domingo, agosto 02, 2015

As Minhas Leituras de Verão

A exemplo de outros verões, este ano para férias, escolhi alguns livros muito interessantes, e com os quais me tenho deliciado.
O primeiro que li e que gostei muito, comprei-o na feira do livro  e é da escritora/argumentista/ produtora / actriz... norte americana a Lena Dunham cujo livro intitulado "Não sou esse tipo de Miúda" me divertiu muito e por vezes me fez soltar umas gargalhadas.
Lena Dunham ficou famosa por ter escrito a série Girs (já vimos a série nos canais de televisão portugueses) com considerável êxito por onde tem passado.  Aliás, com esta série (muito na linha do Sexo e a Cidade mas para jovens), Lena Dunham  foi nomeada para oito Emmys e ganhou dois Globos de Ouro incluindo o de Melhor Actriz, estando o livro sempre à frente nas vendas  e considerado um dos grandes livros do ano pelo The New York Times, Globe and Mail entre outros.
 O livro nada mais é do que uma reflexão muito engraçada sobre  o sexo, a perda da virgindade, as suas obsessões, manias, saúde, homens e mulheres....
Tem imagens muito giras e sugestivas de Joana Avillez ilustradora de reconhecido talento e que tem trabalhos espalhados um pouco por toda a parte incluindo o The New York Times, New York Magazine entre outros.
Considero sinceramente este livro a excelência da leitura de verão!
 
Outro livro que me agradou imenso, imenso, e que está nos antípodas deste da Lena Dunham,  foi  o "Beatriz e Virgílio" de Yanna Martel (Vencedor do Man Booker Prize) e autor de A Vida de Pi.
É um livro fantástico, fantástico, negro, triste surpreendente e divinal como tudo o que este homem escreve.
Este Beatriz e Virgílio nada mais é do  uma obra prima sobre o holacausto, criado através de uma das alegorias mais bem conseguidas que algum dia li e que me parece que não tornarei a ler nada semelhante.
Só lendo para vermos o quanto este escritor é único e um caso raro no panorama da escrita mundial!
 
Já outro livro que me foi oferecido que li com algum sacrifício  e que não me agradou por além foi "O Quadro" da escritora Nina Schuyler. Apesar de ser uma escrita escorreita e bem concebida há qualquer coisa de muito pretensioso neste livro que  me desgostou,  até porque a temática do livro (vidas interligadas  mas em continentes diferentes) é bem interessante e teria grande  potencial na mão de outro escritor.
Para além disso é um livro extremamente triste, sorumbático desesperançoso e por vezes com situações a roçar ao ridículo.
Contudo, considero que não se desperdiça tempo a lê-lo pois há coisas bem piores por aí...oh se há!!!!
 
Para uma leitura leve comprei  o último livro do escritor norte americano John Crisham intitulado de "O Manipulador" e que li de um fólego só como acontece com todos os livros deste escritor.
Tenho outros livros do mesmo, e há muito tempo que gosto dele e conheço o seu estilo literário. Achei este O Manipulador muito irónico, muito alegre, com um estilo bem mais leves que anteriores livros dele.
Sem ter nada de extraordinário mesmo assim é um livro que se lê muito bem e que nos distrai bastante.
 
Não há verão sem um livro de terror/fantástico e para isso  falo-vos de um escritor que gosto muito que é o Stepfen King e do seu último livro de contos Boleia Arriscada.
Indo ao Continente fazer compras em princípios de Julho dei com os olhos numa edição de bolso que estava com um bom preço e trouxe-o.
Tenho estado a ler esses contos e verifico que o S.King modificou aqui o seu estilo literário. Está bem bem menos soturno, bem mais leve e bem mais cómico. Os contos lêem-se muito bem, uns mais interessantes que outros. Tem um bom prefácio do próprio escritor. Para além disso este escritor continua a ser um extraordinário contista.
Para mim, este Boleia Arriscada é o típico  livro de verão por excelência.
Leve e descontraído.
 
Por último um livro que é para ir lendo no Verão, entrar com ele pelo Outono e acabá-lo no Inverno. O meu homem ofereceu-mo aquando da nossa ida à feira do Livro em Junho  e o livro é o  Hitler: Uma biografia do escritor Ian Kershaw. 
Para mim este livro é A Biografia de Hitler por excelência.
Coloquei a palavra 'a' em letra maiúscula porque considero que Ian Kershaw escreveu aquele que é para mim e para muitos leitores  por este mundo fora,verdadeira e única Biografia de Hitler.
O livro que tenho já vai na 5ºedicão, e através de perto de mil páginas o autor dá-nos a conhecer quase o dia a dia deste homenzinho louco, solitário, soturno e absolutamente abjecto que modificou para sempre a vida e a geografia do planeta para não falarmos das sinistras atrocidades saídas desta e das mentes dos que o rodeavam.
Um livro absolutamente fantástico e que espero acabar de o ler ainda este ano.


domingo, julho 12, 2015

Revisitar Lisboa

Um hino a esta Lisboa que agora tantos e tantos turistas visitam.

quarta-feira, julho 08, 2015

Confinados ao Absurdo

Realizado por Abderrahmane Sissako (franco mauritano) e com as prestações fabulosas de Abel Jafri, Hichem YacoubiKettly Noël, Pino Desperado, Toulou Kiki entre outros este Timbuktu é decididamente um dos melhores filmes do ano em cartaz.
Com vários prémios em carteira entre os quais O César de Melhor Filme, Realizador, Melhor Música Original, Melhor Roteiro Original, Melhor Som,Melhor Montagem e Melhor Fotografia, dominando assim os Prémios  Césares e também indicado para o Óscar de Melhor filme Estrangeiro (perdeu para Ida), Timbuktu leva-nos a uma pacata aldeia  do Malique vê a sua vida virada do avesso quando por ela entra um grupo de fundamentalistas islâmicos impondo as suas absurdas leis e regras de conduta sem terem a racionalidade de ver  o quão ridículas as mesmas são.
O realizador mostra-nos de uma forma muito irónica e por vezes até trágico-cómica como de facto impor que peixeiras arranjem o seu peixe de luvas de lã negras até ao cotovelo, fumar, ou proibir o canto a menos que o mesmo seja em louvor a Alá, ou proibir jogos de bola se tornam leis perfeitamente absurdas e ao arrepio de qualquer racionalidade. Até o riso é proibido, já não falando da dança e de outras demonstrações de júbilo e alegria.
O jogo de futebol realizado pelos miúdos da aldeia em que não existe uma bola mas em que a coreografia é perfeita e completamente entendível e os jovens que à noite se reúnem para cantar e tocar são das cenas de cinemas mais incríveis que vi nos últimos tempos.
Tudo é proibido pelas leis fundamentalistas, tudo é imposto por um grupo de homens que escondem as suas muitas fraquezas e total ignorância  atrás das armas. Os vícios privados , a concupiscência a cobiça à mulher do próximo não deixam de dominar estes homens que impõem as suas leis, mostrando que o ser humano é todo igual, só que uns são mais iguais que os outros.
Kidane vive com a sua amada Satima, a filha Toya e tem como filho adotivo Issan um pastor de 12 anos que guarda as suas oito vacas entre as quais está GPS a sua preferida. Um dia alguém que julga que o rio é só seu mata-lhe a sua vaca preferida e de um momento para o outro a vida idílica de Kidane é mudada radicalmente.
Este universo de Kidane nada mais é do que  uma alegoria ao  universo das muitas terras  ocupados por gente que de arma em punho chega para impôr aquilo que acham ser o mais acertado sem ter qualquer racionalidade sobre essas mesmas leis a não ser a leitura deturpada de um livro. Ver este Timbuktu é literalmente entrar num universo perfeitamente kafkiano em que os mais fracos se têm de sujeitar aos mais fortes sem questionar nada, apenas e só entrando num túnel absolutamente escuro e onde tantas vezes muitas destas populações que estavam perfeitamente integradas no seu meio ambiente acabam mortas ou em dantescos  campos de refugiados.

