domingo, maio 25, 2014

Edvard Hopper-Fim da Tarde em Cape Cod

Fim da Tarde em Cape Cod
Gosto muito das obras pictóricas do pintor norte americano Edvard  Hopper, e por isso já o abordei aqui num anterior post, voltando hoje a fazê-lo a  propósito da sua obra Fim da Tarde em Cape Cod.
A obra de E.Hopper sempre foi extremamente realista, e as suas imagens imóveis e muito precisas onde a desolação, solidão e tristeza do indivíduo está expressa como nenhum outro artista norte americano, sempre me atraíram imenso. Esses indivíduos, fossem eles homens ou mulheres, acabam por reflectir um certo espírito de época americano que Hopper tentou captar sempre de uma forma  ímpar.
E.Hopper, nascido em 1881 e falecido em 1967, procurou sempre imprimir uma certa austeridade solitária e muito peculiar em toda a sua obra. Ele procurava mostrar o mundo moderno, mas sempre impregnado de uma certa tristeza e quando as suas obras são alegres,  a tristeza está lá escondida sob a capa de uma desoladora paisagem ou de indivíduos que estando acompanhados estão isolados uns dos outros emersos no seu próprio mundinho.
Essa tristeza, solidão e até  miséria física e moral, fazia eco da desilusão que varreu os Estados Unidos após o começo da Grande Depressão de 1929 e que trouxe, fome, suicídios, emigração e desconsolo geral a toda uma sociedade.
A obra que aqui surge denominada de Fim da Tarde em Cape Cod, poderia até ser uma obra idílica, mas as pinceladas de Hopper tornam-na triste e desconsolada.
Nela vemos  um casal à soleira da sua bela casa e onde surge em pleno primeiro plano uma cão/cadela que de tão realista que é pensamos que em alguma altura ele/ela saltará da tela e aterrará perto de nós  pedindo algumas festas na cabeça.
O casal parece gozar o sol da tarde fora de casa, contudo, trata-se de um casal apenas em termos técnicos. Se repararmos bem, essa fruição é  totalmente passiva, visto que ambos estão isolados e envolvidos nos seus próprios devaneios.
Por sua vez, a sua bela casa está fechada ao nosso olhar e à nossa intimidade, posto que a porta está bem fechada e as janelas estão cobertas com cortinas claras mas impossíveis ao olhar humano.
O cão acaba por ser o único ser atento e 'vivo', mas até ele volta as costas à casa e olha o horizonte parecendo ver algo que nos é impossível de visualizar.
As árvores, densas, escuras e sinistras batem em algumas vidraças mas nem isso desperta o olhar do casal isolado em si mesmo. A erva clara que domina todo o plano a nível do chão quase que submergem o cão e os pés dos dois personagens.
É uma obra estranha, triste, em que o casal ensimesmado e fechado em si mesmo, tornam-se figuras rapidamente identificadoras de uma obra típica de Edvard Hopper.
Contudo,  e apesar dessa tristeza não deixa de ser uma  uma tela muito bonita, que atrai o nosso olhar e nos faz contemplá-la com bastante agrado.
Esta obra foi realizada em 1939 e pode ser vistas no National Gallery of Art, em Washington, D.C.

segunda-feira, maio 19, 2014

A Lancheira

 Eu já gosto  muito dos filmes de Ritesh Batra,  foi ele que nos deu obras muito inteligentes como é o caso A Vida de Pi e Quem quer ser Milionário. Foi por isso com grandes expectativas que fui ver este seu ultimo filme A Lancheira. Não sai desiludida, porque este filme é muito bom. Partindo de um engano  na entrega de lancheiras (os indianos dizem que tal nunca é possível, tal é a eficiência da entrega de lancheiras em Bombaim) Ritesh Batra dá-nos um filme em que dois personagens conseguem a partir desse engano, estabelecer contacto através  de cartas enviadas dentro da lancheira e com isso modificar para sempre o rumo das suas vidas! Adorei a premissa, achei-a muito credível, cheia de romantismo, os actores,fantásticos como sempre nos filmes deste realizador e no fim...bem no fim ficamos com a certeza que o amor sempre é possível, não importa a idade, credos, distâncias, basta o ser humano querer.
Um filme lindíssimo, com  actores em estado de graça, como é o caso de Irrfan Khan, Lillete DubeyNawazuddin SiddiquiNimrat Kaur.

Gravidez de ...Alto Risco

Com realização e  argumento  de Albert Dupontel  estreou na semana passada este Gravidez de...Alto Risco uma comédia muito engraçada em que o próprio realizador pontua como um dos actores principais.
A meu ver está de parabéns a comedie française, por mais uma vez nos dar um belo filme em que  brilha a actriz  Sandrine Kiberlain, numa prestação muito contida, mas muito cómica, e onde a mesma e Albert Dupontel  encaixam muito bem, sem que em nenhum momento tenhamos sentido que um estava a sobrepor-se ao outro.
 Levam ambos o filme às costas, predomina um humor muito  sadio e nada estriónico, há actores secundários muito bons, as situações hilariantes não são forçadas e no fim saímos do cinema com a certeza que o cinema francês está de boa saúde e a comédia está a ser feita por gente inteligente.
Este Gravidez de ...Alto Risco está uns bons furos acima de muita comédia americana que grassa pelos nossos cinemas, sem que muitas vezes saibamos bem quem os realiza e/ou  para quem estes filmes são realizados.
 Um filme para ver com um sorriso nos lábios e umas sonoras gargalhadas.

domingo, maio 11, 2014

Henri Matisse-A Conversa

A carreira artística do pintor Henri Matisse (1869/1954) foi longa e variada, abrangendo muitos estilos pictóricos diferentes, desde o Impressionismo até quase à Abstração. Na primeira fase da sua carreira Matisse era considerado um Fauvista e as suas celebrações das cores vivas atingiram o auge em 1917 quando se mudou para  a Riviera francesa, mais concretamente em Nice e Vence.
Aqui foi com grande empenho que começou a reproduzir as cores da natureza e acabou por criar os seus quadros mais empolgantes. Acabou por lhe ser diagnosticado um cancro no duodeno que o confinou a uma cadeira de rodas e foi nestas precárias condições que o pintor concluiu a Capela do Rosário, em Vence.
Na obra que aqui aparece denominado de A Conversa, um marido e mulher conversam. Estão implacavelmente opostos. O homem de pé domina a cena e domina-a a ela. Inclina-se de mau humor sobre a mulher que por sua vez está como que aprisiona na cadeira onde está sentada/enterrada.Os braços dessa cadeira como que a envolvem e no entanto essa mesma cadeira mal se distingue do fundo azul que domina o quadro. A mulher está numa prisão no seu próprio ambiente.
A janela aberta sugere a fuga, mas a mulher é retida por um parapeito de ferro. Ele eleva-se sobre ela, tão dinâmico como ela é passiva e todas as riscas do seu pijama estão impecavelmente direitas. É um homem totalmente decidido, aquele que aqui temos. O seu pescoço engrossa para lhe manter a silhueta direita hirta e firme, uma autêntica seta de energia concentrada. A barba está impecavelmente aparada e a mão direita firmemente enterrada no bolso do pijama. 
O quadro não pode abarcá-lo todo e por isso a sua cabeça continua para além dele, na direcção do mundo exterior.  Ele é maior que o mundo inteiro, e a única "palavra" desta conversa hostil está escrita nas volutas do corrimão: Non! Dirá ele não à passividade egoísta da mulher? Dirá ela não à intensidade da vida dele? Ambos se recusam um ao outro para sempre!
 Uma obra magnífica.
Esta tela de Henri Matisse denominada de A Conversa foi realizada em 1909.
Estava  na Colecção Schukin em  Moscovo, sendo posteriormente levada para o Museu Estatal de Arte Moderna Ocidental de Moscovo por volta de1948. Aliás, é nesta cidade que se encontra grande parte das obras de Henri Matisse um pintor muito amado pelo povo russo.

