quarta-feira, abril 16, 2014

Budapest Hotel

Na semana passada fui ver o novíssimo filme  de Wes Anderson, o Budapest Hotel, desta vez com um argumento baseado no romance do romancista vienense Stefan Zweig e do qual o realizador presta homenagem no princípio do filme.
Seguidora da obra deste realizador desde que vi "Os Tenenbaums" e pertencendo à categoria dos que amam os seus filmes, não estranhei o que ali se passa, assim como adorei o  o seu muito suis generis posicionamento de câmara, os seus estranhíssimos personagens, aquelas paisagens, as caracterizações  e sobretudo o enredo.
A trope está lá toda  à excepção de Ralph Fiennes  que se não me engano é a primeira vez que trabalha com este realizador (e logo ficando com o papel principal),  F. Murray Abraham, Mathieu Amalric, Saoise Ronan e  Adrien Brody, num papel muito engraçado pois concentra em si toda a ganancia do mundo, típica de herdeiros ociosos e maldosos que são capazes de matar  para se apoderarem da fortuna de um membro da família mais idoso.
Gostei também de ver William Dafoe dar corpo a um psicopata servindo-se do seu rosto para uma caracterização impar, assim como amei ver Jude Law num papel que já nos habituou, o de narrador da história mas que é parte importante na mesma, assim como  Saoirse Ronan que está maravilhosa com aquela tatuagem na cara com o desenho do México.
Só mesmo Wes Anderson para caracterizar deste modo os seus personagens!
 Dessa sua  trope podemos ver Harvey Keitel Bill Murray, Edward Norton ,(um habitué dos filmes deste realizador) ,Jason Schwartzman, Jeff Goldblum, Léa Seydoux, Tilda Swinton, (irreconhecível sob camadas de maquilhagem e que a transfiguram por completo) Tom Wilkinson, Owen Wilson, entre outros.
Até os secundários são actores conhecidos. Penso que só amando muito os filmes deste realizador e a fama que advém dos seus filmes conseguem reunir um tão grande numero de gente conhecida. Todos estão bem, todos estão afinados como as cordas de um bom piano, a música acerta afinadamente com o desenrolar da acção.
 A história, é muito engraçada pois decorre na fictícia República de Zubrowka onde um Ralfh Finnes com bigodinho e muito empertigado faz de  Gustave H, "concierge" num luxuoso hotel, que dá nome ao filme e  que ao longo dos anos se foi tornando famoso  pela sua habilidade em  satisfazer os hóspedes mais exigentes, incluindo nesses favores os de cariz sexual com as suas hospedes mais velhas,  que o amam e  esse amor é  retribuído pelo mesmo.
Ao seu cuidado está Zero Moustafa,(o imperdível Mathieu Amalric), um jovem e muito dedicado paquete que tem por ele uma admiração sem limites e que sonha seguir o seu exemplo. Apesar da crise económica e instabilidade política da época, tudo se passa com relativa tranquilidade até à morte de Madame D.,(a irreconhecível Thilda Swinton) amiga e amante de Gustave, e ao desaparecimento de um valioso quadro renascentista.
 Acusado injustamente de homicídio e roubo, ele está decidido a provar a sua inocência, limpar o seu nome e salvar o hotel da ruína que se avizinha. A ajudá-lo, terá o jovem aprendiz que, depois de tudo, passou a ser o seu único amigo de confiança.
O mais engraçado e que eu adorei, foi ver aquelas paisagens tipo Alpes Suiços, os  ascensores que parece que vão em direcção ao céu, aquele magnífico  hotel com escadas que nunca mais acabam, os quartos muito estranhos e sobretudo os  hóspedes que o habitam, para não mencionar o pessoal que os atende. Só a sala de jantar onde parte da acção decorre é de ficarmos boquiabertos, pelas suas cores  vivas que vão fazer perfeito contraste com a neve que cai durante parte da acção, mas que nem por isso refreia aquela gente que parece electrica.
A acção é non stop, e o mais incrível é que apesar do espaço enorme do hotel e da imensidão de gente o realizador nunca perde o norte e consegue até ao fim contar uma história perfeitamente perceptível e onde no fim tudo se encaixa perfeitamente.
Adorei este Budapest Hotel e recomendo-o vivamente.

segunda-feira, abril 14, 2014

Mobile Lovers

Mobile Lovers.
 Este é o novo  graffiti do artista  de rua  Banksy. O título diz tudo.

segunda-feira, abril 07, 2014

Um Bom Spot Publicitário

Nascido para a Internet.Fantástico!

Uma Fatia de Bolo


Há tempos, fui num fim de semana a  um centro comercial, nos arredores da cidade de Lisboa almoçar com uma ex colega e amiga. Ela nunca tinha comido sushi, eu gosto muito e fomos lá para ela se introduzir nesse mundo de comida saudável e em que o peixe é rei e senhor. Ela como não sabia comer com pauzinhos, não teve problemas nenhuns porque eu fui já munida de uma pecinha em plástico que se coloca em cima dos ditos pauzinhos e voilá, parece uma pinça e para quem não saiba manejar os pauzitos isso resolve  muito bem o problema. A questão mesmo é escolher , porque tudo é bom, tudo é saudável e só pensamos mesmo é enfardar aquilo que está ali à nossa disposição no menu. Pena é o preço, porque sushi e preços baixos não combinam. Pode ser que se venham a acasalar num futuro próximo…mas duvido muito. Bem, ela adorou tudo e depois de comermos como se não houvesse amanhã, tínhamos que tomar um cafezinho para a coisa esmoer. Também havia a hipótese de andarmos pelas lojas do centro, mas como a tentação e gastar dinheiro em algumas pecinhas de roupa ou em algumas inutilidades para as dedos, o pescoço, pés e afins era muito grande e o dinheiro tinha ficado todo no bendito do restaurante  japonês optamos por ir mesmo é tomar café, sentarmos o rabiosque  numa cadeira e ficarmos a trocar novidades, uma vez que já não nos víamos há algum tempo. Percorrermos o centro a procura de um sitio confortável  e eis que essa minha amiga diz que o que lhe apetecia mesmo era ir ao Starbucks tomar um capuchino, coisa que ela nunca tinha feito. Eu avisei-a que as coisas por  lá eram para o carote, mas como dias não são dias entramos. Eu conheço bem o espaço porque há uns anos foi o Starbucks que me safou aquando de uma viagem a Hong Kong, visto que  por essa altura fui tomada de  uma vontade incontornável de tomar café  e comer cup cakes e só mesmo nesse café pude satisfazer os meus apetites. Lá como cá e desconfio que por todo os países onde esta marca está implantada, os preços são muito elevados e só mesmo a vontade descontrolada de tomar café e uns belos capuchinos é que me fazem entrar ali. Realizamos o pedido à prestável funcionária que nos atendeu e olhando a montra dos bolos dei com uma fatia de bolo com muito bem aspecto e que tinha o nome de bolo de cenoura  e especiarias Aquilo estava mesmo a chamar por mim, mas quando olhei o preço ia tendo uma coisinha má, visto que com aquele dinheiro eu em qualquer outro café comparava uma fatia de bolo  e tomava um galão e ainda sobrava troco. A custo desviei o olhar e fiquei-me pelo descafeinado e a minha amiga pelo capuchino. Cada uma de nós deu o nome à funcionária (uma bizarria do Sarbucks), dirigimo-nos à ponta do balcão para levantar as bebidas e sentamo-nos mesmo junto ao dito cujo, posto que só ali havia lugar uma vez que o espaço estava enxameado de nerds e não só... que vão para ali mais os seus gadgets informáticos, teclarem furiosamente, presumindo eu que conectados a paginas de facebook e afins. Se calhar eram todos desempregados, visto que a senhora Jounet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, saiu-se com uma há dias dizendo que os desempregados passam o dia nas redes sociais procurando amigos que nunca vão encontrar...acrescentando ainda outras alarvidades do género. No ver desta santa senhora, o desempregado tem de ser sempre um pobre coitado que nunca deve sair de casa a menos que seja para procurar o ganha pão, ter o cuidado contínuo de desligar o pc a menos que seja para procurar emprego,  resistir à tentação de cair nas malhas das redes sociais  ou então num caso mais extremo, deve é cair numa depressão profundíssima, posto que só assim estamos perante um genuíno desgraçado. social.Enfim....  
Bem, o que é certo é que as pessoas que ali estavam, desempregados ou não,  estava silenciosa à frente dos seus computadores e mesmo os que estavam acompanhados falavam muito baixinho imersos num mundo só deles, alheios a tudo o que se passava em redor. Ficamos ambas a falar sobre vários assuntos e eu de vez em quando ia mirando as fatias de bolo que olhavam para mim e sorriam descaradamente, principalmente a do bolo de cenoura. Não pude resistir, sou mais ou menos como o Oscar Wilde que dizia que “resistia a tudo menos à tentação” e levantando-me pedi à funcionária que me desse o raio de uma fatia de bolo. Vindo a mesma para a mesa dividia-a em dois e cada uma de nós comeu um pedaço. O bolo é muito bom, muito bom mesmo, mas penso que não justifica o preço, nem pouco mais ou menos. Comi a tentação devagar, saboreando todos os ingredientes e já com a ideia de chegada a casa fazer um bolo e degustá-lo no remanço do lar sem culpas de estar a dar uma fortuna por algo tão pequeno, visto que as fatias até são bem finas. Bem dito, bem feito. Depois de sairmos dali, (ah…pagamos um dinheirão por aquela loucura toda), vim para a net pesquisei páginas e páginas com receitas, vi mais ou menos o que a coisa levava, vi inclusive um post que falava sobre alguém que também tinha achado o dito bolo  do Starbucks bom mas caro ,(amiga, estou contigo!) fui ao supermercado, comprei os ingredientes vim para casa e fiz o bolo.Saiu perfeito!Tal e qual o outro e com a benesse de o ter todo para mim. Saiu até melhor. Não é tão doce, sabe mais a especiarias e satisfaz-me plenamente. O meu homem achou o raio do bolo divinal, também quer que eu faça um só para ele, para ele comer tudo de uma assentada e gasganeiro como ele é eu sei que ele é bem capaz disso.Estou a escrever este post, com a barriguinha cheia de um doce pecado que acompanhado com um cházinho, transformou o meu dia numa bela experiência gastronómica. Tenho a casa toda a cheirar a especiarias, uma das coisas boas deste bolo. E pronto, e mais não digo.