terça-feira, junho 09, 2015

Os Cafés e Restaurantes na Arte

Cafés e Restaurantes vistos do ponto de vista da arte.
São telas magnificas. Um regalo para quem ama a arte.

quarta-feira, junho 03, 2015

Um Hino ao Verão


Agora que o sol e o calor a anunciar o verão está aí em pleno trago aqui uma tela de um pintor que aprecio e que se chama Jean-Antoine Watteau, cujo tema é precisamente o Verão representado na figura da deusa  Ceres.
Antes de mais há que dizer que Jean-Antoine Watteau, mais conhecido por Antoine Watteau ou simplesmente Watteau, foi um pintor francês do movimento rococó. Nasceu no centro da região de Hainaut, recém-incorporada ao território francês pelas tropas de Luís XIV. Morreu  muito novo aos 37 anos em Nogent-Sur-Marne, França.
Mas, quem é Ceres?
Nas minhas pesquisas por Ceres descobri que a mesma é a deusa romana da Agricultura (daí o termo cereais) e irmã de Júpiter deus romano do Dia  muitas vezes conotado como sendo Zeus o todo poderoso.
Quando Júpiter repartiu o universo entre os membros da sua família entregou a proteção da terra cultivada à deusa Ceres, convertendo-a deste modo numa das divindades mais veneradas da sociedade antiga.
De um modo geral esta deusa costuma geralmente ser representada sentada como acontece nesta tela de Watteau e sempre com um atributo relacionado com a terra na sua mão que aqui é uma foice enquanto belas espigas douradas se encontram por detrás da bonita deusa.
Como vemos é uma magnifica alegoria ao Verão, às colheitas dos cereais e onde tudo é claro e cheio de luz. A própria deusa sentada numa nuvem e vestida de tons muito claros tem entrelaçado nos seus cabelos louros espigas, papoilas e flores azuis do campo. 
 À sua direita um leão guarda a deusa e dois querubins loiros aproximam-se da mesma abraçados a ramos de cereais.
Esta encantadora  tela (Ceres) um óleo sobre tela, e que se encontra no National Galery of Art em Londres,  faz parte de uma série que representa as Quatro Estações do ano realizadas pelo pintor  para o seu mecena o banqueiro  francês Pierre Crozat, mas só resta esta, tendo as outras desaparecido infelizmente.
 

segunda-feira, junho 01, 2015

Uma ida à Feira do Livro

Ontem fui à Feira do Livro. Fui na hora certa entre o acabar o jogo da Taça de Portugal e a loucura no Marquês de Pombal. Eu nem sabia que também os sportinguistas iam para a rotunda do  Marquês. Pensava que a rotunda estava reservada para as vitórias do Benfica...mas adiante.
Eu e o meu homem lá conseguimos arranjar um lugar nas Picoas e o resto fizemos a pé. Mais uns minutos e a coisa ficaria para o engarrafado, porque eramos nós a chegar ao recinto da Feira e começava a cacofonia de apitos e gritos de vitória e a rotunda feita num oito.
Lá chegados a primeira coisa que fizemos foi abancar nas roulotes super simpáticas e muito bem arranjadas e apelativas dos comes e bebes.
Este ano está tudo muito bem organizado, aliás de ano para ano a Feira do Livro melhora. Lembro-me dela ser na avenida da liberdade (que tempos esses!) e depois a sua mudança para o Parque Eduardo VII. Se queríamos comer algo depois de tanto andar só nos restava as banquinhas de gelados da Olá ( passo a publicidade) e nada mais. Agora é todo um mundo gastronómico!
Fiquei mesmo contente de ver tantos jovens com as suas roulotes muito giras a vender comida saborosa.
Ele é bagels com recheios super deliciosos, ele é burritos mexicanos muito gostosos, ele é sandes grandonas e deliciosas, ele é taças de vinho do Porto e doces a acompanhar, ele é bifanas, ele é sopas, bolas de berlim, gelados artesanais, jinginha de Óbidos, bagels, ups... que já me estou a repetir, mas francamente eu adorei aqueles bagels de pastrami e com todo uma variedade de sabores que nos levam ao céu. Os burritos servidos numa pequena roulotte e com dois jovens que são só a coisa mais simpática que existe, é de pairarmos sobre A.Camus, Sartre, F.Pessoa, Eça de Queirós,Domingos Amaral, Rodrigo dos Santos...enfim...todo um mundo de delícas.
Bem...depois seguimos para os livros. O homem comprou um de política e economia (não se farta desse tipo de literatura) e eu comprei um de culinária  sobre Smoothies Verdes, que segundo reza na capa muito apelativa é a 'Bíblia dos energizantes e tonificantes naturais made in Nova Iorque' , e o meu amor ofereceu-me um livro que eu andava a namorar há muito que é uma biografia de Hitler escrita por esse grande escritor que é Ian Kershaw e que na Feira estava com um preço para lá de bom. Esta obra foi considerada pelo Los Angels Times "A biografia definitiva de Hitler" e o livro tem sido considerado como uma das grandes obras da última década sobre este homenzinho louco que dominou a Alemanha e que modificou a geografia do Europa e talvez do mundo para sempre. Estou morta para o começar a ler, até porque adoro biografias (tenho várias) e cada vez acho que encontrei o meu tipo de literatura.
Ah... a Porto Editora e a Leya estão muito bem instaladas e com espaços muito apelativos sendo que mesmo assim a gigante  Leya consegue bater aos pontos toda a concorrência com os seus standes muito bem arranjados por temáticas, e com ótimos livros e preços e as suas funcionárias sempre presentes.
 Não fomos aos alfarrabistas porque a feira estava a fechar e na vinda para casa ainda apanhamos com a loucura dos adeptos sportinguistas na sua saída do estádio de Alvalade,  adeptos esses  que por lá andavam a festejar esse título que escapava aos Sporting há vários anos e apesar  de ser Benfiquista, fiquei contente por eles terem esta alegria e também  por os títulos nesta época futebolista  014/015, terem ficado por Lisboa.
Quanto à Feira ainda lá voltarei com mais calma não só para degustar mais alguns petiscos, mas também para bisbilhotar mais algumas obras de escritores portugueses e tentar obter mais algumas biografias.

