segunda-feira, setembro 30, 2013

Lady Gaga-Applause

O meu aplauso para um dos melhores vídeo clips que me foram dados a ver. Grande Lady Gaga!

sexta-feira, setembro 27, 2013

À Beira de Um Ataque de Nervos-I

E.Munch-O Grito
Eu sou muito caseira. Tenho uma ligação muito grande com  a minha  casa. Tenho muita dificuldade em mudar-me dela. Liguei-me a ela e enraizei-me. Talvez devido a isso, tenho muita admiração por pessoas que estejam constantemente a mudar de sítio, ou porque a renda ou a localização é melhor ou porque não se agarram a nada e simplesmente pegam na família e nos móveis e vão para outro lugar, quase sempre melhor, porque penso que ninguém se muda para ficar pior a não ser mesmo por estrita necessidade, o que actualmente  e infelizmente até tem acontecido muito. Pelos motivos acima assinalados estou mesmo em baixo porque a minha casa tem uma ruptura de canalizações e simplesmente....chora.
 Chora  porque sai água das paredes, sai água do chão, cai água na vizinha de baixo e ninguém consegue parar esse choro. Eu choro por ela, em solidariedade com ela. Estou assim há oito dias, desde a semana passada, quando a minha vizinha veio tocar à minha porta queixosa do que lhe estava a acontecer e pedindo  para eu ir lá abaixo ver o 'bonito serviço'  que a minha casinha estava a fazer à dela. Eu lá fui e não gostei nada do que vi. A pobre senhora estava constantemente a apanhar água que escorria da parede, e ela própria também já chorava. Veio a administração com o canalizador. Este último, que parecia perceber e muito da coisa em causa...começou logo a falar de partir paredes, e eu que na minha ingenuidade pensava que esse partir  paredes seria na escada fiquei logo desenganada, pois o mesmo tratou logo de dizer que a partir coisas era mesmo dentro da minha rica casinha!
 Fiquei em estado de choque pois isso de partir coisas não é comigo. Sou de paz e ver a minha casa a levar com um escopo e um martelo, a ser quebrada até se ver os malditos canos que vertem  desalmadamente e sem qualquer dó nem piedade por mim, põem-me simplesmente doente.
O pior ainda estava para vir. O meu chão que é em  madeira envernizada, num ataque de  solidariedade para com as paredes começou a inchar devido à água que se infiltra nele. O hall começou a estar em tal estado que eu mal conseguia andar. Há dois dias tropecei e estatelei-me no chão! A dita água, malandra e insidiosa começou a alastrar-se para uma das salas e também ali começou a aparecer 'barrigas de 3 meses'. Foi onde caí!
 Ora toma lá e tem mais cuidado a andar na tua própria casa!
O estalar do chão começou a ser audível e em desespero comecei a deprimir-se seriamente. Ontem veio outra vez o canalizador. Também ficou em estado de choque ao olhar para a minha casa. Esqueci de vos dizer que tudo isso se deve porque simplesmente eu espero há dias pelo perito dos seguros que ainda não fez a sua aparição, que a meu ver deve ser em grande, pois a espera assim mo leva a crer! O canalizador para eu não cair  outra vez e com muita pena de mim, fez o favor de me tirar alguns dos tacos do chão e aconselhou-me a pô-los a secar pois terei de os aproveitar, porque senão vou ter que colocar outro chão novo, coisa que nem me passa pela cabeça. Quando eu ia colocar o chão a secar no pátio que eu tenho, S.Pedro resolveu fazer a sua aparição  e começou a chover de grande! Como vêm é tudo a ajudar-me!
Resolvi então colocar alguns tapetes que ajudam não só a ensopar a água do chão como também não me farão cair devido à irregularidade do chão. Também tenho alguidares a apanharem agua que cai do teto...enfim...estou bem sitiada!
Continuo à espera dos peritos, continuo a espera que se faça algo. Tenho a casa num belo estado.
 Não convido ninguém para ela porque o cheiro a humidade e o estado em que ela está aconselham-me é a ir para um hotel Spa e ficar lá até que alguém me telefone e me diga que tudo está resolvido, que tudo já está arranjadinho, tapadinho,  arrumadinho e pintadinho e que posso regressar feliz e contente  à minha casinha. Num mundo perfeito era assim que devia acontecer. Neste mundo cão, e de peritos dos seguros  que não aparecem, terei é de aguardar e desesperar-me sempre na esperança que dias melhores virão.