terça-feira, abril 01, 2014

Edvard Munch-Raparigas sobre uma Ponte

Já aqui abordei em posts anteriores algumas das obras de Edvard Munch um pintor norueguês que eu amo de coração, posto que as suas obras para mim são quase indecifráveis, pois recriam os seus estados de alma que como todos sabemos eram muito instáveis. Talvez por isso para mim seja muito difícil categorizar este pintor cujas pinceladas são tão livres e ao esmo tempo tão suas que fazem dele um artista único no panorama da pintura mundial .Edvard Munch tinha também outra característica interessante que era o de recriar uma tela várias vezes e o exemplo disso este "Raparigas sobre uma Ponte". Pessimista por natureza os quadros de Munch são por vezes algo sinistros e carregados de simbolismo que o espectador nem sempre capta à primeira ou mesmo à segunda vista. Procurava através dessas telas exprimir e talvez exorcizar as suas preocupações e isso fez dele um precursor do expressionismo do norte da Europa, visto que foi um artista cuja principal intenção era afirmar-se em termos emocionais, submetendo todos os elementos de uma tela a esse objectivo. Assim, Munch conseguia a proeza de pintar algo que à primeira vista parece totalmente inócuo, mas que se repararmos com atenção há sempre um elemento algo assustador como é o exemplo máximo o seu quadro "O Grito". Há muitas versões de "Quatro Raparigas sobre uma Ponte".Mostro aqui algumas delas. Talvez por Munch mostrar alguma obsessão por este tema poderemos achar que algo se agitava dentro dele, pois cada uma das obras vai mostrando um elemento cada vez mais estranho. As raparigas todas elas magas e jovens, aproximam-se ou afastam-se da água.




Em quase todas as telas, elas estão tão juntas que quase formam um corpo só. Estão imersas no seu mundo e desligadas de tudo. Conversam entre si o olham para a água.O elemento fundamental é o corpo e as cores garridas dos seus vestidos.Constrangidos, sentimos que a água deve representar alguma coisa. Elas estão em cima da ponte (outro elemento caro ao pintor) e as formas sombrias e pesadas do futuro assomam ao longe. Há uma frondosa árvore cuja sombra negra se projeta ameaçadoramente na água do rio. Contudo, não deixa de ser estranho que decifrar todo os eu significado equivaleria a reduzi-lo. Não podemos deixar de notar que Munch é um simbolista cujas ideias funcionam a nível subliminar. Quanto maior for a sua infelicidade, mais abertamente autobiográfica se tornou a sua arte.
Em 1908 começou a sofrer de uma grave doença mental e, embora nunca mais voltasse a sair da Noruega, onde viria a falecera sua indiscutível originalidade teve um grande impacto na geração seguinte de artistas. As obra aqui mostradas foram realizadas entre 1898 e 1900.