sexta-feira, maio 09, 2014

Com Pétalas de Flores




Esta estilista de seu nome Grace Ciao, cria os seus modelos de vestido a partir de pétalas de flores. Cria modelos super elegantes, etéreos e muitooooo bonitos.
É ver para acreditar.Lindoooossss!





quinta-feira, maio 08, 2014

As Palavras e o Silêncio

Há dias estava a ler uma crónica de João Miguel Tavares no seu blog Pais de Quatro e na introdução ao seu texto este referia uma reflexão do prémio Nobel da Literatura recentemente falecido Gabriel García Marquez a propósito das discussões entre os casais:
 
 
"Quando nos casais as pessoas se zangam, há quem diga que devem falar um com o outro, esclarecer tudo exaustivamente, até ao fim; pois eu dou o conselho oposto: quando há um problema no casal, um mal-entendido, uma zanga, o melhor é não falar e deixar passar um tempo. A conversa só vai agravar a situação."
Fiquei a matutar neste texto, pois a meu ver o mesmo ia ao arrepio de tudo o que eu poderia pensar do autor, pois sendo um belíssimo escritor era suposto pensar que gostaria de ter sempre as coisas esclarecidas e bem argumentadas até ao mais infímo pormenor, e mandando o texto para um amigo meu ele opinou , escrevendo-me o seguinte:
 
"Quanto a ser o silêncio mais benéfico que a conversa, são opiniões. Acho que depende das resistências, das imunidades.A conversa pode provocar episódios agudos, o silêncio causa doenças degenerativas. Cada um escolhe consoante o seu feitio. Porém, ambas as hipóteses são potencialmente letais. A vantagem do silêncio é que mata mais lentamente e com menos alarido. A desvantagem é que, enquanto a conversa oferece um interlocutor, mesmo que aguerrido, o silêncio acaba por nos fazer compreender que estamos irremediavelmente sós. Há uns que se resignam, outros não. Mas quando se chega a um certo ponto crítico, onde a vida se bifurca, para os conversadores ainda existe uma réstia de esperança, enquanto para os silenciosos nada haverá a dizer.Ou visto por outro ângulo: quando se briga, ainda importa o que se diz; quando se prefere o silêncio, virá o dia em que já nem isso importa.É uma chatice, não é? A vida é tudo menos linear. Cada escolha tem os seus riscos. E não há nada que sirva par toda a gente".
Fiquei ainda mais confusa do que aquilo que já estava, visto que esse meu amigo também é escritor e como tal possuía outra opinião diametralmente oposta a de García Marquez. Para este  último, o silêncio era a melhor forma de superar divergências, para o meu amigo o silencio era como água à solta nas paredes de um edifício. Aos poucos, vai minando os alicerces do mesmo e quando damos por nós está tudo a apodrecer lentamente e só resta das duas uma, ou deixar andar até tudo cair  ou então tentar deitar tudo a baixo e reconstruir de novo, mas aquilo que se reconstrói já não é idêntico ao edifício anterior, porque nada depois de reconstruído fica igual, disse-me ele depois em palavras e já não em email, quando lhe pedi que me esclarecesse mais sobre o silêncio e as palavras.
Sendo por norma uma pessoa que fala relativamente pouco, o silêncio sempre me foi muito caro e se a tese de García Marquez é-me muito querida, reconheço que nas relações entre os casais ela talvez não seja a mais adequada porque pode acabar num...deixa andar.
Parece-me que não foi isso que acontecia com os escritor e a sua mulher, a sua única mulher em muitos anos de casamento. Cada caso é um caso, temos de o reconhecer e aqui estamos no domínio dos afectos e como cada ser humano pode e deve lidar da melhor forma possível com os seu companheiro/a.
Quando as pessoas optam por viverem juntas, devem fazer cedências de parte a parte e parece-me que este é o segredo de uma boa relação. Sem cedências nada feito  com silêncio ou discussões.
Saber viver em conjunto é uma arte e viver quotidianamente esta arte requer esforços supremos e por isso não deixo de ficar agradavelmente surpreendida por saber que há quem consiga viver meio século com outra pessoa sempre amando-a como foi o caso do casal Gabriel Garcia Marquez e Mercedes Barcha.
E que vivas para sempre Gabriel García Marquez na memória colectiva do teu povo e de todos os povos deste mundo.
 

quinta-feira, maio 01, 2014

L.S.Lowry-Regressando da Fábrica

L.S.Lowry especializou-se num tipo de pintura que me encanta. Os seus quadros enchem-nos o olhar de pequenas figurinhas em que mal distinguimos os seus rostos e apenas conseguimos destacar o sexo pela vestimenta. O grande destaque vai para os grandes edifícios, de uma maneira geral, edifícios fabris e prédios de grandes dimensões que submergem quase por completo o ser humano, frágil perante a dimensão e a massa dessas construções.
Hoje, dia 1 de Maio, dia Mundial do Trabalhador trago aqui algumas telas deste pintor de entre as quais quero destacar o quadro "Regressando da Fábrica". Nele trabalhadores fabris saem em magote de uma fábrica, em Salford, cidade que o artista conhecia bem. Observada com grande sentimento e captada em cores suaves, esta cena foi pintada na tela sem que o artista tenha feito um esboço preliminar.
Lowry procura aqui nesta e noutras telas destacar o inferno que era trabalhar nessas fábricas escuras e mal arejadas, com grande empática e muito encanto.
Embora muitas vezes designadas por "paus de fósforos" as suas figuras não deixam de ser cheias de movimento e vitalidade, posto que ao olharmos para elas não deixarmos de ver gente que se movimenta submersas nos seus pensamentos e talvez desertas de chegar a casa.
Esta e outras obras deste pintor proporcionam para quem olha para elas um fascinante registo pictórico do norte industrial de Inglaterra, com as suas fábricas de algodão e filas de casas geminadas, cenas que actualmente existem apenas na memória, em quadros  ou em fotografias de época.
O estilo algo rude da pintura de Lowry é absolutamente individual, não sendo influenciado por qualquer movimento pós impressionista.
Sendo um empregado de escritório toda a sua vida, muito resguardado do olhar do público, Lowry estudou arte nas suas horas livres, e só foi descoberto como artista em 1939, quase acidentalmente.
Estas e outras obras de Lawrence Stephen Lowry que nasceu em Manchester em 1887 e morreu em Glossop em 1973, denominada de Regressando da Fábrica é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no  Salford Museum and Art  Gallery.


