando vejo o belo e misterioso  príncipe  Oberyn Martell, a  'Víbora Vermelha' (o charmoso Pedro Pascal) a ser morto e com a cabeça esmagada por aquela bizarma da 'Montanha',(Gregor Clegane). Fiquei incrédula. Quando o episódio terminou fiquei sentada no sofá em estado de choque!
De facto, já por várias vezes que estou quase  a ter  uma coisinha mal  à pala desta série.
Uma foi aquando do 'casamento vermelho' (Terceira Temporada) em que toda a linhagem dos Stark, mãe,(o pai Stark já tinha sido decapitado na 1ºTemporada), o filho mais velho, a mulher deste e restantes companheiros e amigos  dos Stark são brutalmente chacinados. Até chorei! Juro. Enquanto o genérico final passava  (sem música) não resisti a deitar algumas lágrimas de tão chocada que fiquei!
 Depois quando  aquele fedelho malcriado, sádico, mimado, destrambelhado.... que estava sentado no Trono de Ferro (Joffrey Lannister) é horrivelmente envenenado no dia do seu casamento sem que nada fizesse prever isso. E ainda não sabemos muito bem quem matou esse jovem tarado!
 Finalmente o  horror aconteceu ontem quando há o duelo entre o príncipe e a 'Montanha' e para espanto de toda a gente ambos morrem de uma forma pavorosa. Eu não estava a espera que matassem o príncipe Oberyn, não estava mesmo nada à espera, mas tenho que me ir habituando a estes sustos! Talvez o modo como ele morre é que foi chocante e totalmente inesperada.
Quando o episódio terminou fiquei a pensar que são estas surpresas e imprevisibilidades que fazem a grandeza desta série única e que tem seguidores por todo o mundo.
Como opto por não ler os livros de  George R.R.Martin, estou sempre a ser apanhada pelos acontecimentos mais  inesperados.
De facto, estes criadores da série David Benioff  e  D.B. Weiss, com a supervisão de George R.R. Martin estão aos poucos a criar a melhor série de televisão de todos os tempos!
Esta 4ªa temporada começou morninha e pouco apelativa, mas estes dois últimos episódios estão a pôr toda a gente a tomar calmantes antes do visionamento da série.
 Eu no próximo vou já munidinha de um victan, não vá ser morto o Lannister pai (era cá uma surpresa!), ou aquela víbora da Lannister filha, ou então deceparem a cabeça do meu anão favorito, o grande Tyrion Lannister.
Isto promete!

Coisas Incompreensíveis

Há coisas que para mim são totalmente incompreensíveis nos negócios que se vão abrindo pela cidade de Lisboa e arredores. Não falo das outras cidades e recantos deste pequeno Portugal, porque obviamente não os conheço dado que não viajo assim tanto, mas parece-me que acontece o mesmo que em Lisboa e seus arredores.
Entrou na ordem do dia a palavra empreendedor e vai daí muitas pessoas, começaram a investir as suas economias em negócios cujo conceito passa por alguma originalidade, pois só assim conseguem vencer neste mundo plenamente globalizado em que meio mundo copia o outro meio.
Há dias o R.Araújo Pereira teve uma rábula em que "gozava" com a abertura exagerada de "Hamburguerias Gourmet". Não tinha visto essa rábula, mas como posso andar para trás  alguns dias nos programas que dão na televisão e alertada por uma amiga que ele tinha tido imensa graça fui ver e de facto é do melhorzinho que este humorista tem vindo a fazer no seu quotidiano programa  "Melhor que Falecer".
Evidentemente que tal como expus mais acima, toda a gente tenta inovar nos seus grandes, médios e pequenos negócios e quando alguém faz isso e ganha alguma projecção, há uma tendência para o copianço e quem tem algumas massas investe rapidamente no mesmo conceito e o resultado é a proliferação até à náusea de restaurantes todos iguais e é isso mesmo  que vem acontecendo com as ditas  hamburguerias guormet.
Contudo, há outros negócios também no campo da restauração que ainda tentam ( e por vezes conseguem-no bem, sem que saibamos bem como) não seguir a via do copianço mas a via da renovação de um conceito já existente.
Então fazem assim. Abrem um restaurante em que o que é servido é do mais banalíssimo que se pode comer, conseguem por via de conhecimentos vários que o mesmo seja bem conhecido na praça e como a nossa "praça" é bem pequenina rapidamente a coisa torna-se conhecida, chamam uns jornalistas para publicitar a chafarica, aparecem tias e tios de tudo o que é canto para a inauguração e a dita "boca livre", e passar a palavra aos restantes indígenas, para compor o ramalhete e correr com gente indesejável os preços  são exageradamente altos, mandam vir do estrangeiro os matérias essenciais para o funcionamento do negócio, plantam-no num sitio onde ainda há alguns resquícios de gente com algum dinheiro na carteira, contratam umas pobres coitadas de  um modo geral gente de leste que é do melhor para trabalhar e estar calado, metem num espaço mínimo o máximo de mesas, decoram a coisa de uma forma minimalista, (no mínimo está o máximo) colocam a lista toda em bilingue,  dão um nome que fica no ouvido e...voilá, temos restaurante sempre a bombar.
Num belo dia, cheia de curiosidade, resolvo lá ir. Mesa? Espera por uma e não bufes!
Há livro de marcações como aqueles que se vê   nas séries americanas e depois do adequadíssimo tempo de espera, aparece então alguém que nos acompanha à nossa mesa. 
Vem a lista, com a particularidade acima descrita e passando os olhos por toda ela vemos que os preços não são para o Portugal de hoje, mas como ninguém me obrigou a lá ir...alma até almeida, já dizia a minha avô.
Bem, depois de fazer os pedidos, e tendo sempre o cuidadinho de não pedir nada que me faça ficar depenada para o resto do mês, espero uns tempos vendo o panorama geral e quando vem a comida...bem aí a desilusão começa a assentar os seus arrais, pois se o que vemos é pouco o que comemos é do mais banal e  pobrezinho que se pode imaginar.
Nada na comida é inovador, nada faz com que a experiência seja repetível, não há uma centelha de vida e ânimo nos alimentos, tudo é vazio e desinteressante. No fim...bem no fim...é pedir a contona e zarpar dali para fora o mais rapidamente possível.
Que haja gente empreendedora bato palminhas, mas na restauração a inovação do espaço deve (na minha modesta opinião) vir sempre acompanhada da inovação gastronómica e quando esta não existe, então que se faça boa comida e que a mesma venha em consonância com aquilo que se vai pagar no fim. Em muitos desses novos negócios de restauração isso não acontece e é uma pena. Pagamos muito  comemos mal e em muitos sítios é-se mal servido.
Muitos deles ficam imediatamente condenados a ver os seus dias contados, outros vão sobrevivendo a custa de conhecimentos vários, típicos de um país muito pequeno e onde quase toda a gente se conhece e os favores são pagos com outros favores.
No fim e a caminho de casa só  pensava que o lema de muitos desses negócios é:
"Cria fama e deita-te na cama a dormir", o que não deixa de ser um desconsolo.