terça-feira, março 25, 2014

Um Enterro

Há 15 dias fui ao velório e posterior enterro do pai de uma grande amiga minha. O senhor tinha muita idade, começou a ter dificuldades em respirar, foi para o hospital, piorou muito e faleceu devido a insuficiência respiratória, pelo menos é isso que se julga uma vez que agora as certidões de óbito, feitas  informaticamente são totalmente inócuas e despidas de informação para os familiares. Antigamente as mesmas eram escritas à mão por um médico e lá vinha expresso o modo como a pessoa faleceu, mas ao que parece resolveram que já basta o sofrimento da morte e por isso não é preciso ler mais nada e fica assim tudo entre o faleceu-porque-isso-é-a-ordem-natural-das-coisas-e-vocés-não-têm-nada-que-saber-pois-essa-informação-fica-para-quem-tenha-competências-e-isso-não-é-o-vosso-caso e o levam-esse-papelinho-e-têm-muita-sorte-em- ficarem-com-algum-documento-passado-pelo-médico-que-certificou-o-óbito! Enfim....
Bem, o que é certo é que como minha amiga que sou dela e do irmão, fui ao velório e a o enterro. Tudo se passou numa pequenina aldeia para as bandas das Caldas da Rainha, uma aldeiazinha das antigas em que o pouco número de pessoas permite que todos se conheçam e que apareçam na igrejinha (por sinal, lindíssima) a cumprimentar a viúva e restantes familiares, a assistir à missa fúnebre com atenção e deferência para quem está a sofrer e posteriormente a acompanhar o caixão até à sua última morada. É daquelas aldeias que quem não vai à igreja e ao cemitério porque ao quotidiano não lho permite, vai mais tarde à casa da viúva dar os pêsames e se encontrar algum parente do falecido  na rua dá logo os seus sentimentos e mostra pesar. Foi aqui que pela primeira vez fui a um enterro a pé, atravessando a aldeia até ao pequenino cemitério. O carro funerário ia à frente com o caixão, atrás iam acólitos da igreja segurando estandartes vermelhos e as pessoas que quiseram ir até ao cemitério iam atrás caminhando lentamente. Estava um dia glorioso de sol e a minha amiga confessa-me que sendo o pai um homem ligado à terra, às flores e às plantas de certeza que estaria satisfeito por ser enterrado num dia daqueles.
Dei por mim enquanto caminhava a lembrar-me  do enterro da minha saudosa avô que  faleceu  há alguns anos e pleno mês de dezembro. Foi enterrada num dia de chuva e de  frio. O céu estava  muito nublado e  no fim do enterro  eu e uma grande amiga minha demos por nós sozinhas perante a sua sepultura porque a inclemência do tempo afugentou toda a gente para os seus carros, seres desejosos de  chegar a casa e aquecerem o corpo e a alma, pois de facto caía muita chuva e estava um frio miserável.
Assim, não pude deixar de lhe dar razão no que respeita ao bonito dia que estava. De facto, o tempo alegra as almas e apesar do momento triste as pessoas acompanhavam o caixão com passo leve, banhadas por aquele sol primaveril e tenho a  certeza que o falecido descansando agora eternamente também estaria a  regojizar-se por aquele dia tão claro e bonito. Chegados ao cemitério, o padre diligentemente  faz uma última missa e o corpo desceu à terra. Ficou num espaço muito bonito, rodeado por campas bem tratadas e onde se vê que ali os mortos estão permanentemente acompanhados dos seus entes vivos que um dia lhes farão eterna companhia. Nesse momento dei por mim a segurar o braço da minha desconsolada amiga e a pensar o quanto somos precários. Não somos nada, somos seres frágeis, despidos de qualquer super poder. Nunca percebi ( e agora mais do que nunca) o porquê de tantas guerras e mal entendidos.
A nossa inteligência que nos fazem distinguir dos animais( cada vez duvido mais dessa teoria), não nos protege de absolutamente nada. Do pó viemos e em pó nos tornaremos. Somos folhas lançadas ao vento. Umas vezes esse vento é brando, na maior parte das vezes é bem inclemente. Os imponderáveis da vida, em que hoje estamos bem, e daqui a pouco podemos ser atropelados ou receber a notícias que estamos com uma doença ou perder o emprego e entrarmos numa espiral de desespero e carências várias, a morte estúpida  num acidente de carro ou dentro de um avião (como é o caso mais recente do avião desaparecido) faz-nos refletir o quando não somos frágeis. 
Não há nada melhor para nos darmos conta da nossa fragilidade do que irmos a um enterro ou visitarmos os nossos ente queridos falecidos. É ali em contacto com a morte que a reflexão surge assim como a verdade nos é atirada em cara. A morte espreita a cada esquina.
Contudo, não posso deixar de pensar que é   bom não estarmos sempre a lembrar disso, porque é essa perspectiva de invencibilidade que permite e permitiu ao homem as suas mais incríveis criações.
Apesar disso, penso que não podemos pôr de parte em nenhum momento, que muito da nossa vida é feita sempre numa base muito precária, e talvez por isso inúmeros seres humanos são capazes de vender a alma ao diabo para nesta vida conseguirem tudo, passando por cima de todos.
 Ali naquele pequenino cemitério, dei por mim a pensar que o que nos resta nesta vida é levá-la o mais cabalmente possível, como entidades  imperfeitos que somos. Se todos os seres humanos pusessem  de parte a maldade, a inveja, e tantos outros defeitos que enxameiam a nossa alma e que nos envenena o espírito de certeza que criaríamos um mundo bem melhor. Como isso não é possível, resta vivermos o melhor possível e acarinharmos quem nos é próximo, tendo sempre em mente a ideia que somos seres mortais e que não ficamos aqui para sempre e que o eterno repouso está ali a um passo de distância, num pequeno cemitério de aldeia ou num de uma grande cidade.
Como alguém um dia disse, para morrer nada mais é preciso do que respirarmos todos os dias.
(Este post é para ti minha boa amiga, que estás a sofrer imenso porque adoravas o teu pai que eu tenho a certeza que agora está a descansar e a velar por ti, teu irmão e tua mãe.Coragem!)

segunda-feira, março 24, 2014

A Sala de Aula

Belíssima entrevista de Maria Filomena Mónica à Sic Notícias acerca do seu livro "A Sala de Aula".
Desassombro total. Magnífico!

Cartoons

Cartoons muito interessantes!












quinta-feira, março 20, 2014

Sandro Botticelli-A Primavera

Imersos nos afazeres do quotidiano, quase nem damos conta que hoje é o 1º dia de Primavera. Também o dia acordou algo enevoado e isso ajudou ao novo esquecimento. Há notícias mais importantes e por isso não damos conta que de mansinho ei-la que faz a sua aparição, convidando-nos a tirar os casacos, as botas e os cachecóis e a colocar uma roupinha e um calçado mais fresco. É também um convite a passeios ao campo, idas a jardins e se fizer calor a um 'saltinho à praia', porque não?
Parece impossível, pois ainda há pouco tempo chovia tanto, fazia um  friozinho desagradável e só apetecia estarmos em casa no calor tomando chá e carpindo mágoas por um inverno tão chuvoso. Para comemorar este primeiro diazinho de primavera nada melhor que fechar o meu pequeno ciclo de obras que apelam à alegria e ao convívio com um Botticelli que para além de ter legado à humanidade obras lindíssima, deixou-nos este "A Primavera" que é só do mais bonito que existe em matéria de arte.
Nesta tela vemos três graças em trajes muito diáfanos e que elegantemente erguem as mãos tocando-as ao alto. Olham umas para as outras de uma forma radiante. Para além  delas temos também Vénus que  ergue a mão direita de uma forma muito elegante e com a esquerda segura o seu bonito manto vermelho vivo. Flora está representada por um vestido florido belíssimo, que vai conferir à tela uma alegria e um aspeto primaveril incomensurável.
 No seu conjunto esta tela pode ser considerada uma das mais belas do renascimento italiano. É uma tela cheia de pormenores cheios de requinte e onde podemos denotar a escola florentina da época.


Possível Auto-retrato
 
O traço muito elegante e gracioso que Botticelli confere a esta obra, acaba por criar na mesma uma elegância tal que quase não nos apetece despregar os olhos dela. É óbvio que o artista quis também configurar na mesma um simbolismo mitológico e essa simbologia é um dos traços que vai conferir especial apreço a toda a obra deste pintor. O mais estranho é que pelo que eu já li Botticellli aquando da sua morte não era um pintor muito popular. Essa popularidade é-lhe conferida quando o mesmo no século XIX é redescoberto pelos pré-Rafaelitas, que passam então a admirar o seu traço muito delicado e quase efeminado e as suas telas  cheias de pormenores e onde a cor e os maneirismos das suas personagens se vão tornar irresistíveis. Sandro Botticelli nasceu e morreu em Florença.
Esta sua obra denominada de A Primavera é têmpera sobre madeira e pode ser apreciada na Galleria degli Uffizi , em Florença/Itállia. Uma obra soberba!