sábado, abril 26, 2014

H.Toulouse-Lautrec- Rue des Moulins

H.Toulouse-Lautrec- Rue des Moulins
Sofrendo de alcoolismo e de sífilis doença venérea que o vai levar a morte, seria de prever que Henri Toullouse-Lautrec, fosse um homem amargo e soturno, mas os escritos acerca dele  desmentem isso, e foi com bastante realismo e alguma alegria que este pintor encarou a vida até morrer com a jovem  idade de 36 anos.
Descendente de uma família abastada e com nome, Toulouse-Lautrec, distanciasse da mesma, e integrando-se na vida boémia de Paris, lega para a posterioridade  telas e cartazes publicitários ímpares na história da arte.
Portador de uma deficiência física que o faz ter o tronco de um homem adulto e pernas de menino de tão definhadas que as mesmas eram, este pintor escapa a esta desgraça refugiando-se na sórdida vida nocturna parisiense. Só aí, submerso por uma multidão roufenha e ordinária é que ele consegue esquecer de quem era descendente e a sua deficiência física.
Contudo, essa deficiência libertava-o paradoxalmente, da necessidade de aceitar qualquer responsabilidade normal e apesar de ter morrido devido aos excessos por si cometidos, não deixa de ser verdade que criou uma arte bem-humorada e tão resistente à passagem do tempo que ainda hoje não nos deixa de surpreender e atrair.
Na obra aqui presente,  o quadro geral é assustador de tão realista que é. De facto, as duas prostitutas da Rua des Moulins, rua famosa pelos prostíbulos ali existentes e que ficou para sempre imortalizada quanto mais não seja por esta tela, não estão à procura de clientes. Estão sim, em fila para se submeterem ao exame médico obrigatório destinado a prostitutas legalizadas, como ser ao caso em apreço, e os seus rostos avermelhados são dolorosamente patéticos.
A primeira é velha de corpo, com as ancas flácidas e engelhadas  e seios já meio descaídos. A outra parece ser ligeiramente mais nova, embora os eu corpo esteja menos estragado, a sua face está cruelmente gasta. O próprio fundo do quadro é de um tom vermelho vivo, vendo-se ainda a sombra  de costas, quase em esboço, de outra mulher. Elas levam já os vestidos arregaçados mostrando as partes baixas do seu corpo, pronto a ser examinado. Têm vestidas as meias pretas, peça de vestuário que as mesmas usam como meio de atracção ao sexo masculino.
O vício está a matá-las, apesar dos regulares exames médicos estatais. Muitas destas mulheres morriam muito jovens atacadas por doenças venéreas que também era profusamente difundidas pelas mesmas.
 H.Toulouse-Lautrec, não glorifica estas prostitutas, antes pelo contrário, pois também  no mundo dele a realidade é bem dura, posto que durante toda a vida sofreu imensas dores devido à sua deficiência física, sendo que para o fim da vida foi várias vezes internado devido a variados  ataques e delírios mentais.
Como tudo o que saia das mãos deste pintor esta é uma tela extremamente realista e muito bem executada. Um quadro  magnífico!
Esta  obra  realizada em 1894, pode ser vista no National Gallery of Art em Washington DC.

quinta-feira, abril 24, 2014

A Dois Passos do Estrelato

Raras são as vezes que esteja em cartaz dois documentários do calibre de "O Acto de Matar"  que já abordei aqui em post anterior  e A Dois Passos do Estrelato.
Este último foi o vencedor do Óscar deste ano na categoria de Documentário e numa luta com "O Acto de Matar" considero que este deveria ter saído vencedor sem que contudo eu esteja a desmerecer o documentário de Morgan Neville que considero muitíssimo muito bem realizado e a espaços há cenas em que o poderio daquelas vozes é tal que é impossível ao  espectador não ficar com os pelos da nuca arrepiados.
A meu ver este A Dois Passos do Estrelato saiu vencedor nos Óscares, porque o que aqui estava em causa era dar  alguns bons minutos de fama a quem esteve sempre arredado dela e se há alguém que o mereça são este conjunto de mulheres cujas vozes vêm directamente do céu para a terra e aqui se quedam, suportando como vozes de coro, a fama e o estrelato de muita gente famosa e que por vezes dei por mim a pensar durante o documentário que quem deveria estar ali a frente do palco eram elas e não aqueles que elas ajudam a alcançar fama eterna. 
O documentário é muito bom, muito bom mesmo e o que ali vemos são as chamadas vozes de suporte, um grupo de mulheres únicas no campo do poderio vocal e que contudo, muito pouca gente conhece e se falo em pouca gente estou-me a referir aos próprios norte americanos que ouvindo as suas bandas preferidas durante anos, nem desconfiam de quem são as vozes de coros únicos que suportam as vozes de vocalistas que vão de Mick Jagger, Steve Wonder, Sting, Aretha Franklin, Joe Cocker, Michael Jackson entre tantos outros.
São mulheres que raramente conheceram o estrelato para além dos 10 passos que ficam do vocalista de muitas bandas e que ao tentarem dar o salto quase sempre ou mesmo sempre acabaram por fracassar sem que para isso haja uma explicação cabal para tal acontecimento.
 O que Morgan Neville vai então fazer é dar o estrelato a essas poderosas mulheres como são os casos de Darlene Love (um autêntico furacão e por isso tem a sua marca no Passeio da Fama), Judith Hill, (uma promessa a concretizar) Merry Clayton,(é hoje professora de língua espanhola...uma pena!) Tata Veja, Lisa Fischer (simplesmente extraordinária...para mim a melhor de todas elas), e os irmãos The Waters (Luther, Maxine, Julia e Oren Waters).
É um belíssimo documentário, que nos demonstra os caminhos tortuosos da fama, e como ela pode ser uma bem oleada máquina para o sucesso ou para  o mais desolador fracasso.
Para quem gosta de música como é o meu caso, este documentário é ouro sobre azul.Lindo!