quarta-feira, setembro 25, 2013

Gravity

Com a realização de Alfonso Cuarón e guião de Jonas Cuarón,(filho) está para breve a estreia em  Portugal o muito aguardado Gravity, um filme cujas estrelas maiores são George Clooney e Sandra Bullock, num papel não muito habitual na filmografia desta última,  ou seja a ficção científica. Gravity teve a sua estreia no Festival de Cannes com boas criticas. Há quem já o compare ao mítico 2001: Uma Odisseia no Espaço, de S.Kubrick, devido à solidão  e ao silêncio da fria escuridão espacial. 
O enredo mostra-nos  o que acontece quando dois astronautas se vêm confrontados com um acidente fora da nave espacial ( o problema dos detritos espaciais), e de repente são atirados para o espaço, tendo apenas como abrigo a vastidão desse mesmo espaço, a escassez de oxigénio e a certeza que dificilmente dali sairão com vida. Pelo trailer dá para ver que temos uma grande obra de ficção científica para quem tal como eu ama este   género de filmografia.
Que venha o filme!

sexta-feira, setembro 20, 2013

Ramon Casas-A Hora Do Banho

A Hora do Banho
Ramon Casas pintor espanhol, nascido em 1866 e falecido em 1932, ficou sobejamente conhecido pelos seus retratos, inúmeras caricaturas e pinturas que retratavam a elite social, intelectual e económica de Barcelona, sua terra natal, mas também de Madrid e de Paris cidades que visitava regularmente.
 Foi um percursor do modernismo espanhol, além de um exímio desenhador gráfico. O que eu mais gosto neste pintor não são dos seus nus, mas sim das suas obras que retratam cenas intimistas da vida quotidiana. nisso ele foi um excelente artista e soube tirar bom partido dessa sua faceta, conseguindo comercializar as suas obras com relativa facilidade.
 Na obra que aqui surge, vemos uma mulher que de despe, para o banho.
A cor predominante na tela é o branco do vestido que a mesma tira. Ela está de perfil, e com os cabelos apanhados ao alto. Do lado direito vemos um mecanismo que lhe permitirá ter água quente e a cor de bronze em contraste com o vestido branco, tornam a tela muito apetecível ao olhar do espectador. Este pintor teve a mestria de pintar telas muito bonitas e singelas em que de uma maneira geral retratava cenas familiares, do quotidiano, de festas com grande pormenor e carinho pelos seus modelos.

Ramon Casas
No filme que aqui se   presenta poderão apreciar um pouco mais a excelência deste pintor.

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terça-feira, setembro 17, 2013

A Noiva Prometida

Vou ser parca em palavras.
 Este filme é imperdível.
Este filme é lindíssimooooo!
 Este filme é uma obra de Arte em estado puro.
 A actriz principal, de seu nome Chayim Sharir, ganhou o prémio de cinema  da  Bienal de Veneza na categoria de Melhor Actriz.
A realizadora, Rama Burshtein é alguém que conhece muito bem a realidade aqui retratada, o modo de vida de uma comunidade de judeus ultra ortodoxos.
Em Lisboa o filme está no cinema King, do grupo Medeia filmes. Ide vê-lo e terão perante vós um dos melhores filmes que estão aí em cartaz. O filme que vos falo é o A Noiva Prometida.
E mais não digo. 
 
 
 