segunda-feira, março 10, 2014

Auguste Renoir- O Almoço dos Remadores

Continuando o pequeno ciclo de obras de arte que mostram pessoas em alegre convívio e amena cavaqueira, trago-vos hoje uma obra de Auguste Renoir(1841/1919) que eu adoro e que inclusive não descansei enquanto não arranjei uma cópia da mesma.
Esta obra é "O Almoço dos Remadores", uma tela com 1.30x1.75cm e que tem a particularidade de nela vermos algumas pessoas que eram muito queridas ao pintor. Assim temos, Aline Charigot,  que seria futura mulher do pintor sentada à esquerda, bem como o proprietário deste local Monsier Fournaise,(em pé por detrás de Aline)e  o  Barão Barbier, ao fundo, de cartola na cabeça.
Temos também nesta bucólica cena,  o pintor Caillebotte, sentado à direita do quadro  com um chapéu de palha.
Nesta tela iniciada por Renoir  no verão de 1881,vemos  que o pintor quis homenagear alguns dos seus amigos mais queridos e para isso vai servir -se do Restaurante Fournaise . Este ficava situado numa pequena aldeia chamada  Chatou, destino da moda para quem adorava passear à beira do Sena.
O mais fascinante nesta tela é que  enquanto os outros artistas se deixavam fascinar pelos padrões da natureza sempre em mutação, Renoir interessou-se mais pelas pessoas. Tinha um prazer simples em tudo o que  pudesse despertar a sua atenção e o seu bom humor, e tudo isso acabava por ser bastante visível nos temas das suas magnificas obras. Neste contexto, o que aqui temos é uma esplendorosa e alegre tela que mostra a capacidade de Renoir para captar  cenas deliciosas da vida moderna e registar o modo como alguns  parisienses seus amigos mais chegados, passavam os seus momentos de lazer.
É pois um quadro cheio de pessoas, mas também de objectos e de momentos felizes.
 O que aqui vemos é um mundo cheio de cor e onde as pessoas se relacionam entre si de uma forma descontraída.
 É uma tela que nos faz pensar em dias quentes e onde nos podemos sentar a uma mesa com amigos conversando calma e sossegadamente.
É de facto um quadro soberbo este "O Almoço dos Remadores".
O mesmo pertence ao The Phillips Collection, Washington, EUA

sexta-feira, março 07, 2014

Selfie versus Simpsons

Esta para mim é que é a verdadeira selfie da noite dos Oscares! Só Rir!

quarta-feira, março 05, 2014

P.Brueghel-O Banquete de Casamento

 Já anteriormente abordei aqui   num post a obra de Peter Brueghel, e hoje dando início a um ciclo de obras cuja temática  e a alegria, o convívio e a comida, inicio-a com a tela aqui presente intitulada de O Banquete de Casamento, realizada por  Pieter Brueghel em 1567/68.
Pieter Brueghel-O Velho, (para o distinguir das obras dos seus filhos também pintores) foi durante muito tempo considerado de um artista rústico, devido às temáticas das mesmas. Nascido em Breda na província flamenga de Brabante, foi o antecessor de uma série de Brueghels todos eles pintores. Contudo, nunca nenhum dos membros dessa família de grandes artistas surpreendeu tanto pela positiva como este Brueghel, o Velho. Sendo um homem muito viajado e culto, amigo de humanistas, nunca se percebeu bem o porquê do cognome de 'rústico' porque de rústico ele nada tinha.
Foi influenciado fortemente influenciado por H.Bosh e tal como este nas suas obras vemos uma autêntica continuação da tradição holandesa da pintura onde as paisagens, os usos e costumes ali estão  presentes sendo esta tela uma prova viva disso mesmo.Talvez o facto do pintor pintar cenas de camponeses com alguma frequência, obras cheias de sátira e algum humor, tenham levado a que o considerassem algo rústico e a sua obra algo tosca. Contudo nada podia estar mais longe da verdade porque toda a obra deste pintor está cheia de compaixão e muito amor pelas personagens ali presentes. Não deixa de ser verdade que se atentarmos na obra aqui presente não podemos deixar de reparar que a mesma mostra-nos as caras redondas e estúpidas dos convidados, a noiva gorda e patética, já embriagada e com ar complacente tendo como pano de fundo um pano verde que acentua ainda mais o seu volume. Ela é jovem, simples e humilde, tem um ar meio apalermado no seu momento de triunfo, o dia do seu casamento. Os convivas devoram a comida com avidez, vemos pratos modestos de papas de aveia e de leite creme a serem servidos numa tábua tosca e levada por dois gordos ajudantes, tudo isso se passando num celeiro pouco decorado, mas com grande realismo.
A rusticidade de  P.Brueghel, talvez esteja no facto de ter uma boa 'mão' para pintar pobres e as suas festas algo miseráveis. De facto, é com grande precisão que ele pinta uma criança que sentada no chão lambe com satisfação e delicadeza a tigela vazia, assim como pinta com grande mestria o flautista que tem de continuar a tocar até receber o seu quinhão. Ele contempla as papas de aveia com ar ávido de um verdadeiro esfomeado.
Esta não é uma obra cómica, o que aqui vemos é um tema sério, o da degradação da classe trabalhadora, em apreço a classe camponesa, tratada com humor, mas com grande compaixão, carinho e amor por este excecional pintor que foi Pierre Brueghel.

segunda-feira, março 03, 2014

Oscares 2014

E pronto, a cerimónia dos Oscares foi neste domingo (em Portugal devido à diferença horária a cerimónia já é transmitida no dia 4), não houve grande surpresas, porque já se sabia que  oscarizados iam ser os filmes estreados 3/4 meses antes da cerimónia  e era mais  que sabido quem eram os grandes favoritos a esta estatueta tão apetecida.
 Lá estaria 12 Anos Escravo, Gravidade, O Clube de Dallas, Golpada Americana, O Lobo de Wall Street, Blue Jasmin,Capitão Philips, Filomena, Her,Nebraska,, Frozen, Um Quente Agosto, entre mais alguns e no fim ganhou 12 Anos Escravo como Melhor Filme, mas não como melhor realizador, uma bizarria que a Academia já nos habituou vai para dois anos e Gravidade como Melhor Realizador.
A  haver surpresas para mim, foi Lupita N'yongo ter levado a melhor sobre Jennifer Lawrence e Cate Blanchet sobre Meryl Strrep. Depois de ter visto este magnifico filme que é Um Quente Agosto e comparando as prestações desta última e de Julia Roberts , considero que a Julia Roberts merecia bem levar o Oscar uma vez que carrega o filme às costas de uma forma soberba, sendo talvez para mim, a sua melhor prestação no cinema. Nem no Erin Bracovich, filme que lhe fez levar uma estatueta para casa, ela esteve tão bem.
Her-Uma História de Amor ganhou merecidamente o Óscar para Melhor Argumento adaptado e nem outra coisa era de esperar de um filme assim tão surpreendente.
Mas, e há sempre um mas, a surpresa das surpresas, foi O Lobo de Wall Street e Golpada Americana terem saído de mãos a abanar, coisa muito inesperada, porque são dois Grandes filmes, de dois bons realizadores entre os quais esta o incomparável Martin Scorcese. Não terem ganho prémio algum foi para mim e para muitos que amaram estes dois filmes, uma grande desilusão!
 O Leonardo diCaprio, arrisca a ser como aqueles escritores que estão quase a ganhar o prémio Nobel e nunca o conseguem até ao fim da vida. Parece-me que a exemplo destes últimos, o meu querido Leonardo vai ficar sempre a apanhar 'bonés' o que é uma grande injustiça, tendo em atenção que já vimos gente a ganhar Oscares por papéis que não lembram o diabo. Na verdade a Academia deve ter tido muita dificuldade este ano no que respeita aos melhores actores. Estavam em jogo muito boas interpretações e talvez o facto de o Mattew MacConaughey ter emagrecido aqueles quilos todos e a sua interpretação tão sofrida tenham feito a Academia dar-lhe o prémio maior que  é o  Oscar.Se não houvesse este O Clube de Dallas, talvez o Leonardo diCaprio levasse o oscarzinho para casa, talvez....
 E no que respeita ao Oscar de  Melhor Realizador?Eu gostei muito do Gavidade, mas no grande ecran. Se o trouxer para casa e o visionar numa televisão toda a magia dele se perde. Não é um filme que resista a um ecran pequeno, não se aguenta, é um filme que vive da magia da grande imagem é isso que faz a sua força, tirando isso ele perde e muito. Por amor de Deus, senhores membros da Academia, reciclem-se, desapareçam e dêem lugar a quem perceba de cinema!
E com isto termino , dizendo que adorei ver Lupita N'yongo subir as escadarias como vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária, ela é linda, simpatiquíssima, humilde, veste-se muito bem, ela é uma grande actriz e Deus queira que não se perca em papeis menores.
O Mattew MacConaughey, lá levou o Oscar para Melhor Actor nesse papel algo visceral que o mesmo faz no O Clube de Dallas, onde, como já o disse anteriormente, teve de emagrecer 15 quilos e com esse filme alcandorou à categoria de um bom actor, algo que já se via nos sues filme 'Morre...e Deixa-me em Paz' e 'Fuga'. Deixou de ser um histérico e está aqui para grandes papeis e os 15 minutos em que aparece em O Lobo de Wall Strret são prova disso mesmo.
Adorei também ver Jared Leto (que eu amo de coração) ganhar o Óscar de Melhor Actor Secundário. Estava um 'pão'. Que homem lindo aquele. Ele canta bem ele, representa bem, oh homem, que multifacetado tu ês! Adoro-te!
 E por último a Cate Blanchet  que estava belíssima, uma autêntica diva do cinema, nos gestos, na postura do corpo, no olhar, lá ganhou o Oscar de Melhor Actriz. Dá-lhes Cate!
A melhor canção vai para o filme de animação Frozen, que ainda não vi, mas que me disseram que é lindo e o Melhor Filme Estrangeiro, para A Grande Beleza que já abordei aqui num post anterior.
 Quanto à cerimónia, foi boa, a pizza e a  selfie da Ellen Degeneris com alguns actores estando na primeira linha o bonito Bradley Cooper, um autêntico achado,(esta selfie já é mais falada do que os próprios filmes oscarizados o que não deixa de ser bizarro!!!) e o meu querido Brad Pitt lá ganhou um Óscar como Produtor de 12 Anos Escravo.Continua assim, que vais longe, homem bonito!
A Meryl Streep, não ganhou nada o que é uma bênção dos céus!Essa mulher quando está na parada não há quem a segure e parece que já tem uma adversária a altura a C.Blanchett!Lol
E voilá, para o ano temos mais, mas não há dúvida que o ano de 2013 foi um ano de uma colheita excepcional no que diz respeito a bons filmes, muito bons filmes. 