quinta-feira, maio 28, 2015

Madame X

Há tempos atrás li com curiosidade numa revista, o facto das japonesas terem dado em gostar de uma forma quase obsessiva de peles excessivamente brancas, peles quase alvas. Para isso não hesitam em fazer tudo para não exporem a pele ao sol, em colocarem produtos que embranquecem a pele, e algumas vão ao ponto de se  empoeirarem totalmente de pós brancos produzidos para o efeito e cujo efeito é o das pessoas parecerem 'fantasmas'.
 É uma moda que pegou de estaca e que tem os seus adeptos por todo o mundo. Não nos esqueçamos que no ano passado foi grande moda as peles brancas e a cantora  Lady Gaga foi apontada como o exemplo a seguir neste capítulo.
Não sou adepta disso, como não sou adepta de uma pele excessivamente bronzeada. O sol faz mal a pele e isto está mais que provado. Com o avançar da idade temos que ter cuidados com a nossa pele e protege-la de um sol inclemente, isso é um dado mais do que adquirido.
Foi com estes pensamentos  na minha mente que me lembrei de uma belíssima tela de um pintor  de que gosto muito John Singer Sargent filho de pais emigrantes americanos em Itália, mais concretamente em Florença, cidade onde nasce este pintor em 1856, vindo a falecer em Londres em 1925. Sargent foi um excelente aguarelista e retratista. É precisamente um retrato seu que vos trago aqui.
 Denominado de Madame X se bem que toda a gente soubesse que se tratava de Madame Pierre Gautreau, esposa de um banqueiro francês de  seu nome Pierre Gautreau, o que aqui vemos é então  uma mulher que foi considerada no seu tempo nos círculos parisienses como uma das grandes beldades da época. Sargent deve tê-la visto e conhecido aquando da sua estadia em França e como a sua beleza era muito comentada resolveu então retratá-la.
 Esta mulher é alta ou o retrato assim a faz parecer. O que nos chama logo a atenção é a excessiva brancura da sua pele. É tão branca que parece artificial. Terá sido empoeirada? Parece que sim.
Dá-nos até ideia que vai entrar numa peça de teatro. Para realçar essa brancura temos o negro vestido que a cobre até aos pés que não são vislumbrados. Com a mão esquerda segura-o e a direita repousa de um modo artificial no tampo da escura mesa onde ela encosta a perna. Está retratada  de perfil com uma postura muito direita e arrogante. O nariz aquilino e pontiagudo assim como os cabelos ruivos chamam a atenção do observador, posto que vão fazer contraste com a alva pele.
Contudo, e apesar da imponência desta obra, hoje sabemos que a mesma não causou grande impacto e impressão positiva entre a critica e um dos motivos foi precisamente a excessiva cor branca da pele da retratada e o longo e negro vestido que a cobre desde o peito. 
Gosto muito  desta tela não só pela imponência da mesma  como pelo facto de nele estar retratado uma mulher  muito segura e certa da sua elegância e beleza.
Este excelente  Madame X pode ser apreciado no MoMa em Nova Iorque.

quarta-feira, maio 27, 2015

Guerras por um Trono

No episódio de ontem da Guerra dos Tronos...bem lavei a alma!
Estava a ver que nunca mais isso acontecia!
Até fui dormir como um anjo!
Eu nunca esperei ver uma série com tantas surpresas.
Esta série só mesmo para corações de aço!

segunda-feira, maio 25, 2015

Pelos Jardins do Rei

É pena este Nos Jardins do Rei (A Little Chaos, no origina ) do actor Alan Rickman que actua e é simultaneamente o realizador estar a passar algo despercebidamente nos cinemas portugueses, uma vez que o filme é genuinamente bom e honesto.
 Com a sempre segura e ainda muito deslumbrante Kate Winslet e um bonito e muito contido Matthias Schoenaerts que com ela faz par e com Alan Rickman sempre brilhante e com aquela voz acentuadamente de barítono  que nos seduz logo à partida, este nos Jardins do Rei é uma agradável surpresa dentro dos poucos filmes históricos em exibição.
Nele vemos o percurso romanceado da bela e arrojada paisagista Sabine de Barra, uma das primeira arquitetas paisagísticas que ficou para a história como tendo dado a Versailhes um dos mais bonitos recantos que o mesmo tem, ou seja, o salão de baile ao ar livre.
Ver este filme é entrar-nos pela alma dentro uma lufada de  ar fresco, quanto mais não seja porque K.Winslet nunca faz feio e está sempre firme e hirta dentro daquilo que lhe é pedido fazer.
Gostei muito deste filme e recomendo-o vivamente quanto mais não seja pela lindíssima fotografia, pelos bons actores, pela história e pela honestidade do realizador em fazer algo tão seguro e tão contido.
Parabéns Alan Rickman!

sábado, maio 23, 2015

BiCampeões

PARABÉNS AO MEU BENFICA POR ESTE FEITO!
E QUE JORGE JESUS FIQUE!!!!

sexta-feira, maio 22, 2015

Quadrilha no Moulin Rouge

Termino com Quadrilha no Moulin Rouge um pequeno périplo que fiz sobre um pintor que amo de coração que é Henri Toulouse-Lautrec.
A obra que aqui aparece é a Quadrilha no Moulin Rouge, onde mais uma vez vemos o pintor a abordar cenas do quotidiano dos cabarets de Paris e das mulheres que lá trabalhavam.
Nesta tela deparamo-nos com uma cena onde a alegria está ausente. Contudo, também não vemos auto compaixão e embora a vida que o pintor nos mostra seja rude e algo sórdida, para não dizer totalmente sórdida, ela é mesmo assim vivida com muita determinação.
 No centro da tela vemos uma bailarina do clube nocturno Moulin Rouge sendo ela um dos modelos favoritos de Lautrec, visto aparecer em mais telas do artista. Gabrielle de seu nome , encara-nos a nós espectadores com uma expressão muito cómica de alguém já profundamente embriagada. Tenta manter-se em pé no centro do salão e a sua postura de pernas abertas e mãos à cintura não deixa de ser algo agressiva como desafiando tudo e todos para uma dança com ela.
 Um casal entra e só os vemos de perfil. O casaco dela é uma mancha castanha que juntando-se ao verde azulado do vestido de Gabrielle são as cores predominantes da tela. A cor alegre é-nos dada pelo casaco rosa da bailarina ao fundo.
Este Quadrilha no Moulin Rouge, (1892) mais uma vez dá-nos a ver a Paris Henri Toulouse-Lautrec  assim como as  mulheres dos bordeis e de cabarets como é o caso do  famoso Moulin Rouge.