segunda-feira, abril 21, 2014

The Act of Killing

Gosto muito de ver documentários e por isso fui ver este The Act of Killing. Confesso que não estava preparada para tal documentário/filme. Eu já tinha lido muito acerca do mesmo  e até sabia que o mesmo se tinha batido taco a taco com o documentário "A Dois Passos do Estrelato", que também está em cartaz e tinha saído perdedor. É pena, porque sem ainda ter visto este último, asseguro-vos que este O Acto de Matar é para mim e para muitos um dos melhores documentários/filme que se fez até hoje.
 É um murro no estômago e talvez por isso na bilheteira o funcionário optou por me alertar sobre a natureza violenta do mesmo e digo-vos já aqui que a violência não passa pelos actos (também os há mas em encenação) mas mais  pelas palavras que ali são proferidas, visto que o que aqui se trata é a condição humana e como seres que se dizem humanos podem perpetrar actos da mais completa barbárie em defesa de um país e contra gente que "supostamente" era comunista, chinesa ou que simplesmente estava a viver no país errado.
 De facto, neste documentário que vemos são senhores da guerra (se é que à essas pessoas se pode colar tal designação) que imbuídos de uma pseudo verdade e em nome da defesa da sua pátria praticam durante anos as mais completas atrocidades, sem que o resto do mundo fizesse o que quer que fosse para pôr fim a tais actos.
 Estamos  em 1901 e Sukamo  era um nacionalista empenhado na independência da Indonésia em relação à Holanda, algo que conseguiu em 1945, tornando-se o primeiro presidente do seu país. Com o passar dos anos, a sua administração foi forjando alianças com os comunistas.
 Quando, em 1965, Suharto (1921-2008) liderou o golpe de Estado que conduziria à deposição de Sukarno, foi inaugurada uma era de repressão sem precedentes. Sob as novas ordens de Suharto, foram criados esquadrões da morte cujo objectivo era o total extermínio de comunistas, activistas de esquerda, chineses e todos aqueles que se opusessem ao regime. Os números apontam para cerca de um milhão e meio de mortos e desaparecidos durante esse período. Os autores de tal violência nunca foram responsabilizados e hoje são promovidos pelo Governo e vistos como uma espécie de heróis nacionais.
Décadas depois destes trágicos eventos, o documentarista norte-americano Joshua Oppenheimer chega à Indonésia determinado a fazer um filme sobre os sobreviventes e familiares das vítimas. Quando lhe é impossibilitado o livre contacto com essas pessoas, percebe que, por outro lado, tem acesso privilegiado a alguns membros dos esquadrões da morte. Para sua surpresa, estes homens, orgulhosos do seu papel na História do seu país, estão interessados em colaborar com as filmagens. Assim, Oppenheimer e os seus co-realizadores, a britânica Christine Cynn e um indonésio que quis manter o anonimato, filmam os protagonistas, que se assumem dando rosto e voz às suas histórias e encenando para as câmaras os terríveis eventos de que fizeram parte..
Quando o documentário acaba o genérico vai passando lentamente e sem música e o que ali vemos é o maior numero de anónimos que alguma vez uma ficha técnica teve, isto porque o terror infundido por esta gente é de tal ordem que ninguém que colaborou na realização do documentário quer-se expor,  até porque essa famigerada juventude "Pancasilha" ainda hoje existe e está bem activa nos seus actos de extorsão, violações, corrupção, roubos generalizados, etc, etc.
São donos e senhores de uma Indonésia, muito longe de algum dia poder ser uma democracia.
Chega a ser demencial ver aqueles homens simularem para as câmaras de filmar actos ( que os mesmos perpetraram com grande regozijo, satisfação e ao som de trombetas) que nem nos nossos pesadelos mais terríveis podemos julgar existir.
 Este documentário, que conta com Werner Herzog, Errol Morris, Joram ten Brink e Andre Singer na equipa de produção, tem feito carreira em vários festivais internacionais, tendo recebido o Bafta para Melhor Documentário e a tal  nomeação para o Óscar na mesma categoria., que infelizmente perdeu, pois se o tivesse ganho tinha talvez
 alertado mais as pessoas para o horror do que ali se passou e que de alguma forma ainda hoje continua a existir se bem que bem menos visível.
Um documentário imperdível.

domingo, abril 20, 2014

Parabéns Benfica

Como sou Benfiquista de coração não posso deixar de desejar aqui os Parabéns a este grande clube. Hoje a festa vai ser até cair de bordo!
Eu não vou, mas estou com os que vão festejar até o nascer  do dia!
Viva O Benfica

Feliz Domingo de Páscoa

Venho desejar aos meus queridos leitores

um Feliz e Divertido Domingo de Páscoa!

quarta-feira, abril 16, 2014

Budapest Hotel

Na semana passada fui ver o novíssimo filme  de Wes Anderson, o Budapest Hotel, desta vez com um argumento baseado no romance do romancista vienense Stefan Zweig e do qual o realizador presta homenagem no princípio do filme.
Seguidora da obra deste realizador desde que vi "Os Tenenbaums" e pertencendo à categoria dos que amam os seus filmes, não estranhei o que ali se passa, assim como adorei o  o seu muito suis generis posicionamento de câmara, os seus estranhíssimos personagens, aquelas paisagens, as caracterizações  e sobretudo o enredo.
A trope está lá toda  à excepção de Ralph Fiennes  que se não me engano é a primeira vez que trabalha com este realizador (e logo ficando com o papel principal),  F. Murray Abraham, Mathieu Amalric, Saoise Ronan e  Adrien Brody, num papel muito engraçado pois concentra em si toda a ganancia do mundo, típica de herdeiros ociosos e maldosos que são capazes de matar  para se apoderarem da fortuna de um membro da família mais idoso.
Gostei também de ver William Dafoe dar corpo a um psicopata servindo-se do seu rosto para uma caracterização impar, assim como amei ver Jude Law num papel que já nos habituou, o de narrador da história mas que é parte importante na mesma, assim como  Saoirse Ronan que está maravilhosa com aquela tatuagem na cara com o desenho do México.
Só mesmo Wes Anderson para caracterizar deste modo os seus personagens!
 Dessa sua  trope podemos ver Harvey Keitel Bill Murray, Edward Norton ,(um habitué dos filmes deste realizador) ,Jason Schwartzman, Jeff Goldblum, Léa Seydoux, Tilda Swinton, (irreconhecível sob camadas de maquilhagem e que a transfiguram por completo) Tom Wilkinson, Owen Wilson, entre outros.
Até os secundários são actores conhecidos. Penso que só amando muito os filmes deste realizador e a fama que advém dos seus filmes conseguem reunir um tão grande numero de gente conhecida. Todos estão bem, todos estão afinados como as cordas de um bom piano, a música acerta afinadamente com o desenrolar da acção.
 A história, é muito engraçada pois decorre na fictícia República de Zubrowka onde um Ralfh Finnes com bigodinho e muito empertigado faz de  Gustave H, "concierge" num luxuoso hotel, que dá nome ao filme e  que ao longo dos anos se foi tornando famoso  pela sua habilidade em  satisfazer os hóspedes mais exigentes, incluindo nesses favores os de cariz sexual com as suas hospedes mais velhas,  que o amam e  esse amor é  retribuído pelo mesmo.
Ao seu cuidado está Zero Moustafa,(o imperdível Mathieu Amalric), um jovem e muito dedicado paquete que tem por ele uma admiração sem limites e que sonha seguir o seu exemplo. Apesar da crise económica e instabilidade política da época, tudo se passa com relativa tranquilidade até à morte de Madame D.,(a irreconhecível Thilda Swinton) amiga e amante de Gustave, e ao desaparecimento de um valioso quadro renascentista.
 Acusado injustamente de homicídio e roubo, ele está decidido a provar a sua inocência, limpar o seu nome e salvar o hotel da ruína que se avizinha. A ajudá-lo, terá o jovem aprendiz que, depois de tudo, passou a ser o seu único amigo de confiança.
O mais engraçado e que eu adorei, foi ver aquelas paisagens tipo Alpes Suiços, os  ascensores que parece que vão em direcção ao céu, aquele magnífico  hotel com escadas que nunca mais acabam, os quartos muito estranhos e sobretudo os  hóspedes que o habitam, para não mencionar o pessoal que os atende. Só a sala de jantar onde parte da acção decorre é de ficarmos boquiabertos, pelas suas cores  vivas que vão fazer perfeito contraste com a neve que cai durante parte da acção, mas que nem por isso refreia aquela gente que parece electrica.
A acção é non stop, e o mais incrível é que apesar do espaço enorme do hotel e da imensidão de gente o realizador nunca perde o norte e consegue até ao fim contar uma história perfeitamente perceptível e onde no fim tudo se encaixa perfeitamente.
Adorei este Budapest Hotel e recomendo-o vivamente.

segunda-feira, abril 14, 2014

Mobile Lovers

Mobile Lovers.
 Este é o novo  graffiti do artista  de rua  Banksy. O título diz tudo.

segunda-feira, abril 07, 2014

Um Bom Spot Publicitário

Nascido para a Internet.Fantástico!