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Má Educação

Há dias, não tendo sono, levantei-me da cama para ler, mas não estando muito focada na leitura, liguei a televisão e comecei a fazer zapping. Fui dar com um filme de Pedro Almodôvar, o "Má Educação" que eu já tinha visto há uns anos atrás e que tinha amado de coração. Foi pois, com prazer que andei com o filme para trás e comecei a vê-lo de inicio. Se alguma dúvida eu tinha que Almodôvar é um grande realizador e um ser capaz de 'vampirizar' por completo os seus actores, essas dúvidas ficam anuladas visionando este Má Educação. Para mim Joel Garcia Bernal (se exceptuarmos o excelente "E a Tua Mãe Também") nunca teve um papel tão arrebatador como este aqui. De facto, neste Má Educação temos tudo. Aborda-se a pedofilia, paixões intensas, toxicodependência, sexo, travestis, e amor. Para mim, a linha condutora é principalmente o amor de Ignacio por Enrique, um amor começado num colégio religioso cheio de padres pedófilos, ensandecidos por  paixões doentias por  crianças, seres indefesos, entregues a gente com alma de psicopatas e capazes dos mais vis crimes.
O cenário todo ele é amarelos vivos e vermelhos. Por onde vamos tudo é colorido em contraponto às almas negras e sofridas dos seres que por aqui vagueiam em perpétuo sofrimento, arrastando um passado cheio de dor e de mágoas. A cena mais incrível é precisamente quando Ignacio é pela primeira vez molestado e o realizador foca a câmara no seu olhar e divide o seu corpo em dois, pois é a partir desse momento que tal como nos diz o personagem ele se parte em dois, dividindo-se para nunca mais se unir. Fabuloso!
 O mais surpreendente neste filme é que vemos um filme dentro de outro e se isso é recorrente no cinema, o modo como Almodôvar o faz é que é inovador, posto que às páginas tantas não sabemos se o que estamos a ver é a realidade ou aquilo que queremos que um dos personagens quer que vejamos. A realidade é torpe e suja, é cheia de tristezas, corpos em transformações inacabadas, cartas que se escrevem e nunca chegam ao seu destino, morte e assassínios. Quedamo-nos pela fantasia, preferimo-la à realidade, preferimos ver Zahara/Juan/ Ignacio/Angel... cantando num cabaré nos longínquos anos 70 e 80 e ficamos s pensar que só Almodôvar é capaz de nos dar filmes que no meu entender nunca passam de moda, são sempre polémicos e atuais. Um grande filme que se revê sempre com agrado e muita tristeza. 

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Luca Signorelli-A Flagelação de Cristo


A Flagelação de Cristo
Termino esta trilogia de obras cuja temática é a violência na arte, com uma tela do pintor Luca Signorelli, intitulada de A Flagelação de Cristo. Luca Signorelli,nasceu em 1445 em Cartona na Itália e faleceu na mesma Cartona em 1553.Foi um pintor renascentista italiano, um dos grandes mestres da Escola da Úmbria, tendo muito provavelmente sido aluno do grande pintor  Piero della Francesca. Notabilizou-se pelo esmerado uso da perspe tiva e isso é bem patente na sua obra Crucificação de Cristo.
A obra aqui em apreço, mostra-nos Cristo amarrado a uma coluna no centro do quadro, estando   a ser flagelado por ordem de Pôncio Pilatos, que não acredita que ele seja filho de Deus. Os relevos escultóricos em segundo plano, o capitel coríntio da coluna onde está preso e o friso decorativo no primeiro plano do quadro refletem o interesse renascentista pelos motivos da Antiguidade Clássica. A luz forte e as sombras projetadas no chão ajudam a definir o espaço tridimensional da cena. As coxas muito musculadas das personagens que vão ser os flageladores de Cristo e a composição firmemente simétrica são marcas características do estilo deste pintor. Esta obra é um óleo sobre madeira e pode ser vista na Pinacoteca de Brera, em Milão.

Luca Signorelli-Auto Retrato

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

A Grande Beleza

Foi com muito agrado e alguma perplexidade que vi esta última obra do realizador italiano Paolo Sorrentino, intitulada de "A Grande Beleza", filme que para além de já ter ganho o Globo de Ouro para melhor filme estrangeiro, está também bem cotado na corrida aos Oscares na mesma categoria e penso que irá ganhar  esse prémio merecidamente.
O filme é um objecto estranho, daqueles que ou 'amámos' ou 'odiamos'. Não há meio termo, porque durante 3 horas o que ali vemos é em primeiro lugar uma belíssima cidade de Roma cuja panorâmica inicial da cidade vai ser vista pelos olhos de japoneses o que não deixa de ser paradigmático , posto que Roma é visitada todos os anos por milhões de asiáticos.
Depois é-nos dado a conhecer um dos seus cidadãos, o personagem principal, neste caso em apreço  um escritor, Jap Gambardella ( um extraordinário Toni Servilho) que num quente verão e sem qualquer ideia para um novo livro, posto que apenas escreveu um, e sendo jornalista free lancer, passa os dias entre o ócio, festas e raves loucas, e a procura de notícias estranhas para a sua crónica semanal, refletindo  sobre sua vida, vazia de qualquer sentido.
 De facto, este Jap, tem 65 anos de idade, e desde o grande sucesso do romance "O Aparelho Humano", escrito décadas atrás, ele não concluiu nenhum outro livro. Desde então, a sua vida é passada entre as festas da alta sociedade, os luxos e privilégios da  fama que lhe advém do livro. Quando se lembra de um amor inocente da sua juventude, Jap cria forças para mudar sua vida, e talvez voltar a escrever...talvez..... No fim do filme saímos do cinema convencidos( ou talvez não) que irá escrever um novo livro baseado nesses dias de reflexão deste quente Agosto, ou na pior da hipóteses limitar-se a mergulhar de novo nestas festas tão à italiana em que velhos se comportam como garotos de 16/18 anos e os ricos e poderosos, limitam a fazer uma pura ostentação da sua vida desafogada sem pensar no amanhã. Talvez essa segunda hipótese seja a mais viável, porque o que ali há é uma desesperança total, por parte não só de Jap, mas dos que com ele convivem. Quando todos se sentam naquela varanda com vistas para o monumental coliseu romano, o que ali vemos é um grupo de gente rica, que bebendo, comendo e fumando sem fim, nada  já têm a dizer, limitando-se a falar da vida alheia, rindo dos infortúnios dos outros,  e lamentando aquilo que não fizeram no passado. Roma ali está sempre como pano de fundo, os seus monumentos, as igrejas, conventos, fontes, pontes, padres, freiras, e toda uma fauna de gente que passa  os dias  procurando algum sentido para as suas vidas. Perpassa por todos os diálogos uma fina ironia do qual Jap é a figura maior.
 Umas vezes rimos, outras ficamos pesarosos. É um vazio sempre palpável e no fim quando a câmara de Paolo Sorrentino navega pelo rio nada mais há a dizer ou a fazer. Os dias continuarão sempre iguais e Jap e a sua trupe de gente rica e ociosa ali ficará até que a morte os reclame. Um filme belíssimo. 

