quarta-feira, outubro 30, 2013

Susana e os Velhos

A.Gentilechi-Susana e os Velhos
Susana e os Velhos é um episódio bíblico que serviu ao longo dos tempo como tema de pintura para muitos artistas, como foi o caso de: Rubens,
Tintoretto,
Rembrandt,
Guercino,
Sisto Badalocchio,
Lorenzo Lotto,
Artemisia Gentilechi,
Guido Reni,
Gerrit-Van-Honthors, Aniballe Carracchi, entre tantos outros.
É um episódio de cariz moral que nada mais é do que o triunfo da virtude sobre a cupidez e a calúnia. Este episódio bíblico reza assim: reza assim: 
Susana disse às jovens: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as por­tas do jardim, para eu tomar banho.» 
Fizeram o que ela tinha mandado e, tendo fechado as portas do jar­dim, saíram pela porta tra­seira, para irem procurar o que lhes tinha sido pedido; não sabiam que os anciãos estavam lá escondidos.
 «As por­tas do jardim estão fechadas, nin­guém nos vê. Nós ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós. 
Se não quiseres, vamos denunciar-te. Di­­re­­­mos que um rapaz estava con­tigo e que foi por isso mesmo que tu man­daste embora as criadas.» 
Su­sana bradou angustiada:
 «Estou su­jeita a aflições de todos os lados! Se faço isso, é para mim a morte. Se não o faço, nem mesmo assim vos escapa­rei. 
Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que pecar aos olhos do Se­nhor.»
Susana vai a julgamento e é  o surgimento de  Daniel a mando de Deus que questionando os juízes sobre essa calúnia e acusação dão a possibilidade de todos conhecerem a falsidade da acusação e salvar Susana da morte.
É pois um episódio de cariz moralista que  que mostra que mesmo os mais velhos religiosos podem sucumbir às tentações da carne e que Susana ao não se entregar a esse assédio, mesmo correndo risco de vida teve a merecida recompensa por parte de Deus: O salvamento da sua vida e da sua alma, casta e pura.
Ora, este tema vai fazer as delícias de muitos pintores e tanto Rubens como Tintoretto, criaram belíssimas obras que nos dão também uma visão das várias escolas de pintura existentes na Europa. É no Museu do Prado que podemos ver algumas das obras destes pintores e do tema aqui em causa.
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No filme aqui exposto, poderão então ver algumas das muitas obras que se criaram em torno deste tema.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Capitão Philips