terça-feira, maio 19, 2015

Força Maior e Phoenix

Do realizador sueco Ruben Östlund e coma as magnificas prestações de Clara Wettergren, Johannes Kuhnke, Lisa Loven Kongsli, Vincent Wettergren, entre outros o filme sueco  Força Maior é a meu ver um dos melhores filmes em cartaz neste momento a par de outro filme alemão, Phoenix do realizador Christian Petzold e com a sempre insuperável e uma das grandes actrizes da actualidade Nina Hoss.
De facto o cinema europeu está de parabéns quanto mais não seja porque nestas duas obras, cada uma delas abordando temas diferentes mas profundamente reflexivos, o que está em causa é o âmago do ser humano naquilo que o mesmo tem de mais complexo e  primitivo.
Se em Força Maior o que vemos é o paulatino desmoronar da célula familiar a partir de um fait divers que em nada fazia prever o que depois vem a acontecer, em Phoenix o pano de fundo é as sequelas da segunda guerra mundial, os horrores dos campos de concentração e o reerguer de uma mulher marcada física e emocionalmente pela passagem por um desses campos e a sua procura pelo marido um dos personagens mais pulhas e amorais que o cinema já nos deu.
Ver Força Maior e Phoenix é ver duas obras primas do cinema europeu e ter a certeza  que o mesmo  continua a fazer a sua inscrição em  temáticas profundamente  humanistas e isso é de facto algo de fantástico.





domingo, maio 17, 2015

O Futuro Pertence aos Loucos

Há tempos escrevi um post onde dizia que sempre gostei da saga Mad Max iniciada com Mel Gibson todo vestido de couro negro, acompanhado pelo seu rafeiro ( o que eu chorei quando lhe matam o cão) e vivendo num mundo pós apocalíptico, onde a procura de água e de gasolina faziam dos seres humanos autênticos animais sem lei nem regra. Havia cenas memoráveis e agora recordando essa famosa trilogia penso que para a época que era, havia  efeitos visuais muito bem conseguidos. De quando em vez há um canal que passa um dos três filmes ou mesmo toda a trilogia e quando isso acontece fico  a ver com interesse.
Quando soube que estava a ser feita uma nova trilogia de Mad Max fiquei toda entusiasmada e quando vi que na ficha técnica constaria o nome da Charlize Theron e do Tom Hardy ia-me dando um treco porque se há actores que eu amo de coração são esses dois e na minha cabeça de cinéfila vi que os dois iam encaixar muito bem.
Finalmente estreou na semana passada o tão aguardado Mad Max. Li que o mesmo fez furor em Cannes coisa que não é habitual em filmes de acção e se há coisa que  tem bastante acção é este filme.
Fui vê-lo ontem e amei-o do principio ao fim.
Tal como eu tinha previsto o meu querido Tom Hardy  (esse homem é demais) e a minha querida Charlize Theron encaixam que nem duas luvas e o filme de facto está soberbo.
Ela toda suja de óleo de camião, com o cabelo rapado e sem uma mão, domina o filme do principio ao fim na sua personagem de Imperator Furiosa (será tida para sempre como uma das grandes heroínas de acção, tenho toda a certeza disso) e ele não fica atrás como Mad Max, e o que eu mais gostei e achei de uma humildade incrível, é que ele deixa-a brilhar e isso é lindo de se ver!
Realizado pelo visionário George Miller que já nos tinha dado  300 o filme é todo ele uma autêntica apoteose de efeitos incríveis que não ofuscam em absolutamente nada a prestação dos actores (estão todos magníficos) e nem belisca minimamente a história que se vê com muito agrado e autênticos apertos no coração. 
 As mulheres dominam neste filme e é lindo ver um realizador criar uma obra em que o epicentro da acção são mulheres desde os 20 e tal anos aos 60!
 É emocionante ver aquele turbilhão de mulheres todas elas viradas para o mesmo propósito, a continuação da raça humana e a cena em que uma das jovens raparigas fica com o saco   de sementes  que irão dar futura vida ao nosso inóspito e destruído planeta é nos arrepiarmos todos. Só mesmo vendo!
Com Charlize Theron, Nicholas Hoult, (como este rapaz tem vindo a evoluir!), Richard Norton (I), as belíssimas  Riley Keough, Rosie Huntington-Whiteley, Abbey Lee, Zoe KravitzCourtney Eaton   e o incrível, lindo, simpático e  belíssimo actor  Tom Hardy este  primeiro Mad Max vai no bom caminho e penso que irá dar a Charlize Theron uma nomeação  para o Oscar neste seu visceral papel de Imperator Furiosa e fazê-la entrar na galeria das grandes heroínas cinematográficas a par de  Sigourney Weaver ( na saga Allien) e Uma Thurman (Kill Bill).
Um filme Magnifíco!

quarta-feira, maio 13, 2015

Anita Forever

Sou fã dos livros da Anita. Quando era criança adorava esses livros criados pela dupla belga Marcel Marlier e Gilbert Delahaye.
Para mim não havia e penso que não há atualmente em matéria de  livros para crianças, uma estética gráfica como a que estes dois homens criaram.
Ainda hoje tenho um grande carinho pelos meus livros da Anita, tal como tenho pelos meus livros dos Cinco e dos Sete, ambos da Enid Blyton. 
Todos os livros da Anita sem exceção são  extremamente encantadores e de uma simplicidade desarmante. As páginas não são muitas e essa escassez  é sobejamente compensada por imagens absolutamente irresistíveis.
 Só mesmo alguma alma gélida é que não se derrete com aquelas imagens da Anita, do seu cão do seu irmão mais novo e dos amigos que a rodeiam.
A Anita vai à praia, vai andar de avião,  vai ao jardim zoológico, vai fazer um piquenique no campo, vai andar de cavalo, a Anita  cozinha, fica em casa a tomar conta do irmão mais novo, enfim...a Anita é incansável....
Hoje soube que os livros em Portugal vão passar a ter o nome que os mesmos têm na maioria dos países de língua francófona (excepto na Bélgica flamenga onde ela é Tiny) que é o Martine.
Fiquei tão triste!
 Para mim, os livros da Anita têm que se chamar mesmo de Anita  e não Martine que é a meu ver muito incaracterístico.
Não sei se essa norma  se estende a outros países que também têm nomes diferentes do de Martine  como é o caso dos E.U.A. onde ela é Debbie.
O que é certo é que  no meu coração vou continuar a chamar a esses deliciosos livros, os livros da Anita e ponto final! 