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Rembrandt-Sansão Cegado pelos Filisteus

Na continuação da mostragem de obras artísticas cuja temática é a violência, abordo hoje aqui uma obra do grande pintor holandês, Rembrandt, (1606/1669).Aqui vemos um tema também bíblico, a cegagem de Sansão pelos filisteus.
Rembrandt-Auto Retrato
 A bíblica história de Sansão é contada no Livro dos Juízes do Antigo Testamento. Os inimigos de Sansão, os filisteus, que procuravam uma oportunidade para o matar, encarregaram a bela Dalila de o seduzir. Ela consegue saber que a sua força residia no seu cabelo e apanhando-o a dormir corta-lhe o cabelo. Em consequência disso, a força abandonou-o. Os filisteus que estavam escondidos, entram dentro da sua gruta, agarram-no e vazam-lhe os olhos.
 Como todos sabemos esta história acaba toda em tragédia, posto que o colosso consegue vingar-se, derrubando os pilares que sustentavam o telhado da casa em que estava preso, pois os filisteus tendo-o preso durante muito tempo, não se aperceberam que o cabelo de Sansão tinha crescido novamente. Ora, o que aqui vemos nesta obra é a cena em que uns quantos filisteus, agarram Sansão enquanto um deles se prepara para o cegar. Ao fundo da tela vemos a maliciosa Dalila com os longos cabelos de Sansão nas mãos. Este Sansão Cegado pelos Filisteus, assim é denominada esta obra ,é uma das muitas obras com motivos bíblicos que Rembrandt realizou. É uma tela magnificamente executada. Não podemos deter os nossos olhos na ameaçadora  espada que é dirigida aos olhos de Sansão assim como não podemos deixar de ter piedade deste último que faz esforços hercúleos para se libertar dos braços dos seus carrascos. O seu rosto é uma mistura de frustração  raiva, impotência e dor. Com uma perna erguida no ar ele tenta empurrar o seu corpo para trás para se libertar sem contudo o consegui. O seu braço direito está já preso por uma grossa corrente e um dos seus carrascos segura-a firmemente e ao vermos a sinistra espada prestes a espetar-se nos seus olhos indefesos, não deixamos de tremer face à violência tumultuosa que se instala no espaço escuro e claustrofóbico da gruta onde toda a cena se desenrola. Sabemos que por mais que Sansão se contorça angustiado o seu destino está traçado e também não podemos deixar de reparar numa Dalila que foge, um tanto ou quanto hesitante entre o regozijo e o terror pela traição  por si perpetrada. A luz que ilumina a tela centra-se nas cores claras das vestes de Sansão e no vermelho do personagem com a ameaçadora espada. Contudo é Dalila que é realçada pelas cores claras tanto da sua saia como da túnica que a cobre. Numa das suas mãos ela ainda tem a tesoura bem presa entre os seus dedos e na outra os longos cabelos de Sansão.Uma obra magnífica e terrível ao mesmo tempo.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Word Press Foto-2013

Foto Vencedora do Word Press Foto, 2013. 
Linda!

Dia de S. Valentim


Apesar do mercantilismo que se apoderou deste dia, não resisto aqui a desejar a todos os Apaixonados, um bom Dia de S. Valentim.


terça-feira, fevereiro 11, 2014

A.Gentileschi-Judite Assassinando Holofernes

Judite Assassinando Holofernes
No visionamento da segunda parte do soberbo filme Ninfomaníaca que já abordei aqui em post anterior, uma segunda parte mais negra, mais chocante, mais filosófica e onde vemos com grande tristeza que a personagem principal, uma fantástica  Charlotte Gainsbourg não encontrará jamais a redenção, há um excelente diálogo entre ela e o seu ouvinte um soberbo Stellan Skarsgård,em que o mesmo diz que o difícil não é matar, visto que o ser humano nasce com uma compulsão para  tal, mas sim termos a  força suficiente para nunca o fazermos durante a nossa vida.
Fiquei a matutar neste e noutros  diálogos muito bons entre ambas as personagens e à noite   fazendo zapping por vários canais de televisão fui dar com um que exibia uma das muitas séries policiais existentes. Nela um grupo de detectives tentava descobrir um psicopata que degolava homens num ritual muito seu, algo muito caraterísticos desses assassinos e numa cena em que aparecia uma das suas vitimas não pude deixar de fazer uma associação entre o que estava a ver e um quadro da grande pintora Artemisia Gentileschi, denominado de "Judite Assassinando Holofernes", uma tela que sempre me fascinou pela tenacidade do acto de Judite coadjuvado nele por uma criada sua, não menos capaz.
 Artemisia  Gentileschi (pintora que já abordei aqui em vários posts e que dá nome ao meu blog numa clara intenção da minha parte de a homenagear),teve sempre perante a arte uma abordagem despretensiosa, apesar de nos seus quadres colocar toda a paixão e intensidade de que era capaz.
Foi uma pintora quase única entre as artistas do sexo feminino anteriores ao século XX. Talvez por ter sido violada por um dos amigos de seu pai, isso conferiu-lhe uma percepção muito especial da violência e da traição.Tal como qualquer mulher artista do seu tempo ( e não só) esta mulher teve de lutar e muito, contra os absolutismos latentes na sua cultura e na sociedade, que incluíam a convicção da inferioridade natural das mulheres, confinadas a adornos, à casa, aos filhos, ao cuidado do marido, e caso se entregassem às artes, isso não era visto mais do que meros passatempos, nada a ser levado em grande conta. Ora, vai ser contra essas ideias que Artemísia vai ter de lutar toda a vida, numa clara necessidade de lhe ser reconhecido o seu lugar entre os seus pares, o que só vem a ser feito após a sua morte, como quase sempre acontece. Essa necessidade de reconhecimento, faz com que tenha criado obras cheias de cor e de vida e contribuiu para a exaltação com que a mesma represente  este conto bíblico do assassinato de Holofernes por Judite.
A.Gentileschi-Auto Retrato