segunda-feira, setembro 16, 2013

Blue Jasmine

Habituada há vários anos a ver as comédias europeias de Woody Allen, e detestando a última este objecto cinematográfico disparatado que dava pelo nome de Para Roma com Amor, foi com agrado que vi ontem este Blue Jasmine, a última obra deste realizador norte americano que resolveu voltar às suas origens e prendar-nos (a acção passa-se entre Nova Iorque e São Francisco)  com uma filme em que a estrela maior é uma incrível Cate Blanchett. Esta última, num papel muito difícil, mas que a mesma desempenha de uma forma soberba, revisita um clássico do cinema, Um Eléctrico Chamado Desejo,(que a mesma já representou várias vezes em teatro) e entre lampejos de uma trágica Blanche Dubois, muito xanax, muita mentira, muito álcool, muita arrogância e soberba, muito ressabiamento, traça o destino de uma personagem tão trágica e tão patética que a páginas tantas nos  faz desejar que alguém tenha caridade e a interne imediatamente num qualquer hospício mais à mão. Estamos perante um Woody Allen, mais sombrio, as suas personagens  aqui já não gracejam, a vida está dura para todos, as riquezas aparecem e desaparecem num ápice, (o caso Bernie Madoff é aqui uma constante) especula-se  com o dinheiro de terceiros com a mesma facilidade com que se compram aviões ou uma bonita pulseira de diamantes,  o que hoje é verdade amanhã é a mais pura das mentiras, há enganos, traições, inverdades, e no fim só resta um banco de jardim e a mais completa solidão. Um filme que roça a genialidade e que concerteza dará a Cate Blanchett o merecido  Óscar de Melhor Actriz.

sexta-feira, setembro 13, 2013

Mariano Fortuny-A Odalisca


A Odalisca




 Mariano Fortuny e Madrazo  é para mim uma figura ímpar no mundo da arte. Nascido em Granada em 1871 e falecido em Veneza em 1949, Fortuny é hoje reconhecido como uma das grandes figuras do mundo da pintura, da fotografia,  do estilismo e da cenografia. É também hoje reconhecido como uma das pessoas mais criativas do século XX, posto que as suas criações de roupa, ainda hoje são fonte de inspiração para muitos estilistas. Tendo nascido no seio de uma família de artistas, cedo se destacou como exímio pintor. Muito viajado, procurou inspirações pelos vários países onde esteve e colaborou intensamente na criação de cenários para vários espectáculos, começando então a criar o guarda roupa para os mesmos. Foram criações suas que vestiram artistas de vários espectáculos do Scala de Milão, nomeadamente para as óperas Tristão e Isolda, A Valquíria entre tantos outros. Muito virado para a arte greco-romana, Fortuny foi paulatinamente definindo  o seu estilo de alta costura, caracterizado pela criação de largas túnicas, escolhendo tecidos muito finos, quase transparentes. Muitos dos padrões desses tecidos eram também criações suas, realizando assim uma linha de criação que ia desde o tear até ao produto final.  Foi também um inovador no que às cores e às texturas diz respeito, rompendo com muitos dos cânones em vigor. Foi ao fim e ao cabo um inovador a nível do estilismo, mudando as ideias em vigor no modo de vestir e de conceber a alta costura.
Essas criações vestiram muitas figuras da alta sociedade, muitas delas frequentando o palacete que a sua família possuía em Veneza e que hoje  ostenta o seu nome. No Museu do Traje em Madrid podemos apreciar muito do que Fortuny nos legou em matéria de estilismo, assim como muitas das suas criações a nível pictórico.
Contudo, e como referi mais acima Fortuny não foi só conhecido por ser um excelente estilista, ficou também para sempre ligado ao mundo da arte no qual a sua obra A Odalisca é um exemplo da mestria deste pintor.Cultivando muitas vezes a forma nua ao estilo greco-romano que tanto era apreciado pelo mesmo, rapidamente se deixou seduzir pelo ambiente oriental, concebendo um dos nus femininos mais esplendorosos que  de todo o século XX.
Nesta obra que o  pintor denominou de A Odalisca, uma criação sua de 1891 , vemos a representação do corpo de uma mulher totalmente nu enfeitado apenas com um bonito colar de pérolas, uns grandes brincos  e com uma pulseira em cada braço. Os seus cabelos negros são realçados pela cor clara do seu corpo e pelos panos que cobrem o leito. O fundo é escuro  e a um canto da tela vemos uma figura masculina que deleita a Odalisca tocando um instrumento musical. É uma figura apagada e escondida, que apenas serve um propósito, o de deleitar esta mulher que de olhos semi cerrados se  refugia num mundo só seu, esquecida até do seu próprio corpo, deleitando-se nos sons retirados daquele instrumento musical.
 Fortuny consegue com esta tela uma representação muito naturalista e muito ardente de um nu feminino, conseguindo-o através da postura despudorada do seu modelo e de si próprio. Nesta tela o pintor evidencia também ser alguém que domina de uma forma magnifica as cores  criando um ambiente árabe de extraordinária riqueza cromática e luminosidade.
Uma obra magnífica!
No filme que aqui se encontra  poderão ver algumas das criações de alta costura deste Mariano Fortuny.
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terça-feira, setembro 10, 2013

