sábado, setembro 27, 2014

Cenas da Vida Romântica

Fui ver faz hoje oito dias o filme de João Botelho Os Mais-Cenas da Vida Romântica e com os actores Adriano Luz,, Ana Moreira, Catarina Wallenstein, Filipe Vargas, Graciano Dias, João Perry, Maria FlorRita Blanco, entre outros tantos bons actores.
 Gostei muito do filme da  sua estética, daqueles cenários pintados à mão, daquela corrida de cavalos quem  é um must, amei ver o grande actor que é João Perry e também não desgostei nada de ver a actriz brasileira Maria Flor no papel de Maria Eduarda. Tive foi uma pequena desilusão com  o personagem Carlos da Maia que Adriano Luz interpreta. Gostaria que tivesse sido escolhido um actor mais velho e mais louro porque como li e reli várias vezes esta obra fantástica de Eça de Queiroz, não sei porquê sempre coloquei na minha cabeça um Carlos diferente. Este aqui, não vai mal mas achei-o muito novo e muito imberbe, mas isso não invalida que vá muito bem assim como este personagem único que é João da Ega que cada vez que aparece em cena, brilha tanto que só nos apetece levantar e aplaudir. Um filme muito bem feito e  com bons actores . Parabéns a  João Botelho e toda a sua trupe.

terça-feira, setembro 23, 2014

Paisagem Outonal

Como praticamente não tivemos verão, era espectável que o Outono caísse em força e cá está ele, cheio de chuva, enxurradas, gente com as casas alagadas, ruas da cidade transformadas em rios, e até centros comerciais com água a cair do teto como se de um chuveiro se tratasse. Como é possível uma coisa dessas vai para lá da minha compreensão, porque se isto é assim que estamos no Outono, quando vier o Inverno e chover  'forte e feio' não sei o que será. O que nos vale é que a temperatura está bem amena mas existe sempre aquele dilema da pessoa não saber o que vestir. Se veste e calça-se muito a verão arrisca a ficar com os pés e o corpinho  todo molhados com estas constantes trovoadas, se veste roupa mais quente arrisca a atabafar de calor. Estamos em plena 'Verdade Inconveniente' do Al Gore e não há dúvida  que o clima se alterou totalmente. Penso que a Cimeira que hoje começa em Nova Iorque ( e em que Leonardo diCaprio é um dos oradores) não irá trazer grandes novidades, devido aos interesses  vários que cada país possui.
Contudo, o que eu vos queria aqui hoje falar é de uma tela muito outonal do pintor holandês Meindert Hobbema. Na paisagem que aqui surge em  tons quentes de castanho domina uma cena muito calma e outonal. Os bonitos caminhos sinuosos que conduzem o nosso olhar através da tela criam a  ilusão de profundidade. Este  pintor revelou-se exímio na reprodução muito precisa da incidência da luz em cada folha, ou tufo de relva. Os animais e os humanos que aqui surgem são elementos secundários, em relação à beleza da paisagem em si. De facto só um olhar mais atento consegue descortinar as casas , meios escondidas pelas árvores.
Nas minhas pesquisas sobre este pintor holandês, descobri que durante a década de 1670 e no auge das  suas faculdades artísticas, Hobbema tornou-se por casamento cobrador de taxas de vinhos em Amesterdão e a partir de então o seu trabalho de pintura reduziu-se a quase nada, o que não deixa de nos surpreender.Enfim...
Esta tela denominada Estrada ao Longo de um Dique foi realizada por volta de 1663, é um óleo sobre tela e faz parte de uma Colecção Particular.