Ontem fui ver a última obra do realizador Paul Greengrass, este novíssimo "Capitão Philips" com um soberbo Tom Hanks no papel  principal coadjuvado com uns brilhantes actores novatos somalis que recrutados nas ruas de Nova Iorque recriam de uma forma fantástica o que aconteceu em 2009, quando o navio cargueiro  Maersk Alabama é tomado por 4  piratas  oriundos da Somália obrigando à intervenção de meios navais e aéreos para resgatarem Eric Philips das mãos desses 4 homens.
Quem vai ver os filmes deste realizador, (Ultimato, Sopremacia Bourne, Voo 93, entre outros) já sabe que vai ter muita acção, mas uma acção com pés e cabeça que é o que acontece aqui.
De facto e independentemente das polémicas que têm girado em torno deste Capitão Philips,( rola em tribunais americanos uma queixa contra Eric Philips, pelo facto do mesmo se ter abeirado demais das costas da Somália pondo em perigo o navio e a respectiva tripulação), penso que o realizador não 'toma as dores' de nenhuma das partes.
 Por todo o filme perpassa a ideia que todos têm as suas razões e se nos choca o modo como o navio é tomado e a postura desses piratas, tanto na perseguição tenaz que fazem  ao navio, assim como na sua tomada, não deixa de ser verdade que as condições de vida na Somália entregue a senhores da guerra extremamente violentos e  que não hesitam em atirar jovens rapazes para barcos potentes em busca de navios para assaltar e roubar, nos levam a  reflectir  e passar a ter uma visão bem mais ampla do que nos é dada quando no recesso do nosso lar vemos ou lemos com algum choque  que hoje em dia a pirataria grassa em certos mares e os cuidados que agora é preciso ter para que em algumas rotas marítimas os navios chegam sãos e salvos ao seu destino.
Apercebemo-nos também que a predação que existe no que se refere às pescas, feita por grandes navios pesqueiros depaupera que tal modo certas águas do corno de África que em  muitas dessas populações nada mais resta do que o saque. Esse saque é feito então a grandes navios que cheios de contentores que nos trazem tudo aquilo que necessitamos, nada mais são que uma grande possibilidade que poderá render a esses povos algum dinheiro, seja pelo roubo aos mesmos, seja pelo resgate dos seus tripulantes, como aqui acontece ao Capitão Eric Philips. 
Ora, o que  Paul Greengrass faz é precisamente mostrar ambos os pontos de vista em não é sem razão que logo no início do filme é-nos mostrado em  paralelo a partida do Maersk Alabama para fora do porto de Abu Dabhi com a partida dos piratas para o mar.
 São duas visões diferentes de uma realidade que se vão chocar em pleno mar. Quando ambos os homens se vêm através dos binóculos um tentando salvar o seu navio e fazendo tudo para se pôr em fuga e o outro arriscando a vida para saltar para dentro desse mesmo navio, o que ali está é um choque civilizacional em que a sensibilidade do realizador vai ao ponto de nesse momento não sentirmos qualquer aversão a esses piratas, mas somente pena por seres humanos tão jovens ( a média de idades desses piratas rondava os 18 anos!!!) arriscarem a sua vida por algo tão pouco, visto que o navio levava muito pouco dinheiro.
 São os efeitos de uma globalização, posto que esses povos com grandes carências a todos os níveis vêm passar continuamente nos seus mares grandes navios, carregados com tudo aquilo que eles nunca poderão ter e onde a cobiça se mistura com a extrema necessidade, criando o inevitável caos.
É pois nesse complexo xadrez, que vemos um magnífico Tom Hanks,  em confronto com o excelente Barkhad Abdi no papel de Muse o chefe dos piratas, que às páginas tantas se vêm atirados para algo que os ultrapassa num turbilhão de ideias e culturas diferentes que só poderia acabar em tragédia.
Não deixo de notar aqui que para mim os melhores diálogos são entre Eric Philips e Muse, principalmente dentro do pequeno navio salva vidas em que os piratas fogem com aquele último e que às tantas e em resposta ao desafio que Eric Philips faz a Muse para se render, deixar a pirataria e procurar uma vida melhor este responde de uma forma fatalista: Maybe America, Maybe America...
 Os 15 minutos do filme são  soberbos e penso que garantirão a Tom Hanks o Óscar de Melhor Actor.
Estão de parabéns o realizador, e todos os actores envolvidos nesta história verídica que deveria ser vista por muitos dos nossos jovens que agarrados a bens de consumo adquiridos por meia dúzia de euros, nem se dão conta de como outros jovens do outro lado do mundo vivem sonhando com uma  Europa  e uma América que tal como Muse apenas a verão por 33 anos dentro dos pátio de uma prisão. Um filme para  ver e  reflectir.



George Grosz- Cena numa Rua de Berlim

Se estivermos bem atentos a esta obra do artista alemão George Grosz, nascido na  em Berlim, a 26 de Julho de 1893  e falecido em  Berlim Leste, 6 de Julho de 1959, vemos uma cena muito pitoresca apesar do seu traço algo caricatural. Assim, temos uma muito elegante e bem vestida senhora  que de saltos altos e grande estola de pele sobre um bonito e bem traçado casaco claro, empina o seu nariz arrogantemente a um senhor de também boa aparência que retribui ao seu olhar piscando-lhe um olho. A cena passa-se numa rua de Berlim, que vai dar título ao quadro. Estes elegantes personagens estão tão interessados nessa troca de olhares e de piscadelas de olhos que não dão conta de um velho cabeçudo, de dentes amarelecidos, nariz vermelhusco e algo esquelético que lhes estende a mão pedindo uma moedinha.
Ora essa cena mordaz e caricata nada mais é do que uma crítica de George Grosz às terríveis condições de vida a nível social e económico que se vivia na sua Alemanha natal após a I Guerra Mundial.
Nesse sentido esta estranha e perturbante obra acaba por ser uma sátira à depravação do  período em causa e à miséria que grassava  neste seu país.
É também uma das muitas obras que este artista/caricaturista criou, mostrando dessa forma  uma sociedade decadente, com uma moral que deixava muito a desejar.
 De crítica em critica de caricatura em caricatura George Grosz acabou por emigrar para os E.U.A, onde prosseguiu o seu trabalho artístico, extravassando os seus ódios de estimação e combinando a sátira com o romantismo.Realço que este artista alemão tendo começado a sua carreira como caricaturista, acabou por se tornar membro do grupo Dada de Berlim, após o ano de 1918.
 Esta aguarela, tinta e óleo sobre papel denominada de Cena numa Rua de Berlim faz parte de uma Colecção Particular.