Julio Romero Torres-O Pecado

J.R.Torres-O Pecado
Julio Romero de Torres, pintor espanhol nascido em Córdoba em 1874 e falecido em 1930, criou obras muito interessantes, estando as mesmas espalhadas por vários museus, entre os quais o Museu Carmen Thyssen em Málaga. A sua  obra é tão vasta e tão interessante que existe mesmo na sua terra natal um museu dedicado a ela, sendo que a sua esfinge esteve também  representada em notas de 100 pesetas. É um pintor muito estimado não só na sua terra natal, como por toda a Espanha. Este pintor andaluz que  começou a pintar  muito cedo tendo também frequentado a escola de artes de Madrid. Romero de Torres viajou imenso, conheceu muitos pintores, bebeu de várias influências e ao longo da sua vida foi criando um estilo muito próprio. Os seus  retratos de mulheres e as suas representações de mulheres nuas  tiveram imenso êxito no seu tempo e permanecem até hoje como criações extremamente delicadas e cujo traço torna os seus modelos femininos seres misteriosos e muito irresistíveis ao olhar de quem os aprecia. É um pintor que no fundo caracteriza-se por misturar a sensualidade do corpo feminino com a típica  imagem trágica e mística do sul de Espanha.
A.Miguel Nieto-J.R.Torres
Nesta obra que aqui parece, o amaneirado e jovem corpo da mulher que se encontra de costas para os espectador está rodeado de sóbrias mas muito judiciosas senhoras, vestidas de preto da cabeça aos pés. Uma delas muito sorridente estica ambos os braços e mostra uma maça dourada o símbolo do pecado que vai dar nome a esta tela. Outra segura um espelho com que a jovem nua se mira As pés do leito vemos uns muito interessantes sapatos dourados  da mesma cor da maça. Este par de sapatos, os braços da mulher, que segura a maça, o colar de ouro que a mesma ostenta ao pescoço, os panos que acolchoam a cama e o corpo radioso da jovem  dão uma nota luminosa a toda a esta bonita tela. Esta obra intitulada O Pecado, pode ser apreciada no Museu Julio Romero Torres em Córdoba.
No filme que se segue poderão apreciar uma série de retratos de mulheres que o artista pintou de uma forma fabulosa.
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segunda-feira, setembro 09, 2013