Nesta obra vemos como a cabeça deste opressor é visivelmente decepada e o sangue muito palpável escorra repelentemente pelo chão do quarto onde Holofernes se tinha deitado claramente embriagado. Nesta obra algo macabra, Artemísia teve necessidade de nos envolver nos pormenores mais prosaicos de um assassínio. Aqui não há espaço para a imaginação pois está lá tudo. Ela consciencializa-nos do heroísmo corajoso de Judite, salvadora do seu povo, aurora e senhora da morte do tirano e do significado do que é matar outro ser humano, tendo em vista um bem maior.
 Tal como no diálogo entre Joe e Soleiman em Ninfoamíaca, de facto matar é fácil, basta estar embutido das ferramentas necessárias, o mais difícil é ter a coragem de não se sujar as mãos de não o fazer. Esta mulher, Judite quis e fê-lo e Artemísia Gentileschi, mostra-nos que uma mulher munida de uma faca e da sua mais fiel criada pôde fazê-lo entrando  sorrateiramente no quarto  do opressor. Tiveram a frieza e a determinação de decepar uma cabeça.
Um quadro soberbo.

domingo, fevereiro 09, 2014

Nymph()maniac

Na semana passada fui ver a primeira parte da magistral obra do grande realizador Las von Trier, e que tem como actriz principal  Charlotte Gainsbourg e andando por lá também ( e andam muito bem), Christian Slater, Shia LaBeouf Stacy Martin Stellan Skarsgård, Jamie Bell, Uma Thurman,  (nuns vinte minutos de actuação memoráveis) e Willem Dafoe.
O filme é a meu ver uma obra ímpar, e até hoje não entendo o porquê da polémica com oeste filme posto que o mesmo teve a sua exibição muito restringida nos E.U.A e se formos ao youtube dificilmente vemos o seu trailer e mesmo cá este filme  ficou acantonado apenas a um cinema. Prefiro mil vezes ver um Ninfomaníaca a muitos filmes de terror gore que por aí estão em cartaz,sem que haja qualquer restrição à sua exibição o mesmo se passando a filmes cheios de violência gratuita que enxameiam os cinemas portugueses e de todo o mundo. Posto isso, só me resta dizer que gostei muito dessa primeira parte, vou ver com curiosidade a segunda, a actriz principal (Charlotte Gainsbourg), tanto na actualidade como a que a representa quando nova estão fantásticas, há actores a fazerem papeis nos antípodas daquilo que estamos habituados a ver como é o caso de Shia Labeouf, e de Jamie Bell,a história prende-nos do princípio ao fim, a fotografia é muito boa e está de parabéns Lars von Trier por mais uma vez sair dos cânones habituais e do mainstream do cinema norte americano. Este  Ninfomaníaca I e II é  uma obra a ver com atenção.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Jan Vermeer-A Pesagem das Pérolas


A Pesagem das Pérolas




































Jan Vermeer, (1632/1675) legou à humanidade uma obra tão recatada, tão sóbria, tão silenciosa que dificilmente encontro noutro pintor do seu tempo e não só. Estranhamente, este homem que teve 11 filhos não era um solitário no sentido literal do termo, até porque para além dessa filharada toda possuía muitos parentes pelo lado da sua mulher e vivia num bairro bem popular.
 Contudo, esse borburinho todo à sua volta nunca o deve ter incomodado pois criou obras muito quietas no tempo e nunca nelas fez qualquer alusão à sua família. Os seus quadros cheios de sombras, eram contudo iluminados pelas personagens neles presentes e relembro que a sua grande obra "Vista de Delft" é vista ao longe banhada por uma claridade e silenciosa na sua pacatez.
A obra que aqui aparece denominada de "A Pesagem das Pérolas" retrata mais uma vez uma cena quotidiana e nela Vermeer não necessitou de claridade para nos legar uma das obras mais "iluminadas" que me foi dado a ver a par da sua magistral obra "Rapariga com Brinco de Pérola", hoje um ícone de arte na Holanda. Aqui nesta linda obra, vemos que as persianas do quarto estão fechadas e a luz penetra na oblíqua através das frestas. Essa luz vai atingir a pele felpuda do casaco da senhora, o pano que lhe envolve graciosamente a cabeça inclinada e as pérolas que brilham na obscuridade da mesa. Realça pois um dedo aqui e um colar de renda acolá, mas impera o silêncio. É esse silêncio que exprime a pureza daquilo que existe. Penso que este quadro encerra um certo simbolismo, na medida em que esta mulher experimenta a balança vazia e o quadro que aparece na parede atrás dela mostra o "Juízo Final", onde deus também como que pesa as almas que ascendem e as que ficam para trás. Mas, o significado reside igualmente no balanço que sentimos ao olharmos par ao quadro: luz e sombra atingem um dramatismo dinâmico e, de facto, a pintura no seu conjunto revela diversos equilíbrios, a mão da senhora, o seu bonito vestido de seda bordejado a pele, a instabilidade da mão humana e a certeza gelada do metal da balança. É também um quadro que nos mostra uma mulher perante os símbolos da riqueza material, pesando-a para saber o seu valor, enquanto atrás dela se pode ver a figura de Cristo a "pesar" as almas. É óbvio também que esta jovem senhora está grávida e é significativo que os dois tons mais fortes e laranja e ouro não provenham das suas jóias ou do seu ouro, mas sim da pequena  janela no alto da parede através do qual a luz entra e se lhe projeta diretamente no ventre.
Não podemos também deixar de reparar que uma  bela toalha de mesa azul foi afastada para trás e, vê-se uma coleção de pérolas e de objetos de ouro espalhados pela mesa e a sair de guarda-jóias. Cada uma das pequenas esferas é uma gotícula de luz, feita com os toques individuais de tinta que se assemelham a jóias. As moedas achatadas ou pesos de ouro, parecem ter uma forma arredondada graças ao pequeno realce que lhe é dado. Ela prepara-se  para pesar o ouro e as pérolas numa frágil balança de latão, com um gesto extremamente gracioso. A balança é tão frágil que certas partes mal se vêem, e toques de luz brilham nos pratos vazios. A sua expressão concentrada e serena, com a cabeça ligeiramente inclinada e pensativa e os olhos quase fechado, revela que ela está a fazer algo mais do que gozar os seus tesouros.Está satisfeita com aquilo que está a fazer. Está ricamente vestida mas com simplicidade, com a cabeça coberta por um capuz branco, liso salpicado de gotas de luz que lembram contas de colar.
Uma cena soberba!
Esta magnífica obra pode ser vista no Casa  Museu Vermeer em Haia/Holanda.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Philip Seymour Hoffman

Morreu Philip Seymour Hoffman, ( 23 de julho de 1967 /  2 de fevereiro de 2014), um dos melhores actores que me foi dado a ver. Tinha por ele uma admiração incondicional. O último filme que vi dele foi "O Mentor".
Que papelão. Também adorei vê-lo em "A Dúvida", sem dúvida um dos melhores filmes deste actor a par de "Capote".
Paz à sua alma.
Que pena!
 