sábado, setembro 20, 2014

Eu Sou o Amor

Há dias passou na RTP 1, às tantas da madrugada um filme que quando esteve em cartaz eu não tive oportunidade de ver com  grande pena minha. O filme denominado Eu Sou o Amor  é do realizador italiano Luca Guadagnino e a única coisa que posso dizer é que o filme é belíssimo, daquelas obras que vou guardar no meu coração e que irei ver se o mesmo está à venda porque procurarei revê-lo algumas vezes. Tem a grande Tilda Swinton ( que eu amo de coração) como protagonista principal coadjuvada por Alba Rohrwacher, Edoardo Gabbriellini, Flavio Parenti, Pippo Delbono e a grande Marisa Berenson.
Assistir a este filme é para mim como assistir a uma Ópera, uma ópera de cariz puramente familiar, em que Tilda Swinton, é o pilar básico e que quando desmorona, vai levando atrás dela o resto da família. Ela aqui é uma russa, que apenas dialoga em russo com o seu filho do meio e é  através deste e da sua filha mais nova (nunca através do marido, que a vê apenas e só como figura decorativa)  que vamos descobrindo um pouco do pensar desta mulher que sendo a matriarca de uma abastadíssima família milanesa, os Recchi é também o seu elemento mais opaco, quase transparente para  o marido, ('tu não existes'!) diz ele a páginas tantas, e  que contudo é o elemento mais apaixonado e mais vivo deles todos!
O realizador consegue desde o primeiro momento que vemos esta mulher Emma de seu nome, dar-nos a ver uma mulher que reprime continuamente as suas paixões, sendo uma delas pela culinária e não deixa de ser espantoso e quase antológico vê-la degustar gulosamente o prato de marisco cozinhado por António, a sua grande paixão! E é  ao dar-se o encontro entre ela e António, o melhor amigo do filho, ambos amantes da comida que se inflamam as paixões e se dá  início ao desmoronar da frieza desta matriarca, arrastada sem freio para uma paixão incomensurável  por um homem que  desde o primeiro momento vemos que ele é tudo aquilo que o filho mais novo queria ser e não pode, arreigado   que tem de estar aos valores familiares.
Vemos também aqui ao desmembramento de uma família através do seu tecido empresarial, quando o patriarca decide vender a fábrica que deu nome a esta família e os unia como fios entrelaçados numa tela e não é sem razão que vemos que o que sempre fez a grandeza da família foi a produção de tecidos, agora vendidos a terceiros sem grandes remorsos e pruridos por parte do patriarca mas com grande dor por parte de Edo, o filho mais velho que procura manter a tradição familiar. E não é sem razão que Edo  vai ser o elemento trágico, aquele que vai fazer Emma dar o passo definitivo rumo a uma outra vida.
O filme tem uma fotografia linda, imagens fabulosas, Milão é  quase sempre visto de cima através das cúpulas das catedrais, elementos artísticos  muito  presentes em toda a história.
 A própria homossexualidade da filha mais nova , o elemento artístico da família e que por isso se distancia dela procurando outras vivências, é-nos mostrada de um ponto de vista extremamente sensível e tocante e  através da sua transformação física . Não  podemos esquecer Ida a governanta que assiste  silenciosamente toda a família, sofrendo por ela e que no fim faz as malas à matriarca e sendo  quem mais chora por ela.
Tilda Swinton, despe-se sem preconceitos, mostra o seu corpo sem qualquer pudor, não há retoques de imagem, aquilo que ela mostra, é aquilo que ela é, vemos, cada sinal e cada pequena rugosidade  do seu corpo, e o mais espantoso para mim é a imagem final, em que despojada de riquezas, maquilhagem, cabelos cortados  ela finalmente mostra toda a sua paixão e então não hesita e sai! Caí o pano sobre o filme e termina a "ópera". 
 A música é também aqui um  elemento chave, e o título do filme o realizador vai busca-lo à cena capital e espantosa  do filme Filadélfia em que Tom Hanks já quase no fim da vida ouve Maria Callas e o seu  Io sono l'amore, perante um Denzel Washington perfeitamente estarrecido.
Se há algumas dúvidas que Tilda Swinton é uma atriz divina, elas aqui são perfeitamente confirmadas, e para mim este é um filme sublime!

terça-feira, setembro 16, 2014

Primeiras Fotos Coloridas

Essas cenas são apenas de um século atrás !São as primeiras fotos coloridas do mundo, tidas como feitas pelos irmãos Lumière .Explicação do método usado à época : Eram usados grânulos de amido de batata ( fécula ), tingidos de verde, laranja e violeta, para criar imagens coloridas em placas de vidro semelhante a slides. Ao passar pelos grãos, a luz se decompõe e cria o colorido suave que se vê nas fotos produzidas dessa maneira , cores pastéis, com um ligeiro efeito granulado. Basicamente é isso um autocromo: uma chapa de vidro coberta por minúsculos grãos coloridos transparentes, sobrepostos a uma imagem fotográfica preto e branco.
A seguir, eram cobertos por uma camada de verniz impermeável que isola dos banhos de processamentos. Em seguida, imersos numa emulsão pancromática, que é sensível a todas as cores. Em baixo poderão apreciar esta técnica que criou fotos tão bonitas e tão raras.