terça-feira, outubro 22, 2013

Jean-Baptiste S.Chardin-A Jovem Mestra



Gosto muito da obra de Jean Baptiste Chardin, e por isso não resisto a colocar aqui um post dedicado a este excepcional pintor francês.
J.Baptiste Chardin,   nasceu em Paris em 1699 e morreu na mesma cidade em 1779.
Chardin,  tornou-se conhecido pelas suas naturezas-mortas, mais concretamente pelas suas representações de frutos e animais. Com as cenas de cozinha ou cenas domésticas, Jean-Baptiste Chardin deu continuidade à tradição vida da pintura holandesa do século XVI, nomeadamente do grande pintor Jan Vermeer. A sua obra teve um impacto tal, que muitas das suas telas foram mais tarde levadas para o Museu do Louvre, emparelhando assim com os mais ilustres pintores de renome mundial.
Chardin, tinha um grande apreço pela representação de cenas domésticas francesas e a obra que aqui surge é espelho disso mesmo. Nela o artista pretendeu representar algo simples, e fê-lo mostrando-nos uma jovem mulher que ensina uma criança a ler.
Está dado o mote para um quadro em que o pintor não dá grande importância ao fundo. Este está pintado num tom esverdeado e nesse ambiente onde surge estas duas figuras nada havendo de mais importante que elas mesmas.
 É uma obra silenciosa, é quase uma natureza morta. O que vemos é uma mulher que está de tal modo representada que apreciamos de imediato o seu bonito perfil.  Segura algo na mão que a criança segue, introduzindo-se assim no mundo da leitura. Impera também a concentração tanto da figura mais velha como na da criança. A cor mais viva que aqui nos é mostrado é o verde das mangas do vestido da mulher e do chapéu que enfeita a cabeça da criança. Apesar de não ser uma obra muito viva e não muito rica de sentimentalismos, não deixa de nos tocar e ser eivada de alguma sensibilidade. Não admira que ela nos toque ao de leve, pois Jean Baptiste Chardin, é para muitos o maior pintor de naturezas mortas do seu tempo.
Esta lindíssima obra intitulada de A Jovem Mestra é um óleo sobre tela e pode ser apreciada no National Gallery de Londres.
No filme abaixo indicado poderão ver algumas das telas deste pintor, nomeadamente algumas das suas Naturezas Mortas.
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terça-feira, outubro 15, 2013

Jean Boulogne-O Rapto das Sabinas

Há muitos anos atrás tive uma bonita estatueta que representava a obra de Giambologna, (batizado como Jean Boulogne), O Rapto das Sabinas. Eu adorava essa bela estatueta, em gesso branco oco, pelo estilismo da figura, suavidade e polimento  do material. Um malfadado dia e em brincadeiras com a minha cadelinha, ela dá um salto e sem querer bate com a pata no braço da sabina, desequilibra a estatueta e esta caindo no chão parte-se em dois.
 Fiquei destroçada porque eu gostava muito dela e por vezes dava por mim a contemplá-la e a apreciar a harmonia que o artista tinha colocada nesta cópia da obra de Giambologna.
 Nem tentei colar as peças porque não gosto de o fazer e pegando nos cacos embrulhei-os em jornal e pesarosamente pu-los no lixo. Há pouco tempo, estando a ver um filme dei com uma cena em que sobre uma mesa estava uma estatueta idêntica à minha e o mais engraçado é que a personagem também apreciava ficar sentada contemplado essa obra. Resolvi então escrever um pouco sobre este Rapto das Sabinas. Comecemos pelo autor.
Jean de Boulogne mais conhecido por Giambologna, nasceu em Douai na Flandres em 1529 e faleceu em Florença em 1608.Ficou conhecido por ter sido um dos mais perfeitos representantes da corrente Maneirista, assim como pelo facto de todas as suas obras terem muito movimento e muito bem polidas à superfície. A estátua O Rapto das Sabinas, assim como a de São Lucas, Mercúrio, Hércules e Vénus entre outras muitas peças maravilhosas de estatuária que podemos encontrar em muitas fontes e jardins por esta Europa fora, criaram-lhe grande prestígio entre os seus pares e não só. Ficou também sobejamente conhecia a energia que o este artista imprimia às suas obras, e de facto como podemos ver nesta  obra aqui presente, o movimento impetuoso da mulher, tornada compacta pelo forte abraço que a mesma sofre do romano que a segura e do musculado personagem que se agacha aos seus pés, criam em que vê a ilusão de alguém que se debate para fugir a este forte amplexo.
Contudo e o mais estranho nesta obra é que há em toda a estátua uma suavidade de polimento que nos convida a observá-la de vários ângulos. A gesticulação muito viva da mulher, as mãos abertas e a expressão dos seu rosto, levam-nos a sentir que a mesma tenta a viva força escapar de quem a prende. Toda a triangularidade da obra como se foca nesse movimento feminino e essa intensa energia que vão caracterizar toda a obra deste artista vão ser muito do estilo Maneirista. Gean Boulogne foi também muito influenciado por Miguel Ângelo adaptando as formas escultorais e muito vigorosas deste último, criando assim e a seu modo uma nova espécie de fluidez e elegância na sua escultura.
Uma obra esplendorosa!