Two Mothers

Este filme que vos vou falar hoje  já está em exibição há algum tempo. Não me despertava muito interesse em o ir ver e mesmo dando uma espreitadela no youtube o trailer não me incendiava a alma cinematográfica. Estou a referir-me ao  Two Mothers que em Portugal recebeu a denominação de Paixões Proibidas. Contudo, há pouco tempo fui jantar com duas amigas e as mesmas que já o tinham visto, puseram-se a dissertar sobre o mesmo com tanto entusiasmo e com tanta paixão, tirando cada uma delas ilações tão interessantes que o raio do filme começou a despertar o meu interesse. O guião deste filme é tirado de um livro de Doris Lessing, escritora laureada com o prémio Nobel de literatura, o  filme é  australiano, realizado por uma mulher, Anne Fontaine de seu nome, e que por mais estranho que pareça, ou talvez não, a mesma viveu durante muitos anos em Portugal, sabe falar português e é uma pessoa simpatiquíssima, para além de ter sido bailarina aqui e em França. Abandonou a dança para se dedicar ao cinema mais concretamente à realização.
 O filme, parte de uma história verídica que a escritora Doris Lessing quis passar para o papel, situado num recanto quase isolado da vasta Austrália, um lugar quase intocado pela sociedade e por isso sem o julgamento dessa mesma sociedade. É aqui que essas duas mães do título  do filme 'pecam' e fazem-no com o filho de cada uma delas, num quarteto muito fechado, de uma dimensão claustrofóbica e que no fim sabemos que nunca terá fim, será um eterno 'never end' que nos faz sair do cinema extremamente ,pois num só plano visto de cima e conforme a câmara de filmar se vai afastando vemos o que será o quotidiano daquelas pessoas e nada mais haverá  a não ser o eterno retorno.
 No fim a mim só me apetecia apanhar ar fresco, sair desse mundo claustrofóbico e circular, e foi isso mesmo que fiz logo que saí da sala. Apesar de ser um filme muito tumultuoso a nível das emoções em jogo, quem for ver este Duas Paixões deparar-se-á com uma obra  estranhamente  serena e nessa serenidade está escondido algo que já não é amor, é talvez paixão no seu sentido mais puro, mas essa paixão não explica muito do que ali se passa, pois perpassa por ali uma grande complexidade de sentimentos.
Nos papéis dessas duas mães, temos uma Naomi Watts, uns pontos abaixo daquilo que a actriz é capaz, contracenando com uma fabulosa Robin Wright, esta sim, em perfeito estado de graça. Robin Wright está perfeita num papel, muito difícil tanto para uma como para a outra, posto que em grandes planos, frente ao espelho as rugas a pele flácida, é posta a cru, numa prova cabal que a idade não perdoa e se o corpo ainda clama por grandes paixões, há sempre duas ninfetas para dois deuses (assim elas denominam os seus filhos) e contudo...essas mulheres maduras e unidas numa amizade para o bem e para o mal possuem algo, que fazem com que nos sintamos unidas a elas, compreendemo-las e o pior é que aqueles filhos também as compreendem e as amam ao ponto de expulsar do seu lado as suas legitimas esposas, num desfecho final que só poderia ser aquele e mais nenhum. Para além dessas duas mulheres temos também aqueles dois filhos, irmanados numa amizade idêntica à das mães, surfando, brincando na praia, dois meninos que crescendo no corpo mas não na mente, vivem uma homossexualidade sempre latente e que num futuro acabará por ser assumida como destino final.
 Naquelas casas, e naquela praia ficam encerrados segredos e sabemos que  aquela plataforma colocada a uns duzentos metros da praia é o mais longe que algum dia eles poderão ir. Estão enraizados ali e ali ficarão para sempre, quais deuses satisfeitos com a sua promiscuidade, falta de juízo moral e isolamento. E nós saímos dali, não os condenando, apenas precisando de respirar algum ar puro.Um filme fantástico.

sábado, setembro 07, 2013

Marie Laurencin

Gosto muito da obra da obra pictórica de Marie Laurencin e por isso não resisto aqui em abordar um pouco o percurso desta pintora nascida em no ano de 1883 em Paris tendo sido criada pela mãe.Não  há grandes referências sobre o pai.
 Marie Laurencin foi sempre uma vanguardista, uma mulher que teve sempre a mulher como seu modelo pintando-a nas mais diversas situações tendo contudo uma  predi-
leção especial em retratar dançarinas e nesse aspecto  ela foi uma exímia executante.
Durante ao primeira guerra mundial M.Laurencian deixa a França natal e parte para Espanha já casada com o alemão Otto von Waetjen.
Após um período nesse país e em Dusseldorf terra natal do marido,o casamento degradasse e Laurencin regressa sozinha a Paris.
 Esta pintora vai ocupar um papel de relevo no mundo da arte, principalmente em França nos primórdios do século XX, posto que seguidora das novas tendências artísticas que se faziam sentir ela integra a escola cubista sendo isso visível em algumas das suas inúmeras obras.
Esta pintora teve sempre o condão de em sedutores tons pastel acentuar características quase etéreas das figuras e modelos por si criados.
São  obras que nos transmitem a sua curiosa visão de um mundo inteiramente povoado bonitas raparigas personificando a tendência artística da década de 1920, no seu tom muito decorativo e muito despreocupado.
São mulheres que dançam acompanhadas de outras, num mundo muito seu, envergando túnicas coloridas, com enfeites nas longas cabeleiras e ostentando sorrisos diáfonos. As que não dançam, possam para a artista muitas delas  acompanhadas de pequenos cachorrinhos, sempre numa posse muito descontraída.
Amante do poeta e crítico de arte Guillaume Apollinaire e musa de alguns dos seus poemas, Marie Laurencin vai ser muito influenciada pela obra de Pablo Picasso e George Braque. Contudo, ela vai ser uma mulher muito livre nas suas criações, incidindo toda a sua obra na estética feminina, criando obras a óleo e a pastel onde a mulher seja ela jovem ou mais madura vão ter sempre papel central.
Até à sua morte em 1956 esta vanguardista vai criar obras ímpares, explorando sempre novos caminhos e quando se fez o acervo dessa imensa obra pictórica deu-se conta que a artista tinha deixado um espólio de  mais de meio milhar de obras!
Marie Laurencin também criou trabalhos a aguarela para ilustração de livros.
Amiga de grandes pintores como era o caso de Pablo Picasso, Matisse, Delaunay entre outros, manteve durante anos um círculo de arte no seu apartamento de Paris.
As suas obras estão espalhadas por vários museus do mundo  e por colecções particulares.Existe um Museu Marie Laurencin na cidade de  Nagano no Japão, onde o mesmo alberga inúmeras obras da artista. No vídeo abaixo indicado poderão apreciar algumas das obras desta pintora.
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terça-feira, setembro 03, 2013