Uma Fatia de Bolo


Há tempos, fui num fim de semana a  um centro comercial, nos arredores da cidade de Lisboa almoçar com uma ex colega e amiga. Ela nunca tinha comido sushi, eu gosto muito e fomos lá para ela se introduzir nesse mundo de comida saudável e em que o peixe é rei e senhor. Ela como não sabia comer com pauzinhos, não teve problemas nenhuns porque eu fui já munida de uma pecinha em plástico que se coloca em cima dos ditos pauzinhos e voilá, parece uma pinça e para quem não saiba manejar os pauzitos isso resolve  muito bem o problema. A questão mesmo é escolher , porque tudo é bom, tudo é saudável e só pensamos mesmo é enfardar aquilo que está ali à nossa disposição no menu. Pena é o preço, porque sushi e preços baixos não combinam. Pode ser que se venham a acasalar num futuro próximo…mas duvido muito. Bem, ela adorou tudo e depois de comermos como se não houvesse amanhã, tínhamos que tomar um cafezinho para a coisa esmoer. Também havia a hipótese de andarmos pelas lojas do centro, mas como a tentação e gastar dinheiro em algumas pecinhas de roupa ou em algumas inutilidades para as dedos, o pescoço, pés e afins era muito grande e o dinheiro tinha ficado todo no bendito do restaurante  japonês optamos por ir mesmo é tomar café, sentarmos o rabiosque  numa cadeira e ficarmos a trocar novidades, uma vez que já não nos víamos há algum tempo. Percorrermos o centro a procura de um sitio confortável  e eis que essa minha amiga diz que o que lhe apetecia mesmo era ir ao Starbucks tomar um capuchino, coisa que ela nunca tinha feito. Eu avisei-a que as coisas por  lá eram para o carote, mas como dias não são dias entramos. Eu conheço bem o espaço porque há uns anos foi o Starbucks que me safou aquando de uma viagem a Hong Kong, visto que  por essa altura fui tomada de  uma vontade incontornável de tomar café  e comer cup cakes e só mesmo nesse café pude satisfazer os meus apetites. Lá como cá e desconfio que por todo os países onde esta marca está implantada, os preços são muito elevados e só mesmo a vontade descontrolada de tomar café e uns belos capuchinos é que me fazem entrar ali. Realizamos o pedido à prestável funcionária que nos atendeu e olhando a montra dos bolos dei com uma fatia de bolo com muito bem aspecto e que tinha o nome de bolo de cenoura  e especiarias Aquilo estava mesmo a chamar por mim, mas quando olhei o preço ia tendo uma coisinha má, visto que com aquele dinheiro eu em qualquer outro café comparava uma fatia de bolo  e tomava um galão e ainda sobrava troco. A custo desviei o olhar e fiquei-me pelo descafeinado e a minha amiga pelo capuchino. Cada uma de nós deu o nome à funcionária (uma bizarria do Sarbucks), dirigimo-nos à ponta do balcão para levantar as bebidas e sentamo-nos mesmo junto ao dito cujo, posto que só ali havia lugar uma vez que o espaço estava enxameado de nerds e não só... que vão para ali mais os seus gadgets informáticos, teclarem furiosamente, presumindo eu que conectados a paginas de facebook e afins. Se calhar eram todos desempregados, visto que a senhora Jounet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, saiu-se com uma há dias dizendo que os desempregados passam o dia nas redes sociais procurando amigos que nunca vão encontrar...acrescentando ainda outras alarvidades do género. No ver desta santa senhora, o desempregado tem de ser sempre um pobre coitado que nunca deve sair de casa a menos que seja para procurar o ganha pão, ter o cuidado contínuo de desligar o pc a menos que seja para procurar emprego,  resistir à tentação de cair nas malhas das redes sociais  ou então num caso mais extremo, deve é cair numa depressão profundíssima, posto que só assim estamos perante um genuíno desgraçado. social.Enfim....  
Bem, o que é certo é que as pessoas que ali estavam, desempregados ou não,  estava silenciosa à frente dos seus computadores e mesmo os que estavam acompanhados falavam muito baixinho imersos num mundo só deles, alheios a tudo o que se passava em redor. Ficamos ambas a falar sobre vários assuntos e eu de vez em quando ia mirando as fatias de bolo que olhavam para mim e sorriam descaradamente, principalmente a do bolo de cenoura. Não pude resistir, sou mais ou menos como o Oscar Wilde que dizia que “resistia a tudo menos à tentação” e levantando-me pedi à funcionária que me desse o raio de uma fatia de bolo. Vindo a mesma para a mesa dividia-a em dois e cada uma de nós comeu um pedaço. O bolo é muito bom, muito bom mesmo, mas penso que não justifica o preço, nem pouco mais ou menos. Comi a tentação devagar, saboreando todos os ingredientes e já com a ideia de chegada a casa fazer um bolo e degustá-lo no remanço do lar sem culpas de estar a dar uma fortuna por algo tão pequeno, visto que as fatias até são bem finas. Bem dito, bem feito. Depois de sairmos dali, (ah…pagamos um dinheirão por aquela loucura toda), vim para a net pesquisei páginas e páginas com receitas, vi mais ou menos o que a coisa levava, vi inclusive um post que falava sobre alguém que também tinha achado o dito bolo  do Starbucks bom mas caro ,(amiga, estou contigo!) fui ao supermercado, comprei os ingredientes vim para casa e fiz o bolo.Saiu perfeito!Tal e qual o outro e com a benesse de o ter todo para mim. Saiu até melhor. Não é tão doce, sabe mais a especiarias e satisfaz-me plenamente. O meu homem achou o raio do bolo divinal, também quer que eu faça um só para ele, para ele comer tudo de uma assentada e gasganeiro como ele é eu sei que ele é bem capaz disso.Estou a escrever este post, com a barriguinha cheia de um doce pecado que acompanhado com um cházinho, transformou o meu dia numa bela experiência gastronómica. Tenho a casa toda a cheirar a especiarias, uma das coisas boas deste bolo. E pronto, e mais não digo.

terça-feira, abril 01, 2014

Edvard Munch-Raparigas sobre uma Ponte

Já aqui abordei em posts anteriores algumas das obras de Edvard Munch um pintor norueguês que eu amo de coração, posto que as suas obras para mim são quase indecifráveis, pois recriam os seus estados de alma que como todos sabemos eram muito instáveis. Talvez por isso para mim seja muito difícil categorizar este pintor cujas pinceladas são tão livres e ao esmo tempo tão suas que fazem dele um artista único no panorama da pintura mundial .Edvard Munch tinha também outra característica interessante que era o de recriar uma tela várias vezes e o exemplo disso este "Raparigas sobre uma Ponte". Pessimista por natureza os quadros de Munch são por vezes algo sinistros e carregados de simbolismo que o espectador nem sempre capta à primeira ou mesmo à segunda vista. Procurava através dessas telas exprimir e talvez exorcizar as suas preocupações e isso fez dele um precursor do expressionismo do norte da Europa, visto que foi um artista cuja principal intenção era afirmar-se em termos emocionais, submetendo todos os elementos de uma tela a esse objectivo. Assim, Munch conseguia a proeza de pintar algo que à primeira vista parece totalmente inócuo, mas que se repararmos com atenção há sempre um elemento algo assustador como é o exemplo máximo o seu quadro "O Grito". Há muitas versões de "Quatro Raparigas sobre uma Ponte".Mostro aqui algumas delas. Talvez por Munch mostrar alguma obsessão por este tema poderemos achar que algo se agitava dentro dele, pois cada uma das obras vai mostrando um elemento cada vez mais estranho. As raparigas todas elas magas e jovens, aproximam-se ou afastam-se da água.