domingo, maio 25, 2014

Edvard Hopper-Fim da Tarde em Cape Cod

Fim da Tarde em Cape Cod
Gosto muito das obras pictóricas do pintor norte americano Edvard  Hopper, e por isso já o abordei aqui num anterior post, voltando hoje a fazê-lo a  propósito da sua obra Fim da Tarde em Cape Cod.
A obra de E.Hopper sempre foi extremamente realista, e as suas imagens imóveis e muito precisas onde a desolação, solidão e tristeza do indivíduo está expressa como nenhum outro artista norte americano, sempre me atraíram imenso. Esses indivíduos, fossem eles homens ou mulheres, acabam por reflectir um certo espírito de época americano que Hopper tentou captar sempre de uma forma  ímpar.
E.Hopper, nascido em 1881 e falecido em 1967, procurou sempre imprimir uma certa austeridade solitária e muito peculiar em toda a sua obra. Ele procurava mostrar o mundo moderno, mas sempre impregnado de uma certa tristeza e quando as suas obras são alegres,  a tristeza está lá escondida sob a capa de uma desoladora paisagem ou de indivíduos que estando acompanhados estão isolados uns dos outros emersos no seu próprio mundinho.
Essa tristeza, solidão e até  miséria física e moral, fazia eco da desilusão que varreu os Estados Unidos após o começo da Grande Depressão de 1929 e que trouxe, fome, suicídios, emigração e desconsolo geral a toda uma sociedade.
A obra que aqui surge denominada de Fim da Tarde em Cape Cod, poderia até ser uma obra idílica, mas as pinceladas de Hopper tornam-na triste e desconsolada.
Nela vemos  um casal à soleira da sua bela casa e onde surge em pleno primeiro plano uma cão/cadela que de tão realista que é pensamos que em alguma altura ele/ela saltará da tela e aterrará perto de nós  pedindo algumas festas na cabeça.
O casal parece gozar o sol da tarde fora de casa, contudo, trata-se de um casal apenas em termos técnicos. Se repararmos bem, essa fruição é  totalmente passiva, visto que ambos estão isolados e envolvidos nos seus próprios devaneios.
Por sua vez, a sua bela casa está fechada ao nosso olhar e à nossa intimidade, posto que a porta está bem fechada e as janelas estão cobertas com cortinas claras mas impossíveis ao olhar humano.
O cão acaba por ser o único ser atento e 'vivo', mas até ele volta as costas à casa e olha o horizonte parecendo ver algo que nos é impossível de visualizar.
As árvores, densas, escuras e sinistras batem em algumas vidraças mas nem isso desperta o olhar do casal isolado em si mesmo. A erva clara que domina todo o plano a nível do chão quase que submergem o cão e os pés dos dois personagens.
É uma obra estranha, triste, em que o casal ensimesmado e fechado em si mesmo, tornam-se figuras rapidamente identificadoras de uma obra típica de Edvard Hopper.
Contudo,  e apesar dessa tristeza não deixa de ser uma  uma tela muito bonita, que atrai o nosso olhar e nos faz contemplá-la com bastante agrado.
Esta obra foi realizada em 1939 e pode ser vistas no National Gallery of Art, em Washington, D.C.