sábado, outubro 12, 2013

Hanna Arendt

Com realização de Margarethe von Trotta, realizadora alemã e conhecida pelos papéis que desempenhou em alguns filmes de Rainer Werner Fassbinder e também pelo magnifico "A Honra Perdida de  Katharina Blum" aqui já na qualidade de realizadora, estreou em Portugal  desde a semana passada, o seu último filme denominado de Hanna Arendt.
Fui vê-lo e adorei o filme. Como atriz principal temos uma irreconhecível Barbara Sukowa, actriz fetiche da realizadora e que consegue criar uma magnifica Hanna Arendt, não só na postura corporal, como na intensidade do olhar nos tiques e até no modo como esta segurava os inúmeros cigarros que fumava ao longo do dia. A actriz que faz de Hanna quando nova está muito bem caracterizada e todo o filme consegue prender-nos do princípio ao fim. Partindo do obra que esta filósofa/política escreve após ter assistido ao  julgamento do nazi Adolf Eichmann, vemos a batalha que a mesma travou com todos aqueles que se escandizaram com o que ela escreveu a propósito da 'banalidade do mal'. Para quem ama a filosofia como eu ver este filme é uma aula de anfiteatro. Estupendo! A cena final é de antologia, posto que o que ali assistimos é a prova do porquê de  Hanna Arendt ser ainda hoje tida como uma das grandes filósofas/pensadoras do nosso século.
Um filme estupendo. Recomendo vivamente. Um magnífico hino ao livre pensamento humano.


quarta-feira, outubro 09, 2013

A Beira de um Ataque de Nervos-II

E.Munch-Ashes
Depois de ter descoberto que a minha rica casinha chorava devido a rupturas na canalização da água fria e que depois descobriram que também havia na canalização da água quente, e ao fim de estar vários dias à espera dos canalizadores, eis que eles apareceram desde a semana passada para consertar a dita ruptura.
 Começou então o inferno do arranjo e às páginas comecei a pensar  que era melhor era estar mesmo com a água a correr das paredes. Isso porquê? Porque se a minha casa chorava agora grita.
O barulho do  martelo nas paredes, o esventrar das ditas cujas para pôr à mostra a maldita ruptura é de dar com qualquer um em doido, neste caso em doida! Acresço a isso, o facto de ver o meu hall de entrada transformado num estaleiro de obras em que o entulho se mistura com fios portas tiradas, paredes esburacadas e onde se vê canos enferrujados, homens de assobio fácil, fumo de cigarros fumados à escondida de mim, pó por todo o lado, o chão numa lástima, etc, etc.
Resolvi ficar Zen e não me ralar com nada disso. Respirei fundo e meti-me no meu escritório. Fechei a porta da cozinha onde nada faço porque está tudo cheio de pó, fechei o meu quarto e não uso a casa de banho porque não tenho água. Quando quero algo vou à casada minha simpática vizinha.
 Há pouco fui lá para poder servir-me da sanita e aproveitei para dar dois dedos de conversa com ela. Ofereceu-me a casa para se eu precisar dormir lá e comer. Ainda há gente boa. Declinei o convívio e voltei ao 'estaleiro'. Quero estar aqui para os rapazes não 'dormirem na fila'. Dizem-me que hoje a canalização fica pronta. Como o chão está uma lástima, depois virá cá uma outra equipa dar conta desse assunto. Vai ser outro horror. Afagamentos e envernizamentos!
 Antes terão que rebocar as paredes e pintar. Só depois disse se seguirá o chão. Tenho obras até ao fim de Outubro. Espero que continue o bom tempo, ele dá-me ânimo e força anímica para aguentar isto. Poderia ser pior. Uma doença é bem pior, dizem-me os amigos. Mas eu este ano também já tive problemas de saúde e por isso dispensava bem que a minha casa resolve-se imitar-me. Gostaria era que ela estivesse como estava, mas infelizmente não está, e por isso tenho que aguentar firme e hirta.
Como disse no post anterior em que comecei a relatar este pesadelo...dias melhores virão!
 Haja paciência!  