Em quase todas as telas, elas estão tão juntas que quase formam um corpo só. Estão imersas no seu mundo e desligadas de tudo. Conversam entre si o olham para a água.O elemento fundamental é o corpo e as cores garridas dos seus vestidos.Constrangidos, sentimos que a água deve representar alguma coisa. Elas estão em cima da ponte (outro elemento caro ao pintor) e as formas sombrias e pesadas do futuro assomam ao longe. Há uma frondosa árvore cuja sombra negra se projeta ameaçadoramente na água do rio. Contudo, não deixa de ser estranho que decifrar todo os eu significado equivaleria a reduzi-lo. Não podemos deixar de notar que Munch é um simbolista cujas ideias funcionam a nível subliminar. Quanto maior for a sua infelicidade, mais abertamente autobiográfica se tornou a sua arte.
Em 1908 começou a sofrer de uma grave doença mental e, embora nunca mais voltasse a sair da Noruega, onde viria a falecera sua indiscutível originalidade teve um grande impacto na geração seguinte de artistas. As obra aqui mostradas foram realizadas entre 1898 e 1900.

terça-feira, março 25, 2014

Um Enterro

Há 15 dias fui ao velório e posterior enterro do pai de uma grande amiga minha. O senhor tinha muita idade, começou a ter dificuldades em respirar, foi para o hospital, piorou muito e faleceu devido a insuficiência respiratória, pelo menos é isso que se julga uma vez que agora as certidões de óbito, feitas  informaticamente são totalmente inócuas e despidas de informação para os familiares. Antigamente as mesmas eram escritas à mão por um médico e lá vinha expresso o modo como a pessoa faleceu, mas ao que parece resolveram que já basta o sofrimento da morte e por isso não é preciso ler mais nada e fica assim tudo entre o faleceu-porque-isso-é-a-ordem-natural-das-coisas-e-vocés-não-têm-nada-que-saber-pois-essa-informação-fica-para-quem-tenha-competências-e-isso-não-é-o-vosso-caso e o levam-esse-papelinho-e-têm-muita-sorte-em- ficarem-com-algum-documento-passado-pelo-médico-que-certificou-o-óbito! Enfim....
Bem, o que é certo é que como minha amiga que sou dela e do irmão, fui ao velório e a o enterro. Tudo se passou numa pequenina aldeia para as bandas das Caldas da Rainha, uma aldeiazinha das antigas em que o pouco número de pessoas permite que todos se conheçam e que apareçam na igrejinha (por sinal, lindíssima) a cumprimentar a viúva e restantes familiares, a assistir à missa fúnebre com atenção e deferência para quem está a sofrer e posteriormente a acompanhar o caixão até à sua última morada. É daquelas aldeias que quem não vai à igreja e ao cemitério porque ao quotidiano não lho permite, vai mais tarde à casa da viúva dar os pêsames e se encontrar algum parente do falecido  na rua dá logo os seus sentimentos e mostra pesar. Foi aqui que pela primeira vez fui a um enterro a pé, atravessando a aldeia até ao pequenino cemitério. O carro funerário ia à frente com o caixão, atrás iam acólitos da igreja segurando estandartes vermelhos e as pessoas que quiseram ir até ao cemitério iam atrás caminhando lentamente. Estava um dia glorioso de sol e a minha amiga confessa-me que sendo o pai um homem ligado à terra, às flores e às plantas de certeza que estaria satisfeito por ser enterrado num dia daqueles.
Dei por mim enquanto caminhava a lembrar-me  do enterro da minha saudosa avô que  faleceu  há alguns anos e pleno mês de dezembro. Foi enterrada num dia de chuva e de  frio. O céu estava  muito nublado e  no fim do enterro  eu e uma grande amiga minha demos por nós sozinhas perante a sua sepultura porque a inclemência do tempo afugentou toda a gente para os seus carros, seres desejosos de  chegar a casa e aquecerem o corpo e a alma, pois de facto caía muita chuva e estava um frio miserável.
Assim, não pude deixar de lhe dar razão no que respeita ao bonito dia que estava. De facto, o tempo alegra as almas e apesar do momento triste as pessoas acompanhavam o caixão com passo leve, banhadas por aquele sol primaveril e tenho a  certeza que o falecido descansando agora eternamente também estaria a  regojizar-se por aquele dia tão claro e bonito. Chegados ao cemitério, o padre diligentemente  faz uma última missa e o corpo desceu à terra. Ficou num espaço muito bonito, rodeado por campas bem tratadas e onde se vê que ali os mortos estão permanentemente acompanhados dos seus entes vivos que um dia lhes farão eterna companhia. Nesse momento dei por mim a segurar o braço da minha desconsolada amiga e a pensar o quanto somos precários. Não somos nada, somos seres frágeis, despidos de qualquer super poder. Nunca percebi ( e agora mais do que nunca) o porquê de tantas guerras e mal entendidos.
A nossa inteligência que nos fazem distinguir dos animais( cada vez duvido mais dessa teoria), não nos protege de absolutamente nada. Do pó viemos e em pó nos tornaremos. Somos folhas lançadas ao vento. Umas vezes esse vento é brando, na maior parte das vezes é bem inclemente. Os imponderáveis da vida, em que hoje estamos bem, e daqui a pouco podemos ser atropelados ou receber a notícias que estamos com uma doença ou perder o emprego e entrarmos numa espiral de desespero e carências várias, a morte estúpida  num acidente de carro ou dentro de um avião (como é o caso mais recente do avião desaparecido) faz-nos refletir o quando não somos frágeis. 
Não há nada melhor para nos darmos conta da nossa fragilidade do que irmos a um enterro ou visitarmos os nossos ente queridos falecidos. É ali em contacto com a morte que a reflexão surge assim como a verdade nos é atirada em cara. A morte espreita a cada esquina.
Contudo, não posso deixar de pensar que é   bom não estarmos sempre a lembrar disso, porque é essa perspectiva de invencibilidade que permite e permitiu ao homem as suas mais incríveis criações.
Apesar disso, penso que não podemos pôr de parte em nenhum momento, que muito da nossa vida é feita sempre numa base muito precária, e talvez por isso inúmeros seres humanos são capazes de vender a alma ao diabo para nesta vida conseguirem tudo, passando por cima de todos.
 Ali naquele pequenino cemitério, dei por mim a pensar que o que nos resta nesta vida é levá-la o mais cabalmente possível, como entidades  imperfeitos que somos. Se todos os seres humanos pusessem  de parte a maldade, a inveja, e tantos outros defeitos que enxameiam a nossa alma e que nos envenena o espírito de certeza que criaríamos um mundo bem melhor. Como isso não é possível, resta vivermos o melhor possível e acarinharmos quem nos é próximo, tendo sempre em mente a ideia que somos seres mortais e que não ficamos aqui para sempre e que o eterno repouso está ali a um passo de distância, num pequeno cemitério de aldeia ou num de uma grande cidade.
Como alguém um dia disse, para morrer nada mais é preciso do que respirarmos todos os dias.
(Este post é para ti minha boa amiga, que estás a sofrer imenso porque adoravas o teu pai que eu tenho a certeza que agora está a descansar e a velar por ti, teu irmão e tua mãe.Coragem!)

segunda-feira, março 24, 2014

A Sala de Aula

Belíssima entrevista de Maria Filomena Mónica à Sic Notícias acerca do seu livro "A Sala de Aula".
Desassombro total. Magnífico!