A Melhor Oferta

Cartaz do Filme
Há alguns meses esteve em cartaz um filme absolutamennnteee fantástico, do realizador Giuseppe Tornatore, (Cinema Paraíso), denominado de "A Melhor Oferta". Não escrevi aqui sobre ele, porque na altura eu já não me sentia bem de saúde e  por isso após tê-lo visto e deliciando-me com ele apenas fiquei com a recordação do mesmo não tendo grandes forças para transmitir por palavras escritas aquilo que eu achava sobre esta obra genial. Escrevo agora e aqui sobre ele porque o mesmo surgiu  recentemente no (passo à publicidade) vídeo clube da Meo, e com grande pena minha sem grande publicidade ao contrário do que se passa com os mega blockbuster tais como O Homem de Ferro e tutti quanti....
A passagem para o vídeo Meo deveria ser bem mais publicitado, posto que para mim este "A Melhor Oferta" é um dos melhores ou senão mesmo o melhor filme que esteve em cartaz nos cinemas neste ano de 2013 e dizer isso não é pouco, visto que a oferta de filmes este ano tem sido muito boa.
O filme tem como actor principal o grande Geoffrey Rush, coadjuvado por Donald Sutherland, Jim Sturgess,  Philip Jacksone a  bonita actriz holandesa Sylvia Hoeks. 
O filme tem uma história muito singular que não vou aqui contar e que aviso já que o mesmo  nos faz ir de surpresa em surpresa, até ao final.
G.Tornatore
Ambientando-se no mundo das leiloeiras e por conseguinte no mundo algo esquizofrénico que é o mundo da compra e venda de arte, temos um  Geoffrey Rush, no papel singular de um  comprador/ vendedor/ de arte, muito solitário, muito egoísta, muito pedante, extremamente  misantropo, cruel, misógino e muito rico....que de um momento para o outro vê o seu mundo muito certinho ser posto do avesso, pelos telefonemas de uma   misteriosa jovenzinha, Claire de seu nome,  herdeira de uma misteriosa fortuna e que o passa a obcecar até à perdição final...e mais não digo.
O filme vale a pena não só pelas belíssimas representações, pois o leque de actores aqui exposto dá o melhor de si, como também pela visão daquela magnífica sala fechada a sete chaves, cheia dos melhores quadros de mulheres que até hoje foram pintados. A banda sonora...essa  é perfeita!
Para quem ama a arte ver aquela sala é vislumbrar um pedaço do paraíso. Só por si vale a pena ver o filme. Eu vou revê-lo porque este " A Melhor Oferta" é  daqueles filmes que uma visualização só não basta. Deixamos  numa primeira visualização pontas soltas que temos necessidade de as unir ao filme após vê-lo pela segunda vez.
Não o percam. O filme é fabuloso. Estou juntando um mealheiro para o comprar, pois o mesmo já está em DVD. Um filme que recomendo vivamente.