sábado, maio 09, 2015

H.Toulouse-Lautrec-A Cama

A Cama

Há tempos atrás estava a fazer zapping e fui dar com um filme absolutamente genial do realizador francês Bertrand Bonello intitulado de L'Apollonide - souvenirs de la maison close, cujo titulo em português é Apollonide-Memórias de um Bordel.
 Aquando da sua exibição não tive oportunidade de o ver com grande pena minha e por isso foi com satisfação que vi este filme todo ele passado entre as quatro paredes de um  bordel e que retrata a vida triste, desencantada e bastante sórdida das prostitutas que lá viviam e dos seus clientes. 
Retrato de T.Lautrec
O que  vemos neste filme é para além de  uma história muito bem urdida,  interpretações absolutamente fantásticas de Hafsia Herzi,Céline Sallette,Jasmine Trinca, Adèle Haenel, Esther Garrel, Anais Thomas, entre outras.
Este Apollonide é um filme absolutamente genial e uma lição de história sobre este mundo algo escondido da prostituição feita em bordeis e onde as mulheres se sujeitavam às mais diversas humilhações e degradações socorrendo-se em última instância da amizade que nutriam umas pelas outras para manter algum resquício de sanidade mental.
É pois com a lembrança deste filme que abordo aqui um quadro do pintor francês Henri de Toulouse-Lautrec intitulado de A Cama em que a temática é precisamente o bordel.
De facto, o pintor pinta esta tela quando vivia num bordel de Paris intitulado de O Salão des Moulins, onde viveu até 1895 (ele pinta a tela por volta de 1892) quando a sua saúde o obrigou a mudar-se para a sua casa em Albi, sua terra natal.
 Investigando sobre esse viver num bordel, descobri que era um costume alguns artistas fazerem desses sítios  suas habitações. Ali conviviam com estas mulheres, integravam-se nas suas vidas e nas dos seus clientes e há casos de alguns desses artistas que acabavam casados com algumas delas retirando-as dessa vida.
 No caso de Lautrec, este tinha ali o seu atelier e por isso era frequente retratar as prostitutas que ali exerciam a sua profissão. Não era por uma questão monetária que o pintor ali vivia, até porque este pintor já tinha reconhecimento nacional e internacional. Se o fazia era porque preferia viver rodeado pelo luxo que este salão em particular  lhe proporcionava e pelo facto de ter sempre temas para as suas obras. Esta tela não é a única de Lautrec cuja temática é precisamente o modus vivendi das prostitutas de um bordel.
Assim, o que aqui vemos são duas prostitutas na cama, olhando uma para a outra afectivamente.
O vermelho é a cor dominante tornando a cena erótica, assim como as pinceladas azul e verde fortes que contrastam com o branco dos lenções e das almofadas que domina quase toda a cena.
Para Lautrec, penetrar neste mundo algo proibido e imoral, fazia-o invadir-se das regras da sociedade a que pertencia e assim romper como os valores estabelecidos. Alguns quebravam essas  regras indo viver para os trópicos como foi o caso de Gauguin, outros como Toulouse-Lautrec automarginalizavam-se socialmente no mundo nocturno parisiense.
Toulouse Lautrec, de seu nome Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa, nasceu na cidade francesa de Albi em 1864  e morreu de sífilis em Saint-André-du -Bois em 1901.
 Foi um percursor do Modernismo e da Art Nouveau. É hoje reconhecidamente um dos grandes pintores franceses que nos legou telas absolutamente magnificas como é o caso desta  A Cama que pode ser apreciada no Museu D'Orsay em Paris.
 
 
 

quarta-feira, maio 06, 2015

É Favor Falar Mais Baixo....

Sempre me fez imensa confusão o facto de as pessoas conversarem aos altos berros ao telemóvel, quando estão emersas num mar de gente nos transportes públicos. Hoje a história repetiu-se para  mal dos meus pecados.
Ia eu e mais umas quantas pessoas no metro e  entra uma iluminária com o telemóvel pendurado na orelha e com a maior desfaçatez não se fez rogada de durante uns bons 20 minutos desfilar um rosário de desgraças com alguém que do outro lado da linha só poderia ser surto tal era os decibéis que do lado de cá se fazia ouvir. A criatura não teve pejo de falar de tudo sem que tivesse atenção que o resto da carruagem estava toda a ouvir, posto que aquelas horas da manhã as pessoas estavam numa madorra que só lhes apetecia, como era o meu caso, alguma paz e  não ser incomodada com conversas que versavam sobre intrigas de família, dinheiro sumido, tios, primos e irmãos desavindos e uma herança desaparecida por familiares gasganeiros.
Tenho pouca sorte neste capítulo, pois seja de metro, seja de autocarro, levo sempre com alguém que ou já está numa de falar para toda a gente ouvir, ou entra no transporte já a falar de modo a toda a gente ouvir ou entediado pela viagem resolve puxar do telemóvel e conversar como se estivesse em sua casa (às vezes chego a  duvidar que em casa berrem tanto). Também levo sempre com os que resolvem colocar  os fones e elevar o som da música a níveis de arrebentamento de tímpanos alheios. Para piorar ainda mais, lá está a sempre eterna quizomba e/ou  Anselmo Ralph.
Há tempos li que ia ser penalizado com multa, mau comportamento nos transportes públicos, como colocar a música demasiadamente alta  de modo a incomodar os outros passageiros e outras coisas que tal, como colocar os pés sobre o assento, gritarem, asneirarem....mas não li nada sobre as conversas escandalosamente altas ao telefone. A lei deveria começar por aí.
Procuro e sempre procurei não falar aos telemóvel em transportes públicos e talvez por isso  desagrada-me imenso ouvir a conversa dos outros e muito menos que essas conversas sejam tidas aos altos berros. Este exercício de voyarismo passa-me ao lado.
Talvez haja quem se divirta com isso, eu não, porque fico incomodada. É como  que de repente se abrisse uma porta e eu  entrasse na esfera privada do outro sem que esse outro se importasse com isso. Desbobinar conversa assim de modo a que todos oiçam é algo que para mim é absolutamente incompreensível e isso leva-me mais uma vez a pensar que o ser humano é decididamente uma eterna caixa de surpresas muitas das vezes bastante desagradável e ruidosamente incomodativa.

sexta-feira, maio 01, 2015

Brincando aos Deuses

Sem exagero este Ex_Maquina é para mim um dos melhores filmes que vi este ano.
Adorei a história, bastante credível, os personagens absolutamente fantásticos e a fotografia que é de se tirar o fôlego.
Oscar Isaac que eu amo de coração sempre fantástico e com um desconhecido Domhnall Gleeson  que é para mim um actor a ter em atenção.
Alicia Vikander está absolutamente irreconhecível nesta incrível mulher robot ,ela que estava já fantástica no filme Um Caso Real.
Está de parabéns o realizador, escritor, argumentista británico Alex Garland  ele que já nos tinha dado o filme 28 Days Later.
Este Ex_Machina é um filme a ver com atenção e a comparar com AI de Steven Spilberg e Blade Runner de Ridley Scott.