"A Dúvida" e "Capote"-Que Grandes Filmes!!!

domingo, janeiro 19, 2014

12 Anos escravo e O Lobo de Wall Street

Grande candidato a vários Oscares fui ver este 12 Anos de Escravo, o último filme do grande realizador Steve Mac Queen, conhecido pelos imperdíveis filmes Fome e Vergonha este último com uma candidatura há um anos ao Oscar de Melhor (Actor (M.Fassebender), actor fetiche do realizador que volta à carga neste imperdível 12 anos de Escravo, num papel absolutamente demencial, na figura de um dono de plantação de algodão absolutamente louco e com a agravante de ter existido, uma vez que esta história triste e que envergonha toda a humanidade (como infelizmente muitas outras), é baseada em factos verídicos, pois o argumento é baseado no livro deixado por Solomon Northup, um homem livre que em 1841,vivendo na cidade de Saratoga com a mulher e os dois (e um exímio violinista) caí na armadilha de dois homens e se vê de um momento para o outro transacionado num negócio de escravatura, caindo num vórtice  infernal de violência e humilhações sucessivas do qual só se vê livre passados 12 anos.
Nesta vida de horrores, do qual me faltam palavras para a descrever e que este Solomon se vê imerso juntamente com outros escravos na mesma situação e onde a traição, o ódio,  a imoralidade a demência passam a fazer parte do seu quotidiano, há ainda lugar para a esperança, uma vez que o mesmo nunca desistiu de retomar a sua liberdade, conseguindo- ao fim de muitos e penosos anos.
Chiwetel Ejiofor, candidato a melhor actor tem um papel magistral em confronto com um magnífico  Miguel Fassebender (candidato a actor secundário).Este último tem-se vindo a especializar em determinados papéis de louco e neste está soberbo, pois consegue apenas com a sua presença e através do olhar gelar-nos as veias. É um homem perigoso,  é um homem de convicções bíblicas, pois o que ele diz é a Palavra do Senhor e o que ele faz está na Bíblia e esta não pode nunca ser contestada!
O que mais me impressionou neste filme foi o desespero e principalmente o olhar de medo que emana do personagem principal, confrontado com situações fora do seu alcance e com figuras absolutamente sinistras e imprevisíveis. É um mundo onde a banalização do mal faz parte do dia a dia e o tratamento de seres humanos apenas e só diferentes na cor da pele é feita a nível da pura animalidade!
Outra actriz que está soberba é a estreante Lupita Nyong'o, também candidata ao papel de actriz secundária, no papel de uma escrava, objecto sexual do seu patrão, numa relação de ódio/ amor demencial que não conhecendo nós o desfecho só podemos prever que o mesmo acabará na mais triste tragédia. Um filme com uma fotografia lindíssima, com paisagens típicas do sul dos Estados Unidos, uma música adequadíssima ao filme, actores em estado de graça e com diálogos de antologia. Retenho o papel de Paul Giamatti, um traficante e vendedor de escravos que não hesitando em separar dois filhos de uma mãe, fá-lo não por desumanidade (nas suas palavras) mas porque o que ali está é uma mercadoria transacionável, um mero negócio feito para e com pessoas, e que não pode nem deve ter em atenção qualquer laço filial.
Também por lá anda o sempre seguro Benedict Cumberbatch, um dos patrões mais sofríveis que Solomon tem, e que possuidor de alguma sensibilidade e humanidade, oferece-lhe um violino, esperando que Solomon lhes proporcione com a sua musica... muitos anos de prazer. Terrível!São algumas das muitas cenas do filme, que nos mostram o lado mais negro e mais baixo a que a humanidade pode chegar!
Espero que a Academia reconheça o mérito deste filme e o premeie com vários prémios pois o mesmo merece-o. Mas se assim não for fica a satisfação de ver o mesmo esgotar salas de cinema. Afinal os filmes são para o público e não para os prémios da Academia. Um filme imperdível.
 


Outro filme que gostei muito  foi  O Lobo de Wall Street, filme também com várias candidaturas ao Óscar e que inclusive já deu a ao soberbo Leonarde DiCaprio o Globo de Ouro de Melhor actor precisamente por este papel baseado na  história verídica do corretor da bolsa nova-iorquino Jordan Belfort. É um caminho absolutamente tresloucado recheado de sexo, dinheiro, drogas loucura  e a mais pura e louca ganância empresarial.
Jordan Belfort passa de acções de pouco valor e dos ideais de justiça para as OPV e uma vida de corrupção, no final dos anos 80. O sucesso excessivo e a sua gigantesca fortuna aos vinte e poucos anos, enquanto fundador da corretora Stratton Oakmont, deram a Belfort o título "O Lobo de Wall Street", um filme do grande Martin Scorcese, candidato ao Oscar de Melhor Realizador, num filme imperdível, quanto mais não seja por durante 3 horas e meia, ficarmos submergidos num mundo que nunca pensarmos ter existido e que nos faz pensar que quando julgamos que o capitalismo selvagem já nos tinha mostrado tudo, há sempre mais uma pontinha do véu que pode ser levantada pela qual podemos espreitar e ver como meia dúzia de rapazolas inconsequentes que quem parece nem saberem onde têm o nariz a menos que seja só para snifar quilos de coca, conseguem em poucos anos alcançar fortunas incríveis e esbanja-las em sessões de sexo desenfreado, espectáculos com anões, prostitutas, bandas de música com os seus elementos todos nus, compra de megas iates, de mansões gigantescas de carros  de luxo, enfim de orgias absolutamente inimagináveis. Um filme que me surpreendeu desde o primeiro momento em que o magnifico Matthew McConaughey entra em cena (está apenas 15 minutos) e dá o mote a todo o filme. Como disse mais acima Leonardo DiCaprio está muito bem pois carrega todo o filme às costas conseguindo com grande credibilidade dar a vida a um homem que vivendo uma vida de absoluto e demencial excesso e desregramento punível com vários anos de prisão conseguiu mesmos assim com o seu livro inspirar uma série de jovens que não hesitam em seguir os seus métodos absolutamente condenáveis almejando riqueza instantânea numa procura do América dream. Um filme a ver com atenção.
 

domingo, janeiro 12, 2014

Apatia

S.Dali-Mulher à Janela
Desde o principio do ano da graça de 2014 que ando numa preguiça sem tamanho para escrever aqui neste cantinho. Dá dó tanta preguiça agarrada ao corpo e principalmente aos dedos. Olho para o teclado, surgem-me as ideias, mas não consigo escrever. Fico bloqueada, apática,olho em redor do meu escritório, todo desarrumado, porque as malditas obras ainda não terminaram, tudo está aqui encafuado e fico toda desencorajada. Para esta semana que entra parece que vou ter de novo a minha casinha. Só falta mesmo o chão e....finito.
Adeus sacos de entulho, adeus homens de piada pronta na língua, adeus afagadores, adeus tintas e pincéis.... Depois é limpar e arrumar tudinho. Vou aproveitar para modificar a decoração toda, colocar uns quadros, tirar outros, baralhar tudo, tirar tudo dos sítios e colocar coisas diferentes. Não vou comprar nada, porque por estas bandas está tudo falido, vou sim tirar coisas do armário, limpá-las e pô-las à vista. Vai ser uma festa! Depois vou-me sentar e apreciar, aproveitando para pensar como é que umas obras em casa transtornam tanto a nossa vida e põem a nossa psique em pantanas, pelo menos pôs a minha! Já tenho uma amiga que se prontificou a vir-me ajudar. Ela é toda de mudanças, e vai-me dar ideias. Eu sou daquelas que se habituam a ter as mesmas coisas nos mesmos sítios anos e anos sem as modificar. Tenho pena de as tirar dali. Talvez devido a ver muitos filmes, penso sempre que elas têm vida própria e ao tirá-las do sítio vou modificar toda a sua "vida". Manias! Desta vez vai mesmo ter de ser! Tenho ido ao cinema, mas nem me tem apetecido escrever sobre o que tenho visto. Fica só comigo. Penso que estou apática. Já me disseram para tomar complexo vitamínico, mas isso não vai lá com vitaminas, A,B,C, vai lá é com força de vontade, coisa que não abunda no meu corpo. Ontem fui jantar com uma amiga. Ela andava  toda entusiasmada a ver saldos. Eu acompanhava-a, mas não tinha entusiasmo nenhum. Uma mulher sem entusiasmo a ver roupa e sapatos  é sinal preocupante. Via e largava, via e largava. Até eu me assustei comigo própria! Que moleza é essa? Toca a arribar. Cruz credo!
Bem, já exercitei as falanges, já obriguei o cérebro a trabalhar, o melhor é não forçar muito. Para a semana há mais. Adeus e fiquem bem.