sábado, setembro 13, 2014

Frida Kahlo-Uma Vida de Sofrimento

 "Lembro-me que tinha sete anos quando se deu a "Decena Trágica.Testemunhei com os meus próprios olhos a batalha dos camponeses de Zapata contra os Carrancistas".
Foi com estas palavras que Frida Kahlo (1907/1954), ao escrever no seu diário nos princípios de 1940, descreveu as suas recordações da Decena Trágica, "os dez dias trágicos" de Fevereiro de 1913.
De facto, a sua identificação com a Revolução Mexicana (1910/1920) foi tão forte que ela sempre disse ter nascido em 1910. Seguindo-se à era colonial e aos trinta anos de ditadura do general Porfírio Díaz, a revolução procurou implantar mudanças fundamentais na estrutura social do país.
Frida Kahlo decidira aparentemente que ela e o novo México tinham nascido ao mesmo tempo. Na verdade, Frida era três anos mais velha, até porque Magdalena Carmen Frieda Kahlo Calderón nasceu a 6 de Julho de 1907 em Coyocán, mais tarde um subúrbio da Cidade do México, terceira das quatro filhas de Matilde e Guilerme Kahlo.
Numa conversa com a crítica de arte Raquel Tibol, a artista descreve pormenores da sua infância."A minha mãe não me podia dar de mamar porque a minha irmã Cristina tinha nascido apenas onze meses depois de mim. Fui amamentada por uma ama, cujos seios eram lavados imediatamente antes de eu mamar. Num dos meus quadros apareço, com cara de mulher adulta e corpo de criança, nos braços da minha ama, com leite a escorrer dos seios dela como se fossem do céu." A obra em questão é A Minha Ama e Eu", de 1937.Por outro lado descreve o pai como sendo cordial e carinhoso, "A minha infância foi maravilhosa", escreveu ela no seu diário, "porque apesar do meu pai ser um homem doente (sofria de tonturas frequentes), foi para mim um grande exemplo de ternura, de trabalho (como fotógrafo e também como pintor) e, acima de tudo, de compreensão de todos os meus problemas."
Também se recorda, quando teve poliomielite aos seis anos, o modo especial como o pai tomou conta dela durante os nove meses de convalescência. A sua perna direita ficou muito magra e o pé esquerdo atrofiado. Apesar do pai se certificar de que ela fazia regularmente exercícios de fisioterapia para fortalecer os músculos debilitados, a perna e o pé ficaram deformados para sempre. Esse foi um sofrimento que, enquanto adolescente, ela procurou esconder dentro das calças e, mais tarde, debaixo de compridas saias mexicanas, que acabaram por lhe definir para sempre uma extremamente imagem original e ao mesmo tempo algo trágica.
Tendo-lhe sido na infância posta a alcunha de "Frida da perna de pau",  algo que a magoava profundamente, ela veio  contudo mais tarde a ser o centro das atenções com as suas vestes exóticas que usou até morrer. Acompanhou várias vezes o pai, um entusiasta artista amador, nos seus passeios, como pintor, pelas zonas campestres locais. Ele ensinou-a também a usar máquina fotográfica e a revelar, retocar e colorir fotografias-experiências que vieram todas elas a ser muito úteis para a sua pintura.
No dia 17 de Setembro de 1952, ao voltar da escola para casa, Frida Kahlo e o namorado apanharam um autocarro para Coyoacán.Poudo depois deu-se um terrível acidente: o autocarro chocou com um eléctrico e várias pessoas sofreram morte imediata.Frida também ficou muito ferida, o que levou os médicos a duvidarem da sua sobrevivência.
Um ano depois, num pequeno esboço a lápis, a que ela vai intitular de "Acidente", regista o trágico acontecimento que viria a modificar-lhe a vida de maneira decisiva.Devido ao acidente ficou de cama durante três meses.
Passou um mês no hospital.Depois de inicialmente parecer ter recuperado por completo, começou a sentir dores na coluna e no pé direito. Também se sentia sempre cansada. Aproximadamente um ano depois, deu de novo entrada no hospital. A coluna não fora radiografada na altura do acidente, e só então se descobriu que tinha várias vertebras deslocadas. Durante o nove meses seguintes teve de usar uma série de coletes de gesso, que depois vieram a ser pintados por ela. Nas inúmeras cartas que escreveu a Alexandro Gómez Arias desabafou tudo o que sentiu durante este período em que esteve completamente privada de liberdade de movimentos corporais e em que por vezes tinha de ficar imóvel na cama. Foi nesses meses que começou a pintar, como um modo de evitar o aborrecimento e a dor. "Eu senti que tinha energia suficiente para fazer outras coisas sem ser estudar para vir a ser médica"."Comecei a pintar sem dar muita importância a essa actividade", disse ela mais tarde ao crítico de arte Antonio Rodríguez. "O meu pai, teve durante muitos anos, uma caixa de tinas de óleo e pincéis dentro de uma jarra antiga e uma paleta a um canto do seu estúdio fotográfico. Ele gostava de pintar e de desenhar paisagens de Coyoacán junto ao rio e por vezes copiava cromolitografias.Desde pequenita, eu não tirava os olhos daquela caixa de tintas. Não sabia explicar porquê! Como ia ficar presa a uma cama durante tanto tempo aproveitei a oportunidade para pedir a caixa ao meu pai. Como um miúdo pequeno a quem tiram o brinquedo para dar ao irmão doente, ele emprestou-ma. A minha mãe pediu a um carpinteiro que me fizesse um cavalete de pintor, se é que isso se podia chamar ao material especial que se conseguiu montar na minha cama, pois eu não me podia sentar por causa do colete de gesso. E assim comecei o meu primeiro quadro: o retrato de um amigo".Também se colocou um dossel com um espelho que cobria toda a parte de baixo da cama de modo que Frida se pudesse ver e ser o seu próprio modelo. Num dos seus quadros Kahlo retrata-se, precisamente deitada nesta cama de dossel, em que o seu esqueleto paira sobre ela, num prenúncio do infortúnio que se tornaria a sua vida.
Assim começaram os auto retratos (que pintava quase que obsessivamente) e que vieram a dominar a obra de Frida Kahlo, permitindo-nos ver todas as etapas do desenvolvimento desta grande artista mexicana.
"Eu pinto-me porque estou muitas vezes sózinha e porque sou o tema que conheço melhor".
O pequeno filme que realizei procura mostrar alguns dos auto retratos desta pintora excepcional, que nos deixou inúmeras obras e que procurava neles reflectir o momento pelo qual passava e que embora fossem bastante "fortes", não eram surrealistas: "Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade". Frida contraiu uma pneumonia e morreu em 1954 de embolia pulmonar, mas no seu diário a última frase causa dúvidas: "Espero alegremente a saída - e espero nunca mais voltar - Frida".
Talvez Frida não suportasse mais, tanta dor física e tanto sofrimento emocional.
video