domingo, abril 26, 2015

Acordar Lento

Sou de acordar cedo e ficar logo desperta. Que me lembre nunca sai da cama e fiquei a andar pela casa feita um zombie. Quando me levanto o meu relógio biológico como que entra no ritmo stand up and go. Também não sou de ficar com aquele aspecto de quem saiu da cama e está com vontade de se meter lá outra vez. Levanto e pronto, estou desperta para o dia. Devido a isso faz-me imensa confusão e até alguma perplexidade que o meu homem leve perto de uma hora a ficar desperto. Sai da cama e rola autenticamente pela casa como um morto/vivo, sem saber onde está e com um humor desgraçado. Não tem apetite, não fala e fica para ali sem saber bem onde está. O ritmo matinal dele é tão lento que quando viajamos e temos que nos levantar muito cedo, e caso a viagem seja de avião, mal entra no dito cujo e aperta o cinto,  adormece imediatamente! Chega a ser uma coisa digna de uma foto e qualquer dia tiro mesmo uma. Adormece de tal maneira que até ressona e o avião ainda nem rolou na pista.
Quando a viagem é de carro, sou eu que tenho eu guiar os primeiros quilómetros e ele adormece quase em seguida. Quando é de comboio o procedimento é igual ao do avião.
Questionado sobre isso ele disse-me que sempre foi assim desde pequeno e que era um suplicio ter de ter aulas logo pela manhã. Lembro-me de uma viagem que fizemos à Tunísia com um casal amigo e o modo como ele dormia no carro alugado enquanto eu  e o outro casal íamos conversando na longa estrada do deserto. Todo esse sono era por conta de ter tido de se levantar por volta das 7 horas! Ele praticamente desde o hotel até ao carro mal tinha aberto os olhos. Nós os três ríamos  do modo como ele dormia placidamente enquanto nós apreciávamos  a bonita paisagem  e tagarelávamos alto sem que nada o acordasse.
 Como professora que sou, deixei de ser tão severa com os alunos que nas aulas da manhã estão como que catatónicos. Percebi que há pessoas com um lento ritmo matinal e que as primeiras horas da manhã são autênticos suplícios, pois  o corpo recusa-se a acordar e a mente como que fica embotada para a vida. Já tive alunos que no fim da aula me vinham dizer que ficavam impressionados com a genica que eu demonstrava ter em horas tão escandalosamente cedo para  o ritmo deles. Mas, e há sempre um mas, quebro com muita facilidade à noite. Não sou de noitadas. Chega uma determinada hora e como que morro para a vida. Tenho que me deitar e dormir. Sou um pouco como as galinhas. Não me importo nada de me deitar cedo.
O nosso organismo é um mecanismo complexo e cada dia se descobre mais e mais sobre ele. Penso que os seus segredos nunca serão completamente revelados e para mim ainda bem, pois a tendência que  o ser humano tem para imitar o criador levaria-o a mexer com coisas que a meu ver não devem ser mexidas.
 Somos seres biologicamente muito bem feitos e se não fossem as terríveis doenças que a ciência não consegue debelar e os múltiplos defeitos que fazem parte do nosso ADN seríamos máquinas magnificas.
P.S.Qualquer semelhança com a realidade vivida é pura coincidência!

sexta-feira, abril 24, 2015

Guerra por um Trono


Esta quinta temporada de uma das minhas séries preferidas ( as outras são The Affair e Walking Dead) começou muito morninha. Até estou a estranhar esta calmaria toda. Tirando os ameaçadores dragões e a ameaçadora dragona que é a Cercei Lennister, que são sempre assustadores, está-me cá a parecer que esta bonanza não vai durar muito mais tempo. Não tarda nada a coisa muda e matam um personagem  de que ninguém estava a espera.
Eu cá  só espero é que não toquem no meu anão preferido o soberbo Tyrion Lannister e no meu querido Jon Snow !
 

quinta-feira, abril 23, 2015

Shoen Uemura


Shoen Uemura é uma  pintora japonesa nascida em 23 de Abril de 1875 e falecida em 27 de Agosto de 1949. O Google recorda-a hoje merecidamente pois a mesma foi uma  pintora fantástica.
Adoro o seu estilo e traço muito delicado e pormenorizado. As muitas rapariguinhas e mulheres japonesas  pintadas por Ueruma são sempre delicadas e etéreas.
  Lindo!

 
 

segunda-feira, abril 20, 2015

Idiossincrasias de um week end

Grant Wood-Gótico Americano
Ao Jantar de Sábado
 
Ele: Olhá lá, há muito tempo que não como daqueles maravilhosos hambúrgueres no pão do...Está-me  cá a apetecer um desses e se  visse um à frente marchava logo!
Ela: Podemos lá ir hoje...
Ele: Hoje não vai dar jeito, tenho dois documentos para fazer e tenho-o que os enviar ainda esta noite!
Ela diz que vai num instante ao supermercado...mas o que faz é ir buscar o jantar. Traz um hambúrguer simples para ela acompanhado de salada e para ele um hambúrguer no pão com batata frita e arroz, pois é disso que ele gosta e ela sabe que o dito marchará em três tempo!
 Chega a casa com o saco e ele delira com a surpresa.
O homem come tudo, mas tudinho mesmo e no fim diz:
Tenho de parar de comer hambúrguer no pão. Engorda muito!
Ela: Mas tu há um par de horas disseste que é o mais querias!!! E não estás nada gordo!
Ele: Estou gordo sim...e reitero que não quero mais comer disso no pão, nunca mais! Aliás nem sei bem de onde me veio essa ideia de jantar carne, pois o que eu gosto mesmo é de jantar peixe!
 
Ao pequeno almoço de Domingo
 
Ela: Que queres para pequeno almoço?
Ele: Nem sei...estou ainda azamboado de sono.
Passa meia hora e ele a andar pela casa feito uma barata tonta e ela quieta a ler uma revista, pois já tomou o pequeno almoço e só quer é relaxar.
Ele: Fazes-me um sumo D.Tox, daqueles que fazes tão bem?
Ela levantasse e vai a cozinha fazer o dito sumo. Procura por ele e ele enviou-se outra vez na cama porque diz que ainda não está bem acordado mas fica contente de a ver de copo e jarro de sumo na mão.
Ele: Hãaaa é o que me apetece.
Ela entrega-lhe o copo com o sumo D.Tox que até está mesmo muito bom, pois ela provou.
Ele: Mas o que é isso. Está super grosso. Deitas-te toda as beterrabas que havia no frigorifico?
Ela:Não, só deitei 3 pedacitos, o resto é banana, maça, e tomate.
Ele: Não gosto disso assim...está muito grosso. Não gosto.
Ela deixa o jarro na cozinha e vai ler a revista outra vez.
Ele aparece perto dela de copo na mão e continua a dizer que está grosso e que não gosta assim..
Ela: Deita água, fica mais fino.
Ele: Mas perde qualidades, fica aguado!
Ela: Então bebe assim...
Ele: Não gosto assim...Vou guardar no frigorifico, pode ser que logo me apeteça.
Ela: Ah...logo está ainda mais grosso, pois vai assentando...
Ele: Logo se verá.....
Durante a manhã foi bebendo todo o sumo que estava muito grosso ....
 
Ao almoço de Domingo
 
Na cozinha. Ele resolve fazer o almoço. Legumes e salmão grelhado. Ele é que vai cozer os ditos e grelhar o peixe.
Ela põe a mesa e repara que os legumes estão super cozidos e o grelhador está quase a pegar fogo a casa de tão quente que está. Resolve não falar dos legumes e opinar sobre a chapa de grelhar que está no lume há 10 minutos.
Ela: Olha que o grelhador está já quente..
Ele: Não está não, o peixe quer um grelhador muito quente, senão pega!
Atira para lá agua e apesar da agua desaparecer instantaneamente continua a dizer que o grelhador ainda não está quente. Ela abre a janela, pois teme que a cozinha pegue fogo. Avisa-o novamente sobre o grelhador e ele diz que não está ainda pronto a receber o peixe. Ela deixa de se incomodar e senta-se a petiscar, mas já temendo pela sua vida.
Ele resolve colocar o peixe. Ele agarra-se instantaneamente ao grelhador pois foi tirado co congelador há 15 minutos!
Ele: Tanto insististe que coloquei o peixe e afinal a chapa ainda não estava suficientemente quente, e olha para isto, tudo pegado.
Ela: Está pegado porque o peixe estava congelado e não colocaste um pouco de gordura na chapa!
Ele: Não, está assim porque a chapa não estava ainda quente.
Ela: Mais quente e era capaz de saltar do fogão e sair porta fora...
Ele: Hã...que engraçada...Não sabes grelhar peixe nem conheces a sua ciência...há ciência por detrás de um grelhado....
Ela: Pois, eu é mais comê-lo....
 