Cartoons

Cartoons muito interessantes!












quinta-feira, março 20, 2014

Sandro Botticelli-A Primavera

Imersos nos afazeres do quotidiano, quase nem damos conta que hoje é o 1º dia de Primavera. Também o dia acordou algo enevoado e isso ajudou ao novo esquecimento. Há notícias mais importantes e por isso não damos conta que de mansinho ei-la que faz a sua aparição, convidando-nos a tirar os casacos, as botas e os cachecóis e a colocar uma roupinha e um calçado mais fresco. É também um convite a passeios ao campo, idas a jardins e se fizer calor a um 'saltinho à praia', porque não?
Parece impossível, pois ainda há pouco tempo chovia tanto, fazia um  friozinho desagradável e só apetecia estarmos em casa no calor tomando chá e carpindo mágoas por um inverno tão chuvoso. Para comemorar este primeiro diazinho de primavera nada melhor que fechar o meu pequeno ciclo de obras que apelam à alegria e ao convívio com um Botticelli que para além de ter legado à humanidade obras lindíssima, deixou-nos este "A Primavera" que é só do mais bonito que existe em matéria de arte.
Nesta tela vemos três graças em trajes muito diáfanos e que elegantemente erguem as mãos tocando-as ao alto. Olham umas para as outras de uma forma radiante. Para além  delas temos também Vénus que  ergue a mão direita de uma forma muito elegante e com a esquerda segura o seu bonito manto vermelho vivo. Flora está representada por um vestido florido belíssimo, que vai conferir à tela uma alegria e um aspeto primaveril incomensurável.
 No seu conjunto esta tela pode ser considerada uma das mais belas do renascimento italiano. É uma tela cheia de pormenores cheios de requinte e onde podemos denotar a escola florentina da época.


Possível Auto-retrato
 
O traço muito elegante e gracioso que Botticelli confere a esta obra, acaba por criar na mesma uma elegância tal que quase não nos apetece despregar os olhos dela. É óbvio que o artista quis também configurar na mesma um simbolismo mitológico e essa simbologia é um dos traços que vai conferir especial apreço a toda a obra deste pintor. O mais estranho é que pelo que eu já li Botticellli aquando da sua morte não era um pintor muito popular. Essa popularidade é-lhe conferida quando o mesmo no século XIX é redescoberto pelos pré-Rafaelitas, que passam então a admirar o seu traço muito delicado e quase efeminado e as suas telas  cheias de pormenores e onde a cor e os maneirismos das suas personagens se vão tornar irresistíveis. Sandro Botticelli nasceu e morreu em Florença.
Esta sua obra denominada de A Primavera é têmpera sobre madeira e pode ser apreciada na Galleria degli Uffizi , em Florença/Itállia. Uma obra soberba!

segunda-feira, março 10, 2014

Auguste Renoir- O Almoço dos Remadores

Continuando o pequeno ciclo de obras de arte que mostram pessoas em alegre convívio e amena cavaqueira, trago-vos hoje uma obra de Auguste Renoir(1841/1919) que eu adoro e que inclusive não descansei enquanto não arranjei uma cópia da mesma.
Esta obra é "O Almoço dos Remadores", uma tela com 1.30x1.75cm e que tem a particularidade de nela vermos algumas pessoas que eram muito queridas ao pintor. Assim temos, Aline Charigot,  que seria futura mulher do pintor sentada à esquerda, bem como o proprietário deste local Monsier Fournaise,(em pé por detrás de Aline)e  o  Barão Barbier, ao fundo, de cartola na cabeça.
Temos também nesta bucólica cena,  o pintor Caillebotte, sentado à direita do quadro  com um chapéu de palha.
Nesta tela iniciada por Renoir  no verão de 1881,vemos  que o pintor quis homenagear alguns dos seus amigos mais queridos e para isso vai servir -se do Restaurante Fournaise . Este ficava situado numa pequena aldeia chamada  Chatou, destino da moda para quem adorava passear à beira do Sena.
O mais fascinante nesta tela é que  enquanto os outros artistas se deixavam fascinar pelos padrões da natureza sempre em mutação, Renoir interessou-se mais pelas pessoas. Tinha um prazer simples em tudo o que  pudesse despertar a sua atenção e o seu bom humor, e tudo isso acabava por ser bastante visível nos temas das suas magnificas obras. Neste contexto, o que aqui temos é uma esplendorosa e alegre tela que mostra a capacidade de Renoir para captar  cenas deliciosas da vida moderna e registar o modo como alguns  parisienses seus amigos mais chegados, passavam os seus momentos de lazer.
É pois um quadro cheio de pessoas, mas também de objectos e de momentos felizes.
 O que aqui vemos é um mundo cheio de cor e onde as pessoas se relacionam entre si de uma forma descontraída.
 É uma tela que nos faz pensar em dias quentes e onde nos podemos sentar a uma mesa com amigos conversando calma e sossegadamente.
É de facto um quadro soberbo este "O Almoço dos Remadores".
O mesmo pertence ao The Phillips Collection, Washington, EUA

sexta-feira, março 07, 2014

Selfie versus Simpsons

Esta para mim é que é a verdadeira selfie da noite dos Oscares! Só Rir!