terça-feira, outubro 08, 2013

T. Chassériau-Um Banho no Serralho

Théodore Chassériau (1819-1856) é a meu ver um pintor excepcional. Tendo morrido muito novo aos 37 anos de idade, este artista francês nascido em Samaná na  República Dominicana, legou à posterioridade obras lindíssimas, abrangendo vários temas e detendo-se com grande cuidado no nu feminino que executou primoriosamente, com grandes detalhes, e belíssimos tons cromáticos. Partindo de temas  e influências orientalistas legadas pelos pintores românticos T.Chasseriau em muitas das suas telas fez uma reflexão sobre os costumes abrangendo variantes: banhos, odaliscas, escravas, mercadores, etc. Pegando na temática muito cara a outros pintores nomeadamente Ingres, Chasseriau vai integrá 
-la dentro de um ambiente árabe, criando telas de extraordinária riqueza de cores e luminosidade, que fazem com que quase nos sintamos dentro das mesmas, como atesta a obra aqui presente. Simplesmente magnífico.

terça-feira, outubro 01, 2013

Por Detrás do Candelabro

Há dias fui ver o o filme Por Detrás do Candelabro, a nova obra do realizador Steven Soderbergh e gostei muito. O filme tem uma história curiosa. Foi produzido pela cadeia de televisão HBO e era para passar na televisão num telefilme. Mas a páginas tantas a coisa começou a ter um êxito tal, que passou para o grande écran. Soderbergh a meu ver tem vindo a afirmar-se como um dos grandes realizadores da actualidade. Há dias vi na televisão uma obra sua feita há um ano, Contágio e adorei o filme. Se eu tinha algumas dúvidas que ele era um bom realizador essas dúvidas esfumaram-se a ver este filme. Na altura e apesar de já gostar desse realizador achei que o filme seria mais um sobre  vírus altamente contagiosos, mas não é assim. O filme foge a esse padrão tão habitual em outros filmes e paulatinamente vamos vendo que estamos perante um bom filme, muito reflexivo,muito seguro e bem realizado.
Foi então com redobrada curiosidade que fui ver esse esse biopic denominado de  Por Detrás do Candelabro que retrata alguns anos da vida deste fenomenal  entretainer e pianista que foi Liberace. Com Michael Douglas no papel de Liberace, um papelão digo -vos já, visto que este último se transfigura por completo seja a nível da voz (já ganhou com esse papel um prémio de televisão, juntamente com o realizador) seja pelos maneirismos do corpo, e com Matt Damon, num personagem muito longe daquilo que estamos habituados a ver, este filme é mesmo bom.
 Eu já conhecia alguns dos aspectos da vida de Liberace, nomeadamente a sua homossexualidade e o quanto ele era bom à frente de um piano,visto ter há muitos anos assistido pela televisão um dos seus espectáculos, mas o filme mostra-nos uma faceta tão negra e tão estapafúrdia da vida deste homem que saí do cinema impressionada com estas vidas tão   cheias de poder, dinheiro, alegria, mas ao mesmo tempo impregnadas de tragédia e que no fim é sempre o corpo a pagar por todos esses múltiplos excessos.
S. Soderbergh não está com meias medidas, e com paninhos quentes. Mostra o que tem a ser mostrado e vemos que os candelabros que enfeitavam os salas de espectáculos por onde Liberace actuava e que estavam até por cima dos seus inúmeros pianos , escondiam uma vida que por vezes roçava o patético e onde a extravagância era levada ao cúmulo do mesmo Liberace exigir que o seu parceiro sexual, tivesse que mudar de rosto para se assemelhar ao seu! Incrível!
Recomendo vivamente.