Ao jantar de Domingo
 
Ele: Que tal irmos comer um hambúrguer ao...o que comi ontem não me satisfez!
Ela: What F....
P.S.Qualquer semelhança com a realidade vivida é pura coincidência!





sexta-feira, abril 10, 2015

Porque sou um Homem...

Um belíssimo filme italiano contra a violência doméstica e sobretudo uma lição de educação cívica que deve começar a  ser feita desde muito cedo.

quarta-feira, abril 01, 2015

Leviatã

Leviatã é uma figura mítica. Há diversas interpretações  da mesma. Monstro marítimo que atormentava os navegadores (associados a baleias gigantes), o monstro mais poderoso dos mares. Está também conotado com o símbolo da mais pura inveja que o homem é capaz de sentir. 
Vai ser pois esta figura mitológica que dará nome ao recente filme do realizador russo Andrey Zvyagintsev, um filme majestoso, triste, terrível, angustiante, claustrofóbico e que fez com que ganhasse o Golden Globes para Melhor Filme EstrangeiroMelhor Argumento no Festival de Cannes, Leão de Ouro na edição de 2014 do Festival de Cinema de Veneza e Nomeação para Melhor Filme Estrangeiro no ultimo Óscar e que só não ganhou porque estava lá outra obra portentosa que é o Ida.
Ver este Leviatã é entrar no mundo da mais pura ganância, maldade, corrupção, inveja, engano e morte. É um mundo assustador este que o realizador nos dá de uma Rússia na mais acelarada das transformações e que com isso tritura os mais fracos e indefesos neste caso na figura de Kolya a personagem principal interpretada magistralmente pelo actor Aleksey Serebryakov que vivendo numa pequena cidade o Mar de Barents, norte da Rússia, muito próxima do circulo  polar Ártico vê toda a sua vida ser modificada pela corrupção e ganância de gente poderosa que acolhida no seio da igreja ortodoxa não olha a meios para alcançar os seus fins. É também um filme profundamente metafórico, posto que o que ali vemos é  que Kolya nada mais é do que o símbolo de uma velha Rússia que está paulatinamente a desaparecer. Ele procura  acerrimamente guardar as memórias dos seus antepassados configurados na robusta casa de madeira que o mesmo habita com a mulher e o filho, casa esta  implantada na paisagem, como que fazendo parte da mesma e cuja destruição levará para sempre  memórias que nunca mais voltarão.  Para que isso não aconteça Kolya  vai lutar, sabendo no fundo de si que é uma luta inglória. Daí o desespero e o afogar do mesmo em toneladas de vodca! Aliás, a vodca corre livremente, e estes homens e mulheres endurecidos  e desesperançados da vida   refugiam-se nela e no tabaco, como se de ambos viesse a salvação de todos as suas misérias físicas e morais.
Coadjuvado por este portento de interpretação que é a actriz Elena Liadova e pelo jovem actor Serguei Pokhodaev este Leviatã é um acontecimento cinematográfico ímpar.
Ver estes homens que passam os dias e as horas a beber vodca, como os corredores bebem água numa maratona e ver como o Estado e a Igreja são capazes dos actos mais bárbaros camuflados na palavra do Senhor e numa pseudo verdade ético-moral  é sentir que de facto o ser humano é o predador mais terrível a face do planeta. 
Tal com escreveu Peter Bradshaw no Jornal The Guardian, 'Leviatã é um drama trágico, convincente na sua seriedade moral, com uma gravidade e uma força que se transformam numa terrível e aniquiladora  forma de grandeza'.
Um filme imperdível. 

quarta-feira, março 25, 2015

Henri Rousseau-O Encantador de Serpentes


Sempre gostei do pintor Henri Rousseau (nascido em Laval a 21 de Maio de 1844  e falecido a 2 de Setembro de 1910 em Paris) devido à ingenuidade das suas obras.
 Aliás vai ser precisamente o seu modo de pintar  que dará inicio a pintura naif/ingenuidade. Conhecido também por Henri O Aduaneiro devido ao facto de ter sido esta a sua profissão até larga-la e passar a viver apenas da pintura, Henri-Julien-Félix Rousseau, conhecido por Henri Rousseau, criou um conjunto de telas extremamente originais e cuja temática está pejada de animais e de natureza.
De facto, a selva povoada de animais selvagens, misteriosa e exótica, fazia parte do imaginário deste pintor. Dizia a quem o quisesse ouvir que isso derivava do que tinha visto na sua estadia no México, mas é hoje sabido que o pintor nunca esteve nesse país e que portanto vai buscar esse imaginário selvático a livros do qual era fervoroso apaixonado e a visitas regulares ao Jardim das Plantas de Paris.
A tela que aqui surge denominada de O Encantador de Serpentes parece tirada de um conto infantil de tão ingénua que a mesma é. Esse encantador  a que alude o título é uma figura negra em que sobressaem uns olhos muito abertos e a flauta que tem encostada à boca. Está no meio da selva e ao seu redor vemos serpentes e um palmípede encantador cujos tons rosa e verde claro dão uma nota viva à tela aliado às bonitas e bem executadas  plantas que vemos em primeiro plano.
Este palmípede é  um animal bonito e que está caracterizado de forma infantil mas irresistível na sua beleza e elegância.
  O encantador de serpentes está perfeitamente integrado no meio ambiente não só pela localização, ou seja em pé no meio do matagal que o rodeia mas também pela sua acção: encantador de serpentes, levando o gentil palmípede a extasiar-se perante a cena e não se assustando com as negras serpentes que dançam ao som da flauta e se enroscam à volta do pescoço do encantador.
 Será que o que aqui vemos é o retorno do homem à natureza? Afinal este encantador como figura algo estranha que é, pouco se assemelha a um ser humano. O seu rosto  transmite-nos mistério, exotismo, e muita magia.
Em segundo plano corre um rio e vemos uma lua muito amarela  ao longe
Uma tela esplendorosa e que eu amo de coração. A mesma poderá ser apreciada no Museu D'Orsay em Paris.