quarta-feira, março 05, 2014

P.Brueghel-O Banquete de Casamento

 Já anteriormente abordei aqui   num post a obra de Peter Brueghel, e hoje dando início a um ciclo de obras cuja temática  e a alegria, o convívio e a comida, inicio-a com a tela aqui presente intitulada de O Banquete de Casamento, realizada por  Pieter Brueghel em 1567/68.
Pieter Brueghel-O Velho, (para o distinguir das obras dos seus filhos também pintores) foi durante muito tempo considerado de um artista rústico, devido às temáticas das mesmas. Nascido em Breda na província flamenga de Brabante, foi o antecessor de uma série de Brueghels todos eles pintores. Contudo, nunca nenhum dos membros dessa família de grandes artistas surpreendeu tanto pela positiva como este Brueghel, o Velho. Sendo um homem muito viajado e culto, amigo de humanistas, nunca se percebeu bem o porquê do cognome de 'rústico' porque de rústico ele nada tinha.
Foi influenciado fortemente influenciado por H.Bosh e tal como este nas suas obras vemos uma autêntica continuação da tradição holandesa da pintura onde as paisagens, os usos e costumes ali estão  presentes sendo esta tela uma prova viva disso mesmo.Talvez o facto do pintor pintar cenas de camponeses com alguma frequência, obras cheias de sátira e algum humor, tenham levado a que o considerassem algo rústico e a sua obra algo tosca. Contudo nada podia estar mais longe da verdade porque toda a obra deste pintor está cheia de compaixão e muito amor pelas personagens ali presentes. Não deixa de ser verdade que se atentarmos na obra aqui presente não podemos deixar de reparar que a mesma mostra-nos as caras redondas e estúpidas dos convidados, a noiva gorda e patética, já embriagada e com ar complacente tendo como pano de fundo um pano verde que acentua ainda mais o seu volume. Ela é jovem, simples e humilde, tem um ar meio apalermado no seu momento de triunfo, o dia do seu casamento. Os convivas devoram a comida com avidez, vemos pratos modestos de papas de aveia e de leite creme a serem servidos numa tábua tosca e levada por dois gordos ajudantes, tudo isso se passando num celeiro pouco decorado, mas com grande realismo.
A rusticidade de  P.Brueghel, talvez esteja no facto de ter uma boa 'mão' para pintar pobres e as suas festas algo miseráveis. De facto, é com grande precisão que ele pinta uma criança que sentada no chão lambe com satisfação e delicadeza a tigela vazia, assim como pinta com grande mestria o flautista que tem de continuar a tocar até receber o seu quinhão. Ele contempla as papas de aveia com ar ávido de um verdadeiro esfomeado.
Esta não é uma obra cómica, o que aqui vemos é um tema sério, o da degradação da classe trabalhadora, em apreço a classe camponesa, tratada com humor, mas com grande compaixão, carinho e amor por este excecional pintor que foi Pierre Brueghel.

segunda-feira, março 03, 2014

Oscares 2014

E pronto, a cerimónia dos Oscares foi neste domingo (em Portugal devido à diferença horária a cerimónia já é transmitida no dia 4), não houve grande surpresas, porque já se sabia que  oscarizados iam ser os filmes estreados 3/4 meses antes da cerimónia  e era mais  que sabido quem eram os grandes favoritos a esta estatueta tão apetecida.
 Lá estaria 12 Anos Escravo, Gravidade, O Clube de Dallas, Golpada Americana, O Lobo de Wall Street, Blue Jasmin,Capitão Philips, Filomena, Her,Nebraska,, Frozen, Um Quente Agosto, entre mais alguns e no fim ganhou 12 Anos Escravo como Melhor Filme, mas não como melhor realizador, uma bizarria que a Academia já nos habituou vai para dois anos e Gravidade como Melhor Realizador.
A  haver surpresas para mim, foi Lupita N'yongo ter levado a melhor sobre Jennifer Lawrence e Cate Blanchet sobre Meryl Strrep. Depois de ter visto este magnifico filme que é Um Quente Agosto e comparando as prestações desta última e de Julia Roberts , considero que a Julia Roberts merecia bem levar o Oscar uma vez que carrega o filme às costas de uma forma soberba, sendo talvez para mim, a sua melhor prestação no cinema. Nem no Erin Bracovich, filme que lhe fez levar uma estatueta para casa, ela esteve tão bem.
Her-Uma História de Amor ganhou merecidamente o Óscar para Melhor Argumento adaptado e nem outra coisa era de esperar de um filme assim tão surpreendente.
Mas, e há sempre um mas, a surpresa das surpresas, foi O Lobo de Wall Street e Golpada Americana terem saído de mãos a abanar, coisa muito inesperada, porque são dois Grandes filmes, de dois bons realizadores entre os quais esta o incomparável Martin Scorcese. Não terem ganho prémio algum foi para mim e para muitos que amaram estes dois filmes, uma grande desilusão!
 O Leonardo diCaprio, arrisca a ser como aqueles escritores que estão quase a ganhar o prémio Nobel e nunca o conseguem até ao fim da vida. Parece-me que a exemplo destes últimos, o meu querido Leonardo vai ficar sempre a apanhar 'bonés' o que é uma grande injustiça, tendo em atenção que já vimos gente a ganhar Oscares por papéis que não lembram o diabo. Na verdade a Academia deve ter tido muita dificuldade este ano no que respeita aos melhores actores. Estavam em jogo muito boas interpretações e talvez o facto de o Mattew MacConaughey ter emagrecido aqueles quilos todos e a sua interpretação tão sofrida tenham feito a Academia dar-lhe o prémio maior que  é o  Oscar.Se não houvesse este O Clube de Dallas, talvez o Leonardo diCaprio levasse o oscarzinho para casa, talvez....
 E no que respeita ao Oscar de  Melhor Realizador?Eu gostei muito do Gavidade, mas no grande ecran. Se o trouxer para casa e o visionar numa televisão toda a magia dele se perde. Não é um filme que resista a um ecran pequeno, não se aguenta, é um filme que vive da magia da grande imagem é isso que faz a sua força, tirando isso ele perde e muito. Por amor de Deus, senhores membros da Academia, reciclem-se, desapareçam e dêem lugar a quem perceba de cinema!
E com isto termino , dizendo que adorei ver Lupita N'yongo subir as escadarias como vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária, ela é linda, simpatiquíssima, humilde, veste-se muito bem, ela é uma grande actriz e Deus queira que não se perca em papeis menores.
O Mattew MacConaughey, lá levou o Oscar para Melhor Actor nesse papel algo visceral que o mesmo faz no O Clube de Dallas, onde, como já o disse anteriormente, teve de emagrecer 15 quilos e com esse filme alcandorou à categoria de um bom actor, algo que já se via nos sues filme 'Morre...e Deixa-me em Paz' e 'Fuga'. Deixou de ser um histérico e está aqui para grandes papeis e os 15 minutos em que aparece em O Lobo de Wall Strret são prova disso mesmo.
Adorei também ver Jared Leto (que eu amo de coração) ganhar o Óscar de Melhor Actor Secundário. Estava um 'pão'. Que homem lindo aquele. Ele canta bem ele, representa bem, oh homem, que multifacetado tu ês! Adoro-te!
 E por último a Cate Blanchet  que estava belíssima, uma autêntica diva do cinema, nos gestos, na postura do corpo, no olhar, lá ganhou o Oscar de Melhor Actriz. Dá-lhes Cate!
A melhor canção vai para o filme de animação Frozen, que ainda não vi, mas que me disseram que é lindo e o Melhor Filme Estrangeiro, para A Grande Beleza que já abordei aqui num post anterior.
 Quanto à cerimónia, foi boa, a pizza e a  selfie da Ellen Degeneris com alguns actores estando na primeira linha o bonito Bradley Cooper, um autêntico achado,(esta selfie já é mais falada do que os próprios filmes oscarizados o que não deixa de ser bizarro!!!) e o meu querido Brad Pitt lá ganhou um Óscar como Produtor de 12 Anos Escravo.Continua assim, que vais longe, homem bonito!
A Meryl Streep, não ganhou nada o que é uma bênção dos céus!Essa mulher quando está na parada não há quem a segure e parece que já tem uma adversária a altura a C.Blanchett!Lol
E voilá, para o ano temos mais, mas não há dúvida que o ano de 2013 foi um ano de uma colheita excepcional no que diz respeito a bons filmes, muito bons filmes.