terça-feira, setembro 09, 2014

Sem Qualquer Magia

Escrito e realizado por Woody Allen, fui ver este fim de semana o seu último filme denominado de   Magia ao Luar. Uma desilusão! Nada de magia, nada de luar e se por magia se entende o personagem principal ser um mágico...então isso é nuito pouco!
Mas que deu neste homem que é tão bom realizador e  capaz de criar histórias tão absorventes? Para mim a veia artística de W. Allen esgotou-se no Meia Noite em Paris, pois que a meu ver a partir daí só tem saído coisas absolutamente insossas, com atores que me parecem estar ali a fazer um frete....aí que belos tempos em que trabalhar com este realizador era um must e toda a gente dava o "couro e o cabelo", e que saudades da antiga trupe que o acompanhou durante anos! Até o grande Colin Firth está para ali feito um mono, a Emma Stone (que eu adoro de coração) está para ali feita uma parvinha, e os restantes atores apenas a ganharem o seu, que isso não está fácil nem para as bandas dos States.
Mais uma vez o nosso querido Woody Allen, vem filmar à Europa, desta vez não foi meigo e toca de ir para a Riviera francesa, toca de mostrar as suas belíssimas paisagens, as suas deslumbrantes casas, o glamour de uma época lindíssima que já não volta nunca mais (os anos vinte) com um guarda roupa que é a única coisa digna de nota e que se espera não ser esquecido para o ano na noite dos Óscares e...mais nada. Nada ali tem alma, nada ali nos seduz, um tédio, um bocejo, uma calmaria sem fim, um pasmo enorme. É uma pena, uma pena mesmo, porque Woody Allen,  e os atores ali presentes, não desaprenderam e se o que ali vemos é este "pão sem sal" é porque assim quis o realizador, mas a mim  e penso que a mais gente que gosta dos filmes de W.Allen isso sabe a muito pouco, porque todos sabemos que este realizador é capaz de coisas muito boas.
Não é que o filme seja de fugirmos a "sete pés", mas daquele 'mato não sai nenhum cachorro', e por sua vez nós  saímos do cinema com a sensação que daqui a 5 minutos ninguém mais se lembrará do que ali se passou.
O elenco conta  Colin Firth, Emma Stone,  Hamish Linklater, Marcia Gay Harden, Jacki Weaver, Erica Leerhsen, Eileen Atkins e  Simon McBurney nos principais papéis.
Uma desperdício de talentos e no fundo quem ganha não somos nós mas sim os atores que se devem ter divertido a passear por aquelas paisagens maravilhosas, por andarem naqueles carros lindíssimos e por se divertirem naqueles decors simplesmente sumptuosos, o que  manifestamente  é muito pouco.