quinta-feira, março 19, 2015

Citizenfour

Vencedor do Oscar de Melhor Documentário, Vencedor Bafta de Melhor Documentário, Melhor Documentário para o NewYouk Critics Circle, Melhor Documentario para o Los Angels Film Cristics Circle e Selecção Oficial do Lisbon  Estoril Film Festival está desde a semana passada em cartaz exclusivo nos cinemas Medeia, este incrível Documentario que é  CitizenFour.
 Fui vê-lo e amei, posto que o  que ali  vemos é o suficiente para nos deixar de cabelos em pé.
 É um documentário extremamente  tenso, revelador, assustador... a principal fábula  politica da idade digital, como se lhe referiu o The New York Times.
Edward Snowden,  ex analista deste "império tentacular" que é a agência de informação /serviços secretos NSA, conduz-nos através da camâra de Laura Poitras e  das interrogações e perplexidades do jornalista Glenn Greenwald, do Jornal The Guardian, a um mundo de partilha de informações de modo a que possamos tomar conhecimento deste big brother que é o programa de vigilância massiva de milhões de cidadãos entre os quais se encontrava Angela Merkel e Dilma Russef, só para citar os mais conhecidos e que sob a capa da luta anti terrorista nada mais é do que a pura devassa da privacidade alheia.
Acusado pelo governo dos E.U.A. de roubo de propriedade e actos de espionagem e escondido durante um mês num quarto de hotel em Hong Kong, onde decorre grande parte do filme e onde a tensão é bem visível e quase palpável, E.Snowden pede asilo no Equador, mudando-se então de H.Kong para a Rússia, país que recusa a sua extradição. Depois de vários países lhe terem oferecido asilo, Snowden decide ficar na Russia onde vive actualmente com a companheira.
Produzido por Laura Poitras (que também o realiza) em parceria com Steven Soderbergh este Citizen four é um documentário imprescindível e assustador naquilo que expõe acerca dos tempos que vivemos em que nada é respeitado em nome de uma segurança que não proteje e tudo controla. Imperdível!

quarta-feira, março 18, 2015

E cá está mais um Ano

Eu não os queria, mas cá está mais um ano em cima das costas!
"Estás fresca...!"
 "Estás muito bem, com uma pele óptima... há quem na tua idade esteja um lixo e com uma pele lixada...tu não...!".
 "Olha a idade é um posto...."
 "Pensa que a partir de agora só farás o que te agradar e  que te der prazer..."!
Ah...esta última agrada-me imenso, posto que é a que eu penso seguir religiosamente!
 Ops...como se as coisas fossem assim tão fáceis!
 Enfim...o que interessa é que se tenha saúde, bons amigos, familiares com saúde e sempre prontos a ajudar, colegas de trabalho solícitos e leitores do blogue amorosos.
O resto é mais um ano e que haja bolo e uma taça de champanhe.
Para o ano haverá mais um se Deus quiser!

domingo, março 15, 2015

Gustav Klimt-O Beijo

O Beijo
Gustav Klimt, pintor austríaco que eu amo de coração ( não vejo a hora de estrar o Woman in Gold com a  sempre brilhante  Helen Mirren cuja temática é precisamente uma das telas deste pintor roubadas durante a segunda guerra mundial pelos nazis) nasceu em em Baumgarten, Viena, a 14 de Julho de 1862 e faleceu em Viena, a 6 de Fevereiro de 1918.
Descendente de uma família de artistas e de artífices, herdou do pai um grande gravador de ouro o gosto por telas cujas personagens se encontram como que envoltas numa paisagens feita de ouro puro e que lhes dará um toque inconfundível e ao mesmo tempo irresistível. Amado pelos seus pares e pelos apreciadores de arte em geral Klimt produziu retratos elegantes, associados a formas estilizadas e a cores artificiais, criando assim o seu próprio conceito de beleza extremamente harmoniosa.
Retrato de Klmt feito por Egon Schiele
A sua tela o denominada de O Beijo  que aqui aparece é o exemplo disso e nela podemos ver uma obra decorativa deslumbrante, assim como  apreciar a fusão de duas figuras numa só e onde podemos ver a ansiedade do elemento masculino que agarra o rosto da rapariga cujo corpo  como que se funde dentro do outro. Neste contexto, só o  rosto e as mãos deste par se tornam visíveis, pois tudo o resto é um grande turbilhão dourado, cravejado de rectângulos coloridos, sugerindo em toda a sua plenitude uma explosão física e emocional extremamente erótica.
É de facto uma tela magnífica!

terça-feira, março 03, 2015

Olhos Grandes

Este é a meu ver a par de Ed Wood e de Eduardo Mãos de Tesoura (que tem um cantinho especial no meu coração) um dos melhores filmes de Tim Burton. Estou a falar-vos de Big Eyes (Olhos Grandes) o novíssimo filme do realizador que sem o seu actor fetiche, Johnny Deep, (a fazer disparates por outras paragens) e a sua mulher Helena B. Carter, mas com uma extraordinária Amy Adams e um não menos talentoso e sinistro Christoph Waltz consegue dar-nos um dos grandes filmes do ano.
Auto retrato de Margaret Ulbrich 
Amei este Grandes Olhos, tanto mais não seja pela incrível história verdadeira  da pintora Margaret Ulbrich que casada em segundas núpcias com Walter Keane, vê as suas obras serem apropriadas por este último,um homem que durante a sua vida (morreu em 2000)nunca foi capaz de fazer qualquer coisa em termos artísticos, sem que consiga fazer nada, numa submissão absolutamente vampiresca por parte daquele, um homem violento, mau, manipulador, sedento de fama e de dinheiro.
 É um filme sublime pois nele não só vemos o percurso atormentado desta mulher que durante mais de 10 anos pintou obras que depois eram vistas por toda a gente como sendo do marido, obras essas de um kitsch absolutamente delicioso.
De facto,  o que ali vemos são centenas de telas onde o elemento principal são crianças de olhos estranhamente grandes e escuros,  quase sempre abraçadas a animais ou sozinhas em poses de total abandono  e/ ou tristeza e que durante os anos 50 e 60 fizeram as delicias de muita gente que foi adquirindo essas telas/posters/cartazes inaugurando-se assim uma tendência de massificação da arte tão do agrado de muitos e tão do desagrado de alguns críticos de arte horrorizados com tal objecto artístico.
Este Big Eyes é  de um Tim Burton algo ao arrepio do que temos ultimamente visto e que sem pudores vai abraçar esta história incrível e com contornos algo macabros, pois Wlater Keane para além de se ter apropriado das obras da mulher e de viver dos louros da mesma, não hesita em tentar matar Margaret  e a enteada quando vê as mesmas escorregando-lhe por entre os dedos.
 Este Big Eyes  tem também a meu ver uma das mais hilariantes, absurdas e extraordinárias  cenas  de tribunal onde toda a verdade vai ser descoberta. Perguntei-me a mim mesma no fim do filme, se tal cena teria existido e se de facto ela existiu ficará para sempre como uma das coisas mais assombrosas que algum dia deve ter passado por um tribunal.
Com uma  Amy Adams em estado de graça (ainda não sei como esta mulher falhou a nomeação a um Óscar se bem que tenha ganho um Globo de Ouro) e um Cristopher Waltz a lembrar-nos os tempos de Sacanas sem Lei do Quentin Tarantino , e que consegue com a sua prestação que nos fixemos com espantosa atenção na sua personagem quanto mais não seja pela sua absoluta falta de escrúpulos e de moral, este Big Eyes é um filme a ver com atenção e em completo estado de estupefação.