segunda-feira, setembro 02, 2013

Matar Saudades

Entrada do Museu
Este domingo deu-me numa de nostalgia e fui a um sitio onde há muitos anos passava as minhas férias de verão. Esse sítio  que na altura eu achava um 'must' é a Foz do Arelho, uma praia a uns quilómetros das Caldas da Rainha. Como  há muitos anos que eu não ia a esta bonita cidade, aproveitei o passeio para ir visitar da parte da manhã o Museu de José Malhoa, (a entrada aos domingos é gratuita até as 14 horas).
Retrato da Rainha D.Leonor
 Desde a minha ida lá, há uns bons 15 anos (se não me engano)o Museu que nessa altura estava extremamente degradado e até corria o risco de fechar, sofreu obras e está muito bonito. É um bom museu com obras fantásticas de pintores portugueses. A visita foi muito agradável e como fazia muito calor, estando lá dentro e na presença de tanta obra  bonita, tantos quadros magníficos do grande José  Malhoa e do magnifico Bordalo Pinheiro (entre tantos outros) a mim só me apetecia mesmo era acampar ali e quedar-me de vez.
O jardim, dentro das restrições orçamentais com que todas as câmaras municipais se debatem, está bem cuidado pontuado por belas estátuas. Lá dentro vale a pena uma visita demorada à sala onde se encontra uma magnifica cena da Paixão de Cristo feita em estatuária! Esplendoroso!
Não fui à fabrica Bordalo Pinheiro porque estava fechada, mas recordo-me que sempre que ia às Caldas da Rainha, não resistia a lá dar um salto e ver aquelas belas loiças. Depois do almoço num Centro Comercial que por lá existe e que fica por detrás de um novo Hotel muito bem implementado no centro da cidade e que não causa qualquer impacto ambiental, pois o edifício foi o aproveitamento de um já ali existente, rumei à Foz do Arelho.
Foz do Arelho
A estrada contínua a mesma pontuada por novas vivendas que não causam mossa à paisagem. É um caminho agradável de se fazer e até a própria Foz  do Arelho, não sofreu grandes modificações. Claro que está tudo melhorado, sinal de algum investimento que eu espero que não se perca devido à crise que atravessamos. Procurei logo o hotel onde eu ficava hospedada e lá estava o mesmo, mesmo na ponta da Foz. Já não existe, e isso não me surpreendeu, posto que a última vez que lá fiquei o mesmo já estava bem decadente. Está em obras, pelos menos está todo rodeado por andaimes e só espero que dali saia alguma coisa de jeito, se não for o hotel que pelo menos seja algo que as pessoas possam usufruir pois a vista para o mar é lindíssima.
Lagoa de Óbidos
O que menos gostei foi da enchente que ali se verificava. Não havia lugar para se estacionar. Como o dia estava muito enublado e até fazia algum frio, um tempo nada propício a banhos de mar,as pessoas foram para as belas esplanadas que bordejam a praia e era muita gente, muita gente mesmo! Carros era uma insanidade, e só me restou ir andando devagar vendo tudo com olhos de saudade e após isso, rumar à Lagoa de Óbidos. Lá o nevoeiro continuava serrado, algumas pessoas faziam canoagem, outras bebiam nas esplanadas, com o olhar fito no horizonte, talvez lembrando que as férias estão a terminar!
 A praia do Bom Sucesso, uns quilómetros acima estava cheia da famílias apanhando berbigão,  ninguém tomava banho pois a água estava muito fria, e aquele nevoeiro e algum frio que se fazia sentir não convidavam a aventuras de banhos. No restou mais do que irmos para uma esplanada, comer gelados e ler.
 Ao fim do dia visitamos aqueles bairros novos com casas muito bem arranjadinhas. Julgo que que as famílias que  ali passam as suas  férias e que ali vivam têm boa qualidade de vida, pois o sitio é sossegado, limpo e bonito. Quando rumava  a Lisboa, fiquei com a  com a certeza de que a Foz do Arelho continua um sitio muito agradável e bem preservado.
Se Deus quiser, para o ano que vem voltarei a este lugar de bons veraneios, mas para passar alguns dias de praia no extenso areal que lá existe e que me fazia sempre sorrir com a quantidade de distância que tínhamos que percorrer até conseguir molhar os pés. Que dias fantásticos aqueles!